quinta-feira, 18 de junho de 2015

Dólar fecha no menor nível em quase um mês

Banco Central dos Estados Unidos reduziu previsões para o país e manteve inalteradas as taxas de juros



No dia em que o Federal Reserve (Fed), Banco Central americano, reduziu as previsões de crescimento para os Estados Unidos, o dólar caiu no Brasil e fechou no menor nível em quase um mês. O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 3,058, com queda de 1,21% (R$ 0,037). A cotação encerrou no valor mais baixo desde 21 de maio (R$ 3,043).

A moeda iniciou o dia em alta, mas começou a cair no início da tarde. A queda se intensificou a partir das 14 h, quando o Fed decidiu manter próximos de zero os juros básicos americanos. Na mínima do dia, por volta das 15h, o dólar chegou a ser vendido a R$ 3,058.

Nesta quarta-feira (17/6), o Fed manteve inalterados os juros básicos dos Estados Unidos, mas reduziu a previsão de crescimento e aumentou a estimativa de desemprego para a maior economia do planeta. O atraso na recuperação da atividade econômica aumenta as chances de o Fed atrasar o início do aumento dos juros norte-americanos.

Juros baixos em países desenvolvidos como os Estados Unidos aumentam o fluxo de capitais para economias emergentes como o Brasil. A entrada de recursos pressiona para baixo a cotação do dólar.

Fonte: G1 - Globo Rural

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Nomeada coordenação-geral da Campanha Nacional de Erradicação do Cancro Cítrico

Maior produtor e exportador de suco de laranja do mundo, com embarques de 1,93 milhão de toneladas em 2014, o equivalente a US$ 1,97 bilhão, o Brasil investe cada vez mais na sanidade de sua citricultura. Dentro dessa estratégia, uma das ações mais relevantes é a Campanha Nacional de Erradicação do Cancro Cítrico (Canecc), desenvolvida desde 1974. Esta semana, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) nomeou técnicos de seu quadro e representantes dos órgãos estaduais de defesa fitossanitária e do setor privado para compor a coordenação-geral da Canecc.

Entre as ações voltadas à erradicação do cancro cítrico - doença causadora de grandes prejuízos financeiros à citricultura -, está a fiscalização dos viveiros produtores para garantir que apenas mudas sadias possam ser produzidas e comercializadas. Interligada a esse trabalho está a fiscalização nas barreiras rodoviárias.

“Uma das formas mais comuns de propagar o cancro cítrico é por meio de mudas não fiscalizadas, que podem ser produzidas com materiais contaminados. Por isso, reforçar esse trabalho nos estados é uma das ações que o Mapa e os órgãos estaduais priorizam para impedir o comércio clandestino de mudas”, diz o coordenador-geral da Canecc, o fiscal agropecuário Ricardo Raski.

De acordo com Raski, outro eixo que a coordenação-geral da Canecc pretende dar ênfase é o trabalho de educação sanitária. Isso visa a alertar diferentes segmentos da sociedade sobre o risco que o cancro cítrico representa para a geração de renda e empregos na citricultura brasileira.

Doença

Nomeada na última segunda-feira (15) por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União, a coordenação-geral da CANECC é encarregada ainda de divulgar as propriedades interditadas por causa da doença e quais foram desinterditadas pela fiscalização dos órgãos estaduais.

O cancro cítrico é provocado por uma bactéria que penetra nos tecidos dos ramos, das folhas e dos frutos pelas aberturas naturais das folhas e frutos ou por ferimentos causados por espinhos, material de colheita e também o trânsito de veículos em áreas com pomares contaminados. A bactéria se espalha pelo pomar e pode se deslocar por dezenas ou mesmo centenas de metros e infectar novas plantas e pomares.

Fonte: Agrolink

Dívidas do Pronaf poderão ser quitadas com descontos até o final de junho

Assentados da reforma agrária, beneficiários do Banco da Terra e Crédito Fundiário, com operações do Pronaf "A" e "A/C" contratadas até 2010 e que estavam inadimplentes em 2013 têm uma última oportunidade de quitar os valores devidos em condições especiais. A resolução do Banco Central do Brasil Nº 4.347/2014 garante o desconto de 80% para pagamentos até o dia 30 de junho. 

De acordo com o assistente técnico regional em crédito fundiário e reforma agrária da Emater/RS-Ascar, Luís Fernando Fabrício, todos os beneficiários do Pronaf A e A/C que possuem dívidas devem ficar atentos. "É muito importante que aproveitem a oportunidade para regularizar sua situação e continuar tendo acesso aos créditos e políticas públicas do governo federal", alerta ele.

Já aqueles que aderiram ao parcelamento de suas dívidas do Pronaf "A" e "A/C" até o final de 2014 devem procurar a agência do Banco do Brasil, onde o crédito foi contratado, para formalizar a renegociação ou os novos contratos até o mesmo prazo: 30 de junho.

Também devem procurar a agência do Banco do Brasil as famílias que contrataram em grupo e ainda não conseguiram individualizar suas dívidas. O não pagamento dos valores acordados implica na inscrição do agricultor na Dívida Ativa da União.

Os agricultores assentados podem acessar a Sala da Cidadania pela internet (http://saladacidadania.incra.gov.br), bastando informar seu CPF e data de nascimento. O sistema poderá solicitar a atualização de outros dados pessoais, antes de informar a opção de liquidar a dívida com desconto de 80%, em parcela única.

Além do acesso virtual pela Sala da Cidadania, as agências do Banco do Brasil também podem ser procuradas, assim como os escritórios das empresas prestadoras de assistência técnicas contratadas pelo Incra/RS. Dúvidas podem ser esclarecidas pelos telefones (51) 3284-3362 / (51) 3370 / 3371.

Os beneficiários que, por qualquer motivo, não conseguirem identificar sua dívida pela Sala da Cidadania, devem se dirigir a agência do Banco do Brasil, onde o crédito foi contratado. 


Fonte: Emater - RS

Mercado financeiro prevê inflação de 8,79% este ano, informa Banco Central


A projeção de analistas do mercado financeiro para a inflação subiu pela nona semana seguida. Desta vez, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 8,46% para 8,79%, este ano. Para 2016, a estimativa segue em 5,50%. As estimativas são do boletim Focus, publicação semanal feita pelo Banco Central (BC) com base em projeções de instituições financeiras para os principais indicadores da economia.

O IPCA – produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – é o indicador oficial do governo para aferição das metas inflacionárias. O índice mede a variação do custo de vida das famílias com chefes assalariados e com rendimento mensal compreendido entre um e 40 salários mínimos mensais.

A expectativa de mais inflação veio depois da divulgação do IPCA pelo IBGE, na última semana. O índice em maio ficou acima da expectativa do mercado financeiro, que previa 0,55%. No mês passado, o IPCA ficou em 0,74%. A inflação acumulada em 12 meses chegou a 8,47%, a maior desde dezembro de 2003, quando registrou 9,3%

A inflação este ano deve estourar o teto da meta que é 6,5%. O próprio BC reconhece que não deve entregar a inflação na meta este ano, ao projetar o IPCA em 7,9%.

Para tentar frear a alta dos preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC tem elevado a taxa básica de juros, a Selic. No último dia 3, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou a Selic pela sexta vez seguida para 13,75% ao ano. Com o reajuste, a Selic retornou ao nível de janeiro de 2009. Para as instituições financeiras, a Selic vai chegar ao final de 2015 em 14% ao ano.

A taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o BC contém o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas alivia o controle sobre a inflação.
Embora ajude no controle dos preços, o aumento da taxa Selic prejudica a economia, que atravessa um ano de recessão, com queda na produção e no consumo.

A expectativa das instituições financeiras para a retração da economia, este ano, passou de 1,30% para 1,35%. Essa é a quarta piora seguida na estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Para o próximo ano, a projeção de crescimento passou de 1% para 0,9%. Na avaliação do mercado financeiro, a produção industrial deve ter uma queda de 3,20%, este ano e crescimento de 1,6%, em 2016.

A pesquisa do BC também traz a projeção para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que foi alterada de 7,05% para 7,08%, este ano. Para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), a estimativa passou de 6,88% para 6,94%, em 2015. A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) subiu de 8,35% para 8,39%, este ano.

A projeção para a cotação do dólar segue em R$ 3,20, ao final de 2015, e em R$ 3,30, no fim de 2016.

Fonte: Jornal do Brasil

Comissão de Agricultura aprova facilidades para produtor familiar comercializar suco de frutas

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprovou na última quarta-feira (10) proposta que simplifica os canais de comercialização de polpa e suco de frutas produzidos em regime familiar. Pela proposta, o procedimento para o registro e os requisitos de rotulagem dos produtos serão simplificados, conforme regulamento posterior.

medida está prevista no Projeto de Lei 7083/14, do deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), que também permite a celebração de convênios com o governo federal para que a atividade fiscalizatória fique a cargo de órgãos e entidades estaduais e municipais.

Nesse ponto, a proposta altera a Lei dos Sucos (8.918/94), que hoje delega a fiscalização ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ou ao órgão estadual credenciado.

Cooperativas

O relator na comissão, deputado Luiz Nishimori (PR-PR), recomendou a aprovação da matéria com modificação que restringe a aplicação da proposta às cooperativas e associações formadas exclusivamente por agricultores familiares. “Além de viabilizar maior ganho social e econômico para os agricultores familiares, a emenda vai facilitar a fiscalização”, explicou Nishimori.

Na avaliação do relator, os convênios que visam à fiscalização por órgãos estaduais e municipais são adequados em razão de essas instituições estarem mais perto do local de produção.

Importância

Luiz Nishimori destacou a importância de incentivar a agricultura familiar brasileira, em razão de ela contribuir para a melhoria das condições sociais, econômicas e ecológicas do País. “A agricultura familiar é responsável por grande parte de nossa segurança alimentar e pela permanência do homem no campo”, afirmou.

Por outro lado, ele reconheceu que hoje o agricultor familiar não possui condições de enfrentar o processo para constituição empresarial e comercialização da polpa e do suco de frutas.

O relator ressaltou ainda o fato de o projeto manter a exigência de um responsável técnico pela produção, a fim de garantir a qualidade do alimento.

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Por Noéli Nobre
Agência Câmara de Noticias - Câmara dos Deputados

Empresas brasileiras do agronegócio faturam mais de US$ 11 milhões na Expo Aladi 2015


Vinte e quatro empresas do setor de agronegócios apoiadas pelos projetos da Apex-Brasil participaram da macro rodada de negócios Expo Aladi. O evento foi realizado em Buenos Aires, nos dias 4 e 5 de junho, e o resultado de US$ 11,22 milhões em expectativas de negócios foi 30% superior ao esperado para o encontro. Ao todo, as exportadoras fizeram 223 contatos comerciais, sendo 208 deles novos contatos.

“Os resultados superaram todas as nossas expectativas, e representam um grande interesse dos compradores latino-americanos no mercado brasileiro ligado à cadeia produtiva de agricultura e pecuária”, afirma o coordenador de Promoção de Negócios da Apex-Brasil, Rafael Prado.

Ao todo, 350 exportadoras dos países integrantes da Aladi somados a 20 participantes de outras nações da América Central e Caribe estiveram no evento, que contou também com 170 empresas compradoras. A feira, organizada este ano pelo governo argentino, reuniu representantes de entidades governamentais e empresariais para a divulgação da oferta de exportação estabelecida pela rede de acordos comerciais da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).

A próxima edição da Expo Aladi será realizada na cidade de Torréon, no México, dos dias 19 a 21 de outubro de 2016.

Fonte: Apex-Brasil

Maçãs produzidas na Europa têm alto nível de pesticidas, aponta relatório

Greenpeace analisou frutas provenientes de 12 países europeus.
Pesticidas mais encontrados foram o fungicida boscalida e o DDT.


Foto: Larissa Paim/G1


Coquetéis de pesticidas continuam sendo utilizados pelos produtores de maçãs de vários países europeus, em especial pelos agricultores que abastecem os grandes mercados atacadistas - afirmou nesta terça-feira (16) o Greenpeace em relatório.

A ONG analisou 85 amostras - 36 de água, 49 do solo - recolhidas nos pomares de 12 países europeus entre os maiores produtores de maçã, tendo como alvo aqueles que abastecem o varejo. Em média, 75% das amostras (78% para o solo, 72% para a água) "continha resíduos de pelo menos um" dos 53 pesticidas identificados.

"Pelo menos 70% dos pesticidas identificados apresentam uma toxicidade global aumentada para a saúde humana e a fauna selvagem", afirma o Greenpeace, denunciando um "peso tóxico" imposto pela "produção em escala industrial".

O número de pesticidas mais alto foi detectado nos solos de Itália, Bélgica e França. Na água, os países mais comprometidos foram Polônia, Eslováquia e Itália, segundo o relatório.

Os pesticidas encontrados com maior frequência no solo são o boscalida, "um fungicida presente em 38% das amostras", e o DDT (26% das amostras).

Em relação à amostra de água, os pesticidas mais frequentemente identificadas são boscalida (em 40% das amostras) e clorantraniliprol, inseticida também encontrado em 40% das amostras.

Fim ao uso

O relatório denuncia o "coquetel de pesticidas" e "mostra a realidade do uso extensivo, sistemático e 'multipropósito' de pesticidas na produção agrícola convencional", declarou à AFP Anaïs Fourest, encarregada do setor de agricultura no Greenpeace.

O Greenpeace pede aos estados-membro da União Europeia que "ponham progressivamente fim ao uso dos pesticidas químicos de síntese na agricultura" e sustentem "alternativas não-químicas para lutar contra os parasitas, em particular práticas agrícolas ecológicas".

A publicação deste relatório visa "interpelar os mercados atacadistas", como a campanha "pesticida zero" recentemente lançada pela ONG na França para tentar convencer as seis principais redes de distribuição francesas (Auchan, Carrefour, Casino, Leclerc, Intermarché, Magasins U) a apoiar os agricultores que se comprometem a produzir sem pesticidas.

Resíduos de pesticidas estão presentes em quase metade dos alimentos consumidos na Europa, mas a maioria dentro dos limites legais e provavelmente sem nenhum efeito sobre a saúde, garantiu em março a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos. As maçãs estão entre as frutas com maior presença de resíduos.


Fonte: G1

terça-feira, 16 de junho de 2015

Embrapa desenvolve produtos a base de camu-camu para estimular consumo da fruta

Foto: Compota de camu-camu
(Divulgação Embrapa)
Um projeto da Embrapa Roraima pode trazer grandes avanços para o aproveitamento das fruteiras amazônicas, em especial o camu-camu ou caçari, fruta com maior teor de vitamina C do mundo. É o trabalho ‘Domesticação, melhoramento e valoração de fruteiras nativas da Amazônia', que tem entre seus planos de ação pesquisas para viabilizar o consumo do camu-camu em diversas formas.

Uma das ações de destaque do projeto são os trabalhos com a tecnologia de pós-colheita, entre eles, a análise sensorial das receitas que já foram desenvolvidas pela pesquisa. Nesta fase, são avaliadas as características nutricionais e sensoriais dos produtos a base de camu-camu, como geleias, licores, picolé, chocolates e frutas cristalizadas.

Os testes de análise sensorial estão sendo realizados em diversos pontos de Boa Vista, capital de Roraima, durante o mês de junho. O trabalho é necessário para que haja uma diversidade nos grupos de provadores e identificação das preferências dos consumidores.

Segundo o coordenador do projeto, o pesquisador da Embrapa Roraima da área de Fruticultura, Edvan Chagas, o esperado é que ao final dos testes, as receitas e produtos com maior aceitação sejam disponibilizados para as agroindústrias da região.

O agrônomo explica que a fruta, embora ainda pouco conhecida, pode ser cultivadas para consumo in natura ou para processamento, o que já acontece em países como o Peru. Para Edvan, essa etapa da pesquisa é muito importante, pois agrega valor aos produtos e incentiva o consumo do camu-camu, fruta 10 vezes mais rica em Vitamina C que a acerola.

O projeto ‘Domesticação, melhoramento e valoração de fruteiras nativas da Amazônia' foi iniciado em 2009 e envolve várias instituições de pesquisa, ensino e extensão do Brasil e do exterior. O trabalho tem por objetivo prospectar, coletar e conservar algumas fruteiras nativas, buscando tecnologias que permitam a rápida propagação e domesticação, bem como o seu consumo, tudo de maneira sustentável, contribuindo para o cultivo comercial e o desenvolvimento da fruticultura regional.

Conheça o Camu-camu

O camu-camu ou caçari, como é conhecido na Região Norte, é uma espécie tipicamente silvestre, que brota em áreas alagadas, mas com um grande potencial econômico. A fruta possui casca roxa, opaca e grossa e é riquíssima em Vitamina C. Apesar do elevado potencial nutricional, o camu-camu ainda é pouco utilizado pela população da região por apresentar sabor ácido e gosto adstringência.

A fruta cresce em arbustos ou pequenas árvores e se encontra disperso em quase todo o Estado de Roraima. Contudo, a utilização da fruta ainda se limita a confecção de iscas para o tambaqui. No Peru, o camu-camu já é bastante usado no preparo de sucos, geleias, sorvetes e doces.


Por Clarice Rocha (MTb 4733/PE)
Embrapa Roraima

Cientista revoluciona ao encontrar molécula no abacate que combate a leucemia e pretende lançar medicamento em breve

Cientistas acreditam que o abacate pode ajudar na luta contra o câncer.


Foto: Freepik
Um novo estudo revelou que a gordura da fruta pode combater a Leucemia Mieloide Aguda (LMA), uma forma rara e mortal da doença.

Os pesquisadores canadenses disseram que as moléculas de gordura do abacate atacam diretamente as células-tronco da leucemia, a raiz da doença, à medida que crescem em células anormais do sangue.

Mundialmente, existem poucos medicamentos que combatam as células-tronco da leucemia. Em função dos resultados, os pesquisadores esperam criar uma droga derivada do abacate, com intuito de aumentar significativamente a expectativa e a qualidade de vida em pacientes com LMA, uma doença devastadora e fatal dentro de apenas cinco anos, em 90% dos pacientes com mais de 65 anos.

Em pessoas saudáveis, as células estaminais na medula óssea, crescem e se dividem para formar células vermelhas de sangue plenamente desenvolvidas, plaquetas e glóbulos brancos. Em pacientes com LMA, este processo dá errado. Em vez de formar células vermelhas do sangue saudáveis, muitas células de leucemia anormais são formadas. Estas são células imaturas, que não são capazes de se desenvolver em células sanguíneas de funcionamento normal.

Os pesquisadores descobriram que a molécula de gordura do abacate, chamado avocatin B, é capaz de interromper este processo, tendo como alvo as células-tronco sanguíneas saudáveis, ainda capazes de crescer.

"A célula-tronco é realmente a grande responsável pelo desenvolvimento da doença e a razão da recaída de tantos pacientes com leucemia. Temos realizado vários testes para determinar como esta nova droga funciona em um nível molecular, confirmando que ele atinge seletivamente as células estaminais, deixando as células saudáveis ​​ilesas”, disse Paul Spagnuolo, da Universidade de Waterloo, no Canadá.

“A avocatin B não só elimina a fonte de LMA, como também seus efeitos seletivos, diminuindo a toxicidade ao corpo”, completou Spagnuolo, que fez uma parceria com o Centro de Comercialização de Medicina Regenerativa (CCRM), em Toronto, Canadá, e entrou com um pedido de patente para o uso de avocatin B para tratar LMA.

A droga ainda precisará passar por longos teste, antes de ser aprovada para uso em clínicas de câncer, mas Spagnuolo já está realizando experimentos para preparar a droga para um ensaio clínico de Fase I. Esta será a primeira rodada de ensaios em que as pessoas diagnosticadas com LMA terão acesso à droga.

A pesquisa foi publicada na revista Cancer Research.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Maçã argentina- Pomo da discórdia

Suspensão da compra pelo Brasil de maçã da Argentina pode ser foco de nova crise entre os 2 países.


O governo brasileiro suspendeu a importação de maçãs argentinas e promete só rever a decisão se o país vizinho, parceiro do Mercosul, levantar o embargo à carne brasileira vigente desde 2012.

O episódio ganhou contornos de crise e pode contaminar outros setores nos quais há instabilidade nas relações de comércio bilateral, como a indústria automotiva.

Tudo começou quando, no início do ano, agentes sanitários brasileiros identificaram 15 carregamentos de maçã provenientes da Argentina com a presença de uma doença que o governo considera já erradicada no Brasil, a Cydia pomonela, conhecida como traça da maçã.

O Brasil propôs a realização de inspeções para avaliar o sistema de mitigação de risco adotado pelo vizinho, mas ficou sem resposta das autoridades de lá por semanas.

Em março, o embargo às maçãs foi formalizado. Só então a Argentina apresentou dados comprovando medidas para resolver a praga e regularizou a situação. O embargo, porém, não foi retirado.

Segundo a Folha apurou com diplomatas que negociam o caso, o Ministério da Agricultura brasileiro resolveu só reabrir as compras de maçãs se houver o fim do embargo argentino à carne bovina brasileira.

Apesar de não ser um tradicional comprador de carne brasileira --a Argentina é um dos líderes mundiais de produção de carne bovina--, o país vizinho impôs, em 2012, um embargo ao Brasil, quando exames de laboratório detectaram em um animal a presença do agente causador do mal da vaca louca.

Na ocasião, diversos países suspenderam as importações da carne brasileira, mas esses mercados já começam a ser recuperados. A China liberou recentemente o comércio. Os Estados Unidos devem fazê-lo em breve.

Nesta sexta-feira (12), negociadores brasileiros e argentinos ainda tentavam resolver o impasse.

Na avaliação do governo Dilma, esse embargo ao Brasil é político, e não técnico. Para auxiliares da presidente, a decisão argentina passa uma imagem ruim do país, pois parte de um de seus maiores parceiros comerciais e sócio no Mercosul.

Em conversas entre ministros dos dois países em Bruxelas na quinta-feira (11), a titular da Agricultura, Kátia Abreu, avisou que não fazia sentido para o Brasil o veto ao produto brasileiro. Procurada, a assessoria de imprensa da pasta não se pronunciou sobre o diálogo relatado à reportagem.

Em 2014, a Argentina vendeu para o Brasil quase 50 mil toneladas de maçãs frescas, cerca de US$ 52 milhões.

Fonte: Folha de S.Paulo - 13/06/2015