terça-feira, 5 de julho de 2016

Produtores de fruta no interior de MG investem na venda para fábricas de suco

Em um mercado sem crise, fruticultores negociam a colheita com fabricantes de bebidas. Novas áreas rurais do estado passam a ser cobiçadas para o plantio de maracujá e outras variedades



Diante do mercado promissor do consumo de bebidas prontas no Brasil, produtores rurais mineiros estão diversificando as atividades e investindo no plantio de frutas para fornecer a matéria-prima diretamente aos fabricantes de sucos. Ao contrário de outros setores que foram afetados pela crise econômica, eles dizem não ter do que se queixar. Além da fruticultura voltada para o consumo in natura e de outras atividades, como o plantio de café e a venda de leite, a aposta na produção que atende a demanda dos fabricantes de sucos tem movimentado a economia de municípios do Sul de Minas e da Zona da Mata.

Em Tocantins, na Zona da Mata, a principal fruta vendida para as indústrias de suco é a manga ubá. Segundo o extensionista agropecuário da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), José Domingos Telles, somente na cidade são 60 hectares plantados que geraram 960 toneladas de fruta na safra de dezembro de 2015 a fevereiro deste ano. Os produtores vendem para marcas como Tial, Bela Ischia e Mais/Del Vale. “Essa manga ubá tem como característica o açúcar, então o foco é a indústria, porque ela faz a composição, junto com outras mangas, para a produção do suco. Os produtores da região são os maiores”, afirmou. Estão no time dos fornecedores, os municípios de Ubá, Visconde do Rio Branco, Tocantins, Guidoval, Astolfo Dutra e Rodeiro.

Dono de cerca de 50 hectares no município de Tocantins, o produtor rural Clévio de Oliveira Apolinário, da Fazenda Vista Alegre, tem pomares com mangas, bananas e mexericas. Enquanto as bananas e mexericas são vendidas in natura, a manga ubá, colhida em 13 mil pés, vai para o suco. “No ano passado, vendi a R$ 0,60 o quilo, mais barato que um picolé. As indústrias combinam e pagam barato”, reclama o produtor. Em 2015, a produção foi reduzida por falta de chuva, mas este ano a safra promete mais um pouco na avaliação de Apolinário.

Segundo o produtor, que diz ter a maior plantação de manga da região, a crise não afetou o mercado, até porque a produção já tinha sido pequena. O investimento é constante. Para produzir há gastos com adubo, pulverização, contratação de parceiros e até o frete para entrega nas fábricas. A fruta é colhida verde e há o trabalho de colocar para madurar. “Mas para a gente, que vive com pouco, sempre sobra”, disse, sem revelar a lucratividade do negócio.

Outro dos maiores produtores da manga ubá de Tocantins, Adilson Marciano Lopes, da Sabiá Agronegócios, está no negócio há 10 anos. Ele diz produzir 500 toneladas da fruta por ano e vender manga a R$ 0,60 o quilo para os fabricantes de sucos. O volume já foi maior: ele chegou a oferecer 800 toneladas, mas o clima não foi favorável no ano passado e a colheita foi reduzida. O produtor também vende cerca de 800 toneladas de maracujá, a R$ 2,20 o quilo, e mamão, para produção de polpa.

Com a redução na produção de manga, o produtor Adilson aposta na ampliação do maracujá, que tem maior saída e é produzido em nove meses do ano. Ele está fechando uma parceria com a Empresa Brasileira de Bebidas e Alimentos (Ebba), fabricante do suco Maguary, e pretende fornecer 1.500 toneladas de maracujá com venda garantida, na safra que tem início em setembro. “A perspectiva é boa. Está faltando maracujá no mercado porque a exportação de suco é muito grande. É muito consumido internacionalmente. Na alta do dólar, o Brasil vendeu o estoque todo e as indústrias ficaram secas”, explica. A Sabiá Agronegócios emprega 50 funcionários, número que dobra na época da colheita.

GARANTIA Quem também está apostando na produção de maracujá e na parceria com a Ebba é Francisco Gonçalves de Paula, do município de Alpinópolis, no Sul de Minas. Ele é um dos cerca de 50 produtores da região que aderiram à parceria que oferece venda garantida das frutas a um preço mínimo de R$ 1,30, por quilo. Só nessa área, o retorno econômico deve ser em torno de R$ 1,3 milhão. A movimentação deste montante deve ser concentrada nos municípios de Cássia, Fortaleza de Minas, Alpinópolis, Ilicínea e Guapé, que aderiram ao projeto mediado pela Emater-MG.

De olho no mercado que se abriu, o produtor Francisco Gonçalves de Paula começou o plantio de maracujá em Alpinópolis com cinco hectares. Ele já trabalhava com mandioca, café e feijão, de onde tira atualmente o seu sustento. Este ano, porém, o clima prejudicou a produção de feijão e de café. “Já são três anos consecutivos de seca e prejuízo. Então, fui buscar mais uma alternativa, que é o maracujá. O potencial é grande e, tendo essa garantia de preço, a rentabilidade pode ser maior do que das outras culturas”, espera Francisco. A previsão dele é colher 30 toneladas por hectare, o que ao preço mínimo oferecido, pode lhe garantir uma renda bruta de R$ 39 mil.

O investimento inicial, para quem não tem nada plantado, é de R$ 12 mil a R$ 15 mil por hectare, mas o retorno é certo. Para o pequeno produtor, que é tesoureiro do sindicato dos produtores rurais da cidade, a parceria da venda garantida é ainda melhor, pois fica mais fácil entrar no mercado. Além de Francisco, outros 12 pequenos produtores de Alpinópolis estão apostando na venda de maracujá. “Temos mais interessados para o próximo plantio. “No total, teremos em torno de 10 hectares e uma produção de 150 toneladas, tudo vendido”, afirma.

O gerente da unidade regional da Emater-MG, Frederico Ozanam de Souza, afirma que o projeto visa potencializar a fruticultura no Sul. “A região é muito forte em café e leite e estamos trazendo para cá essa diversificação. As propriedades não vão deixar de trabalhar com esses produtos, mas sim agregar uma alternativa de renda e emprego de forma sustentável”, afirma. De acordo com ele, nessas cidades já há cerca de 40 hectares plantados e a parceria resolve o ponto mais importante na cadeia de produção, que é o escoamento do produto.

Ele afirma que o café sustenta a economia da região, mas tem anos que a remuneração da atividade não é das melhores. Nessa hora, é importante ter uma alternativa. “A região é rica em água e tem condições climáticas favoráveis não só ao maracujá mas a qualquer fruta. Já estamos pensando em ampliar a produção para goiaba e manga, mas é um projeto posterior”, conta.

Fonte: EM Digital

Mercado financeiro reduz estimativa de inflação para 2016 e 2017

Previsão dos analistas para o IPCA deste ano caiu de 7,29% para 7,27%.
Já a expectativa de retração do PIB em 2016 passou de 3,44% para 3,35%.

Os economistas do mercado financeiro reduziram sua expectativa de inflação para este ano e para 2017, ao mesmo tempo em que também passaram a estimar uma contração menor do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016.

As previsões foram coletadas pelo Banco Central na semana passada e divulgadas nesta segunda-feira (4), por meio do relatório de mercado, também conhecido como Focus. Mais de 100 instituições financeiras foram ouvidas.

A previsão do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano recuou de 7,29% para 7,27% na semana passada. Com isso, interrompeu uma sequência de seis altas seguidas. A estimativa permanece acima do teto de 6,5% do sistema de metas e bem distante do objetivo central de 4,5% fixado para 2016.

Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA voltou a acelerar e atingiu 0,78% em maio. De janeiro a maio, o IPCA acumula avanço de 4,05% (perto da meta central de inflação de 4,5% para este ano) e, em 12 meses, somou 9,32%.

Para 2017, a estimativa do mercado financeiro para a inflação caiu de 5,5% para 5,43% na última semana, informou o BC. Deste modo, permanece abaixo do teto de 6% - fixado para 2017 - mas ainda longe do objetivo central de 4,5% para o IPCA no período.

O BC tem informado que buscará "circunscrever" o IPCA aos limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 2016 (ou seja, trazer a taxa para até 6,5%), e também fazer convergir a inflação para a Produto Interno Bruto

No caso do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, o mercado melhorou a estimativa para o nível de atividade de uma contração de 3,44% para uma queda menor, de 3,35%.

Recentemente, o IBGE informou que o PIB brasileiro teve queda de 0,3% em comparação com os três meses anteriores.

Foi a quinta queda trimestral seguida do PIB brasileiro. Apesar da contração, o resultado veio melhor do que a expectativa dos economistas.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

Com a previsão de um novo "encolhimento" do PIB neste ano, essa também será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de queda no nível de atividade da economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948.

Para o comportamento do Produto Interno Bruto em 2017, os economistas das instituições financeiras mantiveram sua previsão de uma alta de 1%, informou o BC.

Taxa de juros
O mercado financeiro manteve na semana passada a previsão para a taxa de juros no fim de 2016 em 13,25% ao ano. Atualmente, os juros estão em 14,25% ao ano. Com isso, a estimativa do mercado é de um corte dos juros neste ano.

Já para o fechamento de 2017, a estimativa para a taxa de juros ficou estável em 11% ao ano - o que pressupõe a continuidade da queda dos juros no ano que vem.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, a instituição tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados.

As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços. Quando julga que a inflação está compatível com as metas preestabelecidas, o BC pode baixar os juros.

Câmbio, balança e investimentos
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2016 caiu de R$ 3,60 para R$ 3,46. Para o fechamento de 2017, a previsão dos economistas para o dólar passou de R$ 3,80 para R$ 3,70.

A projeção para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2016 subiu de US$ 50,7 bilhões para US$ 51 bilhões de resultado positivo. Para o próximo ano, a previsão de superávit ficou estável em US$ 50 bilhões.

Para 2016, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil subiu de US$ 60,5 bilhões para US$ 64 bilhões e, para 2017, a estimativa dos analistas permaneceu inalterada em US$ 60 bilhões.

Fonte: G1

Agricultores de Pernambuco aprendem a produzir com pouca água

Com soluções simples e ajuda da cooperativa, produtores do sertão variam suas atividades: frutas, hortaliças e até peixes surgem onde só havia seca.



O homem do sertão é acostumado a conviver com as armadilhas do clima, principalmente a seca. Aproveitar a pouca água é sempre um desafio. É isso que um agricultor vem fazendo junto de uma cooperativa de pequenos produtores, em Pernambuco.

"O que eu vivi antes aqui, sem ter água... hoje a gente se considera outra pessoa, diferente, rico. Porque tendo água, tem riqueza".

Seu Raimundo Morato tem autoridade para falar assim. Sertanejo, sabe bem o que é conviver com a falta de água. Para entender como a vida da família dele está mudando, vamos conhecer o que está por trás de tudo isso: o trabalho de uma cooperativa de pequenos agricultores.

No município de Tabira, na região do sertão do Pajeú, em Pernambuco, fica a sede da Coodapis, que até bem pouco tempo atrás se dedicava principalmente à apicultura. Com novas técnicas, os produtores conseguiram baixar custos e melhorar a qualidade do mel. Hoje, o mel de Tabira é referência no estado!

À frente da cooperativa, está Adelmo Cabral, um agricultor inquieto, que achou que não dava para ficar só na produção de mel. E ele conta o que o motivou a diversificar: "O castigo da seca. Estamos indo para 5 anos de seca e a gente viu que tinha que fazer alguma coisa diferente. Se ficasse na mesmice, acho que a cooperativa não ia muito além".

A mudança começou há dois anos, na própria área da cooperativa, que serve de experimento para os associados. Ao lado de um açude quase seco, tem verde, tem lavoura! "A gente provou a todo mundo que com pouca água dá pra se fazer muito" conta Adelmo, orgulhoso.

A pouca água vem de um poço que já existia na propriedade, mas que ninguém botava fé. Ele tem 40 metros de profundidade e uma vazão de 600 litros de água por hora. "As informações que eu fui buscar, disseram que não dava pra fazer nada. Tinha que ter vazão acima de mil litros de água por hora. Esse poço mal dá pra alimentar uma resma de gado. O desafio é esse, então vamos procurar fazer pra ver se vai dar certo. E deu", afrima Adelmo.

O poço fica ligado 24 horas. Como a vazão é pequena, Adelmo usa um cano de 32 milímetros para a saída da água. Assim, não força muito a bomba. "É como se fosse um olho d'água na propriedade", analisa ele, que também afirmou que o poço nunca secou.

Hoje, são 12 hectares de plantio, principalmente de hortaliças e frutas, como maracujá, uva, banana. Tudo com certificação orgânica.

Todas as lavouras da área da cooperativa são irrigadas. A água segue do poço para tanques, para ser distribuída, mas não vai de imediato para as plantas. Primeiro, ela tem outra utilidade: a criação de tilápias. 

Os tanques de tilápia são de concreto, têm 3m de diâmetro, 1,70m de profundidade e comportam 12 mil litros de água. Segundo Adelmo, esse não é um sistema convencional de criação de tilápias. Ele começa com 1.200 alevinos em um único viveiro. São 100 peixes por metro cúbico. No método convencional, para esse tipo de tanque, com água represada, o usual são três peixes por metro cúbico.

Adelmo tem uma receita para o sistema funcionar. Primeiro: em seis meses, quando as tilápias atingem 600 gramas, inicia-se o processo de despesca. Com esse peso, os peixes já podem ser vendidos. "Consequentemente, o peixe que vai ficar na água ele vai crescer, então vai precisar de mais espaço. Então a gente despesca 50% dos peixes. Fica a metade dos peixes aqui, para aguentar até mais um ano, um ano e meio".

Mas não é só isso. Enquanto que no sistema convencional, em tanques de concreto ou escavados, a troca da água é mais lenta, no sistema da cooperativa a renovação deve ser frequente. Isso porque a concentração de dejetos facilita a produção de amônia, que, em excesso, mata os peixes. "A matéria orgânica produzida nesse espaço é muito grande, devido ao resíduo das fezes dos peixes, restos de alimentos e a secreção do peixe. Por isso que a gente tem que remover essa água a cada dois ou três, para eliminar as toxinas que são produzidas na água".

O ideal é sempre retirar metade da água do tanque. Nunca toda de uma só vez. O que sai é o que vai para a irrigação.

Mais uma dica é a cada 15 dias aspirar o fundo do tanque para remover os resíduos sólidos. Outro detalhe importante é a oxigenação. Adelmo usa as bombas comuns, que renovam a água, mas faz adaptações que aumentam a quantidade de ar para os peixes: "A gente usa mangueiras para puxar o ar, e aumentar a quantidade de oxigênio". Ele explica como faz esta adaptação no vídeo da reportagem.

Uma tela colocada em cima dos tanques, além de evitar que os peixes maiores pulem para fora, é uma questão de segurança que Adelmo encontrou para tranquilizar os criadores: "Quando a gente vai abordar o associado para criar o peixe, ele diz que não dá pra criar porque tem muito ladrão de peixe. Então já cria uma dificuldade".

Cada um dos sete viveiros abriga os peixes de um associado. E irriga a lavoura de vários agricultores. Adelmo explica a vantagem de usar, para irrigação, a água que foi retirada nos tanques dos peixes: "Ela vem rica em nutrientes para a planta. Então o solo, cada dia mais, ele vai ficando melhor, mais rico. Então a gente não tem muita necessidade de colocar adubo químico, muito esterco, porque a própria água já vem rica em nutriente".

A técnica para molhar as plantas também é uma invenção de Adelmo. "O sistema de gotejo e de microaspersor não funciona. Porque a água sai com resíduos das fezes dos peixes e, às vezes, com ração. E entope rapidinho. Então a gente pega só o terminal do microaspersor, porque o buraco dele é um pouco maior, então os resíduos conseguem passar por aqui. Aí dentro eu coloco um arame para direcionar a irrigação para a planta".

Para as plantas que exigem mais água, a mangueira é maior. A banana é molhada todo dia. Em dois hectares estão 50 pés, de nove associados. Nas culturas que não precisam de irrigação sempre, o intervalo é no máximo de três dias, porque junto, vem a necessidade de renovar a água do tanque. É peixe que garante nutrientes para as plantas. E lavouras que servem às tilápias.

Para baratear o custo do alimento dos peixes, os agricultores se prepararam. Antes de colocar as tilápias nos tanques, eles plantaram milho e capim exclusivamente para fabricar a ração. A máquina que produz a ração foi comprada pela cooperativa para atender aos associados. A base é o farelo de milho - os grãos triturados.

Outras vitaminas e a proteína também vêm da roça, como Adelmo conta: "Aqui a gente tem o capim elefante, folha do pé de milho. O pé de gerimum, abóbora, a palma. E o broto da mandioca, que concentra a maior quantidade de proteína".

As folhas e brotos são batidos no liquidificador com água, um pouco de sal e óleo vegetal. Essa pasta é misturada ao farelo e então, a ração é peletizada, ou seja: compactada em pequenas porções. Depois, ela fica dois dias no sol, e está pronta. É o tempo suficiente também para a evaporação do ácido cianídrico, que é um veneno presente na folha verde da mandioca. O alimentador dos tanques é automático, movido a energia solar. Quatro vezes ao dia, as tilápias recebem comida.

Não só a ração dos peixes é feita na cooperativa. O milho e o capim viram comida para as galinhas caipiras, que aproveitam ainda as sobras da lavoura. A criação é um projeto piloto, que a dona Leonísia Almeida cuida com carinho: "Se estragava muita banana, melancia, e eu disse por que não utilizar essas frutas que estão sendo jogadas?"

Para quem quer começar, a cooperativa fornece 20 pintinhos e depois ajuda o associado na comercialização. "Se cada um, um tiver 20, outros 50, 100, isso dá um volume grande que tem como colocar num grande mercado", afirma dona Leonísia.

Aos poucos, Adelmo vai disseminando suas ideias por aqui. Natural de Recife, ele chegou ao sertão há 10 anos, depois de casar. Formado em belas artes, não exerce a carreira, mas está sempre inventando. "Não paro de praticar a minha arte aqui, nessa terra bruta e lapidando e criando coisas que as pessoas acham 'é impossível', e a gente vai fazendo".

Seu Raimundo, do começo da reportagem, também é um dos agricultores que estão mudando o jeito de conviver com a seca. Acostumado a criar tilápia em açudes, agora usa um dos tanques da cooperativa. Ele conta que não imaginava que pudesse funcionar: "Esse conhecimento aqui eu não tinha não. Eu achava que podia não dar certo, né? Eu pensava como que o pessoal desenvolveu esse tanque, sem ter lama para ele comer, aquela comida com capim, aquelas coisas lá, esse peixe não vai se desenvolver. É tudo puro engano meu, não sabia de nada, né?".

Raimundo mora no município de Santa Teresa, a 30 Km de Tabira. Lá, ele tem uma roça, que cuida junto com a esposa, dona Bernardete. A produção em 11 hectares, dependia só de um açude que não enche mais. “Aqui era para gado, era para pasto, era para tudo”

As coisas começaram a mudar há seis meses, quando a cooperativa abriu um poço para o Raimundo. E que surpresa!! São 800 litros de água por hora. Ele nem imaginava que tinha tanta água ali, logo abaixo dos pés: "Não tinha essa noção, de jeito nenhum. É a coisa de a gente dormir pobre e acordar rico. Porque a gente ter água num subsolo desse aqui, a gente dorme pobre e acorda rico".

Com essa riqueza, seu Raimundo vai construir dois tanques para tilápia. Por enquanto, a água do poço segue para a caixa, que, por gravidade, chega ao capim - alimento das cabras - e às hortaliças. Dona Bernardete comemora: "Foi bom demais, eu não tenho palavras para agradecer o que a gente ta colhendo agora".

Nunca falta produto, e o poço é até chamado de cofre, como conta o seu Raimundo: "Toda vez que tô em casa, o pessoal liga: 'trás três molhos de coentro, um molho de cebola', nunca volto sem nada. Quer dizer que isso aqui é meu cofre. Toda vez que eu venho para cá, eu levo um dinheirinho pra casa".

A renda melhorou. Mas eles querem bem mais. Esse ano, o casal voltou para a escola, para terminar o ensino fundamental. Incentivado pela cooperativa, seu Raimundo já fez até curso de estratégia de negócios: "Você ter o que é seu e saber administrar, isso é mto bom, né? A gente não sabia. Tinha o que era da gente e não sabia administrar. Minha meta agora é não parar. Eu enquanto for vivo, daqui pra frente, eu com a minha família, tenho que trabalhar".

A cooperativa tem 245 associados, em Pernambuco, Paraíba, Piauí e Bahia. A maioria é de apicultores. Mas pelo menos 10 produtores já estão implantando as técnicas para aproveitar melhor a água.

Fonte: Globo Rural

Fórum na Embrapa aborda influência da mudança do clima na agropecuária

A influência da mudança do clima na produção agropecuária será discutida durante Fórum, em 10 de
agosto, das 8h30 às 17h, na Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP). O objetivo é analisar criticamente se ocorrem alterações em macro e meso escala em razão da ação antrópica que justifiquem preocupações e permitam correlacionar eventos extremos com suposições atreladas à instabilidade produtiva das lavouras brasileiras, com a participação de pesquisadores, professores, profissionais liberais e estudantes de pós-graduação.

O pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) será o mediador das discussões dos temas a serem apresentados. São organizadores do evento os pesquisadores Andre May, da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas, MG) e Nilce Gattaz, da Embrapa Meio Ambiente.

A primeira palestra, com Lincoln Muniz Alves, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST/Inpe), abordará as razões para o aumento das oscilações climáticas em nível nacional. Logo após, Santiago Cuadra da Embrapa Informática Agropecuária, falará sobre as perspectivas futuras para cenários de mudanças de temperatura e precipitação: incertezas inerentes às projeções climáticas. Em seguida, Caio dos Santos Coelho, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC-Inpe) versará sobre a recente seca na região Sudeste do Brasil, com a apresentação de um estudo sobre a viabilidade de previsão do início da estação chuvosa no estado de São Paulo.

Na segunda parte do Fórum haverá discussões sobre 5 temas. Paulo Sentelhas abordará a variabilidade de mudanças climáticas e seus impactos na produtividade agrícola; em seguida, Joaquim de Souza Ferreira Filho apresentará a simulação da perda econômica da agricultura brasileira em função das variações climáticas, ambos são professores da Esalq. Edson Oliveira Vendruscolo, do Grupo El Tejar discorrerá sobre as adequações empresariais para convívio com a variabilidade climática em áreas de produção de grãos, enquanto que Verona Montone, representante da The Climate Corporation, abordará essa corporação rumo à agricultura digital. A última apresentação dessa seção será sobre formas de minimização de danos e alternativas agrícolas para convívio com o novo cenário nacional.

Na terceira parte do Fórum, no período da tarde, serão discutidas as formas de minimização dos danos e as alternativas agrícolas para o convívio com o novo cenário nacional. Serão 5 palestras: uso da tecnologia de adubação biológica para melhoria da interface solo-planta sob fatores adversos, com Solismar Venzke Filho, consultor de P&D da empresa Microgeo; caracterização ambiental como ferramenta para a manutenção da produtividade agrícola em cenários de mudanças climáticas: estudo de caso para feijão, com Alexandre Heinemann, da Embrapa Arroz e Feijão (Santo Antonio de Goias, GO); tecnologias biológicas (inoculante) para redução do consumo de água na agricultura e proteção de plantas à seca: eficiência atual e perspectivas futuras, com Itamar de Melo, da Embrapa Meio Ambiente; estratégias para aumento da eficiência e sustentabilidade da produção de soja em condições climáticas adversas, com Alexandre Nepomuceno, da Embrapa Soja (Londrina, PR) e por fim, estratégias para o aumento da eficiência e sustentabilidade da produção de cana-de-açúcar em condições climáticas adversas, com Hugo Molinari da Embrapa Agroenergia (Seropédica, RJ).

Durante o evento, o tema Pecuária será também abordado no tocante aos impactos da variabilidade climática na produção de gado de corte: desafios e alternativas, pela pesquisadora Lucimara Chiari, da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS). Já as iniciativas para o estímulo à inovação, serão apresentadas por Renato Luzzardi, da Bayer.

Fonte: Embrapa

Dólar em baixa ameaça exportações, mas pode aliviar recessão

O dólar em baixa ameaça a boa fase das exportações brasileiras, mas pode ter um efeito colateral benéfico para a economia em recessão, avaliam economistas ouvidos pelo G1. Mesmo que uma queda mais profunda leve a balança comercial de volta ao vermelho, ela pode ser um remédio contra a inflação – num momento em que os juros perderam a eficácia no controle dos preços.

Na última semana, o dólar bateu o menor patamar em quase um ano frente ao real, confirmando a mudança de rota após ter subido 48% no ano passado. A moeda dos Estados Unidos recuou 18% no 1º semestre e teve em junho a maior alta mensal desde abril de 2003.

Mesmo com essa queda, o dólar está longe de alcançar patamares de dois anos atrás. Em julho de 2014, ele era vendido por volta de R$ 2,20. Segundo economistas, a moeda norte-americana acima de R$ 3 ainda garante o saldo da balança comercial e ajuda a proteger a indústria nacional da concorrência de fora – mas esse cenário pode mudar se o dólar continuar caindo.

“A balança comercial ainda é sustentável neste patamar [dólar acima de R$ 3]. Mas é preciso encontrar a cotação ideal para o país continuar exportando e ao mesmo tempo ter uma inflação mais controlada”, afirma o economista Alexandre Wolwacz, sócio-fundador do Grupo L&S.

Mesmo com a desvalorização de 11% do dólar em junho, a balança comercial continua colecionando resultados positivos. No primeiro semestre, o saldo do comércio exterior foi a maior em 28 anos, quando começou a série histórica.

Mas os produtos industrializados perderam espaço nas exportações. Os manufaturados recuaram 4% entre janeiro e junho, com as maiores quedas no setor de autopeças (-25%) e motores para veículos (-22,6%), segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).
Indústria exportadora reclama

O dólar abaixo de R$ 3,30 já dificulta a negociação dos contratos de exportação da Wolfstore, fabricante gaúcha de tecidos e estamparia. O volume exportado pela empresa caiu cerca de 70% desde que o câmbio inverteu a trajetória, conta o gerente de negócios da empresa, Cláudio Wolf.

Com o real mais forte, Wolf conta que precisa brigar por preços melhores para viabilizar os contratos, o que não ocorria com o câmbio acima de R$ 3,50. “Se o dólar continuar caindo vai dificultar bastante nossas vendas para fora”, diz Wolf.

A pequena empresa de Novo Hamburgo (RS) exporta para países como México, Colômbia e Argentina, mas sua receita está protegida pela presença maciça na indústria de moda nacional, que chega a 97% das vendas.

Perda de competitividade

Um dos argumentos contra a valorização do real é que ela enfraquece a indústria nacional, uma vez que a entrada maior de produtos importados no país aumenta a concorrência e pressiona os preços para baixo.
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, diz que a queda do dólar tira a competitividade da indústria, já afogada pelo alto custo da produção, enquanto as exportadoras de commodities têm margem maior para aguentar mudanças no câmbio.

“A maior prejudicada é a indústria de manufaturados, que já perdeu espaço no comércio exterior. As empresas que fizeram contratos de venda no ano passado vão amargar prejuízose vão deixar de vender, ameaçando os empregos”, diz Castro.

Para ele, o dólar a R$ 3,80 é o patamar ideal para ajudar a competitividade da indústria. Mas o presidente da AEB acrescenta que o câmbio, sozinho, não soluciona todos os problemas da indústria. “O câmbio ajuda, mas não compensa todas as deficiências de logística e custo”, diz.

Em nota, a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) declarou que uma taxa de câmbio abaixo de R$ 3,80 "coloca em risco este início de recuperação [da economia], desestimula o setor produtivo a brigar no mercado externo e elimina o único drive disponível no curto e médio prazo para voltarmos a crescer”.

Para Wolwacz, do L&S, o dólar forte protege a indústria da competição externa, mas não incentiva a produção. “Estamos em franco processo de desindustrialização. O forte no Brasil são os agronegócios, comércio e serviços, e são esses setores que precisam ser incentivados no momento”.

Efeitos do câmbio na economia

Na visão de Wolwacz, os benefícios trazidos pela queda do dólar para o conjunto da economia superaram os malefícios causados à indústria. "Uma balança comercial no vermelho não é tão prejudicial quanto uma população desempregada passando fome, e estamos vendo isso acontecer”, diz.

Para ele, é equivocada a ideia de que o dólar baixo só beneficia turistas com planos de viajar ao exterior. “A desvalorização da moeda dos EUA traz um importante alívio para a inflação e isso pode gerar efeitos benéficos para a economia”.

O economista do grupo L&S vê com otimismo a entrada de produtos importados no país, com o real mais forte, que estimularia uma queda nos preços capaz de dar margem para o Banco Central reduzir a taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano. "Isso fomentaria o crédito e o consumo, estimulando a geração de empregos".

Veja abaixo as principais causas da queda do dólar:

NO BRASIL

Taxa de juros

No fim de junho, o Banco Central informou que o cenário ainda "não permite trabalhar com a hipótese de flexibilização das condições monetárias [corte de juros]". Ou seja, deve levar mais tempo que o esperado para a taxa Selic começar a cair. Hoje ela está em 14,25% ao ano, o maior patamar em 10 anos. Os juros altos aumentam o apetite dos estrangeiros em investir no Brasil e isso ajuda a fortalecer o real frente ao dólar.
Repatriação de recursos

A lei que permite a brasileiros a regularizar o dinheiro não declarado no exterior (pelo pagamento de impostos) tende a incentivar a entrada de dólares no país, fortalecendo o real. “Tem muito dinheiro lá fora. Esses recursos são revertidos para os cofres públicos e podem ajudar as contas do governo, além de empurrar o dólar para baixo”, explica Wolwacz, da L&S.

Cenário político

As incertezas sobre o afastamento definitivo de Dilma Rousseff na presidência têm levado o dólar a oscilar, segundo analistas, já que o mercado entende que o processo definitivo do impeachment daria espaço para a concretização de novas medidas econômicas.

Intervenções do BC

Desde que Ilan Goldfajn assumiu a presidência do BC, o órgão só fez uma intervenção no câmbio, depois que a moeda fechou a R$ 3,21 pela primeira vez em quase 1 ano. Ele sinalizou ser favorável ao câmbio flutuante, ou seja, deixar o dólar flutuar pela força do mercado e sem fazer leilões de swap cambial (que equivalem à compra ou venda de dólares do mercado futuro). Segundo analistas, essa “falta de intervenção” seria um sinal de que o BC pretende deixar o dólar cair.

NO EXTERIOR

Vitória da Brexit

O referendo que decidiu pela saída do Reino Unido do bloco da União Europeia gerou incertezas econômicas em todo o mundo. Isso leva maior cautela aos mercados e faz com que bancos centrais dos países desenvolvidos segurem as taxas de juros a níveis muito baixos (inclusive negativos, como no Japão e Alemanha), levando investidores a procurar mercados mais atrativos para alocar seu dinheiro. Isso reflete na queda do dólar frente a várias moedas.

Juros nos EUA

Com o resultado do Brexit, o Federal Reserve (BC dos Estados Unidos) deu sinais de que não subirá as taxas de juros no país tão cedo quanto se imaginava. Com isso, o capital estrangeiro que migraria para lá com um aumento dos juros tende a permanecer em outros mercados, especialmente os emergentes, que oferecem taxas de juros mais atrativas. Isso segura a cotação do dólar.

Commodities

A Brexit derrubou temporariamente os preços das principais matérias-primas, mas elas logo voltaram a se recuperar. O petróleo chegou a tocar US$ 50 o barril nas últimas semanas, após ter atingido mínimas históricas no começo do ano, negociado abaixo de US$ 30. O minério de ferro também se recuperou, confirmando o fim do ciclo de queda. Essa valorização das commodities atrai mais dólares para países exportadores como o Brasil, pressionando sua cotação para baixo.

Fonte: Olhar Direto

Serra diz que agência de exportações terá área voltada à China

Ministro participou de feira do agronegócio em São Paulo.
Para Serra, sistema tributário continua onerando exportações.

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, afirmou nesta segunda-feira (4) que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), órgão do Ministério das Relações Exteriores, terá uma área específica para tratar de assuntos relativos à China.

“Em relação à China, particularmente, vamos dar uma ênfase muito grande, inclusive criando área dentro do ministério, dentro da Apex, específica para trabalhar as possibilidades com a economia chinesa", disse Serra.

Ele afirmou que as economias são complementares, já que a China é exportadora de bens de capital, e o Brasil, importador. "Então, a complementaridade com a China pode se fazer dinamicamente, não apenas diretamente no comércio, mas através de investimentos que estamos interessados, particularmente nos investimentos de infraestrutura”, disse.

A declaração foi dada durante painel do Global Agribusiness Forum 2016 (GAF), realizado em São Paulo. O evento teve a participação do presidente da República em exercício, Michel Temer (PMDB).

Serra disse ainda que o "sistema tributário brasileiro continua onerando as exportações". Segundo ele, levar a Câmara de Comércio Exterior (Camex) para a alçada da Presidência da República foi uma "mudança importante" para solucionar esse problema. "A Camex vai discutir custos tributários", afirmou.

Discursando para uma plateia composta por representantes do agronegócio brasileiro e de outros 40 países, Serra disse que "o Brasil é o grande produtor agrícola que mais preserva sua cobertura vegetal nativa", com mais de 60% do território nacional ainda intocado.

"Queremos reverter o quadro de nebulosidade sobre a agricultura brasileira", frisou, referindo-se justamente às críticas que existem sobre a atividade, acusada de desmatamento.

Fonte: G1

Novas tecnologias são discutidas para ampliar produção de alimentos

Consultores agrônomos vindos de todo o Brasil e de países das Américas do Sul, Central e do Norte se reuniram com autoridades acadêmicas e especialistas no evento NutriExperts, no interior de São Paulo, em palestras que abriram espaço para discussões e análises sobre o trabalho no dia a dia nas lavouras, e as decisões que podem ajudar a elevar os resultados das culturas - anuais, perenes ou de florestas. Ao longo de dois dias, foram apresentados estudos que confirmaram o importante papel das tecnologias – especialmente aquelas para a nutrição e fisiologia de plantas – na evolução no campo.

As soluções tecnológicas devem trazer aumento de produtividade, qualidade, diminuição de custos, redução do impacto ambiental e social, além de praticidade operacional para o produtor. Ithamar Prada, engenheiro agrônomo formado pela ESALQ – USP e Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Produquímica, organizadora do evento, esclareceu que as plantas precisam receber os nutrientes de forma equilibrada do início ao final do ciclo, visando atingir alta performance agronômica, que significa: “alta produtividade, sanidade (nutrição visando redução de estresse biótico), estabilidade de produção (nutrição visando redução de estresse abiótico), qualidade da semente, qualidade nutritiva e sensorial dos alimentos, todos estes pontos com objetivo de melhorar a rentabilidade e sustentabilidade do negócio de nossos clientes.”

Neste contexto, ficou claro o papel do País para ajudar a suportar a alta demanda por alimentos. Em dez anos, haverá 8 bilhões de pessoas no planeta. Um hectare plantado que alimentava duas pessoas em 1960, alimentava quatro em 1995. Em 2025, esse mesmo hectare deverá alimentar cinco pessoas. Mesmo com o atual cenário de crise, o agronegócio brasileiro ainda é respeitado mundialmente por sua força, porque representa 30% do PIB e gera um terço dos empregos. Segundo a FAO, nas próximas décadas, 50% do aumento da produção de alimentos virão do Brasil.

“Nosso papel é gerar plantas cada vez mais próximas de ter os compostos completos. Os desafios mudaram e queremos produzir mais”, pontuou Ithamar, em relação aos passos para atingir a excelência no campo. O teto de produtividade de hoje não é igual ao que era há alguns anos, ou seja, é possível produzir mais, com qualidade, mas, para manter essa curva crescente, estudos, novas tecnologias e investimentos são necessários. Para atingir esse objetivo, o diretor de negócios agrícolas da Produquímica, Paulo Cau, finalizou o evento enfatizando que todos os consultores têm um papel importante como formadores de opinião para ajudar os produtores a fazer as melhores escolhas para as lavouras.

PIB do agronegócio cresceu 2,57% em Minas no 1º trimestre

O PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio de Minas Gerais cresceu 2,57% no primeiro trimestre de 2016, frente ao resultado gerado em 2015, elevando a estimativa de renda para R$ 190,23 bilhões. Somente em março a evolução ficou em 0,89%. O incremento se deve aos resultados da agricultura, que cresceram 5,91% no trimestre e 1,99% em março, enquanto a pecuária acumula queda trimestral de 0,69% e de 0,24% em março. Com a alta no PIB, a atividade agropecuária de Minas Gerais passou a representar 13,74% do PIB do agronegócio nacional, frente à participação de 13,57% em 2015.

A coordenadora da assessoria técnica da FAEMG, Aline Veloso, destaca que desde 2012 o agronegócio estadual vem aumentando o valor do PIB e a participação na composição do PIB nacional. A renda gerada pela atividade em 2012 era de R$ 156,69 bilhões e a estimativa é encerrar 2016 em R$ 190,23 bilhões. Em relação à participação no PIB nacional, o índice saiu de 12,35%, em 2012, para 13,74% em 2016.

“O crescimento do PIB nos últimos anos é resultado da diversificação das atividades, dos investimentos em tecnologias e da instalação de cadeias produtivas completas em Minas Gerais. Mas ainda são muitos os desafios a serem superados pelo setor, como a logística e a infraestrutura”, explicou Aline.

Ao longo e março, entre os segmentos que compõem o PIB do agronegócio, a maior alta mensal foi registrada na indústria (1,73%), seguida por serviços (0,95%), básico (0,39%) e insumos (0,29%). Na projeção anual, estima-se alta de 4,92% para indústria, de 2,66% para serviços, de 1,78% para insumos e de 1,16% no setor básico.“O crescimento observado na indústria é importante por mostrar que mais produtos estão sendo processados no Estado”, disse Aline.

Do valor total estimado para o PIB, R$ 190,23 bilhões, a expectativa é que R$ 96,97 bilhões ou 50,97% sejam provenientes do ramo da agricultura e R$ 93,265 bilhões ou 49,03%, do pecuário.

O ramo agrícola apresentou aumento de 1,99% em março. Esse resultado foi reflexo do crescimento observado nos quatros segmentos: serviços (2,13%), indústria (2,25%), básico (1,75%) e insumos (0,22%). No primeiro trimestre o incremento no setor agrícola ficou em 5,91%.

Até março, o segmento básico da agricultura apresentou alta de 7,1% na média das cotações com relação ao mesmo período do ano anterior. Em produção a alta foi de 15,43%. Entre os produtos acompanhados em Minas Gerais, tiveram aumento no faturamento no período o café (16,54%), milho (44,80%), soja (37,06%), cana-de-açúcar (11,86%), feijão (36,94%), batata (2,4%), laranja (13,15%), banana (47,70%) e algodão herbáceo (40,50%).

Expectativas

No período a alta no segmento básico foi impulsionada principalmente pelos preços de importantes produtos como a soja e o milho. No momento atual, os preços devem se manter elevados dado as adversidades climáticas que têm afetado a produção agrícola”, disse Aline.

Para os próximos meses as expectativas são cautelosas, principalmente pelo clima adverso que impactou na produção da segunda safra de grãos e do café, que perdeu qualidade. Além disso, o atual cenário econômico, o aumento do desemprego, da inflação e a queda do poder de compras das famílias deverão impactar de forma negativa no setor.

“O momento é bem delicado e o setor agropecuário não é uma ilha que ficará imune aos reflexos negativos da retração econômica. O consumidor está com o poder de compras menor e a cesta de produtos vem sofrendo mudanças. Nos próximos meses a tendência é de queda na produção de alguns produtos, em função do clima, e de aumento dos preços, o que poderá sustentar a alta do PIB. É importante destacar que isso não reflete em ganho direto para o produtor, uma vez que os custos estão mais altos”, explicou Aline.

O relatório do PIB do agronegócio mineiro é elaborado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), com o apoio financeiro da Seapa (Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais) e apoio operacional e técnico da FAEMG e do SENAR MINAS.

Alta na agricultura e retração na pecuária

Ao contrário da agricultura, a renda gerada com a pecuária retraiu 0,24% em março, elevando a queda do trimestre para 0,69%. A atividade é responsável por 49,03% do PIB do agronegócio mineiro, com valor estimado para 2016 em R$ 93,265 bilhões.

Ao longo de março, apenas o segmento de insumos cresceu, 0,35%. No segmento básico a queda foi de 0,16%, seguida pela retração de 0,8% na indústria e de 0,36% em serviços. A queda de 0,16% no segmento básico foi influenciada pela retração do preço médio ponderado que ficou 1,61% menor em março, frente ao mesmo período de 2015.

Até o fechamento do relatório, vários setores do segmento básico da pecuária não tiveram os dados divulgados quanto às expectativas de produção. Apenas para a pecuária leiteira foi possível obter informações, sendo que o volume caiu 0,51% ao ano. Com relação aos preços, bovinos caíram 5,68%, vacas, 4,79% e suínos, 14,14%. Já frango, leite e ovos apresentaram crescimento de 1,85%, 6,31% e 7,64%, respectivamente.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Cinco frutas típicas do inverno que melhoram o desempenho esportivo

Além da sensação térmica, uma maneira (mais saborosa) de reparar na mudança de estação é observar quais frutas estão sendo vendidas na feira. Quando se vê figo, romã, uva e abacate temos certeza de que o inverno chegou. Todas essas frutas possuem vitaminas e minerais variados que ajudam no metabolismo, rebatem os danos da oxidação naturalmente provocada pelo exercício e facilitam a cicatrização de lesões e recuperação de tecidos. Estas afirmações são da nutricionista Marcia Daskal.

- As frutas são ideais para os lanches antes do treino porque são leves. Salada de frutas com iogurte ou granola e uma vitamina de frutas ou uma banana com aveia e mel são bons exemplos de lanches pré-treino - diz a especialista.

Para entender melhor como algumas frutas típicas do inverno podem ajudar a melhorar o desempenho esportivo, pedimos para Marcia montar uma pequena lista:

FIGO - Rica em carboidratos. Ajuda a dar energia para treinar, estimula a queima de gordura e também ajuda a recuperar mais rápido a massa muscular. O glicogênio muscular, estoque de carboidrato no músculo e primeiro combustível responsável pelo exercício, é quem sinaliza para o corpo se ele vai queimar gordura ou massa muscular. Fazer exercício sem um bom estoque de glicogênio não só causa fadiga, como faz com que o corpo degrade a proteína muscular como fonte de energia.

MAÇÃ – O ácido ursulcólico, componente presente na casca, reduz o desgaste muscular e ainda colabora para o crescimento dos músculos.

UVA e UVA PASSA – Já usada para prevenir câimbras nos atletas porque é rica em potássio, a versão passa mostrou-se tão eficaz como repositor de energia como os snacks esportivos mais consumidos pelos atletas (estudo publicado no British Medical Journal). Com a vantagem de ser fácil de comer e riquíssima em energia. 

ROMÃ - Riquíssima em antioxidantes que combatem os radicais livres. Os ácidos gálico, elágico e protocatequínico são os responsáveis pelos efeitos da fruta, cada vez mais estudados.

ABACATE - Riquíssimo em glutationa, um poderoso antioxidante. O abacate também sacia e fornece muita gordura boa, que tem ação anti-inflamatória.

Fonte: O Globo

Em frio intenso, biofertilizantes da linha nutrição-fisiológica evitam queima e destruição das culturas

As baixas temperaturas, variando em torno de 0 oC, traz variados danos às culturas e, muitas vezes, levam as plantas à morte, devido ao congelamento de tecidos vegetais, causando enormes prejuízos. Para amenizar essa situação, uma das alternativas é o manejo nutricional fisiológico por meio da aplicação preventiva de biofertilizantes especiais, que contém compostos orgânicos que atuam na regulação da quantidade de solutos nas células.

“Quando os biofertizantes são aplicados nas lavouras, as plantas absorvem os compostos orgânicos. Com isso, ocorre a osmorregulação, ou seja, uma promoção de acúmulos de solutos no vegetal, o que baixa a temperatura de congelamento da cultura, dando às plantas maior tolerância ao estresse causado pela geada”, explica o engenheiro agrônomo, Márcio Domingues, doutor em fisiologia vegetal pela Unesp Botucatu e gerente técnico da Tradecorp do Brasil. “Com essa tecnologia nutricional, aliadas ao manejo adequado, culturas, como o feijão, milho, café, passam a tolerar temperaturas de até -2oC sem congelar seus tecidos e, consequentemente, não afetando a produtividade”, assegura Domingues. Sem a ação desses biofertilizantes, temperaturas de 3oC já prejudicam a maioria das culturas agrícolas.

A aplicação preventiva também é importante para hortaliças de uma forma geral, como em culturas do tomate, berinjela e pimentão, dentre outras.

Como proceder o manejo nutricional fisiológico

A indicação é que os biofertizantes sejam usados de maneira preventiva, pelo menos sete dias antes das plantas serem expostas às situações de estresse. “O produtor precisa ficar atento à previsão do tempo e as indicações climáticas de sua região para iniciar o tratamento preventivo”, afirma Domingues, da Tradecorp do Brasil. Entre o período de aplicação e chegada da geada, ocorrerá maior absorção dos solutos, elevando a tolerância das plantas a essa intempérie.

Além da prevenção contra as geadas e friagens intensas, o efeito desses biofertilizantes pode ser prolongado com efeitos inclusive no próprio desenvolvimento das plantas. “Às vezes, mesmo que não existam as geadas, fortes ventos gelados podem prejudicar as lavouras, causando estresse significativo nas plantas, incluindo a morte de tecidos vegetais. Esses tratamentos protegem todos os cultivos, com benefícios diretos na tolerância às geadas, e indiretos no desenvolvimento vegetal”, observa Domingues.

Uso curativo, para depois da geada

Se a plantação já passou por uma situação drástica de friagens e geadas e não morreu, o agricultor poderá implementar o Manejo Nutricional Fisiológico de forma curativa. Nesse caso, os solutos também irão recuperar as plantas por promover o reequilíbrio fisiológico do vegetal. Como consequência, haverá um maior desenvolvimento vegetal que irá influenciar no rendimento das culturas e qualidade dos produtos produzidos, com menor prejuízo aos agricultores.