quinta-feira, 30 de junho de 2016

Circuito Frutificaminas em Curvelo apresenta o potencial da fruticultura mineira

Nesta quinta-feira, 30 de junho, o Circuito Mineiro de Fruticultura (Frutificaminas) chega a Curvelo, região central do Estado. A partir das 13h, haverá palestras sobre o desenvolvimento da atividade, suas potencialidades e desafios. Em seguida, na parte prática do evento, os técnicos da Emater-MG levarão os participantes para conhecer o pomar da Unidade Demonstrativa, instalada na Fazenda Santa Maria.

O Frutificaminas é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, executada e coordenada pela Emater-MG. Os eventos oferecem aos produtores rurais a oportunidade de conhecer e aprimorar as tecnologias, para aumentar a produção e o rendimento da atividade.

Atraente do ponto de vista financeiro e que, ao mesmo tempo, pode ser conduzida com mão de obra familiar, a fruticultura é uma boa alternativa de investimento para os pequenos proprietários rurais. A atividade gera mais de 500 mil empregos, só em Minas Gerais, mas tem potencial para crescer muito ainda, na avaliação do coordenador Estadual de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio. Ele é o gestor do Circuito Frutificaminas, que, em seis anos, já levou informações técnicas e de mercado a mais de sete mil produtores mineiros, em 355 municípios do Estado.

De acordo com Deny Sanábio, o domínio da tecnologia de produção é um dos maiores desafios para os produtores. "A fruticultura apresenta alto rendimento por área, em comparação com outras atividades rurais. Porém, requer muita tecnologia para que se obtenha bons resultados. Do início ao fim da atividade, tem que ter acompanhamento técnico adequado. Dados do IBGE mostram que os produtores que têm assistência técnica têm um rendimento, por área, quatro vezes maior do que os que não utilizam", afirma o coordenador da Emater-MG.

Rombo fiscal em 2017 deve superar R$ 100 bilhões, diz ministro

Previsão foi dada nesta quarta pelo ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira.
Mais cedo, ministro da Fazenda havia falado em proposta realista para déficit.

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, disse nesta quarta-feira (29) que o déficit nas contas públicas em 2017 deve superar os R$ 100 bilhões. Isso significa que o governo deve gastar, no ano que vem, acima de R$ 100 bilhões a mais do que vai arrecadar com impostos.

Segundo o ministro do Planejamento, a proposta para o rombo fiscal do ano que vem, com o valor final, ainda não está fechada.

“A discussão está bem aprofundada. O cenário não é fácil, mas ainda não tem o número fechado. Não vou ficar conjecturando, mas será acima de R$ 100 bilhões”, declarou.

Oliveira informou a previsão ao ser questionado por jornalistas após participação em um seminário do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), em Brasília.

Valor realista
Mais cedo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que também compareceu ao evento, havia dito que o governo apresentará ao Congresso, na semana que vem, uma alteração no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017 para incluir uma estimativa "realista" para o rombo nas contas públicas.

O ministro da Fazenda não havia, porém, informado qual o novo valor para o déficit público a ser proposto.

Em abril, ainda sob o comando de Dilma Rousseff, a equipe econômica enviou ao Legislativo uma proposta para a LDO prevendo, para 2017, um novo rombo nas contas públicas de até R$ 65 bilhões.

O mercado financeiro, porém, já estima um buraco muito maior nas contas do governo em 2017, acima de R$ 100 bilhões.

"Nós estamos calculando cuidadosamente qual é uma estimativa realista para o resultado primário de 2017. E deveremos estar apresentando isso no início da próxima semana ao Congresso Nacional", disse o ministro da Fazenda a jornalistas após participar de evento no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).

"A nossa visão, e linha de ação, da mesma maneira que fizemos quando da apresentação e 2016, é que tudo começa bem quando começa com realismo e com a verdade", completou.

Depois de assumir o governo, resultado do afastamento de Dilma dentreo do processo de impeachment, a equipe econômica do presidente em exercício, Michel Temer, enviou ao Congresso um pedido para que o governo registre em 2016 um rombo fiscal recorde de até R$ 170,5 bilhões. A proposta foi aprovada pelo Legislativo.

Com a previsão de que um novo rombo acontecerá no ano que vem, serão quatro anos consecutivos de déficits nas contas públicas. Em 2014, houve um déficit de R$ 17,24 bilhões e, em 2015, um rombo recorde de R$ 114,98 bilhões.

Bolsa Família
O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou ainda que o impacto do reajuste para o Bolsa Família, anunciado nesta quarta pelo presidente em exercício, Michel Temer, já estava previsto no orçamento do governo para este ano e, por isso, está dentro da estimativa de um rombo de até R$ 170,5 bilhões para 2016.

“Esse é aquele impacto que já havia sido anunciado pelo governo anterior, que teria o aumento. Havia já um orçamento para isso e havia toda uma expectativa em volta dessa questão. Foi mantido esse reajuste do Bolsa Família dentro do que estava previsto”, afirmou.

O ministro não soube dizer, porém, qual vai ser o impacto total nos gastos deste ano.

O aumento dado por Temer no valor pago aos beneficiários do Bolsa Família, de 12,5%, é superior aos 9% que haviam sido anunciados pela presidente Dilma Rousseff, pouco antes de seu afastamento, em maio.

Fonte: G1

Fruticultura está em pleno desenvolvimento na região de Rondonópolis

Formada por 15 municípios, a regional de Rondonópolis, em Mato Grosso, tem diversas cadeias produtivas em desenvolvimento e muitos projetos promissores. Uma das coisas que poucos sabem é que a região tem 300 hectares produzindo coco. Há muitos projetos em discussão e, outros bastante promissores em implantação. Além disso, as cadeias produtivas da cotonicultura, da pecuária, da soja e do milho também garantem destaque para a região.

O supervisor da Regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR/MT), Alexandre Garcia conta que o Plano Anual de Trabalho (PAT) foi finalizado na segunda-feira (27/006) e, ao todo, foram realizadas 11 reuniões na regional de Rondonópolis. Ele disse que houve um aumento na demanda de treinamentos para 2017. "As próximas etapas do PAT serão o recolhimento das solicitações e as reuniões com os Sindicatos Rurais para fazer o planejamento para o próximo ano. Mas já percebemos que as solicitações por treinamentos de Formação Profissional Rural (FPR) devem aumentar em até 30%".

Itiquira é um dos municípios que fazem parte da Regional de Rondonópolis. De acordo com o presidente do Sindicato Rural deste município, Roberto Carlos Montagna, o SENAR/MT é o principal parceiro para minimizar a preocupação dos produtores com a falta de mão de obra qualificada. Segundo ele, os agricultores investem muito dinheiro em máquinas e equipamentos agrícolas. "Algumas chegam a custar mais de R$1,5 milhão e, no entanto, na maioria das vezes não temos um profissional que consiga extrair tudo o que o equipamento ou a máquina oferece".

Em função desta situação, Montagna diz que os treinamentos, cursos e qualificações do SENAR/MT, voltados para o setor de máquinas e implementos agrícolas são os mais demandados. De acordo com Montagna, o município planta cerca de 100 mil hectares de milho safrinha e 10 mil hectares de algodão segunda safra. "Temos ainda pelo menos 40 mil hectares de área onde os agricultores estão fazendo integração lavoura e pecuária".

O presidente do Sindicato Rural de Jaciara, Ereno Giacomelli, que produz aproximadamente de 1.800 hectares de soja na região, acrescenta que no futuro só será possível produzir utilizando agricultura de precisão. "E para isso é preciso ter profissionais qualificados. Por isso, cada vez mais os produtores estão demandando treinamentos de formação profissional rural junto ao SENAR/MT".

Alto Araguaia também faz parte da regional de Rondonópolis. De acordo com o presidente, João Dias de Freitas, a base da economia de Alto Araguaia é a soja, mas os 900 produtores da região estão diversificando a produção. "A soja tem se destacado como uma das culturas mais importantes para a região. Mas também temos o milho, algodão, a cana de açúcar e o eucalipto".

Alto Taquari é mais um dos 15 municípios da regional de Rondonópolis. O presidente do Sindicato Rural, Antonio Carlos de Melo Corrêa conta que dos 100 mil hectares de área agricultável, o município de Alto Taquari, destina 52 mil para o cultivo da soja e 46 mil para o de cana de açúcar. Estas duas culturas são a base da economia. "O número de produtores em nosso município é pequeno. Não passa de 50, mas assim como os outros também sofremos com a falta de mão de obra qualificada".

O presidente do sindicato rural enfatiza que o SENAR/MT tem contribuído para a qualificação da mão de obra. "Com profissionais qualificados conseguimos diminuir a rotatividade de colaboradores. Isso também minimiza o custo. Contratar e demitir um colaborador sempre é muito caro".

Em Alto Taquari, assim como na maioria dos municípios mato-grossenses os treinamentos mais demandados junto ao sindicato rural e consequentemente junto ao SENAR/MT são os da área de máquinas e implementos agrícolas e os de Normas Regulamentadoras relacionados à segurança do trabalho.



quarta-feira, 29 de junho de 2016

Produtores do Sul de Minas investem no plantio de maracujá para produção de suco

Produtores rurais do Sul de Minas estão investindo no plantio de maracujá como opção para diversificar a produção e garantir mais renda. Com apoio da Emater- MG, aproximadamente 30 produtores dos municípios de Alpinópolis, Cássia, Fortaleza de Minas, Guapé, Ilicínea e Passos assinaram contrato de venda com a Empresa Brasileira de Bebidas e Alimentos (Ebba), fabricante do suco Maguary, e têm comercialização garantida.

O gerente da Unidade Regional da Emater-MG de Passos, Frederico Ozanam de Souza, explica que o objetivo é buscar uma alternativa às práticas das culturas dominantes, centradas na cafeicultura e bovinocultura de leite e corte. “Faz parte da atividade da Emater-MG buscar alternativas para fortalecer a atividade rural, com geração de renda e qualidade de vida. Em uma região em que predomina certas atividades, a parceria com a Maguary foi uma alternativa de intensificar a fruticultura na região e criar alternativas de renda”, destaca.

Os produtores plantaram neste ano, em média, 35 hectares de maracujá azedo com previsão de colheita para dezembro. O contrato acertado prevê o preço mínimo de compra da produção por R$ 1,30 o quilo de maracujá. O transporte até a fábrica localizada em Araguari, no Triângulo Mineiro, e a embalagem são de responsabilidade da fabricante de sucos. “No começo o combinado é que o fabricante irá buscar a produção de 15 em 15 dias. E, de acordo com o crescimento da produção os intervalos vão diminuindo. É uma renda garantida para os produtores, com certeza de comercialização, e uma grande chance de crescimento”, ressalta o gerente da Emater-MG.

Capacitação para produzir

O produtor rural Francisco Gonçalves de Paula, do município de Alpinópolis, produz café em parceria com os irmãos e nunca havia trabalhado com fruticultura. Um dos responsáveis pela parceria, o produtor estava atrás de novas opções de renda e ficou sabendo de uma oportunidade de comercialização para Maguary. “Procuramos a Emater-MG e fomos juntos até a fábrica com o objetivo de criar alternativas de produção e tentar agregar valor aos nossos produtos”, conta.

Os produtores que participam do projeto além da garantia de venda da safra, possuem assistência técnica e capacitação fornecida pela fabricante. Segundo o supervisor de compras da Ebba, Hércules José Oliveira, os produtores também recebem um pacote tecnológico desenvolvido para atender as exigências de mercado. “Os produtores trabalham com mudas desenvolvidas para a indústria, com características rústicas e alta capacidade produtiva e com resistências a pragas. As mudas são fornecidas por parceiros com preços acessíveis aos produtores”, destaca.

Como a produção de maracujá é uma atividade nova na região, os técnicos da Emater-MG também acompanham as capacitações para atuar junto aos produtores. “Realizamos reuniões e dias de campo com a presença da Emater-MG, que acompanha o dia-a-dia dos produtores. Nos colocamos à disposição para estar presente e orientar no processo de plantio e sanar as dúvidas. A Emater-MG já uma parceira antiga e muito importante”, ressalta Hércules.

Bom para todos

Se para os produtores rurais a parceria é boa porque garante a comercialização da produção e o aumento da renda, para a Ebba a parceria garante uma fruta de qualidade. A tecnologia utilizada pelos produtores do Sul de Minas é desenvolvida para fornecer um fruto voltado para a indústria. “Compramos produção de diversos estados, como por exemplo Santa Catarina. Mas a produção desenvolvida com nosso pacote tecnológico possui mais qualidade”, garante o gerente de compras da Ebba.

Valor futuro

Outra vantagem para os produtores que ingressam na parceria é que o acordo garante um valor futuro de produção. A produção que será colhida a partir de dezembro já tem o valor mínimo acertado desde o plantio, feito em março. Em 2017, no novo processo de plantio, o valor será ajustado e garantido para a nova safra.

Mangaba ganha repositório digital atualizado

Foto: Saulo Coelho
Especialistas lançaram a edição atualizada do ‘Sistema de Produção da Mangaba para a Região Nordeste do Brasil'. Publicado sob a coordenação técnica dos pesquisadores da Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE) Josué Francisco da Silva Junior e Ana Lédo, o sistema é um repositório digital completo sobre a fruteira, com informações técnicas objetivas, organizadas e qualificadas, de interesse prático, sobre o seu processo produtivo.

A versão anterior do sistema havia sido lançada em 2002, com foco nos Tabuleiros Costeiros e Baixadas Litorâneas, sob a coordenação do pesquisador da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), Raul Dantas Vieira Neto, falecido em 2011. A Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa) também tem gerado, ao longo dos anos, informações importantes que compõem o atual sistema de produção de mangaba para a Paraíba e o Rio Grande do Norte.

A nova versão teve a participação de alguns dos maiores especialistas do País em suas áreas de atuação e com experiência na cultura da mangaba em Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, Bahia, Pará e na região do Cerrado, no Planalto Central do Brasil. 

"A participação direta da iniciativa privada, sobretudo na industrialização, permitiu que o sistema de produção também fosse validado pelo segmento. Com isso, a Embrapa e instituições parceiras disponibilizam informações atualizadas para a produção da fruta no Nordeste, reunindo as tecnologias geradas e adaptadas disponíveis para a cultura nessa região", explica Josué. 

Sistema

O repositório apresenta todas as informações sobre a mangaba de forma organizada e de fácil acesso e navegação para o usuário, com divisões por tópicos específicos, sempre com imagens que ajudam a ilustrar e facilitar a compreensão. 

A linguagem clara e objetiva permite que o Sistema de Produção da Mangaba atenda a qualquer pessoa que deseje iniciar o cultivo da fruta, desde pequenos agricultores a produtores de escala comercial e proprietários e técnicos de agroindústrias.

As primeiras seções trazem, além de uma introdução geral, as principais características da fruta, sua área de ocorrência, importância socioeconômica e as principais variedades, com indicações de clima e solo favoráveis ao desenvolvimento da cultura. As demais áreas têm foco em aspectos mais importantes do sistema produtivo, como adubação, produção de mudas, técnicas e parâmetros de plantio, tratos culturais, doenças e pragas. 

Em seguida, o sistema apresenta detalhes das fases de colheita e pós-colheita, com informações sobre conservação, comercialização e características de mercado, bem como processos industriais de beneficiamento da polpa.

Na parte de Coeficientes Técnicos, o usuário encontra tabelas completas que registram estimativas de custos de produção divididas por tipo de insumo e mão de obra.

"Por meio das novas técnicas de preservação e cultivos, poderemos incentivar a maneira correta de coleta e armazenamento. E também ensiná-los a preparar mudas e fazer plantações de mangabeiras", acredita o técnico ambiental, Jackson Andrade, do núcleo operacional de Mata de São João (BA) da Assessoria Técnica, Social e Ambiental do Incra, responsável por atender famílias de nove assentamentos.

A fruta

A mangabeira, de nome científico Hancornia speciosa, possui distribuição ampla, com ocorrência nos Tabuleiros Costeiros, Baixada Litorânea e Cerrados do Brasil. Seu fruto é rico em vitamina C e ferro, tem sabor marcante e encanta nativos e turistas pela variedade de produtos que se pode obter de sua polpa: geleia, licor, bombons, sorvete e suco, que deixa um duradouro visgo nos lábios.

Na medicina popular, a casca, o látex (leite do tronco), a raiz e as folhas são remédios que combatem hipertensão, diabetes, colesterol alto, úlceras e gastrite. Cantada em prosa e verso por poetas, menestréis e grupos folclóricos, a mangabeira é a árvore símbolo oficial de Sergipe, estado que registra maior índice de produção extrativista. 

Mas nem tudo é poesia quando se trata da realidade em torno da mangaba. Uma situação crescente de destruição dos recursos naturais, intensificação das indústrias imobiliária e do turismo, privatização das áreas e impedimento do acesso às plantas em locais anteriormente de entrada livre são os maiores obstáculos. Além disso, a mangaba tem sido valorizada por seu sabor marcante, tendo demanda superior à oferta.

Conhecimento

Para conhecer toda a problemática em torno da mangaba em suas áreas de ocorrência no Brasil, a Embrapa tem conduzido pesquisas com abordagens metodológicas que combinam as ciências sociais e naturais. Josué Júnior e a pesquisadora Dalva Mota, da Embrapa Amazônia Oriental (PA), têm atuado em projetos pioneiros desde 2003.

Informações aprofundadas sobre a mangabeira estão reunidas também na ‘Árvore do Conhecimento da Mangaba', publicada no repositório da Agência Embrapa de Informação Tecnológica em 2011. A Árvore do Conhecimento, também chamada de árvore hiperbólica, é uma forma de organização das informações e documentos sobre temas específicos para navegação e acesso em forma de teia hierarquizada, com visual semelhante ao da copa de uma árvore. 

Em 2016 a mangaba entrou para a galeria da Coleção Plantar, série de livros de bolso editada pela Embrapa com linguagem didática, simples e objetiva, tendo como alvo produtores rurais, proprietários de sítios e chácaras, estudantes, donas de casa e demais interessados em resultados de pesquisa testados e validados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

A ex-presidente do Movimento das Catadoras de Mangaba (MCM), uma das entidades associativas dessa população tradicional em Sergipe, Patrícia de Jesus, reconhece a importância do trabalho dos pesquisadores para o fortalecimento da sua luta. "A atuação de todos tem sido fundamental para fortalecer o nosso movimento, subsidiar políticas e promover a conservação da mangabeira", afirma.

A Embrapa Tabuleiros Costeiros mantém um Banco Ativo de Germoplasma (BAG) da Mangaba em seu campo experimental de Itaporanga D'Ajuda, no litoral sergipano. Com 253 acessos (amostras de plantas em número suficiente para representar a variação genética de uma população) provenientes de oito estado brasileiros, o BAG da Mangaba foi implementado em 2006, e possui grande variabilidade genética e conserva amostras de algumas populações com enorme vulnerabilidade, por estarem situadas em áreas de intensa especulação imobiliária.

Extrativismo

Cerca de 90% da mangaba produzida no País são provenientes do extrativismo, e, por causa do desmatamento, a demanda tem sido maior do que a oferta. "A mangaba tem o preço elevado no mercado, pois não é fácil de ser encontrada em muitas regiões", relata Josué.

De acordo com Silva, há poucas áreas de plantio, e o extrativismo ocorre de modo rudimentar, sendo praticado principalmente nos estados da Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Paraíba.

O valor mercadológico crescente resulta também em aumento do conflito de interesses, tanto pelo fruto quanto pelas terras onde ele cresce. Atentos a essa valorização da fruta, donos de terras que, tradicionalmente, permitiam a entrada das catadoras, agora fecham suas cancelas e sobem suas cercas, além de derrubarem pés de mangaba para dar lugar a outras culturas, em diversas áreas de conflito em Sergipe e outros estados.

Uma ação importante realizada pela Embrapa e instituições parceiras foi o "Mapa do Extrativismo da Mangaba em Sergipe – Ameaças e Demandas", lançado em 2010. A publicação traz um diagnóstico detalhado sobre a realidade das catadoras, suas nuances sociais, econômicas, políticas e ambientais. 

A obra está sendo atualizada desde 2015, e terá nova edição até o final deste ano. Os novos dados trarão uma visão da evolução dos conflitos e problemas, auxiliando na construção de políticas públicas que favoreçam as catadoras. Uma delas é a implantação de uma reserva extrativista no litoral Sul de Sergipe, em fase de negociação entre as autoridades estaduais e federais.

Em 2012, a Embrapa lançou o livro "A Mangabeira As Catadoras O Extrativismo". Financiada com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a obra traz a visão de diversos pesquisadores sobre aspectos da realidade em torno da fruta e das comunidades que garantem o sustento a partir da sua extração. Estão reunidos no livro reflexões e resultados de oito anos de estudos em comunidades de catadoras e apanhadoras do Nordeste – especialmente de Sergipe, do Norte (Pará e Tocantins) e Sudeste (Minas Gerais).


Parceria com projeto Reca permitirá aproveitamento de resíduos industriais

Foto: Joana Souza
O cupuaçu é um dos principais geradores de resíduos na produção industrial, principalmente pelo volume de sementes descartadas no processo. O aproveitamento desse material pode gerar renda para as famílias e proporcionar benefícios ambientais. Essa é uma das finalidades do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a Embrapa Acre (Rio Branco) e o projeto Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado (Reca), visando à integração de esforços para execução de pesquisas de interesse mútuo.

A cooperação vai possibilitar o desenvolvimento de novas pesquisas e potencializar a execução de trabalhos já em andamento na Embrapa, especialmente os estudos na área de tecnologias de alimentos, com o aproveitamento de amêndoas de cupuaçu, iniciados em 2015. "Nessa primeira fase vamos definir as etapas do processo de fermentação e o padrão de qualidade das amêndoas para uso dessa matéria prima na elaboração de produtos alimentícios", explica a pesquisadora Joana Souza, responsável pelo estudo.

De acordo com o pesquisador Jacson Rondinelli, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Acre, além do desenvolvimento de alternativas tecnológicas para aproveitamento de resíduos da produção de frutas, a parceria também contempla estudos com solos, implantação e manejo de Sistemas Agroflorestais (SAFs), definição de técnicas pós-colheita para melhoria da qualidade do fruto e do processo de extração de óleo de bacaba e avaliação dos sistemas produtivos utilizados pelos agricultores do projeto Reca. "A integração de esforços permite atender demandas da comunidade e da pesquisa, com resultados para ambas as partes, além de fortalecer vínculos institucionais", destaca.

Articulação

As pesquisas serão desenvolvidas articuladas às ações do projeto Saram (Sistemas Agroflorestais para a Produção e Recuperação Ambiental na Amazônia), iniciativa executada pela Embrapa que, em linhas gerais, visa disponibilizar tecnologias agroflorestais e indicar modelos de SAFs compatíveis com as condições socioeconômicas e ambientais da região. 

Além dos estudos com resíduos industriais para fins alimentícios, já estão em execução atividades de estimativa dos estoques de carbono em diferentes sistemas de uso da terra no Reca, classificação dos solos das propriedades rurais e seleção de modelos de SAFs, para posterior recomendação. Na opinião do pesquisador Tadário Kamel, líder do projeto Saram, a parceria gera oportunidades para o desenvolvimento de pesquisas participativas em área de produção, em articulação também com necessidades dos agricultores, e acelera a obtenção de resultados.

"A geração de tecnologias para melhoria dos sistemas produtivos, a definição de instrumento de planejamento para uso da terra, a formação de multiplicadores de conhecimentos técnicos e a sistematização de informações científicas são alguns dos resultados práticos previstos na cooperação", afirma.

Trabalho compartilhado

As ações de pesquisa para aproveitamento de resíduos agroindustriais do cupuaçu acontecem de forma compartilhada, utilizando matéria prima descartada no processamento de polpas, recolhida semanalmente no projeto Reca. Cerca de 400 quilos de amêndoas de cupuaçu, fermentadas e secas, já estão em fase de análises quanto às modificações e efeitos da fermentação e secagem, no laboratório de tecnologias de alimentos da Embrapa. Os processos de fermentação e secagem ocorreram no Projeto Reca, com supervisão de pesquisadores e técnicos da Embrapa, para verificação dos padrões de qualidade.

Segundo a engenheira de alimentos Scarlett Moura, bolsista da Universidade Federal de Rondônia, instituição que apoia iniciativas de pesquisa no projeto Reca, e responsável pelo acompanhamento das atividades nos cochos e terreiro de secagem, um dos pontos fortes dessa pesquisa é a possibilidade de dar uma finalidade útil para resíduos que antes não tinham destinação. "Esse trabalho é extremamente importante porque atribui maior valor à produção, gera renda para os agricultores e benefícios para o meio ambiente", diz.

Para Alexsandro Santos, presidente do projeto Reca, a parceria vai ajudar os agricultores a vencer o desafio de aumentar a produtividade de frutas, ampliar o processo agroindustrial e conservar o meio ambiente. "Queremos fortalecer o trabalho nas áreas de extrativismo, aproveitando de forma sustentável os recursos naturais como forma de potencializar a renda das famílias. O trabalho compartilhado pode nos ajudar a errar menos no planejamento de nossas atividades e, ao mesmo tempo, resultar em novos conhecimentos também para a pesquisa científica", afirma.

Cupulate

As sementes do cupuaçu correspondem a cerca de 20% do fruto e geralmente são descartadas pelas agroindústrias como resíduo da produção. Esse material, aparentemente sem utilidade, pode se transformar em alimentos nutritivos e saborosos, entre eles o cupulate. Com este objetivo, um projeto aprovado pela Embrapa Acre, previsto para iniciar em julho deste ano, vai possibilitar o desenvolvimento de um equipamento capaz de realizar o processo de remoção da película das amêndoas. A iniciativa será executada em parceria com a Embrapa Instrumentação Agropecuária (São Carlos/SP), Embrapa Clima Temperado (Pelotas/RS), Universidade Federal de Pelotas e Embrapa Amazônia Oriental (Belém/PA).

De sabor e textura semelhantes ao chocolate convencional, o cupulate foi desenvolvido na década de 1980, pela Embrapa Amazônia Oriental, podendo ser apresentado nas versões em barra e pó. Joana Souza explica que as amêndoas de cupuaçu são ricas em lipídios e proteínas e após processadas, para obtenção do produto, resultam em uma composição com características química e nutricional semelhantes à do cacau.

Ainda de acordo com a pesquisadora, as amêndoas possuem teor de gordura equivalente a 58%, média superior ao do cacau, que é de 50,08%. Além disso, a manteiga derivada dessa matéria prima é fonte de ácidos poli-insaturados, substâncias ricas em ômega 3, 6 e 9, e apresenta um ponto de fusão próximo de 30°C, aspecto sólido, macio que se funde rapidamente ao contato com a pele, demonstrando alto poder de absorção e capacidade de hidratação. Tais fatores representam um diferencial de mercado para o produto, especialmente quanto à sua qualidade.

"O aproveitamento integral de um material residual da agroindústria de polpa é uma alternativa eficiente para associações e produtores agregarem valor aos seus produtos, principalmente se considerado o valor nutricional das amêndoas de cupuaçu fermentadas. O trabalho de pesquisa pode ajudar a dar visibilidade comercial a um produto até então fabricado predominantemente de forma artesanal", ressalta a pesquisadora.

Sobre o projeto Reca

Localizado na Vila Nova Califórnia, município de Porto Velho (RO), a 150 quilômetros de Rio Branco, o projeto Reca é uma organização comunitária, composta por agricultores de base familiar, com mais de duas décadas de existência. Pioneiro no cultivo integrado de frutas, se tornou referência em sistemas agroflorestais (Saf´s). As 15 famílias que moram no local cultivam mais de 20 espécies frutíferas, em plantios consorciados, além de atuarem com o extrativismo da castanha-do-brasil e produção de mel, mas o carro chefe da produção é o cupuaçu, a pupunha e o açaí.

Entre os principais produtos agroindustriais fabricados e comercializados pelos agricultores estão doces, licores, geleias, palmito, polpas de frutas e sementes certificadas. A produção agroindustrial é vendida na sede da associação de produtores, localizada no próprio projeto, e para estabelecimentos comerciais de diversos estados.

O futuro de um mercado mais concentrado de sucos

O mercado de sucos e cervejas está mais concentrado no Brasil. Nos últimos meses, diversas empresas entraram no Brasil ou expandiram sua presença por meio de aquisições.

A consolidação é positiva para o mercado, segundo analistas ouvidos por EXAME.com, pois pode aumentar a força de distribuição das marcas adquiridas e incentivar um aumento no 
consumo de sucos, setor ainda pouco explorado por aqui.

A Ambev anunciou a compra das cervejarias Wälls, de Minas Gerais, e a paulista Colorado, além da fabricante de sucos do bem. Ela também pode comprar uma fábrica da Brasil Kirin.

A Coca-Cola adquiriu a Ades, da Unilever, por US$ 575 milhões e a inglesa Britvic incorporou a Ebba, da Maguary, para entrar no mercado brasileiro.

Mais forte e mais presente

O aumento da concentração no mercado de bebidas é, em grande parte, influenciado pela crise econômica no Brasil, afirma Paulo de Tarso Petroni, presidente da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil). A inflação e do endividamento da população crescentes "têm comprimido a renda para o consumo de produtos como cerveja", afirmou.

Segundo ele, apenas as grandes companhias têm mais força para passar por esses momentos. "Quando o mercado e o consumidor mudam, essas empresas têm agilidade e fôlego para atender o cliente", disse Petroni.

Para Petroni, o tamanho também é necessário para ter uma ampla rede de distribuição que alcance os 1,2 milhão de pontos de venda do país.

O mercado de cerveja no Brasil já é bastante concentrado. Apenas 4 empresas controlam 96% das vendas, que chegam a 14 bilhões de litros todos os anos, segundo a CervBrasil, que atende essas companhias. 

Como as microcervejarias e cervejarias artesanais não têm escala ou força de distribuição, elas se diferenciam pelo sabor. Agora, com a compra da Ambev, a Wälls e a Colorado ganham capacidade de distribuição.

Futuro doce

Já no setor de sucos, o cenário é outro, bem menos concentrado. "As empresas não têm tanta força de 
distribuição, que é indispensável nesse mercado", afirmou Adalberto Viviani, presidente da Concept, 
consultoria especializada em bebidas e alimentação. Como os sucos têm uma margem menor de lucro, precisam ter um grande volume de vendas para compensar. 

A força financeira também é um fator importante. "Você compra as frutas na safra, congela, prepara e só vai vender muito tempo depois. Isso requer um capital de giro elevado", disse o consultor. Por isso, a tendência é que as empresas se reúnam ao redor de grandes estruturas de distribuição.

Por trás das aquisições também estão estratégias para aumentar o portfólio de grandes companhias. Quando o grupo inglês Britvic comprou a Ebba, dona da Maguary, ele adquiriu seu ingresso de entrada no mercado brasileiro, disse Viviani.

Já a aquisição da Ades, que pertencia à Unilever, pela Coca Cola tem o objetivo de ampliar o portfólio da companhia em bebidas além do refrigerante.

A empresa de refrigerante está tentando ser mais "saudável". Ela lançou o Del Valle 100% Suco e a Coca-Cola Life, que substitui 50% dos açúcares da cana pelo adoçante natural estévia e, nos Estados Unidos, está investindo em leite enriquecido e em bebidas com aloe vera.

Essa movimentação do setor pode ser benéfica inclusive para as pequenas empresas de sucos, pois pode estimular o aumento no consumo da bebida.

O consumo per capita de sucos no Brasil ainda é pequeno – em 2014, foi de 3,3 litros por habitante por ano, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerante e Bebidas não Alcoólicas, Abir.

Por isso, há espaço tanto para os grandes quanto os pequenos fabricantes. “A Ambev, com a do bem, não vai crescer em cima dos pequenos, mas sim de pessoas que ainda não consomem suco”, disse o consultor.

Segundo ele, há oportunidade de consolidação nos nichos, com preço médio mais elevado, que não depende tanto de uma grande estrutura de distribuição. Por isso, o futuro dos fabricantes de suco no brasil pode ser mais doce.

Caso de greening em tangerina gera alerta em pesquisa em MG


A pesquisadora Ester Alice Ferreira, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), alertou, em encontro técnico com produtores em Belo Vale (MG), que o greening vem avançando também sobre pomares de tangerina. O município da região central mineira é o maior produtor da fruta no Estado e registrou este mês o primeiro caso da principal praga da citricultura mundial. "A confirmação oficial da ocorrência do greening em Belo Vale ocorreu em junho, mas possivelmente a doença está presente na região central de MG há pelo menos dois anos", disse Ester no encontro, que reuniu ainda representantes do Ministério de Agricultura, do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), da Emater-MG e do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).

A pesquisadora informou que, além dessa região, já foram registrados casos da doença em municípios do Triângulo Mineiro e do sul de Minas e lembrou que desde 2005 ela vem ocorrendo em pomares cítricos mineiros. "Só no norte do Estado, que também produz citros, não há registros oficiais", destacou Ester. "O desafio é não deixar o problema se alastrar. Para isso é preciso ações conjuntas e sincronizadas, na eliminação de plantas contaminadas e principalmente no controle do inseto vetor da doença", recomendou.

O greening foi confirmado pela primeira vez no País em 2004, no Estado de São Paulo. A transmissão ocorre pelo inseto Diaphorina citri, que adquire a bactéria ao se alimentar de uma planta infectada. O primeiro sintoma é o aparecimento de um ramo amarelo. No fruto, o principal é a redução acentuada do tamanho e a assimetria, com um dos lados maior do que o outro.

Fonte: Globo Rural

Citricultor deve entregar relatório de inspeção do cancro e HLB até 15 de julho

Os citricultores paulistas devem entregar o relatório à Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) até 15 de julho com a declaração de inspeções e eliminações de plantas com cancro cítrico e greening (HLB) realizadas nos pomares de citros durante o primeiro semestre de 2016.

Para preencher o relatório é preciso acessar o site da CDA e seguir as orientações para lançar os dados. O protocolo de entrega que será emitido deve ser impresso e guardado para eventuais comprovações em auditorias realizadas pela Defesa Agropecuária.

A legislação de HLB e cancro cítrico em vigor estabelece que proprietário, arrendatário ou ocupante a qualquer título, deve realizar, no mínimo, uma inspeção trimestral, eliminar as plantas suspeitas e, a cada semestre, enviar relatório ao órgão oficial de defesa agropecuária. Mesmo não encontrando plantas doentes, o citricultor deve preencher o relatório e enviá-lo, pois a comunicação é obrigatória.

Fonte: Fundecitrus

Pesquisadores do Fundecitrus visitam a citricultura do Rio Grande do Sul

Os pesquisadores do Fundecitrus Renato Bassanezi, Geraldo Silva Junior e Franklin Behlau estiveram no Rio Grande do Sul entre 20 a 23 junho para conhecer os pomares do estado e as medidas de controle adotadas para as principais doenças lá presentes. As visitas foram coordenadas pelo pesquisador Roberto Pedroso, da Embrapa Clima Temperado.

O grupo esteve em Pelotas visitando a Embrapa e pomares de pequenos produtores de laranja de umbigo. Na região da Campanha Gaúcha houve a oportunidade de conhecer os pomares de mexericas, tangerinas, tangelos, tangores e laranjas doces no município de Rosário do Sul, bem como o beneficiamento destas frutas para exportação ao Canadá e à Rússia. Os pesquisadores também estiveram no Vale do Caí, onde conheceram pomares de pequenos produtores de mexericas e laranjas de umbigo destinadas para o mercado de frutas frescas.

"Apesar de possuir uma citricultura modesta se comparada à de São Paulo, o Rio Grande do Sul se destaca pela diversidade de variedades cultivadas, tratos culturais adotados, incidência de doenças e nível tecnológico nas suas regiões citrícolas. Há no estado tanto grandes áreas para produção de frutas frescas para exportação quanto áreas tradicionais com pomares de pequeno porte, incluindo a produção orgânica, que atendem o mercado local com importância socioeconômica para o estado", diz o pesquisador Franklin Behlau.

As principais doenças nos pomares dos citricultores gaúchos são o cancro cítrico, a pinta preta e a podridão floral. O cancro cítrico está sendo manejado há alguns anos, principalmente com uso de quebra-ventos e aplicações de cobre. A pinta preta ocorrendo em maiores intensidades nas regiões do Vale do Caí, Noroeste e Alto Uruguai e a podridão floral tem causado reduções acentuadas na produção quando o florescimento coincide com períodos de chuvas frequentes e intensas. O HLB ainda não está presente no estado, mas vem preocupando autoridades e produtores nas diferentes regiões produtoras.

Em São Sebastião do Caí, os pesquisadores participaram de um workshop sobre controle de doenças de citros e apresentaram palestras sobre o manejo da pinta preta, do cancro cítrico e do HLB para mais de 130 pessoas entre produtores, estudantes, técnicos, pesquisadores, professores, agentes de defesa sanitária estadual e federal e políticos. Também foram discutidas as ações necessárias para prevenir a entrada do HLB no estado, uma vez que a doença poderá causar danos irreversíveis à citricultura gaúcha, composta basicamente por pequenos produtores e que possui grande número de plantas críticas em quintais e áreas urbanas.

Segundo Pedroso, a visita foi muito importante para a troca de informações entre profissionais dos dois estados. O pesquisador da Embrapa enalteceu a quantidade de informações das apresentações e a disponibilidade dos pesquisadores do Fundecitrus em tirar as dúvidas dos participantes e disposição para ajudá-los na otimização de seus sistemas de produção.

Fonte: Fundecitrus