segunda-feira, 11 de julho de 2016

Frio anima os produtores de trigo, uva, maçã e pêssego no RS

No Rio Grande do Sul, as baixas temperaturas são essenciais para a boa produção de algumas culturas.



No Rio Grande do Sul as temperaturas despencaram. O agricultor Ajadir Machiavelli aumentou a área de trigo nesse ano. A aposta nos 1.500 hectares cultivados em Cruz Alta é de uma lavoura mais saudável e com melhores índices de produtividade. "O trigo é uma planta que exige mais do clima do que do próprio produtor, do manejo”, diz.

Esse frio intenso provoca o perfilhamento das plantas. Perfilhos são ramos laterais que nascem e quem vão gerar novas espigas, dando chance de que a produtividade aumente.

A expectativa de produção é 21% maior que no ano passado. Esse clima também é bom para quem aposta na produção de frutas no estado.

Nos pessegueiros em Pelotas, no sul do estado, o momento é de poda. Apenas quatro municípios concentram quase 30% da produção nacional da fruta. O frio intenso das últimas semanas tem favorecido as plantas. “Ao que tudo indica nosso inverno vai ser mais rigoroso. Para o pessegueiro, sem dúvida, é melhor”, diz Alex Mayer, agrônomo da Embrapa.

Bom também para as macieiras na Serra Gaúcha, uma planta bem exigente quando o assunto é frio. “Esse frio faz com que a planta acumule as horas necessárias, para que lá na primavera ela tenha um bom desenvolvimento, uma boa brotação, para ter uma boa condição de produzir bons frutos na nossa próxima safra”, comenta Fabiano Varela, técnico agrícola da Emater/RS.

Mas a maior aposta mesmo é quanto a produção de uva. Os parreirais estão praticamente sem folhas. Devem seguir assim pelo menos até o início da primavera. Nesta época o frio é essencial. Contribui e muito para este período de dormência e também ajuda na eliminação de fungos e insetos nos pomares.

Segundo o instituto de meteorologia ClimaTempo, os agricultores dessas culturas que precisam do frio, vão ter este ano um inverno em condições de normalidade, ou seja: com frio regular.

Fonte: Globo Rural

Poda de videiras em pauta na Fepagro de Caxias do Sul

A Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) Serra do Nordeste, em Caxias do Sul, promoveu atividades teóricas e práticas de poda de videiras durante dois Dias de Campo no final de junho. Foram apresentados os princípios que regem a poda das principais variedades de uvas, e foi realizada uma atividade prática para possibilitar a vivência da técnica. Participaram alunos da Faculdade de Agronomia da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e do curso Técnico em Agropecuária da Escola Família Agrícola da Serra Gaúcha (Efa-Serra).

Os eventos foram ministrados pelos pesquisadores da Fepagro Serra do Nordeste, Daiane Silva Lattuada e Celso José da Costa (enólogo); e pelo técnico agrícola Cleidson da Silva.

Segundo Daiane, a poda das videiras é uma atividade obrigatória no cultivo comercial de uvas e requer conhecimento teórico e prático para a melhor execução. “Embora o princípio seja o mesmo, cada planta, no momento da poda, apresenta-se de forma diferente, necessitando de reflexão e prática para a melhor execução da técnica”, explicou.

Durante os Dias de Campo, foram abordados os princípios e conceitos que regem essa atividade. Houve demonstração dos tipos de condução e de poda adotados por viticultores na região. Após, os alunos foram conduzidos até os parreirais do Centro de Pesquisa, onde puderam praticar a poda nas videiras cultivadas na Fepagro. “Os Dias de Campo propiciaram momentos de interação entre os alunos das duas instituições e a equipe da Fepagro, além da divulgação das atividades do Centro de Pesquisa. Os alunos que participaram tiveram uma experiência prática de método de poda, enriquecendo os conhecimentos adquiridos nos respectivos cursos”, concluiu Daiane.

Citros/Cepea: Demanda industrial impulsiona valor da pera no mercado de mesa

Apesar de julho ser usualmente o mês com o menor preço do ano para a laranja pera de mesa, devido ao pico de safra e ao típico enfraquecimento da demanda por conta do frio, em 2016, os valores da fruta devem se manter elevados. Segundo pesquisadores do Cepea, a forte demanda industrial pela variedade tem diminuído a disponibilidade da pera no mercado interno, mesmo com a intensificação da colheita no estado de São Paulo.

No entanto, ainda que o mercado esteja aquecido, os valores da fruta apresentaram ligeira queda nesta semana (segunda a quinta-feira), com a variedade comercializada a R$ 19,52/cx de 40,8 kg, na árvore, valor 1,3% menor o da semana anterior. Já os preços da lima ácida tahiti, que tiveram forte recuo de 49,2% de maio a junho, retomaram o fôlego nos últimos dias. Pesquisadores do Cepea comentam que a interrupção da colheita na semana passada controlou a oferta e impulsionou os valores da fruta. A média de comercialização da tahiti, na parcial desta semana, foi de R$ 34,31/cx de 27 kg, colhida, expressivo aumento de 19,2% frente à anterior. Para grande parte dos agentes consultados, os preços devem se manter em alta em julho, devido à baixa oferta da variedade.

Fonte: Cepea/Esalq

Agropecuários no atacado pressionam e IGP-DI acelera alta a 1,63% em junho, diz FGV

A alta dos preços dos produtos agropecuários no atacado acelerou com força e o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 1,63 por cento em junho, contra avanço de 1,13 por cento em maio, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quinta-feira. Ainda assim, o resultado ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters junto a economistas, de alta de 1,70 por cento na mediana das projeções.

A FGV informou que o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI) registrou alta de 2,10 por em junho, após avançar 1,49 por cento em maio. O índice responde por 60 por cento do IGP-DI. No IPA, os preços dos produtos agropecuários subiram 5,58 por cento, contra alta de 3,31 por cento no mês anterior. Somente o feijão teve alta de 58,72 por cento em junho, depois de subir 7,34 por cento em maio.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI), por sua vez, subiu apenas 0,26 por cento, depois de ter avançado 0,64 por cento no mês anterior. O IPC-DI mede a evolução dos preços às famílias com renda entre um e 33 salários mínimos mensais e corresponde a 30 por cento do IGP-DI. O destaque no IPC ficou, segundo a FGV, para o grupo Alimentação, cuja alta desacelerou a 0,07 por cento de 0,77 por cento, com destaque para o item frutas. Ainda assim, também no varejo, o feijão subiu muito, com o tipo carioca registrando alta de 38,62 por cento, após subir 8,38 por cento no mês anterior.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) também registrou maior pressão em junho ao avançar 1,93 por cento, depois de registrar alta de 0,08 por cento em maio. O índice representa 10 por cento do IGP-DI. O IGP-DI é usado como referência para correções de preços e valores contratuais. Também é diretamente empregado no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e das contas nacionais em geral.

Fonte: Reuters

sexta-feira, 8 de julho de 2016

BB anuncia R$ 101 bilhões em recursos para a safra 2016/2017

Do total, crédito rural para produtores e cooperativas soma R$ 91 bilhões.
Temer reduziu crédito para agricultores de R$ 202,88 bi para R$ 185 bi.

O Banco do Brasil anunciou nesta terça-feira (5) que vai disponibilizar crédito de R$ 101 bilhões para a safra 2016/2017. O presidente da instituição, Paulo Caffarelli, detalhou que o crédito rural para produtores e cooperativas soma R$ 91 bilhões. Outros R$ 10 bilhões serão destinados a empresas da cadeia do agronegócio.

O crédito disponibilizado pelo Banco do Brasil é parte do Plano Agricultura e Pecuário 2016/2017 do governo federal, que destinará R$ 185 bilhões de crédito aos produtores rurais brasileiros investirem em custeio e comercialização. De acordo com o Ministério da Agricultura, o plano vigora de 1º de julho de 2016 a 30 de junho de 2017.

O volume de crédito para esta safra foi revisado para baixo durante o governo do presidente em exercício Michel Temer. Antes de ser afastada do cargo, a presidente Dilma Rousseff tinha anunciado, no início de maio, a liberação de R$ 202,88 bilhões em crédito para o Plano Agrícola e Pecuário do período 2016/2017.

Segundo o Ministério da Agricultura, a alteração no volume de crédito se deve ao "redimensionamento" das Letras de Crédito Agrícola (LCA), que são emitidas por bancos público e privados. Esse investimento, de renda fixa, é destinado a financiar o agronegócio.

O secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, afirmou que a pasta vai trabalhar, se for necessário, para ampliar os recursos para a Safra 2016/2017.

"Vamos acompanhar a execução do plano safra e, se faltar recursos, vamos atuar junto ao Ministério da Fazenda para que recursos não faltem", disse.

Geller disse, ainda, que não há "necessidade" de disponibilizar um valor maior neste momento.

"Nós fizemos as coisas para entregar o que se promete. Não tem necessidade de ter recursos acima de R$ 185 bilhões só pra anunciar. Queremos dar credibilidade ao produtor e ao agente financeiro de cumprir com o que você promete", afirmou.

O ministro da pasta, Blairo Maggi, não participou do anúncio.

BB responde por 60%
O restante do valor do crédito a ser disponibilizado no Plano Agricultura e Pecuário 2016/2017 caberá a outras instituições financeiras. O Banco do Brasil é responsável por mais de 60% do crédito destinado ao agronegócio no país.

"Somos um país que tem vocação para agricultura. Podemos atestar isso de forma inequívoca observando a contribuição [do setor] para a economia brasileira em momento especialmente difícil", afirmou Caffarelli.

A quantidade de crédito para produtores e cooperativas, de R$ 91 bilhões, é 10% superior ao volume disponibilizado na safra anterior (2015/2016), quando somou R$ 82,3 bilhões. Desse total, R$ 71,1 bilhões são destinados a operações de custeio e comercialização dos produtos e R$ 19,9 bilhões são para investimento.

O maior crescimento, de 12%, foi do crédito destinado à agricultura empresarial, que passou de R$ 54,5 bilhões para R$ 61,6 bilhões. Em seguida, aparece a agricultura familiar, cujo crédito disponível subiu 8%, passando de R$ 13,5 bilhões para R$ 14,6 bilhões.

Já o volume de recursos para os médios produtores subiu de R$ 14,3 bilhões para R$ 15,3 bilhões, o que representa uma alta de 7%.

Fonte: Globo Rural

Índice de preços dos alimentos sobe 4,2% em junho, maior alta em 4 anos

O avanço representa o quinto mês consecutivo de alta.
Com exceção dos óleos vegetais, todos as outras categorias subiram.


O Índice de Preços dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) atingiu 163,4 pontos em junho, com alta de 4,2% ante maio, porém, 1% abaixo do nível verificado no mesmo mês do ano passado. O avanço representa o quinto mês consecutivo de alta e a maior elevação mensal dos últimos quatro anos. Com exceção dos óleos vegetais, todos as outras categorias de alimentos avaliadas subiram, principalmente o açúcar. O índice considera uma média ponderada dos preços internacionais de cinco grupos de commodities, que tem ainda cereais, laticínios e carne.

O índice de preços do açúcar ficou em 276 pontos, 14,8% superior ao verificado no mês anterior. De acordo com o relatório da FAO, o aumento foi sustentado principalmente por perspectivas de produção menor pelo Brasil, após as fortes chuvas que dificultaram as operações de colheita e a concentração de açúcar nos canaviais do Centro-Sul do País.

No segmento de laticínios, a alta foi de 7,8%, na mesma base de comparação, para 137,9 pontos. O aumento foi registrado em todos os subprodutos que compõem esta categoria, segundo a FAO, por causa da perspectiva de que a oferta seja menor na temporada 2016/17. Queda da oferta pela Oceania e União Europeia também sustentou os preços. O relatório da instituição reforça que, apesar da alta significativa de junho, esta variação representa apenas uma recuperação dos preços mais baixos que vinham sendo praticados nos três meses anteriores. Em comparação com junho do ano passado, o índice caiu 23 pontos ou 14%.

Os cereais, por sua vez, avançaram 2,9%, para 156,9 pontos, mas ainda está 3,9% abaixo do registrado em igual período no ano passado. Segundo a FAO, o aumento é sustentado principalmente pela alta dos preços no Brasil, impulsionadas pelas exportações. As cotações do trigo aumentaram durante a primeira metade do mês, antes de inverter o curso posteriormente com relatórios de rendimentos recordes nos Estados Unidos. O preço do arroz variou pouco em relação aos níveis de maio, como uma pressão ascendente exercida pela pouca oferta contrabalançada pela baixa demanda.

O Índice de Preços de carnes ficou 2,4% acima do verificado em maio, atingindo 158,3 pontos. Pelo terceiro mês consecutivo, houve alta em todas as subcategorias, principalmente para suínos e ovinos. Na UE, a falta de suínos para abate e o peso dos animais terminados abaixo da média, sustentaram os preços. Os preços da carne de frango tiveram um aumento moderado, mas que é constante desde o início do ano, com alta de 10% desde janeiro, que é reflexo do aumento das vendas pelo Brasil para o Japão e Arábia Saudita.

Os óleos vegetais foram mais uma vez o ponto fora da curva, registrando queda de 0,8% em junho na comparação com maio, para 162,1 pontos. O óleo de palma foi o componente que mais pesou na queda, em virtude da queda da demanda global de importação e uma recuperação sazonal da produção na Indonésia e na Malásia. Perspectivas de ampla oferta do derivado de girassol e canola também pesaram sobre o índice. Em contraste, os preços do óleo de soja aumentou, sustentado pela menor disponibilidades do produto para exportação na América do Sul e projeções menos favoráveis de produção do que as inicialmente previstas para a safra 2016/17.

Fonte; Globo Rural

Transporte de banana na cabotagem garante integridade do produto

Dando continuidade a sua política de diversificação de cargas e mercados, a BR Multimodal iniciou em maio de 2016 o embarque de bananas na cabotagem de contêiner, visando atender os mercados de Manaus e Boa Vista.

Os resultados foram satisfatórios, especialmente no que se refere a integridade e qualidade do produto.

A banana preserva melhor as suas características quando transportada em um ambiente com 90% de umidade e com 100% de ventilação, o que significa que todo o ar do veículo de transporte deve ser completamente trocado a cada 72 horas.

Embora seja difícil atingir estas condições no transporte rodoviário, a cabotagem permite o ajuste exato destes parâmetros dentro do contêiner e a bordo no navio.

A redução de custos e o baixo índice de perdas auxiliaram a BR a atingir a marca de 140 toneladas de banana transportadas nos últimos 5 meses.

Sempre que você precisar de transporte para os mercados de Manaus, Boa Vista, Recife, Fortaleza, Maceió, João Pessoa ou Natal, lembre-se de cotar com a BR Multimodal.

Veja abaixo as fotos deste embarque, e note no detalhe como as caixas de papelão foram envoltas em uma estrutura de madeira para evitar o esmagamento e os danos ao produto:






Acesse o site da  BR Multimodal e saiba mais: http://www.brmultimodal.com.br/

Rural Show 2016: alternativas para controle da mosca-das-frutas são apresentadas

Maior produtora de frutas do Estado, a região da Serra também precisa enfrentar a principal praga das frutíferas atualmente: a mosca-das-frutas, que ataca um grande número de espécies. As larvas destroem a polpa dos frutos, causando prejuízos. Em 90 dias, uma mosca tem potencial para gerar até 20 mil outras moscas. 

Até o próximo domingo (10/07), os produtores que visitam o Rural Show, feira promovida pela Emater/RS-Ascar, Cooperativa Piá e Prefeitura de Nova Petrópolis, no Centro de Eventos do município, podem conhecer as alternativas de controle desta praga. O extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Alexandre Meneguzzo, explica que com a retirada do mercado, pelo poder público, do principal produto que controlava a mosca-das-frutas (pelos resíduos que deixava nos frutos e no meio ambiente), hoje só há produtos de contato (que ficam por fora), então os produtores tiveram que lançar mão de outras estratégias que visam combater o inseto adulto e não a larva.

Ele explica que quando o agricultor fizer o monitoramento usando armadilha com atrativo, para saber a população de moscas no pomar, e notar a presença da praga, já pode começar a utilizar a isca tóxica. O produto é aplicado somente em uma parte da planta, fazendo um controle parcial quando a infestação é baixa. Outra tecnologia utilizada é um atrativo alimentar em pasta (isca envenenada), que pode ser aplicado com um soprador, e que, por ser pastoso, não é lavado pela chuva, persistindo por até um mês na planta. "Antes de fazer a postura, a mosca-das-frutas precisa se alimentar, então ela vai morrer e não vai ter larva no fruto", esclarece Meneguzzo. O produto também é encontrado na forma líquida. 

De acordo com o extensionista, com o uso dessas ferramentas de controle, os agricultores conseguem reduzir em até 70% o número de pulverizações de agrotóxicos. 

Fonte: Emater - RS

Reunião discute exportações de laranjas para a Europa

Representantes da cadeia produtiva de citros se reuniram no Centro de Citricultura Sylvio Moreira/Apta, em Cordeirópolis-SP para debater medidas sanitárias para a exportação de laranjas frescas para a Europa.

Organizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a reunião técnica reuniu empresas exportadoras de laranjas, entidades de classe, responsáveis técnicos das empresas e agentes públicos estaduais e federais responsáveis pelo Sistema de Mitigação de Risco (SMR) dos Estados de São Paulo, Bahia e Minas Gerais, e teve como objetivo repassar com o setor produtivo o protocolo para a pinta preta, voltado à exportação de citros para a União Europeia, trocar experiências sobre sua implementação e identificar eventuais oportunidades de melhorias ou necessidade de capacitação específica nos procedimentos fitossanitários e de controle adotados.

O Estado de São Paulo é o maior produtor mundial de citros, mas para que possa exportar frutas in natura é necessário acompanhamento fitossanitário da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), que precisa estar atenta às exigências impostas pelos países importadores e às medidas sanitárias adotadas na produção para evitar a disseminação de doenças.

A engenheira agrônoma da Secretaria, Georgia Rocha Vilela, responsável pelo Programa de Exportação de Frutos para a Comunidade Européia na Coordenadoria de Defesa Agropecuária, “a exportação de frutos de laranja in natura para a Comunidade Europeia é um Programa Estadual de Defesa de adesão voluntária por parte do exportador e visa garantir a sanidade e a qualidade de frutos de citros. Em 2015 estavam aptos para exportação, no Estado de São Paulo, 120.512,4 toneladas de frutos de laranja”.

Georgia informou ainda que a Defesa Agropecuária adota todas as medidas necessárias para a exportação de frutos para a Comunidade Europeia e que a reunião foi importante para troca de experiências e padronização de atividades.

Das pragas presentes no Brasil e com restrição à exportação são: Guignardia citricarpa, causadora da mancha preta ou pinta preta dos citros, Xanthomonas citri subsp. citri, causador do cancro cítrico, Elsinoe spp., causadora da verrugose e as moscas-das-frutas Anastrepha spp. e Ceratitis capitata.

Para exportar frutos cítricos in natura são realizadas fiscalizações para verificar o atendimento às exigências dos países importadores e das legislações vigentes, interceptação de pragas restritivas e auditorias na certificação fitossanitária.

Representando o estado de São Paulo, participaram também da reunião técnica, os engenheiros agrônomos Luciano de Aquino Melo, diretor substituto do Centro de Defesa Sanitária Vegetal, Cristina Abi Rached Iost, responsável pelo Programa de Certificação de Frutos da Defesa Agropecuária e Luís Fernando Bianco, diretor Técnico do Escritório de Defesa Agropecuária de Bauru.

Adubar sim, mas com inteligência e estratégia

Para muitos agricultores, nas principais regiões produtoras de grãos do País, o investimento contínuo em adubação a cada safra é sinônimo de altas produtividades. A prática também é responsável por altos custos, já que corretivos e adubos representam 30% ou mais dos gastos em sistemas de produção que envolvem as culturas de soja e milho. A boa notícia é que pesquisadores da Embrapa e de outras instituições de pesquisa comprovaram, em experimentos conduzidos em áreas de produção comercial de grãos, que em muitas situações é possível reduzir ou até mesmo deixar de adubar por algumas safras, sem perdas significativas de produtividade.

"Em solos de fertilidade construída, situação típica da agricultura de alta produtividade na região de Cerrado, é comum que os agricultores continuem adubando com quantidades fixas de nitrogênio, fósforo e potássio por temerem possíveis reduções de produtividade. Esse procedimento pode ser equivocado e levar a perda de competitividade do agricultor", revela o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas, MG) Álvaro Vilela de Resende, membro da equipe do projeto "Eficiência do uso de fertilizantes e validação de novas tecnologias", que envolveu diversas Unidades de pesquisa da Embrapa, instituições externas e produtores rurais.

Solo de fertilidade construída é o nome que se dá ao status adquirido em sistemas de produção, principalmente no Cerrado, após investimentos sucessivos em calagem, gessagem e em adubações corretivas e de manutenção com fósforo, potássio e micronutrientes, associados ao estabelecimento do sistema plantio direto, que mantém ou aumenta o estoque de matéria orgânica no solo.

Com o manejo ao longo das safras, esses solos passam a apresentar condições físicas, químicas e biológicas adequadas para as culturas expressarem melhor o seu potencial produtivo. "Apesar de o nível de fertilidade do solo ser alto ou até muito alto, é comum que os agricultores continuem adubando. Essa prática tem resultado em adubações desnecessárias ou superdimensionadas, com baixa eficiência de uso dos fertilizantes", cita um trecho do artigo "Adubação, produtividade e rentabilidade da rotação entre soja e milho em solo com fertilidade construída", publicado na revista PAB (Pesquisa Agropecuária Brasileira), editada pela Embrapa.

Experimento conduzido em área de produção comercial de grãos
A equipe de pesquisadores conduziu o experimento em uma fazenda localizada em uma região produtora de grãos no noroeste de Minas Gerais, cujo solo vem sendo cultivado há 15 anos em sistema de plantio direto com fertilidade considerada de adequada a alta para a região do Cerrado. Três cultivos de verão, em condições de sequeiro, na sequência de rotação soja/milho/soja, foram avaliados, sendo deixada uma área controle com o manejo de adubação utilizado normalmente pelo agricultor. As demais doses das adubações incluíram quantidades de fertilizantes abaixo e acima das empregadas pelo agricultor. As adubações de semeadura foram realizadas no sulco, via semeadora, e as aplicações em cobertura foram feitas manualmente, com filete de adubo nas entrelinhas.

Na primeira safra, foi semeada uma cultivar precoce de soja RR, com estande de 380 mil plantas por hectare. O segundo plantio foi feito com um híbrido simples de milho, com 68 mil sementes por hectare. E, por fim, na última safra, usou-se uma cultivar precoce de soja RR com estande de 280 mil sementes por hectare.

Após a análise dos dados de produtividade, os pesquisadores concluíram que "nesses casos de elevada fertilidade do solo, a adubação de manutenção com quantidades que apenas reponham a exportação nos grãos constitui o manejo mais racional, uma vez que os nutrientes aplicados e não absorvidos pelas plantas podem ficar sujeitos a processos de perdas no sistema".

Outros resultados importantes obtidos foram que "a soja não respondeu às adubações NPK de semeadura ou de cobertura potássica, em nenhuma das safras" e que "a produtividade do milho (safra 2011/2012), no entanto, respondeu tanto à adubação NPK na semeadura como à cobertura nitrogenada, o que confirma a maior responsividade dessa cultura à adubação".

Os pesquisadores interpretam que "a ausência de resposta da soja e a resposta relativamente baixa do milho à adubação são indícios de que o solo, de fato, apresentava grande reserva de nutrientes, e de que é possível diminuir a quantidade de fertilizantes aplicados no solo avaliado. Portanto, a adubação com quantidades fixas de N, P e K não parece adequada para o manejo do sistema de produção de soja e milho em solos com esse padrão de fertilidade. Para otimização do dimensionamento das adubações é preciso investir em monitoramento do solo ao longo do tempo, ajustando o fornecimento de cada nutriente de forma individualizada, de acordo com um diagnóstico periódico da condição de fertilidade na lavoura".

Conclusões contundentes
O artigo publicado revela ainda que alguns autores sugerem que culturas mais responsivas, como a do milho, deveriam ser adubadas mais intensamente, enquanto as menos responsivas e de maior plasticidade, como a da soja, poderiam ser cultivadas apenas com a adubação de arranque e com a adubação residual da cultura anterior. Paradoxalmente, não é esta a constatação mais comum no campo. No estudo de caso relatado no artigo, a adubação otimizada representaria uma economia expressiva no uso de fertilizantes. "A dose de fertilizante normalmente utilizada na fazenda para a adubação de semeadura do milho (359 kg/ha) poderia ser reduzida em 47 kg/ha (13%), uma vez que a dose de máxima eficiência econômica foi de 312 kg/ha. Além disso, a adubação de cobertura nitrogenada poderia ser reduzida de 350 kg/ha para 263 kg/ha, ou em 25%. A soja, por sua vez, dispensaria adubação".

Portanto, de acordo com o pesquisador Álvaro Resende, o agricultor deve seguir estratégias como o monitoramento do solo e ter conhecimento das taxas de exportação de nutrientes pelas colheitas das culturas e avaliar o balanço de nutrientes no sistema para depois definir a necessidade de adubação. "Essas estratégias, relativamente simples e que podem ser incorporadas à rotina das fazendas, são decisivas quando se busca eficiência de gestão para maior competitividade na produção de grãos, com ganho de rentabilidade", diz. Ainda segundo ele, o monitoramento do sistema de produção por meio de análises de solo e a avaliação econômica realizada nos estudos conduzidos até agora indicam a necessidade de se reavaliar o manejo da adubação em solos de fertilidade construída, visando o uso mais eficiente de fertilizantes.

Fonte: Embrapa