segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Coca-Cola Femsa assume o grupo brasileiro Vonpar

A nova aquisição vai possibilitar à multinacional aumentar seu volume em 25%.


A Coca-Cola Femsa completou a aquisição da empresa de bebidas e engarrafadora Vonpar através de sua subsidiária brasileira, a Spal Indústria Brasileira de Bebidas.

Segundo afirma a multinacional a Vonpar se encaixa geograficamente com as operações da Coca-Cola Femsa no estado do Paraná. A transação aumentará o volume da empresa no Brasil em 25%, permitindo que a cobertura alcance 49% do volume de engarrafamento do sistema no país.

O valor do negócio é de R$ 3,5 bilhões (US$ 1,03 bilhão), com sinergias de custo esperadas em torno de US$ 19 milhões nos próximos 18-24 meses.

A Coca-Cola Femsa possui 66 instalações de engarrafamento e atende a mais de 373 milhões de consumidores através de 2.800.000 varejistas com mais de 100.000 funcionários em todo o mundo.

Nos últimos 12 meses, a Vonpar vendeu 190 milhões de unidades de bebidas, incluindo 23 milhões de unidades de cerveja, gerando uma receita líquida de mais de R$ 2 bilhões (US$ 590 milhões) e um lucro antes de impostos de US$ 98 milhões.

O diretor executivo da Coca-Cola Femsa, John Santa Maria afirmou, "Estamos entusiasmados em expandir nossa presença no Brasil com a aquisição da Vonpar. Esta operação reforça nossa posição de liderança no sistema Coca-Cola em um dos maiores mercados de produtos no mundo. Estamos fortalecendo nossa presença no Brasil consolidando regiões próximas, o que nos permite desenvolver sinergias através de eficiências operacionais e incorporar funcionários experientes e talentosos à família da Coca-Cola Femsa”.

Fonte: FoodBev

Fiesp traça cenário positivo para o campo

Mas, diante das turbulências políticas, no país e no exterior, otimismo é moderado.



Depois de um ano difícil como 2016, marcado por problemas climáticos e turbulências permanentes nos fronts político e econômico, no país e no exterior, o agronegócio brasileiro deverá encontrar em 2017 uma estrada menos esburacada para retomar seu ritmo de avanço. Mas o cenário que se desenha está longe de sugerir que será um desfile em tapete vermelho. Muitos dos problemas que tumultuaram o ano que vai chegando ao fim não estão resolvidos e certamente ainda pressionarão os resultados de diversas cadeias produtivas, e é grande O risco de que o setor seja punido pelo seu próprio sucesso, na forma de mais tributação e protecionismo comercial. 

De maneira geral, o "Outlook Fiesp 2026: Projeções para o Agronegócio Brasileiro", que será lançado hoje pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, corrobora essa visão "cautelosamente otimista" para o ano que está por vir. Mas o material preparado pela MB Agro, braço da consultoria MB Associados, identifica muitos obstáculos ao longo do caminho—desde os riscos derivados do fenômeno La Nina, até a eleição do ainda imprevisível Donald Trump à presidência dos Estados Unidos — passando pelas rachaduras na política nacional, que têm ajudado a retardar o resgate de uma economia que definha há mais de dois anos.

"Há muitos e grandes desafios de curto prazo, advindos especialmente da situação econômica do país, que afetam diretamente o desempenho do agronegócio. Mas também há muitas oportunidades. Atualmente, 60% das exportações do setor passam por algum tipo de industrialização. Precisamos abrir novos mercados, como o asiático, para aumentar essa proporção. Se o governo fizer o que precisa ser feito em termos
de política comercial, alcançaremos números ainda mais significativos", diz o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Bem que as coisas podiam ser mais fáceis. Afinal, depois de um ano marcado por um El Nino severo, que prejudicou a produção agrícola do país quase como um todo — a colheita de grãos na safra 2015/16 foi 10,3% menor que em 2014/15, puxada por retrações de milho (20,9%), arroz (14,8%) e feijão (21,6%), e houve quebras importantes no café conilon, na laranja e em frutas, verduras e legumes, entre outras culturas —, a tendência é que as intempéries sejam mais amenas, embora o moderado La Niña que se apresenta esteja provocando algumas alterações indesejáveis. Para a safra de grãos que será colhida no ano que vem, por exemplo, a expectativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de aumento de até 16%.

"Tivemos queda do PIB superior a 3% em 2015 e teremos outra em 2016, aumentou a relação entre dívida e PIB, a renda per capita recuou mais de 10%, o desemprego está na casa de 12% e a inflação está elevada. É claro que o agronegócio não passou incólume por esse cenário. Tivemos fortes quedas das vendas no segmento de insumos, o consumo de alimentos básicos diminuiu e, sobretudo no ano passado, houve escassez de crédito para o pré-custeio da safra 2015/16. Mesmo assim, o setor recuperou a confiança antes dos demais, os investimentos em tecnologia voltaram a crescer e as perspectivas são melhores", diz António Carlos Costa, gerente do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp.

Mário Sérgio Cutait, diretor do Deagro, observa que a valorização do dólar em relação ao real — que perdeu um pouco de fôlego depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas voltou a dar o ar da graça depois da eleição de Trump — gerou reflexos positivos para as cadeias exportadoras, já que compensou algumas quedas de preços, e influenciou a retomada da confiança. E lembra que uma das incógnitas de 2017 é justamente o câmbio, que refletirá, em boa medida, as políticas que serão adotadas pelo novo presidente americano no país e sua postura efetiva nas relações comerciais. 

Alexandre Mendonça de Barros, que comanda a MB Agro, destaca o papel do câmbio para o desempenho dos segmentos de cana, café e laranja em 2016. Em virtude de quadros globais marcados por ofertas apertadas, as cotações internacionais das três commodities se mantiveram em elevado patamar durante boa parte do ano — o valor médio mensal dos contratos futuros de segunda posição de entrega do suco de laranja foi o maior da história em Nova York em novembro —, e a moeda americana também em nível elevado ajudou a compensar a alta de seus custos de produção em real.

"Mas, se 2016 marcou a melhora dos mercados de cana, laranja e café, deveremos observar em 2017 a reação do segmento de carnes, sobretudo no segundo semestre", afirma Mendonça de Barros. Em 2016, uma combinação poucas vezes vista afetou esse mercado no país: houve quedas do consumo per capita das três carnes (bovina, frango e suína). Em época de redução do poder de compra, normalmente ocorre migração do consumo da carne mais cara (bovina) para as outras duas.

Segundo Costa, outros desafios para o agronegócio no ano que vem serão resistir à tentação dos governos federal e estaduais de ampliar a tributação sobre as cadeias produtivas lucrativas, como a exportadora de grãos e a já citada eventual "onda protecionista" que pode ser gerada por Trump. "Em um primeiro momento, podemos ver até algumas vantagens para ou produto ou outro. Mas todo movimento protecionista é ruim para o agronegócio brasileiro", diz, destacando a competitividade do setor—que, se tudo correr normalmente, continuará em ritmo mais intenso que a média global na próxima década.

Fonte: Valor Econômico

Valor da produção agropecuária em SP deve aumentar 21%

Estimativa preliminar do IEA mostra que o montante total poderá alcançar R$77 bilhões este ano.


Puxado por cana e carne bovina, e com forte impulso de laranja e café, o valor da produção agropecuária (VPA) de São Paulo vai encerrar 2016 com um crescimento de causar inveja a outros claudicantes setores da economia.

De acordo com estimativas preliminares do Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria da Agricultura do Estado, o VPA paulista tende a somar R$ 76,6 bilhões neste ano, 21% a mais que em 2015. O volume total da produção dos 53 itens que fazem parte do levantamento deverá aumentar 3,3%, enquanto os preços vão subir, em média, 17,1%.

Se confirmado, esse resultado manterá São Paulo como líder nacional em valor da produção agropecuária, à frente de Mato Grosso. Menos importante no segmento de grãos, o Estado do Sudeste tem na cana seu carro-chefe, cujo VPA deverá atingir R$ 27,1 bilhões em 2016, 13,5% acima do valor do ano passado.

O volume da produção nos canaviais paulistas aumentará 0,6%, mas o preço médio será 12,9% maior, de acordo com o IEA. Mas, mesmo com o aumento, a participação da cana no VPA total do Estado deverá cair de 37,8%, em 2015, para 35,4% neste ano.

Isso por causa de avanços, alguns até mais expressivos, observados em outras frentes. Segundo produto no ranking, a carne bovina deverá registrar VPA de R$ 9,6 bilhões em 2016, aumento de 7,6% em relação ao ano passado, determinado por incrementos de 2% no volume de produção e de 5,5% no preço médio.

No caso da carne de frango, terceiro na lista dos maiores VPAs, o IEA estima uma queda de 5%, para R$ 3,9 bilhões, mas, em compensação, há verdadeiras disparadas em curso para os 11 produtos que aparecem na sequência.

Para a laranja destinada às indústrias fabricantes de suco, o incremento previsto é de 56,6%, embalado por uma alta de 57,3% do preço médio. Soja e milho também registrarão resultados amplamente positivos - aumentos de 38,9%, para R$ 3,4 bilhões, e de 64,1%, para R$ 3,1 bilhões, respectivamente, igualmente influenciados por preços melhores.

Completam a lista das disparadas na parte superior da lista do IEA café beneficiado (R$ 53,8%, para R$ 2,8 bilhões em 2016), ovos (33,4%, para R$ 2,8 bilhões), madeira de eucalipto (13,2%, para R$ 2,7 bilhões), leite (34,1%, para R$ 2,1 bilhões), batata (60,9%, para R$ 1,6 bilhão), banana (37,4%, para R$ 1,4 bilhão), limão (27,2%, para R$ 1,2 bilhão) e feijão (128,9%, para R$ 1,2 bilhão).

Fonte: Valor Econômico

Entendendo a dormência das frutíferas de clima temperado

Rede de pesquisa busca compreender os fatores genéticos e ambientais que controlam a dormência das gemas em tempos de mudanças climáticas



Na próxima terça-feira, dia 13 de dezembro, a Embrapa Uva e Vinho , promove o I Workshop sobre Dormência em Frutíferas, em Bento Gonçalves. O evento é uma parceria com a Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi), Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), Epagri e Fepagro.

Com inscrições gratuitas, o evento irá apresentar os avanços na compreensão do controle da dormência de frutíferas de clima temperado, como é o caso da macieira, pereira e pessegueiro. Nesse processo, durante o inverno, a planta necessita passar por repouso e guarda as reservas acumuladas no período para garantir a sua brotação e a produção de frutos.

Segundo Luís Fernando Revers, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho e coordenador do Workshop, esses estudos relativos aos mecanismos que controlam a dormência serão fundamentais para ajudar no desenvolvimento de métodos de manejo dos pomares e contribuir para geração de novas cultivares de macieira.

"A sustentabilidade da cadeia produtiva da macieira, como de outras fruteiras de clima temperado, poderá ser afetada em função das mudanças climáticas, com a previsão de aumento da temperatura global e ocorrência de invernos menos frios e inconstantes, avalia Revers. Atualmente, às regiões de produção da maçã brasileira estão concentradas no Sul do País, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que são áreas climáticas limítrofes para os requerimentos de frio necessários a uma boa produtividade das plantas.

Durante o evento serão apresentados resultados de pesquisa em palestras e painéis, que foram obtidos por uma rede de pesquisadores formada pela Embrapa Uva e Vinho,Trigo, Recursos Genéticos e Biotecnologia e Informática Agropecuária), Epagri (Estação Experimental de Caçador e Centro de Informações de Recursos Ambientais e Hidrometeorologia de Santa Catarina), Fepagro e Centro de Biotecnologia e Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no endereço http://perguntas.cnpuv.embrapa.br/index.php/665485/lang-pt-BR. Vagas limitadas. Clique aqui e confira o programa completo e outras informações.

Serviço:
O que: I Workshop sobre dormência em frutíferas.
Data: 13 de dezembro
Local: Auditório Embrapa Uva e Vinho – Rua Livramento, 515 - Bento Gonçalves (RS)
Inscrições: http://perguntas.cnpuv.embrapa.br/index.php/665485/lang-pt-BR
Informações: 54-34558087 – Embrapa Uva e Vinho

Fonte: EMBRAPA
Viviane Zanella (Mtb14004) 
Embrapa Uva e Vinho

Monsanto diz que próximo grande avanço agrícola é o "fungo benéfico"

A Monsanto anunciou uma nova estratégia, a ser adotada a partir do ano que vem, que visa aumentar os rendimentos dos produtores, reduzir o uso de fertilizantes e as emissões de dióxidos de carbono. A companhia, que recentemente foi comprada pela Bayer, revelou que o uso de fungos e bactérias para tratamento microbiano tem resultados mais efetivos que sem essas ferramentas.

Os testes foram feitos com uma cobertura de sementes desenvolvidas em parceria com a empresa dinamarquesa Novozymes, que contém um fungo benéfico que ajuda as plantas nas etapas iniciais de crescimento. Nas provas em milho, o produto se mantém por muito mais tempo nas sementes e é compatível com outros tratamentos químicos, ao contrário de versões anteriores. A tecnologia poderia ser aplicada em mais de 36 milhões de hectares até 2025.

"O tratamento da semente poderia se converter em dos maiores produtos biológicos do setor agropecuário. Ao explorar o poder dos micróbios da natureza, os agricultores poderão produzir mais cultivos ," explicou Colin Bletsky, vice-presidente da divisão de bioagricultural da Novozymes. 

Já John Combest, porta-voz da Monsanto, destacou em entrevista a Bloomberg o potencial de crescimento do mercado microbiano. "O mercado agrícola microbiano tem atualmente US$ 1.8 bilhões em vendas, enquanto que o mercado de substâncias químicas e pesticidas está cotado em US$ 240 bilhões", comparou.

A nova cobertura microbiana, derivado de um fungo chamado Penicillium bilaiae, funciona crescendo ao longo das raízes das plantas e ajudando a ter acesso ao nitrogênio e ao fósforo no solo. Nos testes, os cultivos que usaram o tratamento microbiano tiveram um aumento de rendimento de mais de 3 bushels por acre em médio, segundo o anúncio.

Os esporos permanecerão nas sementes por dois anos, enquanto na versão anterior do produto eram 120 dias. Isso significa que, usando o JumpStart, os produtores tinham um limite de tempo para plantar as sementes tratadas.

Além disso, os agricultores teriam que aplicar eles mesmo o JumpStart nas sementes porque não era compatível com os tratamentos químicos tradicionais, incluindo inseticidas e fungicidas. O novo tratamento deve ser incluído pela Monsanto com outras coberturas. 

Fonte: Agrolink

Moderfrota impulsiona contratações do crédito rural na atual safra

Programa deve receber mais R$ 2,5 bilhões para atender aumento da demanda


Com o aquecimento da demanda por máquinas e implementos agrícolas, o programa Moderfrota foi o destaque no financiamento agropecuário, com contratações de R$ 3,5 bilhões, nos primeiros cinco meses do ano-safra 2016/2017. “Este valor é um indicativo da confiança dos agricultores em relação às atividades que desenvolvem no campo e às perspectivas de colher uma supersafra de grãos, estimada em 213,1 milhões de toneladas pela Conab”, diz o diretor de Crédito e Estudos Econômicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wilson Vaz de Araújo.

Por causa do aumento da procura, o Ministério da Agricultura conseguiu com o Ministério da Fazenda aporte adicional de R$ 2,5 bilhões para o programa, a ser autorizado nos próximos dias. Com isso, o valor total para o Moderfrota passará de R$ 5 bilhões para R$ 7,55 bilhões neste ano-safra.

Outros programas de investimento que tiveram aumento das contratações nesses primeiros cinco meses de execução do Plano Agrícola e Pecuária 2016/2017 foram o Pronamp e o Procap-Agro. As contratações do Pronamp passaram de R$ 461 milhões para R$ 993 milhões na comparação com igual período do ano passado. Já os contratos do Procap-Agro aumentaram 50%, alcançando R$ 1,1 bilhão.

No conjunto, os programas de investimento tiveram aumento de 12% em relação ao mesmo período da safra anterior, chegando a R$ 9,9 bilhões.

As contratações de crédito rural com recursos provenientes da emissão da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) totalizaram R$ 7,7 bilhões, de junho a novembro deste ano, contra R$ 3,6 bilhões de igual período da safra anterior.

Confira aqui o balanço dos financiamentos no Plano Agrícola e Pecuário 2016/2017.

Citros/Cepea: Oferta elevada pressiona cotações da tahiti em quase 30%

Pressionadas pela maior oferta de frutas miúdas, as cotações da lima ácida tahiti têm caído fortemente. Nesta semana (de segunda a quinta-feira), a média da fruta foi de R$ 24,75/cx de 27 kg, colhida, expressiva queda de 29,1% em relação à do período anterior.

Segundo colaboradores do Cepea, o aumento na disponibilidade de frutas de menor calibre tem afastado compradores do mercado in natura desde meados de novembro. A oferta restrita de tahiti de melhor qualidade, por sua vez, pode ser resultado do adiantamento da colheita em novembro. Com receio de possíveis quedas nos preços em dezembro, produtores teriam antecipado em um mês a comercialização das frutas que estariam prontas agora, para aproveitar as boas cotações da variedade.


Fonte: Cepea/Esalq

Alimentos ajudam a reduzir inflação oficial em novembro

Os alimentos registraram deflação (queda de preços) de 0,2% em novembro e foram os principais responsáveis pela redução do índice de inflação oficial de 0,26% em outubro para 0,18% em novembro. Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foram divulgados hoje (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre os responsáveis pela deflação dos alimentos em novembro deste ano estão o feijão-carioca (-17,52%), tomate (-15,15%), batata-inglesa (-8,28%), leite longa vida (-7,03%), cenoura (-2,74%), alho (-2,24%), farinha de trigo (-1,34%) e feijão-preto (-0,77%).

Entre os produtos que tiveram aumento de preços figuram a cebola (6,09%), farinha de mandioca (4,26%), pescado (3,47%), frutas (3%), frango (2,91%), hortaliças (2,14%), café moído (1,68%), óleo de soja (1,63%), cerveja (1,05%), refrigerante (0,99%) e carnes (0,22%).

Apesar das recentes quedas de preços dos alimentos, em 12 meses o grupo de despesas alimentação e bebidas continua com uma taxa acumulada (10,17%) acima da média da inflação oficial (6,99%).

Em novembro deste ano, outro grupo de despesas que teve deflação foi o de artigos de residência (-0,16%). Por outro lado, os gastos com saúde e cuidados especiais cresceram 0,57% no mês, sendo os principais responsáveis pela taxa de 0,18% da inflação oficial. O principal responsável pela alta de custo deste grupo de despesas foi o aumento de 1,07% dos planos de saúde.

Outros grupos que tiveram altas de preços consideráveis foram os transportes (0,28%), despesas pessoais (0,47%) e habitação (0,05%).

Em ano para se “esquecer”, cooperativas do PR crescem e faturam R$ 70 bilhões

Dois mil e dezesseis foi um ano para “se esquecer”, mesmo com faturamento de R$ 70 bilhões, aumento de 17% em relação ao ano passado. Isso dá dimensão do tamanho do cooperativismo no Paraná e o potencial que ele tem.

Os números foram apresentados durante o Encontro Estadual de Cooperativistas Paranaenses, organizado pelo Sistema Ocepar, nesta sexta-feira em Curitiba. O evento reuniu mais de 2 mil pessoas no Teatro Positivo. Entre homenagens e discursos, o que deu o tom das falas foi a noção de que o agronegócio foi e continua sendo um dos principais pilares da economia brasileira, mas precisa superar as adversidades deste ano para sustentar esse peso em 2017.

“Ninguém está imune à crise, perdemos 8% do PIB nos últimos dois anos”, ressaltou o presidente da Ocepar, José Roberto Ricken. “No caso das cooperativas, diminuímos em R$ 300 milhões o nosso resultado líquido, mas ainda assim ele deve ficar em R$ 2,3 bilhões. Efeitos, a crise sempre tem, mas em conjunto dá para superar melhor. Precisamos acreditar que a situação vai melhorar e reduzir os custos do governo para aumentar investimentos na sociedade”, complementou.

Um dos setores que mais sentiu o impacto de uma economia em retração, com consumo moderado e desemprego crescente, foi a suinocultura. Embora as exportações tenham aumentado significativamente (34,6% em volume e 14,2% em receita), o custo de produção impediu resultados melhores. “Em função da quebra climática do milho, o custo do suíno, do leite e das aves extrapolou o preço de mercado”, explicou Valter Vanzella, presidente da Frimesa. “Vamos alcançar as metas de faturamento, mas não as de resultado. Nós repassamos ao produtor um valor bem acima do que o mercado pagava pela matéria-prima, para distribuir o ônus desse custo exagerado”, acrescentou.

Investimentos

O governador Beto Richa participou do encontro e pontuou que as cooperativas são ferramentas essenciais para desenvolver o interior do Paraná. “Capitalizamos nos últimos anos R$ 200 milhões via BRDE e cerca de 80% foram destinados às cooperativas, e também o programa Paraná Competitivo, que através de incentivos fiscais, estimula a produção no estado”, afirmou.

Richa salientou ainda os dois acordos assinados durante o evento: um deles é uma parceria com a secretaria estadual de educação para fomentar a capacitação profissional nas escolas agrícolas, e o outro, um convênio com a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) para entrega aos cooperados de casas próximas às unidades onde trabalham.

Entretanto, para Alfredo Lang, presidente da C.Vale, de Palotina, uma das cooperativas com maior faturamento do estado – a previsão é de R$ 7 bilhões em 2016 -, é preciso que a política dê as condições necessárias para que as empresas façam a economia girar. “Temos alguns projetos em estudo, até que se defina uma política de investimentos com prazo, juros compatíveis com o negócio, porque senão é inviável. Temos espaço para crescer, mas precisa haver uma política que viabilize esses projetos. A única saída para o país é produzir. As empresas estão dispostas”, completou.

Sead participa de ato que regulamenta a Lei de Renegociação de Dívidas Rurais

Na tarde desta sexta-feira (9), o secretário José Ricardo Roseno, da Secretaria Especial da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), participou da cerimônia na qual o presidente Michel Temer assinou o decreto que regulamenta a Lei de Renegociação de Dívidas Rurais (Lei 13.340) de produtores do Norte e do Nordeste prejudicados pela seca. O evento, realizado em Fortaleza (CE), teve a presença de ministros de estado, deputados, senadores e do governador do Ceará, Camilo Santana.

Roseno destacou, em seu pronunciamento, que esta ação é um importante estímulo para a agricultura familiar brasileira: “A região Nordeste concentra 50% dos agricultores familiares e, infelizmente, atravessa o quinto ano consecutivo de seca. Estamos celebrando hoje uma medida estratégica, porque no período em que o agricultor da região inicia a safra, será possível renovar seu crédito juntos às instituições financeiras”, disse.

A liquidação de dívidas de crédito rural foi uma demanda dos produtores rurais da região. A legislação foi publicada no Diário Oficial no mês de setembro e concede abatimentos por um ano aos empréstimos contraídos com o Banco do Nordeste ou o Banco da Amazônia. Os agricultores que contraíram dívidas até o ano de 2011 passam a ter descontos para os pagamentos feitos até o dia 29 de dezembro de 2017. A nova lei também autoriza a repactuação das dívidas contraídas com os bancos pelo mesmo prazo de um ano, com carência até 2020, além de descontos para quem desejar quitar seus débitos rurais contraídos com o Fundo de Terras.

O presidente Michel Temer ressaltou a importância do Nordeste para o Brasil. “Verifiquei que um dos diálogos mais importantes que tenho de fazer é com o Nordeste e é isso precisamente que eu começo a fazer neste momento. “Prestigiar o Nordeste é prestigiar o Brasil”, afirmou.

Segundo o secretário especial da Sead, o Brasil é referência internacional em políticas públicas para a agricultura familiar, e destacou o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. “O Pronaf é a principal política para o financiamento da produção agrícola. E neste ano, o programa completa 21 anos, com a importante marca de 170 bilhões de reais, em mais de 26 milhões de operações de crédito. E com uma inadimplência inferior a 1%”, lembrou Roseno.

Entrega de Títulos de Regularização Fundiária 
Durante a cerimônia, os agricultores familiares Adalto Gomes Figueiredo, do município de Palhano; e Idalclesio, de Itaiçaba, receberam das mãos do presidente Michel Temer e do secretário José Ricardo Roseno os títulos de regularização fundiária de suas propriedades. Os agricultores foram beneficiados através do Programa de Cadastro de Terras e Regularização Fundiária, realizado em parceria com o Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará (IDACE).

Adalto, de 79 anos e pai de 10 filhos, recebeu o título da propriedade Córrego Esperança, de aproximadamente nove hectares. Ele cultiva caju e mandioca, entre outros alimentos. Já o jovem Idalclesio, de 30 anos, regularizou uma área de 30 hectares. Ocupante do espaço há 15 anos, ele produz milho, feijão, porco e ovelha. 

O Programa de Cadastro de Terras e Regularização Fundiária no Brasil atende as áreas rurais devolutas de domínio estadual e consiste numa ação social de regularização fundiária garantindo segurança jurídica aos agricultores familiares e o acesso às demais políticas públicas do governo, entre elas o crédito rural e a assistência técnica. Para desenvolver o Programa, a Sead firma parcerias com os governos estaduais com a destinação de recursos para apoiar a execução das atividades de cadastro, georreferenciamento e fortalecimento institucional.