sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Citros/Cepea: Pera tem valorização; oferta de tahiti diminui no BR



Os preços da laranja pera subiram nesta semana, influenciados pelo leve aumento da demanda no último final de semana. A média da variedade entre segunda, 29 de agosto, e quinta, 1º de setembro, foi de R$ 23,65/cx de 40,8 kg, na árvore, alta de 4,7% frente à semana anterior.

De acordo com pesquisadores do Cepea, as precipitações ocorridas no período foram bem vistas por produtores, já que favorecem o desenvolvimento das floradas que darão origem à safra 2017/18. Para a lima ácida tahiti, a ligeira retomada das exportações e a interrupção da colheita por conta das chuvas limitaram ainda mais a disponibilidade da variedade no mercado interno.

A média parcial da fruta no mesmo intervalo foi de R$ 57,35/cx de 27 kg, colhida, pequena queda de 1,5% em relação à semana passada.


Fonte: Cepea/Esalq

PIB agropecuário cai 2% influenciado pelas perdas na produção de grãos

Combinação de excesso de chuva, seca e altas temperaturas agravou quebras nas lavouras 


O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária caiu 2% no segundo trimestre de 2016 (abril/junho) comparado aos primeiros três meses deste ano, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (31), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação anual dos trimestres (2º trimestre 2016/2015) a diminuição na atividade foi de 3,1%. O acumulado de 2016 mostrou retração de 3,4% na atividade agropecuária, menor que a queda de 4,6% do PIB do país. O valor do PIB agropecuário atingiu R$ 90,76 bilhões ao final de junho.

O PIB brasileiro teve queda de 0,6% no segundo trimestre de 2016. Na comparação dos dois trimestres (2016/2015) a diminuição na atividade foi de 3,8%. O acumulado do ano aponta queda de 4,6%, com o PIB somando R$ 1,53 trilhão. O acompanhamento dos resultados da safra deste ano mostrou que as previsões iniciais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do IBGE, foram se alterando no decorrer dos meses, devido as perdas com o excesso de chuvas em algumas áreas e secas e temperaturas elevadas em outras. Os problemas climáticos causaram forte impacto na produção e na produtividade de grãos no país. Algumas áreas foram seriamente afetadas, em especial aquelas dos Cerrados do Centro-Oeste e Centro Nordeste. 

O IBGE destaca também o decréscimo da produção anual e da produtividade de lavouras importantes, que têm safras relevantes no segundo trimestre do ano. Foram afetados o milho com queda de 20,5% na produção; arroz com redução de 14,7%; algodão baixa de 11,9%; feijão (-9,1%), e soja, redução de 0,9%.


Pesquisa inédita produz húmus com o uso de piolhos-de-cobra

Gongolos são pouco conhecidos e não há registro de qualquer estudo na produção científica brasileira sobre o tema


Pesquisadores da Embrapa Agrobiologia (RJ) descobriram que os gongolos, pequenos animais que fazem parte da fauna do solo e conhecidos como piolho-de-cobra, maria-café ou embuá, são exímios trituradores de resíduos e produzem adubos orgânicos de excelente qualidade. Testado na produção de mudas de hortaliças, o gongocomposto – como está sendo chamado o produto – não perde em nada para os melhores substratos comerciais.

Ao contrário das minhocas que são bem famosas pela capacidade de produção de húmus, os gongolos são pouco conhecidos e não há registro de qualquer estudo na produção científica brasileira sobre o tema. O resultado das pesquisas mostrou que o substrato produzido pelos gongolos tem a mesma qualidade dos materiais gerados pelas minhocas. A diferença é que o vermicomposto (das minhocas) ainda precisa ser misturado com pó de carvão e torta de mamona para melhorar sua textura e seu nível de nitrogênio, enquanto o gongocomposto já está pronto para uso na produção de mudas em três meses.

Esses animais vivem escondidos embaixo de folhas, pedras ou troncos de árvores, e algumas vezes são confundidos com pragas. A pesquisadora da Embrapa Maria Elizabeth Correia explica que produzir o gongocomposto não requer muita mão de obra e pode ser uma boa alternativa para o produtor aproveitar resíduos orgânicos existentes na propriedade e ainda reduzir custos com o uso do substrato obtido.

Processa até papelão

"Criamos um procedimento mínimo em que sabemos que podemos colocar até papelão que o animal processa", comenta a especialista. Resíduos comuns na propriedade agrícola, como bagaço de cana, sabugo de milho e aparas de grama também podem ser utilizados. Basta adicionar sempre um material rico em nitrogênio, como, por exemplo, uma leguminosa.

Uma particularidade do processo é que a ação dos gongolos reduz o volume de materiais em 70 por cento. Se o produtor colocar dez litros de resíduos, no final terá três litros de composto. O processo pode levar de três a seis meses, sem a exigência de revirar o material. "O que fazemos é juntar os resíduos secos e o gongolo, e colocar em uma área confinada para que ele não saia dali e processe tudo. Uma vez por semana é preciso checar a umidade e, se estiver muito seco, é necessário molhar o composto", explica a pesquisadora.

Uso como substrato para mudas

Em três meses, o gongocomposto já está em condições de uso. Mas após testes para ver o tempo ideal de compostagem, os pesquisadores perceberam que quanto mais o material é triturado pelos gongolos, melhor será a sua qualidade. "Quando comparamos os materiais de diferentes tempos de processamento, vimos que em termos de teor de nutrientes não há muita diferenciação, mas nas mudas o efeito é significativo", relata Maria Elizabeth. Para a produção de mudas, o substrato que apresentou melhor desempenho foi aquele produzido em seis meses. Quanto maior o tempo de compostagem, mais o composto é processado. A pesquisadora conta que isso é resultado do trabalho do gongolo e dos microrganismos presentes no composto. E o resultado é um substrato que possibilita mudas vigorosas e com estabilidade do torrão, o que evita perdas na hora do plantio.

Após testes com o gongocomposto em alface, rúcula, tomate e beterraba, o agrônomo Luiz Fernando de Sousa Antunes, mestrando na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), ressalta que, além de não precisar fazer misturas para produzir as mudas, o substrato possibilita a uniformidade da bandeja. "É comum nos substratos comerciais uma concentração de nutrientes em alguns pontos da bandeja, o que não acontece com o gongocomposto. E o resultado são bandejas homogêneas, sem fazer reboleiras, com mudas de diferentes tamanhos", explica Antunes. Ele avalia o gongocomposto no tema de sua dissertação de mestrado.

Como encontrar o gongolo?

A técnica de produção de gongocomposto pode ser feita por qualquer espécie desse pequeno habitante da fauna do solo. Segundo a pesquisadora da Embrapa, a maioria das espécies tem capacidade de triturar resíduos brutos, mas algumas são mais eficientes. O que ocorre é que algumas consomem mais e são mais abundantes. "Utilizamos a espécie Trigoniulus corallinus, que ocorre em diferentes regiões do Brasil, sempre associada a ambientes com ocupação humana e grande quantidade de resíduos vegetais, como nas áreas de agricultura familiar. Essa espécie é originária do Sudeste Asiático, mas provavelmente já veio até com as primeiras navegações porque está estabelecida no País há muito tempo", esclarece.

Nos anéis de concreto de cerca de 500 litros utilizados como composteira para a pesquisa, são utilizados cerca de 3.800 gongolos. Maria Elizabeth explica que o momento ideal para coletar é a época da chuva, porque é quando eles estão mais ativos e acasalando. "Na nossa região, é entre outubro e abril, por exemplo. Em dezembro, um mês muito quente e chuvoso, basta haver um local com acúmulo de matéria orgânica, que em dois dias é possível conseguir essa quantidade sem muita dificuldade", conta a bióloga.

Apesar de ser um parente distante das lacraias, o gongolo não oferece riscos, não tem ferrão, não morde, não é agressivo e pode ser coletado facilmente. "Uma ou outra espécie de floresta fechada pode apresentar uma substância que causa queimadura, mas esses que vivem em ambientes abertos, com os quais estamos trabalhando, não oferecem qualquer risco", revela a pesquisadora.

Gongolos X minhocas

A pesquisa e a avaliação da capacidade dos gongolos de triturar materiais brutos e fibrosos começaram em 2009 na Embrapa Agrobiologia, no Município de Seropédica, interior do Estado do Rio de Janeiro. Ao buscar entender o papel da fauna do solo na avaliação de áreas reflorestadas, a pesquisadora Maria Elizabeth Correia encontrou no gongolo o organismo ideal.

A partir daí, a bióloga começou a estudar as espécies, sua ocorrência ao longo do ano e quantidades, fez experimentos de alimentação para ver o quanto eles consumiam, analisou nutrientes nas folhas onde eles se encontravam e até as fezes do animal. "Comecei a perceber que algumas espécies tinham uma capacidade grande de processar esses materiais. E se usamos a minhoca para fazer o vermicomposto, mas ela precisa de um material pré-processado, talvez fosse possível usar o gongolo para preparar um composto utilizando um resíduo um pouco mais bruto, mais fibroso", explica.

A pesquisadora e sua equipe avaliaram o quanto fibroso pode ser o material triturado pelo gongolo, qual a mistura e a quantidade de resíduos mais favoráveis, assim como a quantidade de gongolos ideal. Ela revela que o próximo passo será fazer tudo isso com o agricultor, dentro da realidade da propriedade. "É importante que ele tenha uma visão do que são os resíduos de difícil degradação, quais as fontes naturais de nitrogênio, e orientar para que ele faça a compostagem e transforme em substrato um material que ia acumular e talvez até abrigar pragas e provocar doenças", finaliza Maria Elizabeth.

Fonte: Embrapa

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Da parreira para a mesa

Chegou a vez dos vinhos e sucos de uva das agroindústrias familiares gaúchas mostrarem a sua força. Nesta terça-feira (30), 13 amostras de sucos integrais de uva e nove amostras de vinhos tintos de mesa e finos foram avaliados pelo 5º Concurso da Agroindústria Familiar.

A iniciativa faz parte da 18ª Feira da Agricultura Familiar, dentro da 39ª Expointer, que tem o apoio da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead). O objetivo é promover e divulgar a qualidade dos produtos das agroindústrias do Rio Grande do Sul. 

Para João Carlos Taffarel, supervisor da Embrapa e um dos coordenadores do concurso, o retorno desse tipo de avaliação para os produtores é muito bom. “Participar de um concurso desses é interessante para os produtores porque, dessa forma, eles conseguem monitorar a qualidade de seus produtos”, afirmou. “Dentro da propriedade, eles têm um feedback somente do consumidor frequente e de enólogos deles. Num concurso como esse, eles concorrem com diferentes produtores e, assim, conseguem fazer uma melhor avaliação da qualidade”, concluiu.

O resultado das oito categorias de produtos do 5º Concurso da Agroindústria Familiar gaúcha será divulgado nessa quinta-feira (1º), às 15h. Em caso de empate nas notas dos vinhos, por exemplo, o critério será utilizar a mediana de todos os jurados por amostra.

Balanço

As compras no terceiro dia de Feira geraram um total de R$ 575.027,83. Considerado um dia tipicamente mais tranquilo em vendas, a comercialização dessa segunda-feira chuvosa e fria da 18ª Feira da Agricultura Familiar foi 2,5% menor em relação ao ano passado.

Mas isso não desanimou os proprietários da Agroindústria Zanotto Pigatto. Segundo Nayara Von Onçay, que trabalha com a família durante a Feira, as vendas nessa segunda-feira foram contínuas. “Achei bem equilibrado, no geral foi bom”, avaliou. Os pães, cucas, biscoitos e salgadinhos custam entre R$ 3 e R$ 6 e, segundo Nayara, saiu bastante coisa.

João Pedro De Bastiani participa da Feira desde 2008 e acha que esse resultado de vendas mais tranquilas já é esperado. É durante a semana que as escolas vêm visitar de graça o Pavilhão e a comercialização cai um pouco. Mas a experiência do veterano na exposição, que trouxe a vinícola que leva seu sobrenome, o deixa tranquilo. “Muitos alunos vêm degustar o nosso suco e é importante formar essa base, já plantar a semente nesses jovens”, explicou. João Pedro comemorou o fato de o Pavilhão não vender refrigerantes e incentivar uma alimentação mais saudável para essa faixa etária. “Isso, sem dúvidas, é uma alegria para nós.”

Serviço
18ª Feira da Agricultura Familiar na Expointer

Data: 27 de agosto a 4 de setembro de 2016

Horário: 8h30 às 20h30

Local: Parque de Exposição Assis Brasil – Esteio (RS)


Cultivo de uva no Planalto Central

As longas paredes de videiras e o cheiro doce de uva nos remete à Serra Gaúcha. Mas estamos a 2.500 km de distância do Sul do país, em Planaltina, região administrativa do Distrito Federal, onde há oito anos o agricultor familiar Valdecir Grecco, descendente de italianos, cultiva a fruta. 

A vantagem de cultivar uvas em áreas de clima quente está na sua produtividade. Conforme o engenheiro agrônomo e extensionista da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Governo do Distrito Federal (Emater-DF), Leandro Moraes Souza, o clima frio do Rio Grande do Sul possibilita que se tenha apenas uma safra de uvas por ano. “O Distrito Federal, por ter um clima mais quente, permite duas safras por ano”, explica.

Leandro explica que o investimento inicial no cultivo de uvas é alto. Ele alerta que é necessário investir em bons materiais, que deem a sustentabilidade necessária às parreiras, pois as frutas começam a crescer e a pesar. “Caso a estrutura não seja forte o suficiente, tudo pode vir abaixo”, salienta. 

Grecco gastou R$ 100 mil para na estrutura das parreiras com pilares de concreto, arames, mudas e irrigação por gotejamento. “Consigo economizar mais água nesse tipo irrigação, além de crescer menos mato entre as parreiras e irrigar melhor”, explica o agricultor. 

Na sua propriedade de 4,5 hectares, 1 é destinado ao cultivo das uvas. São 33 parreiras com 160 metros de comprimento. Por ano, são colhidas até 35 toneladas de uvas de quatro tipos: Isabel, Niágara, Moscatel Rosé e Moscatel Branca. 

As caixas de uvas com de até 6kg, com valores que variam entre R$ 20 e R$ 30, dependendo do tipo, são vendidas na Ceasa-DF. Grecco também fornece para o varejo e supermercados. 

O agricultor produz ainda suco de uva e vinho. Até o final deste ano, está previsto que fique pronta a fábrica de bebidas na sua propriedade. “Nos próximos dias, vou solicitar ao Ministério da Agricultura a autorização para a fabricação das bebidas com as minhas próprias uvas”, adianta. 

Diversificação de produção
Grecco aposta na diversificação da produção para ter rentabilidade. Atualmente, as uvas são responsáveis por 15% da sua renda. A outra parte vem do cultivo de mudas de diversos tipos hortaliças produzidas em seis estufas. Ele também é autorizado pela Embrapa a fornecer mudas e sementes da BRS Pérola do Cerrado, uma espécie de maracujá silvestre lançada pela Embrapa em 2015. As diversas mudas são vendidas para produtores de diversos estados, como Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Bahia. 

Pronaf
Muitos dos investimentos na propriedade de Valdecir Grecco foram financiados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Coordenado pelo Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (SEAD), o Pronaf tem as linhas de crédito rurais mais baixas do mercado.
Com o financiamento, Grecco comprou um gerador de luz e um caminhão cabine dupla. “As prestações que venceriam em outubro e novembro já foram pagas. Adianto para ter crédito”, salienta.

Dicas para o cultivo de uvas
O solo deve ser areno-argiloso, fértil e bem drenado e a temperatura deve ficar entre 15 e 30 graus. Evite locais com ventos fortes. O ideal é que o ambiente tenha muita luz no período da florada até a maturação das uvas. Dependendo do clima e do vento, a videira precisa de 500 mil a 1.200 mililitros de chuva. A quando ganha o tamanho e o formato desejados. A colheita é realizada entre o 85º a 200º dia após o início do cultivo das videiras. Compre mudas registradas no Ministério da Agricultura.

Outras informações sobre o cultivo de uvas, veja aqui no site da Emater-DF.



Embrapa investe em mais qualidade para suas coleções de microrganismos

O objetivo da oficina é levantar demandas de transferência de tecnologia e também de pesquisa que possam ser incluídas no "Projeto Integrado da Amazônia". Este projeto será conduzido pela Embrapa, com aporte de recursos do Fundo Amazônia, e gestão financeira feita pela Fundação Eliseu Alves.

"Precisamos ouvir as bases. Como é difícil ouvir os agricultores diretamente, a gente esta chamando as associações, as cooperativas, as ONGs e todas as instituições que trabalham com esses agricultores, para que eles possam nos orientar, dizendo quais são os temas principais a serem tratados", explica o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia, Flavio Fernandes Júnior.

Ao todo a Embrapa aprovou junto ao BNDES, órgão administrador do Fundo Amazônia, um montante de R$ 33,3 milhões que deverão ser destinados a projetos nas áreas de monitoramento do desmatamento e da degradação florestal e serviços ecossistêmicos; restauração, manejo florestal e extrativismo; tecnologias sustentáveis para a Amazônia; e aquicultura e pesca.

A programação do evento conta com uma apresentação inicial do projeto e com trabalhos práticos em grupos. Cada grupo discutirá e levantará demandas sobre um dos quatro eixos temáticos propostos. Ao fim da atividade, serão reunidas as informações levantadas e apresentadas para todos os participantes.

Além da oficina realizada em Sinop nesta semana abrangendo as ações de Mato Grosso, outras seis regiões também estão promovendo eventos semelhantes. Macapá (AP), Porto Velho (RO), Rorainópolis (RR) e Manaus (AM) também tiveram seus eventos em agosto. Já as oficinas de Imperatriz (AM) e Marabá (PA), envolvendo os territórios do Pará, Maranhão e Tocantins, estão programadas para setembro.

Fundo Amazônia

O Fundo Amazônia tem como finalidade captar doações para investimentos não-reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, e de promoção da conservação e do uso sustentável da Amazônia Legal. O recurso captado é direcionado para projetos nas áreas de gestão de florestas públicas e áreas protegidas; controle, monitoramento e fiscalização ambiental; manejo florestal sustentável; atividades econômicas desenvolvidas a partir do uso sustentável da vegetação; zoneamento ecológico e econômico, ordenamento territorial e regularização fundiária; conservação e uso sustentável da biodiversidade; e recuperação de áreas desmatadas.

O Fundo Amazônia é administrado pelo BNDES em cooperação com o Ministério do Meio Ambiente.

Fonte: Embrapa

Conheça os cinco grandes desafios do agronegócio na era digital

Em dois dias de evento, o 4º Fórum de Agricultura da América do Sul trouxe a Curitiba especialistas e instituições de 13 países diferentes, para debater o futuro do agronegócio a partir da realidade sul-americana; alguns pontos se mostraram fundamentais durante as discussões, para que o campo possa ser ao mesmo tempo rentável para quem trabalha, sustentável para o planeta e produtivo para que a humanidade possa se alimentar.

Novas lideranças

A busca pelos ganhos em produção e produtividade tem ditado o ritmo da agropecuária nas últimas décadas. Os avanços são inegáveis, mas, para o futuro, um dos principais desafios que o campo tem pela frente vai além do que se planta e do que se colhe, do que se cria e do que produz. A atenção deve se concentrar não só no que o agronegócio faz, mas em quem faz o agronegócio. Essa foi uma das conclusões a que chegaram os especialistas durante o fórum e que dará inclusive a toada da próxima edição do evento, em 2017: a necessidade de se formar novos líderes rurais, jovens que permaneçam no campo e pensem a atividade de forma consciente, corajosa e inovadora, capazes de entender que as propriedades não devem ser pontas soltas na cadeia produtiva, mas parte de um conjunto coeso, altamente produtivo e sustentável.

Mudanças no Mercosul

Que o Mercosul trouxe vantagens à região, poucos estudiosos contestam, sobretudo para os membros fundadores - Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai -, que conseguiram aumentar consideravelmente suas exportações. Mas é também praticamente um consenso que, em 25 anos de existência, o bloco entregou menos do que prometia quando foi criado. A possibilidade de o Brasil abandonar o Mercosul parece pouco viável, como foi debatido durante o Fórum de Agricultura, mas o atual modelo não tem se sustentado. Uma das possibilidades é que, em vez de união aduaneira, o bloco se tornasse uma área de livre comércio, o que eliminaria algumas das amarras às quais os membros estão atrelados e possibilitaria, por exemplo, o fechamento de mais acordos bilaterais.

Pequenos Produtores

Alimentar o mundo é um desafio gigantesco: em números, significa dizer que, até 2050, a humanidade terá que dar de comer – três vezes ao dia – a mais de 9 bilhões de pessoas. Essa é a previsão das Nações Unidas, que enxergam no Brasil uma das principais apostas do planeta. Com um território capaz de suprir a maior demanda por alimentos, o país possui também recursos naturais que tornam a atividade possível. No entanto, é preciso se adaptar desde já num processo que passa por todas as propriedades, das mais extensas às que abrigam os pequenos agricultores, gente que mora e vive do campo. No segundo caso, em especial, está a chave para diversificar a produção de comida, sem esquecer a necessidade de apoio, para que se possa trabalhar de maneira produtiva e sustentável.

Agricultura digital

A expressão “ter o controle de algo na palma da mão” nunca fez tanto sentido como nos dias de hoje. E o agronegócio também está inserido na era dos aplicativos, smartphones, robôs, inteligência artificial e por aí vai. A tecnologia, que permitiu um salto de produtividade nas últimas décadas, já está e deve ficar cada vez mais presente no dia a dia do produtor rural. Seja auxiliando na coleta e análise dos dados da propriedade e, consequentemente, no processo de tomada de decisões, o fórum mostrou que tecnologia não é mais opção, mas condição ao desenvolvimento. Sensores, imagens de satélite, realidade virtual, big data: são “gigatoneladas” de informação, tudo em tempo real, para tornar o negócio mais competitivo.

Entrave na logística

A produção e o mercado consumidor de bilhões de pessoas vão aumentar ainda mais nas próximas décadas. Uma das grandes interrogações do agronegócio é como otimizar o que liga estes dois pontos: a logística. O processo de escoamento interfere tanto nos custos para o produtor quanto no preço pago pelo comprador final, ou seja, é determinante para a viabilidade do negócio. Para o futuro, os desafios são imensos: investir mais de R$ 600 bilhões em hidrovias, ferrovias, estradas e portos, conforme debateram líderes do setor no Fórum de Agricultura. Mas só assim a logística conseguirá ser uma ponte sólida e acompanhar o ritmo de crescimento das lavouras e do consumo.


Agronegócio precisa de estratégia constante para avançar

Se essa é a vocação da América do Sul, não há outra saída que não seja continuar a produzir, estimular o consumo interno e conquistar novos mercados. Mas será preciso fazer isso com muita informação, inovação e tecnologia. Foi-se o tempo do agronegócio para amadores. É preciso ter gestão, ser eficiente e competitivo como condição a se manter na atividade. Esses foram alguns dos destaques do Fórum de Agricultura da América do Sul 2016.

Em sua 4ª edição, na semana passada, o evento levou para o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, mais de 500 participantes, entre ouvintes e palestrantes, de 13 países. Um ambiente de interlocutores nacionais e internacionais, a partir do qual foi possível estabelecer, de fato e de direito, um debate globalizado do agronegócio. Uma discussão sobre tendências do agronegócio mundial, balizada pela realidade e potencial dos países sul-americanos.

Durante dois dias, com a colaboração de 30 palestrantes, discutimos questões como produção, mercado, logística, grãos, carnes, bioenergia e agricultura digital. E chegamos à conclusão de que nos falta estratégia. Aliás, não é que nos falte estratégia. Mas que ela deve ser permanente, constante e estar inserida no dia a dia do negócio. Que é preciso acompanhar e estar pronto para o dinamismo do mercado, as mudanças e inovações tecnológicas e mais do que nunca conectado ao mercado.

Da participação da China, ouvimos que eles vão continuar comprando, que o país deve ampliar seus negócios com a América do Sul e que eles estão dispostos a investir em infraestrutura no agronegócio do Brasil, desde que o governo ofereça algum tipo de garantia ao investidor. Da ONU/FAO, que o mundo precisa dos alimentos produzidos pelo pequeno produtor. E da OMC, a Organização Mundial do Comércio, de que não basta produzir, é preciso se posicionar e conquistar seu espaço no mercado internacional.

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Do painel de logística, os questionamentos complementares à China, à FAO e à OMC, de que sabemos produzir, estamos aprendendo a vender, mas que é preciso entregar. É preciso integrar estradas, ferrovias, hidrovias e portos, em uma solução multimodal, para dar mais eficiência e competitividade não apenas ao agronegócio, como à economia dos países sul-americanos. Do Sul ao Norte do Brasil, no Paraguai ou na Argentina, uma variável que segue se estruturando. O desafio estaria na integração dessas rotas de escoamento, assim como da produção e da geopolítica agro da América do Sul.

Sucessão

Na palestra de encerramento, o IICA, o Instituto Interamericano de Cooperação Agrícola, deu um dos principais recados. De que é preciso formar novos líderes, agrolíderes, como condição à integração sul-americana. O presidente do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Hernán Chiriboga, declarou que “o setor agrícola tem todo o potencial. A única coisa que se requer é o surgimento de novas lideranças, de líderes que lutem pela agricultura de forma consciente, com coragem e entusiasmo. Precisamos de mais líderes jovens que posicionem o setor rural e que permaneçam no campo. É com isso que devemos nos preocupar e é por isso que devemos trabalhar”.

No mesmo painel, o presidente brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Miguel Samek, disse que não há outro caminho no mundo para o desenvolvimento que não seja a integração, independentemente de acordos políticos. “A verdadeira integração ocorre quando um ajuda o outro. O processo de entendimento entre as nações é bastante complexo, principalmente em regiões em que há disparidade econômica, como na América do Sul, lembrou Samek. “Integração significa perder soberania. Quando se tem países pobres e ricos participando da negociação é ainda mais difícil, pois as velocidades são diferentes. Não podemos depender da política que é a arte de procurar defeito.”

Mas por que é preciso discutir e posicionar a América do Sul? Simplesmente porque, juntos, os países sul-americanos lideram, por exemplo, a exportação de soja e milho e respondem por quase 30% da oferta mundial de carnes. Porque estamos tratando de abastecimento e segurança alimentar.

Câmara aprova correção cambial de títulos do agronegócio

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, ontem, a Medida Provisória 725/16, que permite a emissão de Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) e de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) com correção pela variação cambial de outras moedas. A matéria será analisada agora pelo Senado.

A intenção é aumentar o ingresso de financiamentos externos ao setor, mantendo o valor do título atrelado à moeda. O CDCA é de emissão exclusiva de cooperativas de produtores rurais e de outras pessoas jurídicas que exerçam a atividade de comercialização, beneficiamento ou industrialização de produtos e insumos agropecuários ou de máquinas e implementos utilizados na produção agropecuária. Ele é de livre negociação e representa promessa de pagamento em dinheiro no prazo determinado. Já o CRA, também de promessa de pagamento em dinheiro, é de emissão exclusiva das companhias securitizadoras de direitos creditórios.

Segundo a MP, para emitir esses certificados com base na variação cambial, eles terão de ser lastreados integralmente em outros títulos representativos de direito creditório com cláusula de correção na mesma moeda, de acordo com regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN). O CDCA e o CRA também terão de ser negociados exclusivamente com investidores não residentes no Brasil.

Letras de câmbio

Outra iniciativa da MP, a última editada pela presidente afastada Dilma Rousseff, é a permissão para que os bancos cooperativos de crédito usem como lastro na emissão de letras de crédito do agronegócio (LCA) títulos representativos de crédito (CDCA) relativos a repasses realizados para cooperativa singular de crédito. Para isso, todos os recursos devem ser destinados a apenas uma operação de crédito rural.

Ambos os títulos também devem ter a mesma data de liquidação e indicar sua vinculação mútua. Os CDCAs devem ser dados em garantia ao banco cooperativo repassador do dinheiro. A LCA é um título de crédito nominativo, de livre negociação, representativos de promessas de pagamento em dinheiro e de emissão exclusiva de instituições financeiras.

Para o Ministério da Agricultura, o mecanismo poderá ser usado inclusive no caso de o dinheiro ser usado por uma cooperativa de produção para fornecer insumos aos seus cooperados, pois, em última instância, está financiando esses produtores rurais.

Fundecitrus promove Simpósio MasterCitrus com resultados de pesquisas

O Fundo de Defesa da Citricultura – Fundecitrus realiza, em 2 de setembro, o IV Simpósio MasterCitrus, com a apresentação dos resultados de pesquisas dos alunos do Mestrado Profissional em Controle de Doenças e Pragas dos Citros. O evento é gratuito e ocorre na sede da instituição, em Araraquara/SP, a partir das 8h30 (Clique aqui para ver a programação).

O Simpósio é uma maneira de compartilhar com citricultores e profissionais do setor os resultados das pesquisas do MasterCitrus de forma que contribua com o aprimoramento do manejo e do controle das principais doenças e pragas que afetam a citricultura.

Neste ano, o evento será organizado em 10 palestras curtas com apresentação de resultados de estudos sobre HLB (huanglongbing/greening), controle de psilídeo Diaphorina citri, podridão floral, pinta preta, leprose e cancro cítrico.

As pesquisas desenvolvidas no MasterCitrus geram resultados que podem ser aplicados no campo e proporcionam eficiência e economia na condução dos pomares de laranja.

As vagas para o Simpósio MasterCitrus são limitadas. Para se inscrever clique aqui. 

O MasterCitrus é oferecido desde 2009 e já formou 60 mestres. É reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação e Cultura (MEC), com nota 4.

Serviço:

IV Simpósio MasterCitrus – Apresentação dos resultados das pesquisas dos alunos do Mestrado Profissional em Controle de Doenças e Pragas dos Citros

Data: sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Horário: 8h30

Local: Fundecitrus – Av. Dr. Adhemar Pereira de Barros, 201, Vila Melhado - Araraquara


Fonte: Fundecitrus