quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Novo preço mínimo da uva é R$ 0,92/kg

Valor é para o período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2017


O preço mínimo básico da uva industrial da safra 2016/17 foi reajustado em 17,95% para os estados das regiões Sul, Sudeste e Nordeste. O novo valor é R$ 0,92/kg e tem vigência de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2017.

De acordo com a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o reajuste de 2% acima do custo de produção foi acordado como forma de compensar o produtor, que teve sua renda comprometida com a queda de safra do ano anterior. O preço estava em R$ 0,78/kg.

Confira aqui a portaria 264 com o novo preço da uva, publicada no Diário Oficial da União dessa quarta-feira (14).


Exportar mais exige ampliar pauta de produtos e fazer acordos, diz Maggi

Ministro inclui o reconhecimento da sustentabilidade da produção brasileira entre os desafios do agronegócio



Em apresentação na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (14), o ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) destacou os principais desafios do agronegócio brasileiro. De acordo com ele, o Brasil precisa avançar nas exportações de produtos não tradicionais, fazer mais acordos comerciais com os países e blocos econômicos, cobrar reconhecimento pela qualidade e sustentabilidade de sua produção agropecuária e importar mais, como forma de intensificar o fluxo comercial agrícola global.

Durante a audiência pública, Blairo Maggi mostrou que os países que mais exportam são também grandes importadores. Deu o exemplo da China, que importa muito, processa e vende produtos com maior valor agregado. 

Em relação a setores de pouco peso na pauta comercial do Brasil, citou o de pescados, no qual o país tem uma fatia de apenas 0,2% no mercado mundial. “Em 58% de tudo o que se comercializa no mundo, o Brasil não participa”, observou. Já soja e grãos figuram entre os itens que o país exporta mais do que consome. "O Brasil tem um estoque muito grande de grãos e pode aumentar ainda mais as exportações.”

O Brasil é grande produtor também de açúcar, café, suco de laranja, carne bovina e frango, o que contribui para que o agronegócio seja responsável por quase 50% das exportações do país. Hoje, o setor representa 21% do PIB (Produto Interno Bruto). A participação seria maior, acrescentou, se a metodologia incluísse, por exemplo, o caminhão usado pelo produtor no escoamento da safra, mais isso é contabilizado no PIB da indústria. 

O ministro reforçou o papel da produção agrícola na economia. “Se não fosse o desempenho do setor, tudo seria mais complicado”. Quanto ao resultado das vendas externas, comentou que, só não é melhor porque os preços internacionais das commodities vivem um ciclo de baixa.

Enfatizou ser preciso “identificar países grandes com os quais o país ainda não tem negócios para ingressar nesses mercados". E destacou que o papel do governo é o de promover a abertura, mas que a negociação é tarefa de empresários.

Maggi chamou a atenção para a estimativa de que 51% da população mundial estará na Ásia em 2030. “O crescimento do continente revela que devemos olhar para lá, onde a classe média está crescendo e onde não há terras nem água disponíveis para produzir o suficiente para toda a população.”

O cenário, na avaliação do ministro, permite traçar ações para aumentar a participação do Brasil no mercado agrícola mundial de 6,9% para 10%, em cinco anos. Falou da importância, para tanto, de valer-se também da diplomacia e comentou que, ao se distanciar de grandes negociações mundiais nos últimos anos, "o Brasil estava perdendo o bonde da história".

Nas missões internacionais que o Mapa tem realizado, segundo Maggi, muitos demonstram interesse na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mas disse que sempre tem negociado um retorno para o Brasil, no caso de cooperação tecnológica e na área de pesquisa.

Sustentabilidade

Sobre conservação ambiental, o ministro disse que outros países precisam reconhecer o que tem sido feito no Brasil, como a preservação de áreas verdes, o cumprimento de exigências do Código Florestal. “Deveriam fazer igual e, se não conseguem, devem reconhecer o esforço brasileiro e dar preferência aos nossos produtos.” E contou já ter iniciado conversas com ONGs internacionais para atrair recursos para financiar iniciativas preservacionistas.

Também defendeu a importância da participação em convençõ es que tratam de meio ambiente. Lembrou que o México chegou a propor moratória de biotecnologia. "Se você não está lá para se posicionar contra, num caso como esse, eles aprovam uma resolução e não teremos mais avanços nessa área." 

Aftosa

Maggi antecipou que o país caminha para, em abril de 2018, ser declarado pela OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) como território livre de febre aftosa. Informou ainda que há 446 processos em curso de negociações fitossanitárias internacionais em tramitação no Mapa.

Na audiência, o ministro antecipou que o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa), que prevê normas de inspeção industrial e sanitária, será reformado até fevereiro do próximo ano. Maggi quer ouvir o setor produtivo e outros órgãos antes de concluir as mudanças. O regulamento em vigor é de 1952.

Paraná amplia em 33% as exportações para a Argentina

A Argentina passou a comprar mais produtos do Paraná em 2016. O Estado exportou, de janeiro a novembro, US$ 1,36 bilhão para o país vizinho, o que representou um avanço de 33% sobre o valor apurado no mesmo período do ano passado (US$ 1,02 bilhão). Com isso, o Paraná passou da quarta para a segunda colocação entre os Estados que mais exportam para Argentina, atrás apenas de São Paulo. 

Os dados foram levantados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes) com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Em 2015, o Paraná respondeu, de janeiro a novembro, por 8,6% das exportações brasileiras para a Argentina. No mesmo período de 2016, essa presença chegou a 11%, ultrapassando Minas Gerais (9,6%) e Rio Grande do Sul (9,2%). 

AUTOMOTIVO - O desempenho foi influenciado pelo aumento das vendas do setor automotivo, explica o presidente do Ipardes, Julio Suzuki Júnior. “Além da competitividade da indústria automotiva paranaense, as montadoras estão direcionando a produção para o país vizinho para compensar a retração do consumo no Brasil”, diz.

As exportações de automóveis cresceram 57,6% de janeiro a novembro, passando de US$ 289,9 milhões nesse período em 2015, para US$ 456,8 milhões em 2016. As vendas de veículos de carga, caminhões principalmente, tiveram aumento de 353,4%, de US$ 33,8 milhões para US$ 153,1 milhões na mesma base de comparação. 

Outro destaque foram os tratores, cujas exportações somaram US$ 84,03 milhões, 101% acima do mesmo período do ano passado (US$ 41,8 milhões). As exportações de máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos diversos, por sua vez, somaram US$ 30,3 milhões, 184,5% acima do registrado nos onze meses de 2015 (US$ 10,7 milhões).

RETOMADA - A mudança no governo e a recuperação da economia ajudam a explicar o crescimento das encomendas do País vizinho, na avaliação do presidente do Ipardes. E graças ao foco nas exportações do setor automotivo, o Paraná teve um desempenho acima da média. 

As exportações brasileiras para o país vizinho aumentaram em ritmo bem menor. Em onze meses somaram US$ 12,2 bilhões, 2,3% mais do que o mesmo período do ano passado.

Entre os três Estados com maior participação nas exportações para a Argentina, o Paraná foi o com melhor resultado. São Paulo registrou queda de 5,5%, para US$ 5,23 bilhões, e o Rio Grande do Sul, apurou estabilidade, somando US$ 1,18 bilhão.

SEGUNDO MAIOR - A Argentina é o segundo maior mercado dos produtos paranaenses, atrás apenas da China, que é destino de 24% das exportações do Estado. “É um mercado interessante porque adquire produtos manufaturados, de maior valor, ao contrário da China, que compra basicamente produtos agrícolas”, diz Suzuki. 

De janeiro a novembro, a Argentina representou 9,75% das exportações totais do Paraná. No mesmo período do ano passado, essa participação estava em 7,41%.


Contratações de crédito do Plano Safra 16/17 caem 8% até novembro

Os desembolsos de recursos emprestados a produtores rurais empresariais por meio do Plano Safra 2016/17 entre julho e novembro caíram 8 por cento na comparação com o mesmo período da temporada passada, para 57,13 bilhões de reais, informou o Ministério da Agricultura nesta sexta-feira. O volume liberado até o momento corresponde a 31 por cento do volume total disponível, entre recursos a juros controlados e juros livres, de 183,86 bilhões de reais para o período entre julho de 2016 e junho de 2017.

Os desembolsos para custeio, que representam a maior fatia dos contratos, caíram para 34,86 bilhões de reais no período, recuo de mais de 18 por cento. A rubrica de investimentos, por outro lado, apresentou crescimento de 12 por cento no período, para 9,96 bilhões de reais em contratações, com impulso de demanda aquecida por recursos para compra de máquinas agrícolas.

O programa conhecido como Moderfrota, destinado a aquisição de equipamentos com colheitadeiras e tratores, já soma contratos de 3,5 bilhões de reais, de um total de 5 bilhões de reais oferecidos. O volume desembolsado registra salto de 226 por cento ante 2015/16. "Este valor é um indicativo da confiança dos agricultores em relação às atividades que desenvolvem no campo e às perspectivas de colher uma supersafra de grãos", disse em nota o diretor de Crédito e Estudos Econômicos do Ministério da Agricultura, Wilson Vaz de Araújo, sem comentar o recuo nos indicadores globais de contratações. O ministério informou que será oficializado nos próximos dias aporte adicional de 2,5 bilhões de reais para o Moderfrota, que passará a contar com 7,55 bilhões de reais na atual temporada.

Veja detalhes do relatório: here

Fonte: Reuters

Roundup Ultra é aprovado para citrus, cana-de-açúcar e café

O herbicida Roundup Ultra (N-(phosphonomethyl)glycine), da Monsanto, teve seu registro estendido no Brasil para a aplicação nas culturas de citrus, cana-de-açúcar e café. O produto, formulado à base de glifosato, já vem sendo usado há quase uma década nas lavouras de milho, soja, algodão e arroz, combinando surfactantes através da Tecnologia Transorb II.

De acordo com a fabricante, a formulação do herbicida confere maior rapidez de absorção e translocação para controle em folhas largas e estreitas, com maior consistência de resultados. O efeito ocorre principalmente em condições climáticas adversas, quando comparado aos demais produtos do mercado, com menor risco de perda de chuva após 1 hora de aplicação. 

A Monsanto destaca que o Roundup Ultra é uma formulação granulada de alta concentração que permite o uso de uma menor dose por hectare, facilidade de armazenamento, transporte e descarte de embalagens, dispensando, por exemplo, a operação de tríplice lavagem necessárias nas formulações líquidas do mercado.

“A tecnologia Transorb II®, presente na formulação de Roundup Ultra, confere performance superior em situações adversas de temperatura e umidade, e será mais uma importante ferramenta para que nossos parceiros e agricultores envolvidos com as culturas de citrus, café e cana possam produzir mais e de uma maneira mais sustentável”, afirma Marcelo Segalla, líder de Proteção de Cultivos da Monsanto para a América do Sul. 

“Este atributo ficará mais evidente aos produtores quando observados os resultados de aplicação após momentos desafiadores de manejo das plantas daninhas, além do ganho de eficiência operacional, como armanezagem, transporte e descarte de embalagens”, conclui.


Fonte: Agrolink

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Safra de laranja é reestimada em 244,20 milhões de caixas

A safra de laranja 2016/17 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro foi reestimada em 244,20 milhões de caixas de 40,8 quilos. O número foi divulgado pelo Fundecitrus – Fundo de Defesa da Citricultura, nesta segunda-feira (12). O valor representa uma redução de 1,9% em relação à reestimativa publicada em setembro, de 249,04 milhões de caixas e 0,6% comparado à estimativa inicial publicada em maio, que foi de 245,74 milhões de caixas.

A revisão para uma safra menor deve-se à adequação do fator de correção (que calcula os desvios da safra) que foi atualizado. Anteriormente, o fator utilizado levava em consideração a média dos últimos dez anos, mas necessitou ser revisado para se adequar a realidade atual dos pomares, levando-se em consideração o manejo de HLB que vem alterando a configuração dos pomares com a eliminação de árvores doentes e substituição por mudas sadias, resultando na formação de subconjuntos de plantas mais novas com produtividade menor do que as do plantio original em um mesmo talhão. O impacto desses subconjuntos é significativo na safra atual que teve baixa produtividade, visto que, as plantas mais jovens tiveram menor pegamento dos frutos.

Nesta reestimativa, a tendência de crescimento dos frutos, notada na reestimativa de setembro, continuou sendo observada. A variedade Pera Rio, é revisada em 230 frutos/caixa, enquanto na reestimativa de setembro projetavam-se 245 frutos/caixa. O peso da Valência e Valência Folha Murcha passa a 220 frutos/caixa, e o da Natal para 230 frutos/caixa, dez e cinco frutos a menos por caixa respectivamente, em comparação à reestimativa de setembro. Contribuiu para este crescimento, a pluviometria acumulada de maio/2016 a novembro/2016 que foi 19% acima da prevista para o período. A média das precipitações acumuladas nesses sete meses em todo parque citrícola atingiu 543 milímetros.

A taxa média de queda de frutos é de 13,73%, mantendo o valor abaixo do esperado inicialmente para a safra. De acordo com o coordenador da Pesquisa de Estimativa de Safra (PES), Vinícius Trombin, o ritmo mais acelerado da colheita explica a diminuição da queda de frutos. “Até novembro, com base nos talhões monitorados pelo Fundecitrus, estima-se que 81% da produção tenham sido colhidos. Neste mesmo período no ano passado, o número era de 72%”.

A colheita das variedades precoces supera 96% e está praticamente encerrada, a de Pera Rio está com 78%, de Valência e Valência Folha Murcha 81% e Natal 71%.

A pesquisa de estimativa de safra é realizada pelo Fundecitrus em cooperação com a Markestrat, FEA-RP/USP e FCAV/Unesp.

O relatório completo está disponível no link: http://bit.ly/2hEGPJ

Fonte: Fundecitrus

Meta de zerar resíduos de agrotóxicos em vegetais está próxima

A meta de obter 100% de conformidade com parâmetros adequados de toxidade em alimentos vegetais está muito próxima de ser alcançada. “Continuaremos a buscar os 100% em produtos, como frutas, cereais, amêndoas e pimentas para garantir a segurança alimentar”, garantiu Luis Rangel, secretário de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, ao comentar resultado do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Noventa e nove por cento dos produtos vegetais, avaliados entre 2013 e 2015, estavam em conformidade com os padrões estabelecidos pela legislação, revelou a Anvisa. “Conseguimos reverter um cenário com mais de 25% de amostras não conformes das pesquisas anteriores para apenas 1%”, destacou Rangel.

O Mapa, por meio do Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC), e a Anvisa, por intermédio do Para, trabalham de forma conjunta, uniformizando e harmonizando ações para monitorar os resíduos de agrotóxicos em produtos vegetais. Um dos objetivos do programa é proporcionar orientação nas cadeias produtivas sobre inconformidades no processo produtivo e incentivar Boas Práticas Agrícolas (BPA).

O programa conta com a participação de 27 unidades da Federação, envolvidas na amostragem e na tomada de decisões depois de conhecidos os resultados. As análises são realizadas por quatro Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen GO, MG, RS e PR) e por um laboratório privado contratado por processo licitatório.

De acordo com a coordenadora-geral de Qualidade Vegetal do Mapa, Fátima Parizzi, o Mapa e a Anvisa estão definindo mecanismos para convergências entre os planos de amostragem dos planos de Controle de Resíduos e o de Análise que possibilitem rastrear os produtos desconformes até a sua origem.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Coca-Cola Femsa assume o grupo brasileiro Vonpar

A nova aquisição vai possibilitar à multinacional aumentar seu volume em 25%.


A Coca-Cola Femsa completou a aquisição da empresa de bebidas e engarrafadora Vonpar através de sua subsidiária brasileira, a Spal Indústria Brasileira de Bebidas.

Segundo afirma a multinacional a Vonpar se encaixa geograficamente com as operações da Coca-Cola Femsa no estado do Paraná. A transação aumentará o volume da empresa no Brasil em 25%, permitindo que a cobertura alcance 49% do volume de engarrafamento do sistema no país.

O valor do negócio é de R$ 3,5 bilhões (US$ 1,03 bilhão), com sinergias de custo esperadas em torno de US$ 19 milhões nos próximos 18-24 meses.

A Coca-Cola Femsa possui 66 instalações de engarrafamento e atende a mais de 373 milhões de consumidores através de 2.800.000 varejistas com mais de 100.000 funcionários em todo o mundo.

Nos últimos 12 meses, a Vonpar vendeu 190 milhões de unidades de bebidas, incluindo 23 milhões de unidades de cerveja, gerando uma receita líquida de mais de R$ 2 bilhões (US$ 590 milhões) e um lucro antes de impostos de US$ 98 milhões.

O diretor executivo da Coca-Cola Femsa, John Santa Maria afirmou, "Estamos entusiasmados em expandir nossa presença no Brasil com a aquisição da Vonpar. Esta operação reforça nossa posição de liderança no sistema Coca-Cola em um dos maiores mercados de produtos no mundo. Estamos fortalecendo nossa presença no Brasil consolidando regiões próximas, o que nos permite desenvolver sinergias através de eficiências operacionais e incorporar funcionários experientes e talentosos à família da Coca-Cola Femsa”.

Fonte: FoodBev

Fiesp traça cenário positivo para o campo

Mas, diante das turbulências políticas, no país e no exterior, otimismo é moderado.



Depois de um ano difícil como 2016, marcado por problemas climáticos e turbulências permanentes nos fronts político e econômico, no país e no exterior, o agronegócio brasileiro deverá encontrar em 2017 uma estrada menos esburacada para retomar seu ritmo de avanço. Mas o cenário que se desenha está longe de sugerir que será um desfile em tapete vermelho. Muitos dos problemas que tumultuaram o ano que vai chegando ao fim não estão resolvidos e certamente ainda pressionarão os resultados de diversas cadeias produtivas, e é grande O risco de que o setor seja punido pelo seu próprio sucesso, na forma de mais tributação e protecionismo comercial. 

De maneira geral, o "Outlook Fiesp 2026: Projeções para o Agronegócio Brasileiro", que será lançado hoje pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, corrobora essa visão "cautelosamente otimista" para o ano que está por vir. Mas o material preparado pela MB Agro, braço da consultoria MB Associados, identifica muitos obstáculos ao longo do caminho—desde os riscos derivados do fenômeno La Nina, até a eleição do ainda imprevisível Donald Trump à presidência dos Estados Unidos — passando pelas rachaduras na política nacional, que têm ajudado a retardar o resgate de uma economia que definha há mais de dois anos.

"Há muitos e grandes desafios de curto prazo, advindos especialmente da situação econômica do país, que afetam diretamente o desempenho do agronegócio. Mas também há muitas oportunidades. Atualmente, 60% das exportações do setor passam por algum tipo de industrialização. Precisamos abrir novos mercados, como o asiático, para aumentar essa proporção. Se o governo fizer o que precisa ser feito em termos
de política comercial, alcançaremos números ainda mais significativos", diz o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Bem que as coisas podiam ser mais fáceis. Afinal, depois de um ano marcado por um El Nino severo, que prejudicou a produção agrícola do país quase como um todo — a colheita de grãos na safra 2015/16 foi 10,3% menor que em 2014/15, puxada por retrações de milho (20,9%), arroz (14,8%) e feijão (21,6%), e houve quebras importantes no café conilon, na laranja e em frutas, verduras e legumes, entre outras culturas —, a tendência é que as intempéries sejam mais amenas, embora o moderado La Niña que se apresenta esteja provocando algumas alterações indesejáveis. Para a safra de grãos que será colhida no ano que vem, por exemplo, a expectativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de aumento de até 16%.

"Tivemos queda do PIB superior a 3% em 2015 e teremos outra em 2016, aumentou a relação entre dívida e PIB, a renda per capita recuou mais de 10%, o desemprego está na casa de 12% e a inflação está elevada. É claro que o agronegócio não passou incólume por esse cenário. Tivemos fortes quedas das vendas no segmento de insumos, o consumo de alimentos básicos diminuiu e, sobretudo no ano passado, houve escassez de crédito para o pré-custeio da safra 2015/16. Mesmo assim, o setor recuperou a confiança antes dos demais, os investimentos em tecnologia voltaram a crescer e as perspectivas são melhores", diz António Carlos Costa, gerente do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp.

Mário Sérgio Cutait, diretor do Deagro, observa que a valorização do dólar em relação ao real — que perdeu um pouco de fôlego depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas voltou a dar o ar da graça depois da eleição de Trump — gerou reflexos positivos para as cadeias exportadoras, já que compensou algumas quedas de preços, e influenciou a retomada da confiança. E lembra que uma das incógnitas de 2017 é justamente o câmbio, que refletirá, em boa medida, as políticas que serão adotadas pelo novo presidente americano no país e sua postura efetiva nas relações comerciais. 

Alexandre Mendonça de Barros, que comanda a MB Agro, destaca o papel do câmbio para o desempenho dos segmentos de cana, café e laranja em 2016. Em virtude de quadros globais marcados por ofertas apertadas, as cotações internacionais das três commodities se mantiveram em elevado patamar durante boa parte do ano — o valor médio mensal dos contratos futuros de segunda posição de entrega do suco de laranja foi o maior da história em Nova York em novembro —, e a moeda americana também em nível elevado ajudou a compensar a alta de seus custos de produção em real.

"Mas, se 2016 marcou a melhora dos mercados de cana, laranja e café, deveremos observar em 2017 a reação do segmento de carnes, sobretudo no segundo semestre", afirma Mendonça de Barros. Em 2016, uma combinação poucas vezes vista afetou esse mercado no país: houve quedas do consumo per capita das três carnes (bovina, frango e suína). Em época de redução do poder de compra, normalmente ocorre migração do consumo da carne mais cara (bovina) para as outras duas.

Segundo Costa, outros desafios para o agronegócio no ano que vem serão resistir à tentação dos governos federal e estaduais de ampliar a tributação sobre as cadeias produtivas lucrativas, como a exportadora de grãos e a já citada eventual "onda protecionista" que pode ser gerada por Trump. "Em um primeiro momento, podemos ver até algumas vantagens para ou produto ou outro. Mas todo movimento protecionista é ruim para o agronegócio brasileiro", diz, destacando a competitividade do setor—que, se tudo correr normalmente, continuará em ritmo mais intenso que a média global na próxima década.

Fonte: Valor Econômico

Valor da produção agropecuária em SP deve aumentar 21%

Estimativa preliminar do IEA mostra que o montante total poderá alcançar R$77 bilhões este ano.


Puxado por cana e carne bovina, e com forte impulso de laranja e café, o valor da produção agropecuária (VPA) de São Paulo vai encerrar 2016 com um crescimento de causar inveja a outros claudicantes setores da economia.

De acordo com estimativas preliminares do Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria da Agricultura do Estado, o VPA paulista tende a somar R$ 76,6 bilhões neste ano, 21% a mais que em 2015. O volume total da produção dos 53 itens que fazem parte do levantamento deverá aumentar 3,3%, enquanto os preços vão subir, em média, 17,1%.

Se confirmado, esse resultado manterá São Paulo como líder nacional em valor da produção agropecuária, à frente de Mato Grosso. Menos importante no segmento de grãos, o Estado do Sudeste tem na cana seu carro-chefe, cujo VPA deverá atingir R$ 27,1 bilhões em 2016, 13,5% acima do valor do ano passado.

O volume da produção nos canaviais paulistas aumentará 0,6%, mas o preço médio será 12,9% maior, de acordo com o IEA. Mas, mesmo com o aumento, a participação da cana no VPA total do Estado deverá cair de 37,8%, em 2015, para 35,4% neste ano.

Isso por causa de avanços, alguns até mais expressivos, observados em outras frentes. Segundo produto no ranking, a carne bovina deverá registrar VPA de R$ 9,6 bilhões em 2016, aumento de 7,6% em relação ao ano passado, determinado por incrementos de 2% no volume de produção e de 5,5% no preço médio.

No caso da carne de frango, terceiro na lista dos maiores VPAs, o IEA estima uma queda de 5%, para R$ 3,9 bilhões, mas, em compensação, há verdadeiras disparadas em curso para os 11 produtos que aparecem na sequência.

Para a laranja destinada às indústrias fabricantes de suco, o incremento previsto é de 56,6%, embalado por uma alta de 57,3% do preço médio. Soja e milho também registrarão resultados amplamente positivos - aumentos de 38,9%, para R$ 3,4 bilhões, e de 64,1%, para R$ 3,1 bilhões, respectivamente, igualmente influenciados por preços melhores.

Completam a lista das disparadas na parte superior da lista do IEA café beneficiado (R$ 53,8%, para R$ 2,8 bilhões em 2016), ovos (33,4%, para R$ 2,8 bilhões), madeira de eucalipto (13,2%, para R$ 2,7 bilhões), leite (34,1%, para R$ 2,1 bilhões), batata (60,9%, para R$ 1,6 bilhão), banana (37,4%, para R$ 1,4 bilhão), limão (27,2%, para R$ 1,2 bilhão) e feijão (128,9%, para R$ 1,2 bilhão).

Fonte: Valor Econômico