segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Custos operacionais do comércio exterior brasileiro podem cair até 60%

OEA Integrado visa dar garantias à segurança física das cargas

As empresas exportadoras e importadoras do Brasil que aderirem, voluntariamente, ao programa Operador Econômico Autorizado (OEA Integrado), poderão reduzir os próprios custos operacionais entre 40% e 60%, conforme dados apurados na Suécia, nação pioneira na implantação desse sistema. É o que anunciou o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no dia 16 de novembro.

O órgão deve aderir oficialmente ao programa – que, no Brasil, é coordenado pela Receita Federal – no próximo dia 13 de dezembro, em São Paulo, de acordo com informações do então ministro interino Eumar Novacki, que assumiu o cargo enquanto o ministro Blairo Maggi está em viagem ao exterior.

Para o Mapa, o OEA Integrado está alinhado ao Agro+, plano de desburocratização, simplificação e modernização do agronegócio, lançado em agosto passado pelo órgão federal. O Operador Econômico Autorizado é uma iniciativa do Fórum Internacional de Aduanas, lançado no Brasil no ano de 2014.

Dados do órgão federal informam que, até agora, 84 empresas brasileiras – a maioria do setor de eletroeletrônicos – já aderiram ao programa, que visa, principalmente, dar garantias à segurança física das cargas e o cumprimento das obrigações tributárias e aduaneiras, de maneira mais rápida.

Criador da metodologia para implantação do OEA, Lars Karlsson relatou, durante coletiva de apresentação do programa na sede do Mapa, que as empresas que respondem por aproximadamente 12% do comércio mundial já estão utilizando o sistema: “Até 2019, o percentual atingirá 50%”.

Os resultados globais, segundo o executivo, apontam na direção da queda dos custos, rapidez nos processos comerciais e menor incidência de erros, entre outras vantagens.

SEGURANÇA DA CADEIA LOGÍSTICA

Diretor da Sociedade Nacional da Agricultura (SNA) e diretor comercial e de operações da Agrometrika, o analista de mercado Fernando Pimentel explica que o programa OEA é uma certificação concedida pelas aduanas aos importadores, exportadores, agentes despachantes, empresas operadoras e estrutura (portos, aeroportos, terminais, companhias marítimas, etc.).

“O OEA atende a um protocolo que favorece a segurança da cadeia logística. Em tese, sua implementação objetiva oferecer maior segurança e competitividade para nosso país e outras nações que aderirem a ele, em suas transações de bens no âmbito internacional. Como é uma certificação, atesta para as autoridades aduaneiras que as empresas aderentes ao Operador atendem, previamente, a padrões mínimos de segurança estabelecidos dentro dos programas de cada nação”, ressalta Pimentel.

Conforme o diretor da SNA, “à medida que aumenta a adesão ao programa internacional, que deve crescer a partir das maiores empresas com mais capacidade de investir em melhoramento de processos, aquelas que não puderem investir, em resposta ao protocolo OEA, vão ficando para trás no mercado, podendo operar em um ambiente mais “marginal” do mercado”.

Na opinião de Pimentel, essa certificação deve começar como o padrão International Organization for Standardization (ISO ou em português, Organização Internacional de Normalização) começou: “Ninguém é obrigado a ter ISO no seu negócio, mas para se atingir determinados mercados ou clientes, a certificação passa a ser mandatória”.

MODERNIZAÇÃO

Durante coletiva de imprensa, em Brasília, o ministro interino do Mapa, Eumar Novacki, disse que o OEA Integrado “vai premiar empresas que trabalham em conformidade com as normas do Ministério”, dando mais um passo para que o Brasil avance na modernização do comércio exterior agrícola.

Segundo informações do Ministério da Agricultura, no primeiro trimestre de 2017, esse programa deverá envolver duas cadeias do agronegócio: a de exportação de carnes e a de importação de insumos para agroquímicos. De acordo com o secretário de Defesa Agropecuária do órgão, Luis Rangel, o programa piloto já deve estar em operação a partir de janeiro do ano que vem.

Ainda conforme o órgão federal, na prática, o OEA Integrado consiste em “monitorar menos, sem deixar de fiscalizar”. A partir desse perfil, o programa utiliza o sistema de amostragem para as empresas exportadoras e importadoras, que já sejam reconhecidas internacionalmente pela confiabilidade de seus produtos.

Elas farão parte de uma lista das melhores em seus segmentos de atuações no mercado, recebendo um selo OEA. Atualmente, cem países já aderiram ao sistema do Operador Econômico Autorizado. “Como o Brasil exporta para 180 países, a medida tem grande potencial para se expandir”, aponta o Ministério da Agricultura.

SELO OEA

Na visão do diretor da SNA Fernando Pimentel, o selo OEA deve agregar mais valor aos produtos agropecuários brasileiros: “Pelo menos, esse selo pode impactar positivamente na credibilidade, mas inicialmente deverá haver um custo de adequação”.

Pimentel analisa que os requisitos do sistema em questão são bem rigorosos e exigem um alto grau de adequação da empresa, “entenda-se custo, com normas de segurança em várias fases da operação de exportação, seja na de movimentação de carga, pessoal, qualidade de armazenagem, seguro, registro das operações comerciais, educação e formação de pessoal, empenhados nas operações aduaneiras”.

Para atingir esse compliance, continua o diretor da SNA, “as empresas terão, invariavelmente, de investir recursos humanos, tempo e dinheiro”. “Todas essas medidas devem agregar na qualidade dos produtos, mas a questão que não cala é: ‘o importador vai pagar um prêmio por isso?’”, questiona.

Sumitomo abre Centro de Pesquisas no Brasil

A japonesa Sumitomo Chemical inaugurou no último dia 22 de Novembro seu “Centro de Pesquisas da América Latina” (LARC, na sigla em inglês). A unidade será operada pela subsidiária SCBR (Sumitomo Chemical do Brasil), e vai realizar trabalhos de estudo e desenvolvimento, além de testes de campo e análises de produtos fitossanitários e relacionados.

Trata-se da primeira base de pesquisa e desenvolvimento da Sumitomo Chemical Group no continente sul-americano. As instalações, localizadas no município de Mogi Mirim (SP), contam com uma área de aproximadamente 48 hectares de campo experimental, edifícios de laboratório e estufas, entre outros aparelhos. 

Com o empreendimento, a companhia pretende desenvolver produtos mais adaptados às condições e exigências locais, realizando para isso ensaios e testes mais detalhados e confiáveis, voltados especificamente para o mercado latino-americano. A região é considerada estrategicamente importante para a Sumitomo Chemical dentro do negócio de produtos de proteção de cultivos. A criação deste novo braço de pesquisa e desenvolvimento no hemisfério sul pretende tornar os testes de campo mais eficientes, uma vez que a empresa só possuía instalações esse tipo de unidade no hemisfério norte.

“O Centro de Pesquisas desempenhará um papel fundamental não só no fortalecimento do negócio de ‘AgroSoluções’, mas também na promoção de outros negócios da companhia, como o aditivo alimentar metionina. A companhia acredita que a abertura desta base de P&D vai criar um novo impulso em seus vigorosos esforços para expandir ainda mais as oportunidades de negócios na América Latina”, diz o comunicado oficial da Sumitomo.

Fonte: Agrolink

domingo, 27 de novembro de 2016

Nova estratégia para controle do cancro cítrico é debatida durante seminário em São José do Rio Preto

A nova legislação estabelece medidas para o controle do cancro cítrico em todo o Brasil


O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, se reuniu com representantes da cadeia produtiva de citricultura para debater as mudanças na legislação para o controle do cancro cítrico em propriedades paulistas, permitindo adotar novas estratégias que não seja exclusivamente a erradicação da planta doente. O encontro foi realizado na tarde da quarta-feira, 24 de novembro, em São José do Rio Preto.

O workshop “Sistema de Mitigação de Risco (SMR) para o Controle do Cancro Cítrico”, realizado pela Secretaria em parceria com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), reuniu mais de 150 participantes entre produtores rurais, engenheiros agrônomos, técnicos da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), pesquisadores dos institutos mantidos pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e representantes da indústria para entender e criar medidas estabelecidas pela Instrução Normativa (IN) nº 37, publicada no dia 6 de setembro de 2016, pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que permitirá fazer mitigação de risco em produção de citros.

A nova legislação, que entrará em vigor em março de 2017, estabelece medidas para o controle do cancro cítrico em todo o Brasil, abrindo a possibilidade para Estados com a incidência da praga, como São Paulo, fazerem a mitigação de risco, permitindo adotar novas estratégias de controle que não seja exclusivamente a erradicação da planta doente.

Na prática, os produtores localizados em áreas afetadas poderão comercializar frutas in natura, tanto no mercado interno como no mercado internacional que reconhecem o SMR como medida fitossanitária, desde que adotem as medidas previstas pela legislação, devidamente atestadas em um Certificado Fitossanitário De Origem (CFO). “O importante neste processo é que haja a certificação das propriedades, sendo que a intenção é que até fevereiro de 2017, os produtores possam cadastrar as suas informações pelo sistema de Gestão de Defesa Animal e Vegetal (Gedave)”, disse o coordenador-adjunto da CDA, Mário Sérgio Tomazela.

O secretário Arnaldo Jardim ressaltou que o Governo do Estado já vem colocando em prática uma série de ações para reforçar o controle de doenças como o cancro cítrico, principalmente envolvendo a questão legal, além de discutir pesquisas nas áreas de fitossanidade e medidas preventivas voltadas à educação sanitária e comunicação com a cadeia produtiva. “Somente com essas medidas teremos sucesso em relação a esse novo sistema. Essa é a orientação do governador Geraldo Alckmin”, disse.

Atualmente, a conduta estabelecida pela CDA é a eliminação da planta contaminada e pulverização com cobre das plantas no raio de 30 metros – procedimento que deve ser repetido a cada brotação. O citricultor deve realizar, no mínimo, uma vistoria trimestral em todas as plantas de citros da propriedade, com o objetivo de identificar e eliminar aquelas que apresentem sintomas da doença. Estas inspeções deverão ser informadas à Pasta, por meio de relatórios semestrais, assim como já é feito para o greening (HLB).

Tomazela, ressaltou que a mudança exigirá uma atenção maior de todos os elos da cadeia produtiva para as questões fitossanitárias, independente do sistema a ser utilizado. “É preciso monitorar cada etapa, desde a produção, passando pelo Packing House, a certificação da produção por profissionais credenciados, até chegar nas auditorias da CDA e do Mapa”, acrescentou.

A transferência de conhecimentos por meio dos workshops foi comemorada pelo setor produtivo. Para o citricultor Orlando Miranda dos Santos, de Urupês, “essa divulgação é muito importante para orientar os produtores a compreender as novas normas e buscar meios de evitar a doença nos pomares”, disse.

O próximo workshop “Sistema de Mitigação de Risco (SMR) para o Controle do Cancro Cítrico” será realizado em Araraquara, no dia 29 de novembro de 2016, na sede da Fundecitrus, localizado na Av. Adhemar Pereira de Barros, 201 – Vilha Melhado. Saiba mais clicando aqui).

O primeiro registro de cancro cítrico em São Paulo foi em 1957. A doença é causada pela bactéria Xanthomonas axonopodis e ataca todas as variedades e espécies de citros, provocando lesões em folhas, frutos e ramos, e quando em altas severidades pode provocar a queda de frutos e folhas com sintomas. As lesões podem ter variações nas suas características, podendo ser confundidas com outras doenças e pragas.

Valor bruto da produção agropecuária deve ser de R$ 519,3 bi neste ano

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária, que corresponde ao faturamento global dentro da propriedade rural, tende a estabilizar em torno de R$ 519,3 bilhões neste ano. O número, referente ao mês de outubro, foi divulgado nesta quinta-feira (17) pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O VPB projetado é 2,5% menor do que o de 2015. O valor das lavouras teve queda de 1,9%, e o da pecuária, 3,7%. “A redução de faturamento tem impacto decisivo no resultado de 2016”, assinala o coordenador-geral de Estudos e Análises da SPA, José Garcia Gasques.

Os produtos agrícolas com melhor desempenho foram banana, com aumento de 39,7%, trigo (26%), batata inglesa (25,4%), café (14,4%), maçã (12,3%), feijão (9,6%) e soja (2,7%). Na pecuária, a carne de frango foi o destaque, com elevação de 2,8% em relação a 2015.

Entre os produtos em 2016 com resultados do VBP abaixo do ano passado se destacam o tomate (-47,4%), fumo (-28,7%), amendoim (-16,4%), uva (-16,2%), arroz (-16,1%), cacau (-14,4 %), algodão (-12,5 %), laranja (-12,1%), mandioca (-10,7%), milho (-7,7%) e cebola (- 4%).

“As secas ocorridas neste ano afetaram diversos produtos, especialmente grãos, nas diferentes regiões do país, como Centro-Oeste e Nordeste”, diz Gasques. “Houve também efeitos sobre os cafezais no Espírito Santo”. Já a safra de milho teve queda superior a 20 milhões de toneladas por causa da falta de chuva, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os primeiros prognósticos divulgados para a próxima safra mostram resultados relevantes para diversos produtos analisados por instituições como IBGE e Conab. Os levantamentos realizados em outubro indicam safra de grãos variando entre 210,9 milhões de toneladas e 215 milhões de toneladas, de acordo com a Conab, e de 209,4 milhões, conforme o IBGE. Para a produtividade é previsto acréscimo de 13% em relação a 2016.

As previsões para o VBP indicam valor de R$ 562,5 bilhões para 2017. Com isso, o acréscimo real previsto é de 8,3%. “Em grande parte, a projeção é atribuída às perspectivas favoráveis de algodão, feijão, milho, soja e arroz, dos quais se esperam bons resultados da produção no próximo ano”, acrescenta Gasques. Há expectativas de que o clima continue tendo comportamento favorável.

Confira aqui e aqui os números do VBP.

Turismo agrícola internacional gera negócios milionários

Foi-se o tempo em que turismo rural era somente pescaria, passeios a cavalo e a fartura dos restaurantes coloniais. O ramo de atividade ganha cada vez mais setores especializados e um deles interessa principalmente ao agronegócio de alto rendimento. O turismo internacional agropecuário tem conquistado adeptos ano após ano e se consolida como um negócio capaz de faturar milhões, mas não só para as agências: os “turistas” também lucram.

Julio Bravo, proprietário da empresa de turismo agrícola Agrobravo, sediada em Curitiba, já levou mais de mil pessoas para os cinco continentes do planeta. Ele está no mercado desde 2008 e montou sua própria empresa há três anos. O faturamento começou com R$ 5 milhões e em dois anos cresceu 40%, alcançando R$ 7 milhões. “Ofereço viagens corporativas, voltadas para o mundo do agronegócio. Onde existe agricultura, já colocamos os pés. Temos na nossa lista 25 países agrícolas, nos cinco continentes”, conta.

O perfil de quem viaja, segundo Bravo, vai de médios a grandes produtores. Quem costuma organizar as viagens, no caso da empresa dele, são concessionárias de marcas de maquinários agrícolas. Cada cliente paga as suas despesas, a marca apenas organiza e convida os “turistas”. “O concessionário dessas empresas é quem nos contrata. Nós montamos o roteiro para eles, incluindo visitas às fábricas deles, a fazendas, centros de pesquisa e etc.”, explica. O gasto médio de uma viagem dessas para os Estados Unidos, por exemplo, fica entre US$ 3,5 a US$ 5 mil dólares (incluso refeições e guias técnicos).

O engenheiro agrônomo e produtor rural Miguel Nedel, da cidade de Giruá, no Rio Grande do Sul, já conheceu a região produtora de grãos dos Estados Unidos e parte do mercado agrícola na China. E ele não pretende parar por aí. A cada ano que faz suas viagens, conta que acumula mais contatos e isso facilita o fechamento de negócios, que vão desde a compra de maquinários até a venda de seus produtos. “Ficamos vários dias juntos, então se cria uma amizade, e consequentemente negócios entre os participantes do tour”, diz.

Especialização é a chave do sucesso

Como a atividade é relativamente nova, ainda não há números específicos, mas a segmentação desse nicho dentro do turismo é uma tendência. O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem, Pedro Kemp, enfatiza que a especialização dos agentes e estabelecimentos é um fator-chave para o sucesso de qualquer que seja o segmento turístico.

“Toda hora que eu me especializo em algo, vou ter mais conhecimento daquilo e do meu cliente. Se eu quero saber como funciona essa técnica de gotejamento em Israel, por exemplo. Quando você é um especialista no negócio, você tem muito mais conhecimento de como funciona”, explica. “É como você ir ao médico, um especialista na área vai ter muito mais conhecimento, vai saber exatamente o que fazer”, completa.

Conab realiza mais uma etapa do censo de armazéns

Levantamento será feito na Bahia, em Goiás, Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e Espírito Santo


Cinco estados brasileiros passarão pelo censo de armazenagem da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab): Bahia, Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. Ao todo, serão visitadas 2.527 unidades privadas em 288 municípios. A ação envolve 39 técnicos da Conab e recursos previstos de cerca de R$ 300 mil.

Os trabalhos, iniciados no final de outubro, devem ser concluídos em dezembro. Entre os itens checados nas operações, estão a estrutura do imóvel, os equipamentos e a capacidade estática, além das condições técnicas de operação, item fundamental para assegurar o cadastro. Serão atualizadas também informações sobre mudança de proprietário e excluídas unidades que deixaram de ser utilizadas como armazém.

As informações do censo são utilizadas para alimentar o Sistema de Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras (Sicarm) e são essenciais para garantir o registro que possibilita aos armazenadores a estocagem de produtos do governo federal. O Sicarm auxilia os agricultores na tomada de decisões logísticas e ainda é utilizado pelo governo como base para traçar políticas públicas de apoio ao setor. Além disso, serve como fonte para pesquisas no Brasil e no exterior.

A Bahia terá censo em 100% de seus armazéns. Em Goiás, também será feito o censo completo nas unidades cadastradas, além de inclusão de novos armazéns que já pediram o cadastramento. O Rio Grande do Sul deverá ter novas etapas no ano que vem para contemplar todas as unidades do estado.

Ao longo de 2016, a Conab aproveitou as visitas de fiscais, que foram a campo para checar produtos do governo estocados em unidades de terceiros, para cadastrar armazéns novos próximos aos roteiros de fiscalização.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Exportações do Brasil em contêineres sobem no 3º tri puxadas por agronegócio

As exportações do Brasil em contêineres subiram 2,9 por cento no terceiro trimestre deste ano, puxadas principalmente por embarques de produtos do agronegócio, enquanto o volume de importações reduziu o ritmo de queda, apontou nesta terça-feira um relatório setorial da Maersk Line, maior empresa de transporte marítimo de contêineres do mundo. O volume de contêineres refrigerados na exportação subiu 0,8 por cento no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2015, disse o relatório.

A alta neste tipo de contêiner, que carrega majoritariamente carnes congeladas e frutas, foi de 28,4 por cento para a Ásia, compensando quedas nos embarques para Europa, África e Oriente Médio. "Ao longo deste ano inteiro vimos crescimento da carga refrigerada, principalmente para Ásia. O driver principal é o aumento de consumo chinês. A mudança de hábito de alimentação do chinês é muito encorajadora, e isso veio para ficar", disse o diretor de Trade e Marketing da Maersk Line na Costa Leste da América do Sul, João Momesso.

Já o volume na exportação em contêineres de carga seca, que engloba desde produtos manufaturados até commodities agrícolas (exceto carnes e frutas), subiu 3,6 por cento no período de julho a setembro deste ano, ante o mesmo período em 2015. "Uma commodity que teve peso muito forte no trimestre foi o açúcar. Alguns mercados do Sudeste Asiático tiveram que ser supridos pelo açúcar brasileiro", disse Momesso, salientando que o volume embarcado com açúcar em contêineres subiu 49,5 por cento no trimestre.

O algodão, que tem uma grande participação no número total de contêineres exportados, subiu 6,1 por cento no período. A madeira, que responde por um sexto de todos os contêineres de carga seca exportados pelo país, teve alta de 44,3 por cento no trimestre, com fortes vendas para Índia e Vietnã.

Numa tendência oposta, o uso de conteineres para exportações de soja caiu 72,3 por cento no trimestre, segundo a Maersk Line, devido a um encarecimento dos fretes. Os custos para exportar em contêineres tem subido desde o fim do ano passado, porque o volume de importações do país caiu, fazendo com quem sobrem menos linhas marítimas e menos contêineres vazios para fazer os embarques e os fretes de retorno a partir do Brasil.

Com isso, houve uma retração dos exportadores de soja que vinham experimentando usar contêineres para suas vendas no exterior, em um setor margens muito apertadas e sensível a alterações de custos. "O relatório mostra que, devido à falta de espaço para Ásia, algumas das commodities tiveram que deixar o contêiner", comentou Momesso.

IMPORTAÇÕES

Termômetro da atividade econômica do país e do poder de compra dos consumidores, as importações por contêineres continuaram recuando no terceiro trimestre, embora em um ritmo menor, apontou a Maersk Line. As chegadas de contêineres no país caíram 8,6 por cento no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2015, que já tinha sido um período de desaceleração nos negócios.

Nos dois primeiros trimestres do ano, a retração de importações havia sido de 31,2 e 17,6 por cento, segundo o relatório. "Não está recuperando ainda, mas a velocidade da queda diminui. Para o atual trimestre, nossa expectativa é que pare de cair. Pelo menos os volumes estão estabilizando", destacou o executivo. Segundo o relatório, as importações declinaram menos graças à melhoria na demanda por bens europeus e asiáticos.

Fonte: Reuters

Mapa disponibiliza tecnologia para cultivo de orgânicos

Tecnologias adequadas para cultivar alimentos orgânicos foram reunidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no documento Fichas Agroecológicas: Tecnologias Apropriadas para a Produção Orgânica lançado nesta terça-feira (22). Cinco mil exemplares estão sendo distribuídos a núcleos de agroecologia, universidades e a projetos de extensão com informações de manejo do solo, de preparo de insumos para controle sanitário animal e vegetal, de manejo das plantas espontâneas e de adubação verde, entre outras práticas.

O conteúdo resumido em linguagem simples, de fácil compreensão, segundo Virgínia Lira, chefe de Divisão de Desenvolvimento da Agroecologia e Produção Orgânica do ministério, visa “socializar o conhecimento da agroecologia com produtores e técnicos e estimular a construção e a divulgação de novas tecnologias”.

Essas fichas ficarão disponíveis no site do Mapa e também no portal agroecologia.gov.br, a ser lançado, com dados do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo). Por enquanto, são 124 fichas com diferentes informações, mas a ideia, de acordo com Virginia Lira, é que o material seja permanentemente atualizado. A técnica da Secretaria de Mobilidade Social, do Produtor Rural e do Cooperativismo observou que contribuições de pesquisadores podem ser encaminhadas ao email organicos@agricultura.gov.br.

A produção orgânica vem crescendo no país. Em 2013, havia 6.700 unidades de produção orgânica, hoje são 15.663 . O ministério conta com Comissões de Produção Orgânica (CPORgs) nas unidades da Federação, que coordenam ações de fomento à agricultura orgânica, sugerem adequação das normas de produção e de controle da qualidade, ajudam na fiscalização e propõem políticas públicas para o setor. São formadas por 578 entidades públicas e privadas.

Font 

Indústrias de suco de laranja pagarão R$301 mi após admitirem cartel ao Cade

O dinheiro será recolhido para o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), segundo o Cade


O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) celebrou acordo com diversas indústrias de suco de laranja, que admitiram formação de cartel no mercado nacional de aquisição da fruta, prevendo um pagamento conjunto de 301 milhões de reais, valor mais alto já pago no âmbito de acordos junto ao órgão, segundo comunicado da instituição nesta quarta-feira.

O acordo, capítulo importante de uma longa e tumultuada história envolvendo citricultores e a indústria do Brasil, o maior exportador global de suco de laranja, foi visto com reservas por uma associação de produtores da fruta.

Cutrale, Citrovita, Coinbra (Louis Dreyfus Company), Fischer, Cargill, Bascitrus e a extinta associação do setor, Abecitrus, além de nove pessoas físicas, assinaram os acordos, colocando fim a uma investigação iniciada em 1999, a mais antiga em curso no órgão antitruste.

"As partes admitiram participação na conduta investigada, se comprometeram a cessar a prática e colaboraram com o órgão antitruste na elucidação dos fatos, em linha com a atual política de acordos da autoridade antitruste", afirmou a nota.

Ao longo de mais de 16 anos de tramitação, a investigação do Cade foi alvo de diversos questionamentos na Justiça, sendo a mais recente em 2015, quando o processo foi suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça. Com a assinatura dos acordos, as empresas aceitaram desistir das ações judiciais.

"A contribuição pecuniária foi desproporcional ao prejuízo causado pelo cartel aos produtores, de forma geral", disse o presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas, que representa produtores independentes. Segundo ele, os detalhes do acordo no Cade ainda serão analisados pela entidade.

Após um movimento de consolidação, a indústria exportadora de laranja no Brasil é composta atualmente por três grandes companhias: Cutrale, Citrosuco (que realizou fusão com a Citrovita) e Louis Dreyfus. O grupo é representado desde 2009 pela associação CitrusBR, quando ela foi criada.

A norte-americana Cargill, também envolvida no processo, vendeu suas operações de suco de laranja no Brasil para a Cutrale e a Citrosuco, em negócio anunciado em 2004. 

"Esses assuntos (jurídicos antigos) não fazem parte da pauta da associação... Mas a gente sempre acredita na pacificação (das relações entre indústrias e fornecedores)", disse o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto.

Fonte: Reuters

Agricultores que investem na gestão da propriedade conseguem aumentar a rentabilidade em até 20%

Assim como em qualquer empresa ou atividade econômica, nas propriedades rurais é preciso utilizar as ferramentas de gestão estratégica para reduzir custos e riscos e garantir a saúde financeira do negócio. No entanto, muitos produtores brasileiros ainda têm dificuldade de mensurar financeiramente o resultado do seu negócio.

O bom planejamento financeiro, com controle de custos e resultados, entre outras práticas, é tão necessário quanto a correta adubação ou o controle eficiente de pragas e doenças. O produtor rural precisa adotar a condução profissional do seu negócio. “Isso significa que não basta apenas ter uma boa produtividade, sem saber quais são os seus custos. Não são raros os casos de fazendeiros cujas lavouras alcançam altos índices de produtividade, porém, acompanhados de custos de produção muito elevados que inviabilizam o resultado financeiro positivo do negócio”, explica o presidente da Albaugh Brasil, Renato Seraphim.

De acordo com dados do Senar (Sindicato Nacional de Aprendizagem Rural) de Mato Grosso do Sul, a correta gestão rural proporciona elevação na lucratividade entre 15% a 20%. Segundo a entidade, somente o registro regular de custos e despesas, por exemplo, pode gerar uma economia de até 3%. Caso haja adesão ao cooperativismo, os produtores rurais podem obter lucro de até 50% nas negociações de produtos.

Uma das formas eficientes de reduzir os custos de uma propriedade é planejar a compra de insumos com antecedência, optando quando possível pelos defensivos genéricos, que são mais baratos e têm eficiência e qualidade garantida. “Adquirir os produtos por meio de barter com os fabricantes de agroquímicos e distribuidores também é uma excelente alternativa de planejamento e de previsibilidade de custos”, orienta Seraphim.

Como os preços das commodities agropecuárias são definidos pelo mercado, a melhor alternativa para o fazendeiro elevar seu lucro é investir na otimização de custos com a utilização eficiente de máquinas e mão de obra e compra planejada de insumos, além de negociação antecipada de parte da colheita.
Fonte: Agrolink com informações de assessoria