quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Produtores de limão se unem para regular o setor contra o cancro cítrico

Produtores de limão do estado de São Paulo se reuniram no Fundecitrus para discutir as dificuldades de produção e comercialização da fruta com a presença do cancro cítrico – estimado em 9% dos talhões, atualmente –e propor uma união para ações conjuntas de educação e prevenção e dar agilidade ao andamento das mudanças na legislação de controle da doença.

A preocupação é que o aumento da incidência do cancro cítrico nas regiões produtoras de limão comprometa o comércio da fruta, sobretudo as exportações que hoje representam a maior fatia de negócios do setor.

A falta de conhecimento dos citricultores à respeito da doença e de fiscalização dos packing houses são alguns dos desafios a serem ultrapassados para regular o setor no controle do cancro cítrico.

“Tanto os produtores de laranja quanto os de limão entendem que a situação atual do cancro cítrico demanda outra atitude. Por décadas a supressão em São Paulo foi eficiente, mas com a mudança da legislação para a erradicação apenas da planta doente e o crescimento da doença no estado, é preciso repensar a legislação para a mitigação de risco, seguindo um rígido protocolo de controle”, afirma o gerente do Fundecitrus, Juliano Ayres.

O Fundecitrus irá dar o suporte necessário para a orientação técnica dos produtores sobre o manejo do cancro cítrico.

“A aproximação entre Fundecitrus e o setor de limão é muito favorável, assim como a postura de supressão para mitigação de risco. Sem sombra de dúvida, a experiência a instituição vai auxiliar em muito com pesquisa e treinamento. É condição indispensável para o setor de limão estar associada e uma instituição com essa experiência e credibilidade”, afirmou o presidente da Associação dos Produtores e Exportadores de Limão (ABPEL), Afonso Castellucci.

Na semana que vem, os produtores devem se reunir com a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) e ainda expor a preocupação do setor na reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Citricultura, que será realizada em Brasília.

Fonte: Fundecitrus

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Citros/Cepea: Demanda aquecida impulsiona preços da pera

As temperaturas firmes no início desta semana aqueceram a demanda pela laranja pera de mesa, animando produtores e elevando os preços da variedade. Além disso, segundo pesquisadores do Cepea, a forte absorção da indústria também tem limitado a oferta da fruta e influenciado a alta nos preços.

A média da pera, na parcial da semana (segunda a quinta-feira), é de R$ 21,06/cx de 40,8 kg, na árvore, avanço de 2,8% frente à anterior. Quanto à lima ácida tahiti, a oferta ainda limitada também manteve os preços da fruta em patamares elevados por mais uma semana – o que segue afastando compradores do mercado. Na parcial desta semana, a média de comercialização da tahiti é de R$ 59,59/cx de 27 kg, colhida, alta de 6,7% em relação à da semana passada. 

Fonte: Cepea/Esalq

Uva orgânica produz vinhos com gosto melhor, afirma pesquisa


Estudo desenvolvido pela Universidade da Califórnia (UCLA) constatou que as uvas orgânicas produzem vinhos com gosto melhor. Comparando pontuações e comentários de mais de 74 mil garrafas de vinhos da Califórnia nas três principais revistas da área, em uma escala padronizada de 100 pontos, os vinhos ‘eco-certificados’ receberam uma média de 4,1 pontos acima dos vinhos regulares.

De acordo com a pesquisadora e economista da UCLA, Magali Delmas, a agricultura orgânica e biodinâmica tem “pequenos, mas significativos efeitos positivos sobre a qualidade do vinho”. No entanto, embora o estudo tenha sido feito apenas com vinhos da Califórnia, a equipe de pesquisa acredita que os resultados possam ser aplicados de forma ampla, já que o estado produz 90% do vinho dos Estados Unidos. Estudos preliminares também apontam que as bebidas francesas também têm dados similares.

A pesquisa analisou vinhos feitos com uvas provenientes de uvas orgânicas e fazendas biodinâmicas, mas não incluíam um terceiro tipo de vinho ‘eco-certificado’: vinhos orgânicos. Esse tipo de bebida não se refere apenas ao modo como as uvas foram cultivadas, mas também como o vinho foi produzido. Mais notadamente, vinhos orgânicos não contém adição de sulfito, um importante conservante.

Delmas acredita que a pesquisa possa incentivar produtores e vinícolas a investir em práticas ambientais e mostrar suas certificações. Apenas 1% dos vinhos estudados era ‘eco-certificado’ e dois terços das vinícolas certificadas da Califórnia não apresentaram os selos em suas garrafas. A pesquisadora acredita que o vinho orgânico, livre de conservantes e que já foi conhecido por azedar rapidamente e ser de qualidade inferior, pode ser uma das razões para o receio das vinícolas.

Ela também afirma que a motivação para os produtores de vinho utilizaram práticas ambientais é melhorar a qualidade do vinho. Além disso, especialmente no caso de agricultores familiares, a motivação principal é fornecer um ambiente mais limpo para as futuras gerações.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Mudanças do clima podem afetar agricultura

A influência da mudança do clima na produção agropecuária foi discutida durante Fórum, em 10 de agosto, na Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP). O objetivo foi analisar criticamente se ocorrem alterações que justifiquem preocupações e permitam correlacionar eventos extremos com suposições atreladas à instabilidade produtiva das lavouras brasileiras.

O chefe geral da unidade Marcelo Morandi destacou, na abertura do evento, a importância do fórum, que começou com discussões internas, pela necessidade de analisar, entender e se preparar para essas mudanças. "É um tema preocupante para todos os segmentos e esse encontro com pessoas altamente qualificadas é o primeiro passo para atender essas demandas tão necessárias e urgentes no pais".

O pesquisador Eduardo Assad da Embrapa Informática Agropecuária, mediador do fórum, falou sobre os rumos do aquecimento global e os limites da adaptação. Para ele, não é possível mais apenas sentar e discutir, assim como não há como abordar essa questão sobre apenas um ângulo. "O planeta não está ameaçado. Nós é que estamos, a humanidade. A fase de discussão passou, cabe agora buscar soluções".

A primeira palestra, com Lincoln Muniz Alves, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST/Inpe), abordou as razões para o aumento das oscilações climáticas em nível nacional. Para ele, o Brasil precisa reavaliar sua vulnerabilidade e exposição para gerenciar melhor o risco de desastres. Essa reavaliação precisa ser plenamente integrada no processo de planejamento.

Logo após, Santiago Cuadra, da Embrapa Informática Agropecuária, falou sobre as perspectivas para cenários de mudanças de temperatura e precipitação: incertezas inerentes às projeções climáticas. Conforme Cuadra, ao longo das décadas, os modelos numéricos foram ficando mais complexos, integrando todos os processos envolvidos. Para ele, é importante usar não apenas um modelo. "A variabilidade é grande e o sistema atmosférico é dinâmico".

Em seguida, Caio dos Santos Coelho, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC-Inpe) discutiu a recente seca na região Sudeste do Brasil, com a apresentação de um estudo sobre a viabilidade de previsão do início da estação chuvosa no estado de São Paulo. Ele abordou a crise de água, impactos no abastecimento humano, agricultura e geração de energia elétrica. Conforme Caio, esse foi um evento extremo, com período de retorno de 20 anos. Conforme seus estudos, o aumento da população e do consumo de água foram os principais fatores para a crise hídrica. Para Assad, mediador do Fórum, a falta de proteção dos mananciais e das nascentes com mata ciliar e o manejo de solo também contribui para esse déficit no abastecimento.

Na segunda parte, Paulo Sentelhas, da Esalq, abordou a variabilidade de mudanças climáticas e seus impactos na produtividade agrícola. De forma genérica, os principais fatores que causam impactos na produção agrícola são: clima (50%), solo (23%), planta (13%) e manejo (14%). De acordo com ele, a variabilidade climática é parte intrínseca do clima de um local e deve ser avaliada sempre que se objetiva caracterizar um ambiente de produção agrícola. "Temos cenários e não certezas. Precisamos nos preparar para eles, melhorando o que podemos, preparação do solo, melhoramento genético".

Em seguida, Joaquim de Souza Ferreira Filho, também da Esalq, apresentou simulação da perda econômica da agricultura brasileira em função das variações climáticas. Ele trabalha com modelos computáveis de equilíbrio geral (CEG), que são equivalentes aos modelos climáticos globais. Conforme o professor, haverá uma migração de retorno nordeste para sudeste, com queda acentuada de salários. "As regiões mais pobres seriam mais severamente afetadas pelo cenário simulado, com efeitos mais graves em algumas regiões específicas. Na agricultura, os impactos sobre a economia brasileira não serão muito grandes".

Edson Oliveira Vendruscolo, do Grupo El Tejar discorreu sobre as adequações empresariais para convívio com a variabilidade climática em áreas de produção de grãos. O Grupo El Tejar tem sede no Mato Grosso e seu foco é produção de grãos com custos controlados. "Nosso planejamento começa um ano antes do plantio e, como não podemos mudar o clima, nossa principal ferramenta de gestão está muito atrelada às ações de controle das operações agrícolas, visando ajustar a hora certa para a execução. Há 15 anos, a produtividade de soja no Mato Grosso está estagnada, por uma série de razões, o que aumenta o tamanho do nosso desafio".

E Verona Montone, representante da The Climate Corporation, abordou as ações da empresa rumo à agricultura digital, visando ajustes gerenciais de grande porte para convívio com cenários de incertezas, através do uso de ferramentas digitais, capazes de auxiliar o empresário rural no planejamento agrícola e tomada de decisões.

Na terceira parte do Fórum, foram discutidas as formas de minimização dos danos e as alternativas agrícolas para o convívio com o novo cenário nacional. O uso da tecnologia de adubação biológica para melhoria da interface solo-planta em condições adversas de cultivo foi demonstrado por Solismar Venzke Filho, consultor de P&D da empresa Microgeo. Conforme o consultor, o uso da tecnologia proposta pela empresa permite aumento da microporosidade e da troca de gases no solo, permitindo maior enraizamento das plantas, resultando em maior produtividade.

Alexandre Heinemann, da Embrapa Arroz e Feijão, apresentou a caracterização ambiental como ferramenta para a manutenção da produtividade agrícola em cenários de mudanças climáticas, através de um estudo de caso para feijão. Para o pesquisador, é necessário classificar a região de produção para subsidiar os programas de melhoramento vegetal com informações seguras, buscando compreender como as culturas respondem às variações espaço-tempo, solo, clima e manejo. Ainda, conforme o pesquisador, a escolha da época de plantio é essencial para convívio com cenários de mudanças climáticas.

As tecnologias biológicas para a proteção das plantas cultivadas aos eventos de seca foram abordadas pelo pesquisador Itamar Melo, da Embrapa Meio Ambiente, que expôs a importância do uso de ativos biológicos na agricultura, demonstrando o imenso potencial de contribuição dos microrganismos em sua interação com as plantas cultivadas, auxiliando a agricultura brasileira no convívio com cenários de mudanças do clima.

Alexandre Nepomuceno, da Embrapa Soja, abordou sobre as estratégias para aumento da eficiência e sustentabilidade da produção de soja em condições climáticas adversas. Conforme Alexandre, "não temos plantas resistentes à seca, então, tentamos reduzir as perdas agrícolas com o uso de genótipos mais tolerantes, associados a estratégias de manejo mais eficientes".

As estratégias para o aumento da eficiência e sustentabilidade da produção de cana-de-açúcar, em condições climáticas adversas foram demonstradas por Hugo Molinari da Embrapa Agroenergia. "Em função da ocorrência de várias safras com quedas expressivas de produção de cana devido ao déficit hídrico, pensou-se no melhoramento genético como uma das estratégias de mitigação". O pesquisador destacou a necessidade de adaptação do setor frente às mudanças climáticas, através do desenvolvimento de variedades comerciais resistentes a seca – GM ou não.

O tema pecuária também foi abordado no tocante aos impactos das mudanças do clima na produção de gado de corte: desafios e alternativas, pela pesquisadora Lucimara Chiari, da Embrapa Gado de Corte. O Brasil possui o maior rebanho comercial de bovinos do mundo, sendo que a cada 3 bifes comidos, 1 vem do Brasil. Sabe-se hoje que a elevação da temperatura em 3ºC pode promover perdas de até 25% da capacidade de pastoreio.

Além disso, essa variação na temperatura influencia no ciclo de vida e na capacidade de desenvolvimento de parasitas importantes. "Maior temperatura, mais moscas e carrapatos. Houve surtos de mosca dos estábulos em períodos não esperados", diz a pesquisadora. E espécies que não causam problemas hoje, podem se tornar um grande entrave para a produção de carne, já que podem suportar temperaturas extremas e não há ainda estratégias de controle.

Uma das alternativas já existentes para mitigar esses efeitos é o ILPF, enfatiza a pesquisadora, já que melhora o bem estar animal. "Sistemas integrados proporcionam várias vantagens, como sequestro de carbono, diversificação, melhoria na qualidade da forragem e ciclagem de nutrientes.

O conceito Carne carbono Neutro, marca registrada da Embrapa, produz carne nesse sistema, onde as emissões de gases de efeito estufa são neutralizadas.

Já as iniciativas para o estímulo à inovação foram apresentadas por Renato Luzzardi, da Bayer, que, por sua vez, criou há alguns anos um setor dentro da empresa apenas para reunir e gerenciar novas ideias a partir da interface com a comunidade científica brasileira.

Fonte: Embrapa

Crédito à agricultura empresarial chega a R$ 7,43 bi no primeiro mês da safra 2016/2017

Linha de financiamento mais procurada foi a de investimento, com R$ 1,4 bi


As contratações do crédito rural da agricultura empresarial no primeiro mês da safra agrícola 2016/2017 foram de R$ 7,43 bilhões, o que representa 4% do total programado de R$ 183,9 bilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (10) pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O desembolso do crédito de investimento foi a modalidade mais procurada pelos médios e grandes produtores em julho último. O financiamento saiu de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,4 bilhão, aumento de 26%.

De acordo com os estudos dos técnicos da SPA, houve redução nos financiamentos de custeio. A queda está concentrada no segmento agrícola. A modalidade pecuária teve elevação de 15% nas contratações realizadas com recursos livres. No crédito para comercialização, apesar da retração de 3% no valor total contratado, a parcela referente aos recursos livres aumentou 22%.

LCA

As contratações de crédito rural com recursos procedentes da emissão da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) continuaram apresentando significativa expansão em resposta à política de direcionamento desses recursos para o financiamento da agricultura. Desta forma, as contratações da LCA em julho último tiveram um aumento de 56,6% em relação a julho de 2015, saindo de R$ 769,6 milhões para R$ 1,2 bilhão.

Banco do Brasil anuncia recorde de crédito ao agronegócio: R$ 184,5 bilhões

O Banco do Brasil anunciou ter alcançado um recorde na Carteira de Crédito ao Agronegócio, ao contratar R$ 184,5 bilhões nos últimos 12 meses. O resultado representa, na visão ampliada, crescimento de 9,6% neste período. 

O destaque ficou por conta da linha do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que totalizou R$ 40,5 bilhões. O número significa expansão de 7,5% frente ao segundo trimestre de 2015. Por sua vez, o Programa ABC totalizou R$ 9,5 bilhões e crescimento de 6% no mesmo período. 

Apenas na Safra 2015/16 o BB desembolsou R$ 82,4 bilhões em operações de crédito rural, um aumento de 12,4% em relação ao mesmo período da safra 2014/15. “O Banco mantém-se como o principal agente financeiro do agronegócio no país, com 62,0% de participação nos financiamentos destinados ao setor”, anuncia a instituição financeira. 


Fonte: Agrolink
Autor: Leonardo Gottems

Ministro destaca importância da fruticultura no esforço do Brasil de aumentar exportações

Em visita a áreas de cultivo de maçã, Blairo também anunciou plano contra doença que ataca macieiras 


A fruticultura é uma atividade econômica importante e pode contribuir ainda mais com o esforço do governo federal de elevar a participação das exportações do agronegócio brasileiro de 6,9% para 10% do comércio agrícola mundial nos próximos 10 anos. A avaliação foi feita pelo ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) após visita de dois dias a áreas de plantio de maçã, esta semana, na Região Sul do país. Na viagem, ele anunciou que o Ministério da Agricultura lançará, em novembro, um plano de manejo para controlar o cancro europeu – doença que está atingindo os pomares de macieiras.

Em encontros com os fruticultores de Vacaria (RS), na terça (9), e São Joaquim (SC), na quarta-feira (10), Blairo disse que o governo federal vai apoiar o setor naquilo que for possível e voltou a descartar a possibilidade de o Brasil importar maçã da China. “Chance zero”, destacou, ao tranquilizar os produtores dos dois municípios, os maiores polos de cultivo nacional de maçã. Segundo ele, questões fitossanitárias impedem que o mercado brasileiro compre a fruta chinesa. “Eles têm problemas que não temos aqui.”

Blairo reforçou aos produtores que o Plano Agrícola e Pecuária 2016/2017 tem um programa para apoiá-los, o Inovagro, com prazo de 10 anos e juros de 8,5% ao ano. Enfatizou, entretanto, que a atual conjunta econômica brasileira não permite ampliar o prazo de financiamentos agrícolas nem reduzir as taxas de juros. “O que o Ministério da Agricultura está fazendo agora é trabalhar para criar uma escola de móvel de juros para usá-la quando a inflação cair.” 

Cadeia produtiva estruturada

O ministro elogiou ainda a estrutura da cadeia produtiva de maçã nos dois municípios das serras catarinense e gaúcha. “São centenas de produtores muito bem estruturados em associações e preocupados com as questões sanitárias e com o desenvolvimento de pesquisa. Isso sempre traz bons resultados para a produtividade do setor.”

Durante a viagem, Blairo assinou um protocolo de intenções destinado a operacionalizar recursos do setor privado para dar suporte às ações do Centro de Controle Biológico e Manejo Integrado da Mosca das Frutas (Centro Moscasul), cuja sede fica em Vacaria. Também anunciou a liberação de R$ 506,9 mil para conclusão do centro.

A cooperação no Centro Moscasul envolve a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi), Sindocopel e Associação dos Produtores de Pêssego da Região de Pelotas.

No roteiro à Região Sul, quando também visitou packing houses, Blairo estava acompanhado dos secretários de Defesa Agropecuária, Luis Rangel, e de Política Agrícola, Neri Geller, e do seu chefe de gabinete, Coaraci Castilho.

Empresa norte-americana de defensivos chega ao Brasil com investimentos de US$ 300 milhões

De olho no crescente mercado agrícola brasileiro, a Albaugh amplia sua participação mundial e lança em agosto a Albaugh Brasil. Com investimentos iniciais de US$ 300 milhões, a empresa de origem norte-americana quer se firmar no País ampliando sua capacidade fabril e de distribuição. Assim, pretende quintuplicar seu faturamento nos próximos cinco anos, chegando a US$ 500 milhões em 2021.

Segundo o presidente da Albaugh Brasil, Renato Seraphim, os investimentos vão ocorrer neste e nos próximos três anos, tanto em infraestrutura quanto em pessoal. “Estamos comprando novos equipamentos de laboratório e fabricação, além de ampliar a capacitação dos funcionários, que são nosso principal foco, e promover equiparação salarial.”

Ao mesmo tempo, novos colaboradores estão sendo contratados e o sistema de gestão da empresa está passando por ajustes para comportar o objetivo de quintuplicar o faturamento anual no País, que hoje é de cerca de US$ 100 milhões, em cinco anos.

Assim, serão gerados pouco mais de 100 empregos diretos e indiretos, inclusive com reforço na equipe de vendas, que está espalhada pelo Brasil. Foram contratados profissionais com larga experiência no setor de agroquímicos, que já estão à frente da companhia. Hoje, a empresa conta com cerca de 120 colaboradores.

No Brasil, a Albaugh está presente desde 2005, por meio de sua subsidiária Atanor no Brasil. Recentemente, com a aquisição da Consagro, a empresa passou a se chamar Albaugh Brasil, em sincronia com o lançamento da marca no mundo todo.

Seraphim explica que a Albaugh escolheu se expandir no Brasil, pois trata-se do maior mercado de insumos agropecuários do mundo. “O agronegócio movimenta cerca de um quarto do PIB brasileiro e a produção e a produtividade, principalmente das commodities agrícolas, não param de crescer. Para manter esses números em alta, o mercado de defensivos é de extrema importância e por isso vemos no País uma grande oportunidade. Além disso, queremos ajudar a promover maior rentabilidade ao agricultor brasileiro.” 

A Albaugh vai oferecer produtos pós-patente de qualidade, com preço mais atrativo que o dos concorrentes. “Nosso objetivo é ser a melhor alternativa de custo x benefício para o produtor. Também queremos investir em serviços agregados a nossos produtos, que visam reduzir os custos de produção dos agricultores, e assim elevar nossa competitividade”, fala o presidente.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Cultivo protegido de melão nobre é viável no Cerrado

Pesquisa realizada nos campos experimentais da Embrapa Hortaliças, no Distrito Federal, confirmou a viabilidade técnica e socioeconômica do cultivo protegido de melão nobre, do tipo cantaloupe, nas condições do Brasil Central, onde predomina o bioma Cerrado, com base em dados sobre determinação da exigência da cultura por água e nutrientes e da análise sobre a perspectiva de um nicho de mercado.

Mais de 93% da produção nacional de melão está concentrada no Semiárido nordestino, região favorecida por condições ideais para garantir uma boa produtividade e acentuar a doçura dos frutos, como temperaturas elevadas e alta luminosidade durante todos os meses do ano. O melão do tipo amarelo lidera a produção, com cerca de 70% das áreas cultivadas, mas os melões nobres vêm ganhando espaço. De acordo com o último censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Nordeste possui quase 14 mil hectares de área plantada com melão, já o Centro-Oeste não alcança 200 hectares, ficando à frente somente da região Sudeste.

Bom negócio para o Centro-Oeste

Por outro lado, o consumo de melão no Centro-Oeste é o segundo maior do País, com a marca de 0,509 quilos por habitante a cada ano. "No Distrito Federal, por exemplo, há um centro urbano com grande potencial de consumo de melões nobres, de cerca de 300 toneladas por mês, mas a distância em relação às áreas produtoras compromete a qualidade do produto que chega ao mercado, principalmente pela pouca durabilidade após a colheita e pelos danos mecânicos causados durante o transporte rodoviário", observa o pesquisador Marcos Braga, ao destacar que o poder aquisitivo da população – a renda per capita do DF é a maior do Brasil – justifica o investimento dos agricultores locais em um produto de maior valor agregado.


O abastecimento nesse centro urbano também é limitado porque grande parte do escoamento da produção do Nordeste tem como destinos principais o mercado local e o mercado estrangeiro, principalmente na entressafra da produção de melão na Espanha que, segundo o Gabinete de Estatísticas da União Europeia, representa mais de 40% da produção da cultura no continente. "O pico de produção de melão no Nordeste coincide com a queda de produção na Espanha, grande provedor para os países da Europa, o que favorece os exportadores brasileiros, ainda mais em um cenário de alta do dólar", contextualiza o pesquisador Ítalo Guedes, chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Hortaliças.

Com o melão nacional cruzando o Atlântico, a opção para abastecer o nicho de mercado desse produto, especialmente no Distrito Federal, foi estudar uma alternativa para o cultivo rentável nas condições de Cerrado, e a resposta que os pesquisadores encontraram parte de dois pontos: (1) melão-cantaloupe, um tipo nobre do fruto com alta cotação no mercado, e (2) cultivo protegido, um sistema de produção que, além de possibilitar o plantio em condições adversas, condiz com culturas de maior valor agregado para compensar o investimento na estrutura.

Nutrientes na hora certa

Ao contrário do Nordeste, onde a produção se dá em campo aberto, em virtude das condições favoráveis, o cultivo de melão nobre nas condições do Cerrado somente se torna viável se planejado em ambiente protegido, como estufas e casas de vegetação, para um melhor controle de fatores como umidade relativa, temperatura, polinização, entre outros.

Estima-se que o Distrito Federal possua uma área de aproximadamente 200 hectares de cultivo em ambiente protegido, sendo que parte desse espaço é destinada ao plantio intensivo de pimentão e tomate, que fazem parte da mesma família botânica e, por isso, compartilham e perpetuam os mesmos problemas fitossanitários que, com o passar do tempo, se tornam de difícil resolução. O monocultivo dessas espécies ainda contribui para a salinização do solo e a saturação do mercado. 

"Para minimizar a incidência de pragas e doenças, recomenda-se a rotação de culturas. Porém, o agricultor nem sempre consegue inserir uma espécie sem valor comercial, embora benéfica para o solo, como os adubos verdes, já que as estruturas de cultivo protegido exigem um alto investimento e, por isso, o melão nobre é uma opção para fazer a rotação e, ao mesmo tempo, obter um bom retorno financeiro", esclarece o pesquisador da Embrapa Juscimar da Silva, que estudou as exigências nutricionais do melão-cantaloupe.

Os experimentos foram conduzidos com cinco diferentes híbridos de melão, sendo um experimental e quatro comerciais, dispostos em baldes plásticos com adubação por fertirrigação, que é a aplicação de nutrientes via água de irrigação, neste caso, em um sistema por gotejamento. Foi utilizada também fibra de coco, um substrato inerte que não interfere nas análises. Com base nos testes, foi possível estabelecer o padrão de acúmulo de nutrientes das cultivares de melão-cantaloupe nesse sistema e, assim, saber quais nutrientes e dosagens a planta vai exigir em determinada etapa do desenvolvimento, seja na fase vegetativa ou no estágio de formação dos frutos.

"Observamos que as plantas tiveram uma exigência substancial de macronutrientes secundários como potássio, magnésio e enxofre, e o primeiro está diretamente relacionado com qualidade e teor de açúcar do fruto", relata Silva ao comentar que, no que se refere a custos de produção do meloeiro, a adubação abarca uma fatia aproximada de 20%.


Na prática, a curva de absorção de nutrientes vai indicar para o técnico ou para o produtor a melhor forma de manejar com eficiência tanto a fertilidade do solo quanto a nutrição da planta. "Hoje, os produtores exigem que empresas forneçam não apenas a semente, mas também o padrão de absorção da cultivar, seja em ambiente externo ou em casa de vegetação", assinala Silva, ao comentar que essas informações permitem manejar os nutrientes para suprir satisfatoriamente a planta em cada estágio do desenvolvimento. Após os experimentos, sob o ponto de vista da adubação, o pesquisador sinalizou a viabilidade técnica do cultivo de melão-cantaloupe em ambiente protegido nas condições de clima e solo do Cerrado. 

Água na dose correta

Esse também é o parecer das análises de demanda hídrica do meloeiro, que considerou aspectos de evaporação e de transpiração das plantas, tensões-limite de água no solo e linhas de fluxo de energia para irrigar sempre em favor da região da estufa com maior demanda de água para que, assim, não se corra o risco de faltar irrigação em algumas plantas. 

Quanto às análises hídricas, os experimentos utilizaram os mesmos cinco híbridos, mas cultivados em solo com irrigação por gotejamento e tutoramento vertical da planta. "No monitoramento das condições climáticas dentro da estufa, foram usados sensores para acompanhar a faixa de temperatura, a umidade relativa do ar e a intensidade luminosa", explica o pesquisador Marcos Braga.

Os tratamentos com três diferentes tensões de água no solo (20 kPa, 40 kPa e 60 kPa – unidade internacional de medida referente à força de retenção da água no solo) não apresentaram diferenças estatísticas nos fatores relacionados à produção do melão, ou seja, a planta consegue manter seu rendimento mesmo com intervalos maiores de irrigação, o que indica uma maior economia de água. No geral, a produtividade ficou acima de 23 toneladas por hectare. "Acima de 20 t/ha podemos afirmar que o melão nobre enquadra-se em um valor razoável. Além da produtividade, a qualidade, o teor de açúcares e os diâmetros, transversal e longitudinal, também obtiveram bons índices para garantir a viabilidade do cultivo", pondera Braga, que também ressalta ser possível sugerir o plantio em Goiás e Mato Grosso, desde que exista constatação da viabilidade técnica e econômica no Distrito Federal.

Fonte: Embrapa
 

Brasil e Estados Unidos identificam gene para combate ao HLB dos citros

Cientistas brasileiros e norte-americanos identificaram um gene que poderá ser uma poderosa ferramenta no combate à Huanglongbing dos citros (HLB), também conhecida como greening, a mais importante doença que atinge os citros atualmente. Batizada de Met-1, a sequência isolada pertence ao pequenino inseto que transmite o HLB, o psilídeo Diaphorina citri. O gene mostrou-se essencial para a sobrevivência do inseto, tornando-se um forte candidato a ser silenciado pela técnica de RNA interferente (RNAi). A descoberta gerou pedido de patente nos Estados Unidos. A pesquisa foi feita por meio de parceria entre Embrapa e o Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura daquele país (USDA/ARS) no âmbito do Programa Embrapa Labex-USA.

Em testes de laboratório, mais de 80% dos psilídeos que se alimentaram em plantas contendo RNAs idênticos ao gene Met-1 morreram. O RNA misturado à água é absorvido pela planta por meio de suas raízes, e passa a circular pelo xilema e floema, seu sistema de vasos que movimenta água e seiva elaborada, respectivamente. Ao se alimentar nesses vasos, o inseto ingere também o RNA, que uma vez dentro das células do inseto, leva ao "silenciamento" (desligamento da expressão) do gene Met-1, causando a morte do inseto. Assim como o Met-1, foram testadas mais duas dezenas de genes, sendo que ele apresentou o maior índice de mortalidade dos insetos. O objetivo desse trabalho é desenvolver estratégias de controle da doença por meio do combate ao psilídeo, e que seja inofensivo a outros seres vivos e ao ambiente.

O RNAi é uma das mais recentes ferramentas da biotecnologia e tem a vantagem de atingir seu alvo com grande precisão, pois se baseia no código genético do organismo-alvo. "Podemos dizer que o RNAi possui uma precisão cirúrgica, pois permite afetar especificamente o gene-alvo apenas no organismo de interesse", declara Eduardo Chumbinho de Andrade, pesquisador do Programa Embrapa Labex-USA, que conduziu a pesquisa em parceira com Wayne Hunter, pesquisador do ARS - Horticultural Research Laboratory USDA, em Fort Pierce, no Estado da Flórida.

"A identificação do gene Met-1 e o avanço no desenvolvimento da tecnologia é um bom exemplo de resultado proporcionado pelo programa Embrapa Labex ao colocar talentos brasileiros em contato com colegas e instituições de outros países que trabalham no estado da arte da pesquisa", ressalta o coordenador de Cooperação Científica da Secretaria de Relações Internacionais (SRI) da Embrapa, Alexandre Morais do Amaral.

A tecnologia de RNAi

Para compreender a tecnologia, é preciso entender como o mecanismo funciona naturalmente nas células. A sobrevivência de qualquer organismo depende da expressão de seus genes, fenômeno que ocorre quando a informação do gene é transcrita em um RNA mensageiro, que vai então ser "lido" e "traduzido" em uma proteína. Tão importante quanto expressar seus genes, é necessário que a célula desempenhe o controle da expressão de seus genes. Uma das formas de a célula realizar essa regulação é ativando o mecanismo de RNA interferente, que causa o silenciamento do gene.

Este silenciamento pode ser alcançado de duas formas, que podem ou não ocorrer simultaneamente. A primeira é exercida diretamente no gene, desligando sua expressão, enquanto a segunda é realizada pela degradação do RNA mensageiro, assim, mesmo o gene sendo expresso, sua informação não é traduzida em proteína. 

Esse processo é todo feito com base na sequência do gene a ser silenciado. Para isso a célula produz pequenos RNAs interferentes (small interfering RNAs – siRNAs) que irão possuir a mesma sequência do gene que precisa ser silenciado. Assim, os siRNAs funcionam como guias do mecanismo, causando o silenciamento apenas do gene que possua a sequência idêntica a eles. É isso que confere à técnica sua grande precisão. 

Assim, apesar de o mesmo gene estar presente em diferentes espécies, em cada uma ele apresenta pequenas alterações na sua sequência, permitindo criar um siRNA que afete apenas uma ou um grupo de espécies que partilhem sequências idênticas. Isso também dá previsibilidade à ação, segundo detalha o pesquisador. "Podemos saber de antemão quais espécies deverão ser afetadas por um determinado RNA, e principalmente saberemos que será inofensivo às espécies benéficas, como as abelhas por exemplo", afirma.

A tecnologia de RNAi envolve o uso direcionado desse mecanismo natural. "Conseguimos fazê-lo trabalhar a nosso favor, induzindo-o a silenciar o gene que desejamos, e se este gene for essencial à célula, ela e o organismo como um todo irão morrer", explica Andrade.

A pesquisa desenvolvida nessa parceria envolve três fases. O trabalho começa com a identificação dos genes-alvo do organismo que se quer atingir. No caso do psilídeo que transmite o HLB, foram selecionados genes envolvidos em diferentes processos que são considerados vitais para a sobrevivência do inseto.

Na segunda fase, os genes candidatos são validados em testes que verificam a sua importância para o inseto. Para isso, para cada gene são sintetizadas moléculas de RNA de dupla fita (double-strand RNA, ou dsRNA) com sequência idêntica a ele. Esses dsRNAs após serem ingeridos pelos insetos, entram em suas células e são reconhecidos pelo mecanismo de RNAi, que vai quebrá-los em pequenos RNAs (os siRNAs), que então serão usados como guias pelo mecanismo que vai identificar e degradar todos os RNAs mensageiros idênticos aos siRNAs, reduzindo a expressão ou mesmo causando o silenciamento total do gene. "Alguns genes são tão vitais que se forem silenciados mesmo que parcialmente já provocam a morte do organismo. Outros precisam ser completamente eliminados para causar o mesmo efeito", explica o pesquisador da Embrapa. Foi nessa etapa que os cientistas selecionaram o Met-1.

A terceira fase, igualmente importante, consiste em encontrar os melhores meios de fazer o dsRNA chegar até o inseto. Isso pode ser obtido de várias maneiras as quais apresentam diferentes índices de eficácia. Ele pode ser misturado à água e aplicado para ser absorvido pela planta por meio de suas raízes, ser pulverizado sobre as folhas para que seja absorvido, ou mesmo ser produzido pela própria planta (neste caso uma planta geneticamente transformada). Cada método possui vantagens e desvantagens que devem ser avaliadas.

Para os casos que envolvem a aplicação do dsRNA na planta, uma estratégia que o grupo envolvido no trabalho está testando é o uso da nanotecnologia. A ideia é desenvolver nanocápsulas que protejam o dsRNA no ambiente até a planta absorvê-lo e que também melhore a absorção do dsRNA pelas células do inseto. Este trabalho está sendo realizado em parceria com pesquisadores da Embrapa Instrumentação e Embrapa Semiárido.

"O dsRNA é muito instável e se degrada facilmente por oxidação ou ação da luz solar, por exemplo, por isso nosso objetivo é aumentar o tempo de vida dessas moléculas e a quantidade efetiva com que elas chegam ao alvo, encapsulando-as em nanoestruturas", detalha o engenheiro de materiais Caue Ribeiro, pesquisador da Embrapa Instrumentação que participa do desenvolvimento das nanocápsulas. Ribeiro explica que o maior desafio é obter a interação química necessária entre a molécula e a cápsula. "Cada molécula precisa de uma nova cápsula, o que exige um novo processo e torna o trabalho ainda mais complexo", diz o cientista ressaltando que, apesar de a pesquisa estar em fase fundamental, o emprego da nanotecnologia com esse propósito é promissor.

Abordagem global para o controle

Mesmo com as vantagens da técnica RNAi, Eduardo Chumbinho frisa que ela será mais uma ferramenta a ser utilizada de maneira integrada para o combate ao HLB. "Não há até o momento uma solução única para o HLB, e o manejo adequado da doença irá ocorrer com o desenvolvimento e emprego conjunto de diferentes tecnologias". Com esse objetivo, foi estabelecido o Arranjo HLB, coordenado pela Embrapa Mandioca e Fruticultura. O arranjo contempla um conjunto de projetos de pesquisa organizados em grandes áreas como fitopatologia, diagnose, melhoramento tradicional, sistemas de produção, biotecnologia (do qual faz parte a técnica RNAi) e biomatemática, que já desenvolveu um sistema que prevê a dispersão do HLB.

O pesquisador acrescenta que a tecnologia de RNAi pode ser aplicada em outras abordagens. "Como é um mecanismo que ocorre em todos os organismos eucariotos [que possuem células com núcleo individualizado], ela pode ser utilizada para se controlar doenças causadas por fungos e nematoides. Além disso, vírus também podem ser alvos da técnica, nesse caso, a ideia é fazer o mecanismo de RNAi degradar o RNA do vírus. A tecnologia permite alterar a expressão de genes na planta visando melhorar sua qualidade, em ter frutos com maior teor de determinada vitamina, analisa o pesquisador que voltará ao Brasil em agosto, quando reintegrará a equipe da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA), de onde continuará sua pesquisa. "Os planos são de continuar e fortalecer a parceria com USDA-ARS na temática de RNAi aplicado à agricultura, assim como em outras áreas de pesquisa relacionadas a citros. Estamos buscando mecanismos de financiamento bilateral para essa cooperação internacional, incluindo universidades brasileiras e americanas", informa.

Fonte: Embrapa