quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Curso: Aprenda mais sobre a saúde no trabalho rural
Qual o objetivo principal do curso?
Oferecer ao trabalhador rural, informações que possibilitem a prevenção e redução dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho rural, promovendo sua saúde.
A quem se destina?
Destina-se a pessoas do meio rural com idade igual ou superior a 14 anos. Dirigentes de sindicatos rurais, estudantes e profissionais de Direito, Serviço Social, Sociologia, Agronomia, Engenharia Agrária, Veterinária, Zootecnia e outras áreas afins. Que não sejam concluintes em turmas anteriores.
Maiores Informações, acessem o Portal SENAR - EAD
Índice CEAGESP fecha 2014 com alta de 4,84%
Mesmo com condições climáticas adversas durante boa parte do ano, preços caem em dezembro e Indicador apresenta resultados anuais inferiores a inflação oficial.
O Índice de preços da CEAGESP registrou alta de 4,84% em 2014. A forte retração de 5,25% em dezembro contribuiu diretamente para que o índice se mantivesse em patamares satisfatórios, mesmo com os problemas climáticos enfrentados durante o ano. As reduções dos preços das frutas (-6,21%) e legumes (-11,93%) foram determinantes para a queda do indicador em dezembro.
Este resultado de 4,84% deverá manter os preços dos hortifrutícolas abaixo da inflação oficial do país, já que o IPC-A, ainda não divulgado oficialmente pelo IBGE, deverá fechar o ano com elevação próxima a 6,4%.
No acumulado do ano, porém, o índice CEAGESP registrou elevação em todos os setores. O setor de diversos, com 10,99%, assinalou a maior elevação, influenciado, principalmente pela alta da batata. Em seguida, os principais aumentos ocorreram no setor de verduras (5,22%), legumes (4,86%), frutas (4,59%) e pescados (3,89%), conforme quadro detalhado abaixo:
Análises e tendências
Durante 2014, a estiagem e a escassez de água prejudicaram o abastecimento e a produção agrícola em praticamente toda a região sudeste desde o primeiro semestre. A partir de novembro, com o início do período de chuvas e altas temperaturas, fatores climáticos extremamente prejudiciais para a produção agrícola, a expectativa era de mais elevações, inclusive para o mês de dezembro. Porém, não foi o que aconteceu.
“O que se viu em dezembro foi um enorme volume ofertado de frutas e legumes. Em relação as frutas, a maior oferta de frutas tropicais e natalinas foi suficiente para atender o aumento da demanda e, no setor de legumes, os preços de culturas importantes como tomate, chuchu, pimentão, vagem, berinjela, entre outros, tiveram quedas acentuadas em razão da baixa procura e da excelente oferta”, destaca Flávio Godas, economista da CEAGESP.
O primeiro trimestre do ano tem como principais características o calor excessivo e as chuvas quase que diárias. Este conjunto, típico do verão brasileiro, é extremamente prejudicial para a produção, principalmente de legumes e verduras.
Assim, com essa expectativa de redução no volume ofertado e demanda por alimentos mais leves e saudáveis aquecida, a tendência é de preços elevados, principalmente nos legumes mais sensíveis e verduras folhosas.
As chuvas também interferem na extração de produtos mais resistentes como a batata. Portanto, o setor de diversos também deve continuar com preços em alta, porém, sem elevações acentuadas.
O setor de pescados também apresenta neste período elevação do consumo e diminuição do volume de extração. Algumas espécies iniciam o período de defeso. Portanto, o setor também deve seguir com preços elevados.
Índice CEAGESP
Primeiro balizador de preços de alimentos frescos no mercado, o Índice CEAGESP é um indicador de variação de preços no atacado de Frutas, Legumes, Verduras, Pescado e Diversos. Divulgados mensalmente, os 150 itens da cesta foram escolhidos pela importância dentro de cada setor e ponderados de acordo com a sua representatividade. O Índice foi lançado em 2009 pela CEAGESP, que é referência nacional em abastecimento.
Fonte: CEAGESP : http://www.ceagesp.gov.br/
e MAXPRESS: http://www.maxpressnet.com.br/
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Câmbio traz alento para o agronegócio em 2015
O ano de 2015 mal começou, mas o agronegócio brasileiro sabe que a temporada será de margens apertadas, principalmente no setor de grãos. A boa safra dos Estados Unidos, a previsão de colheita recorde no Brasil e o aumento dos estoques nacionais e mundiais indicam que as cotações das principais commodities agrícolas (soja e milho) devem seguir em queda ou, no máximo, manter os patamares atuais ao longo do ano, dependendo se haverá problemas climáticos. Segundo projeção da Expedição Safra Gazeta do Povo, o país deve atingir 202 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2014/15.
Diante deste cenário pouco animador, os produtores brasileiros comemoram a desvalorização do real diante ao dólar, mesmo que isso dificulte o controle da inflação. A moeda americana na casa dos R$ 2,70 faz com que a cotação da saca de soja seja negociada perto dos R$ 60 em todas as praças agrícolas do país neste início de ano. Ontem, em algumas localidades como Cascavel, Maringá e Londrina, a cotação bateu R$ 62 por saca, enquanto Paranaguá chegou a R$ 65/sc.
"O câmbio será um alento (para o agronegócio). Sempre que o real se desvaloriza, a remuneração é maior para o produtor. Como a cotação do dólar não sinaliza alteração, a taxa de câmbio irá continuar favorecendo o agronegócio brasileiro", destaca Lucilio Alves, professor e pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP.
No Brasil, a projeção apresentada pelo Banco Central no Boletim Focus aponta para uma cotação média de R$ 2,71 em 2015. A previsão para o câmbio no fim deste ano é de R$ 2,80.
De acordo com a consultoria FCStone, os preços não devem retornar aos níveis dos últimos anos, pois a oferta será capaz de atender toda a demanda adicional prevista para 2015 e ainda restará uma quantidade adequada para os estoques de passagem.
Oportunidade
Para o especialista da Cepea, os preços movidos pelo câmbio dão um ânimo extra para as vendas da safra 2014/15, que já está sendo colhida no Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de criar novas oportunidades de negócios.
"Se os produtores cederem um pouco no preço existe a possibilidade de atrair mais compradores. Isso não significa estar perdendo", diz Alves. "Como a Argentina, que é o nosso principal competidor, está numa situação nada boa, o Brasil aparece como uma oportunidade para negócios."
Sustentabilidade
A baixa nas cotações das commodities também será um chamariz para o produtor encontrar a tão falada sustentabilidade na produção de grãos. O crescimento dos estoques globais exige novas estratégias. Entre as safras 2005/06 e 2012/13, a demanda internacional por soja cresceu 2,43% diante dos 2,18% da produção global. Na safra passada houve inversão com o aumento de 4% no consumo e a produção 5,9%. De acordo com estimativas da Expedição Safra, o cenário será semelhante nesta temporada, com crescimento de 7,4% na produção e de 4,9% no consumo.
"Depois de anos com preços bons nos grãos, 2015 será com a relação benefício/custo apertada. Se o produtor não tomar cuidado, poderá ser negativo inclusive", destaca.
No milho, relatório da FCStone aponta a necessidade novas opções de consumo, como o investimento na produção de etanol a partir do cereal.
Principais cadeias
Dos grãos às carnes, setores produtivos têm expectativas diferentes e até opostas para este ano. Confira o que esperam os analistas:
Grãos: O ano para a soja começa indefinido, pois ainda é preciso aguardar a colheita da safra da América do Sul, onde pode ocorrer problemas climáticos, e o fim da estimativa da colheita nos Estados Unidos. Porém, independente do clima, as cotações não devem voltar aso patamares dos últimos anos. No milho, é forte a previsão de redução da área na safrinha, pois o consumo continua tímido e, consequentemente, os preços pouco atraentes.
Pecuária: O ciclo relativamente longo indica a continuidade da oferta limitada de carne bovina. As cotações recordes de 2014 devem ser mantidas ou até mesmo superadas. Na suinocultura é esperado um aumento no custo de produção e cotações nos patamares do ano passado. Assim, o setor trabalha para que os plantéis não aumentem significativamente para não gerar cenário semelhante ao da crise de 2012. Na avicultura, as exportações, que consumem um terço da produção nacional, devem continuar firmes e o consumo interno pode aumentar diante do alto preço da carne bovina.
Trigo: 2015 será de recuperação dos prejuízos de 2014, a começar pela perspectiva de preços melhores na entressafra, que deve ter oferta menor em função das perdas provocadas pelo clima adverso do ano passado. Somente no Rio Grande do Sul, um dos principais produtores do país, a perda superou 1 milhão de toneladas.
Pecuária leiteira: A perspectiva é de um ano de aperto. O preço do leite pago ao produtor ao longo de 2014 foi um dos menores dos últimos anos, reflexo do aumento na captação do produto em diversos estados. A expectativa é de que as cotações continuem assim até o meio do ano, quando pode ocorrer redução na oferta.
Açúcar: Os preços do produto devem iniciar movimento de recuperação neste ano. A perspectiva de um déficit de 2,8 milhões de toneladas, reflexo da produção menor no Brasil e na Tailândia, tende a impulsionar as cotações internacionais, em especial no segundo semestre, para quando é esperado um aperto nos estoques globais.
Café: O setor deve continuar instável e qualquer problema climático pode levar os preços a patamares mais elevados. A safra 2015/16, estimada em 50 milhões de sacas, será justa diante do consumo interno e das exportações, projetados em 53 milhões de sacas.
Fertilizantes: A China irá substituir a extinguir a janela de baixas tarifas de exportação de fosfatados e nitrogenados por uma única taxa ao longo de todo o ano. Essa mudança na política comercial irá gerar preços mais competitivos aos produtos, tetos mais baixos ao mercado internacional e facilidade logísticas.
Fonte: Grupo Cultivar
http://www.grupocultivar.com.br
07/01/2015
Produtor de melancias do município paulista de Campina do Monte Alegre, investe em nutrição balanceada e comemora sucesso da safra
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| Foto: Divulgação Nutriceler |
Cada caminhão que deixa a Fazenda Vale do Sol, nas terras arrendadas pelo agricultor José Ferreira Sobrinho, no município paulista de Campina do Monte Alegre, sai carregado com mais de 17 toneladas de melancias vendidas para uma empresa da grande São Paulo. A safra deste ano foi positiva para o agricultor, também conhecido como Zé Curtinho, tanto em qualidade quanto em produtividade das frutas.
Desde a época do plantio, em meados de agosto, as lavouras plantadas com as variedades híbridas Talismã e Top Gun, sofreram com as altas temperaturas. “De agosto a outubro passamos por um período muito seco, com pouquíssimas chuvas. Isso atrapalhou um pouco o desenvolvimento da melancia, que é um produto que precisa de muita água”, explica o agricultor.
Com a complementação nutricional adequada, o produtor conseguiu garantir a qualidade e a sanidade de mais de 1.200 toneladas da fruta até o final da colheita.
Seguindo o Manejo Integrado da Nutrição sugerido pela Nutriceler, o agricultor investiu em adubação nitrogenada via folha e micronutrientes especiais. “Nossa sugestão nutricional teve como base os produtos Coron® 25-0-0 e Coron® 10-0-10.5B, nitrogênio líquido que libera o nutriente na planta continuamente, enquanto houver demanda. Contou também com os produtos Metalosate® Potássio e Metalosate® Tropical. Juntos, esses produtos foram responsáveis pelo desenvolvimento espetacular desta lavoura”, explica o engenheiro agrônomo Ricardo Wernek, supervisor técnico da Nutriceler que acompanhou a área de Zé Curtinho.
Wernek destaca a atuação do Metalosate® Potássio e do Coron® 10-0-10.5B no enchimento das frutas e no aumento do brix, o teor de açúcar na planta. “O casamento desses dois produtos deixou o manejo muito mais eficiente e menos oneroso para o produtor. O Metalosate®, com sua rápida absorção e translocação para os pontos de maior demanda, ou seja, no momento de frutificação, quando as frutas em formação consomem e exigem uma quantidade maior de nutrientes, resultaram em frutas grandes e doces, de excelente valor comercial”, explica o agrônomo.
A ação da tecnologia Coron® também chamou a atenção do agricultor Zé Curtinho, que ficou surpreso com a disponibilidade contínua do nitrogênio. “Mesmo após o fechamento do ciclo, a planta continuou vegetando normalmente, mas nunca vi algo parecido. Realmente, o Coron® continuava alimentando a planta enquanto ela precisava. É um produto que me surpreendeu”, comemora o agricultor.
Experiência - Os mais de 20 anos de experiência com o cultivo de melancias tornaram Zé Curtinho referência técnica na região. Além do cuidado e atenção na escolha da cultivar e dos insumos utilizados, o agricultor desenvolveu técnicas próprias ao longo dos anos para otimizar o plantio e produzir frutos de melhor qualidade. “Para não correr o risco de sofrer perdas com o frio durante a germinação, desenvolvi uma técnica artesanal onde quebro a dormência das sementes para conseguir uma lavoura com um arranque mais uniforme”, revela o agricultor que auxilia outros agricultores interessados em investir na fruta nos próximos anos.
Mercado – Com a proximidade das festividades de fim de ano, os preços nas gôndolas de supermercados sobem, mas a realidade no campo não segue a mesma regra. Zé Curtinho explica que o momento é bom, porém, o período de colheita faz os preços sofrerem ligeiras quedas devido à grande oferta no mercado. “Nesta safra conseguimos vender a melancia por R$ 0,45 por quilo, o que é um preço razoável. Vai dar para pagar as contas e pensar em investir para o ano que vem”, diz.
Fonte: Nutriceler
http://www.nutriceler.com.br/
Porto Alegre inicia colheita da safra de uva e ameixa
Agricultores da Capital Gaúcha aproveitaram evento oficial para pressionar autoridades pela aprovação do projeto que reinstitui a zona rural
Confiantes na recuperação das vendas este ano, os fruticultores da zona Sul da Capital deram início ontem à colheita da uva e da ameixa na região. Com a presença de autoridades municipais e de produtores, a cerimônia serviu para apontar as perspectivas para o setor este ano e, principalmente, pressionar para a aprovação do projeto de lei do Executivo municipal que reinstitui a zona rural de Porto Alegre, em tramitação na Câmara de Vereadores.
Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor em 2014, como granizo e inverno ameno, a previsão é de que a safra 2014/2015 seja boa, com a colheita de 300 mil quilos de uva e 500 mil de ameixa. Somando todos os insumos produzidos no cinturão agrícola da cidade - como pêssegos, figos, morangos, uvas, melões, peras, goiabas - a atual safra deve chegar a 4 mil toneladas.
O secretário municipal da Indústria e Comércio, Humberto Goulart, destacou que embora a produção realmente não represente uma parte muito significativa do PIB da Capital, é responsável pelo sustento de muitas famílias que vivem da terra e pelo equilíbrio ambiental da cidade. “Essa região é o pulmão de Porto Alegre, reflete diretamente no ar respirado no Centro. Além disso, as frutas têm características próprias”, defendeu Goulart. O microclima da zona Sul, aliado ao solo e à topografia, contribui para a produção de frutas de qualidade.
O prefeito José Fortunati ressaltou que a zona rural de Porto Alegre tem grande importância econômica e social para o município. A área é a segunda maior em extensão do País (atrás apenas de Palmas, no Tocantins), a primeira em produção e a 23ª maior fornecedora de bens para a Ceasa.
Seu reconhecimento enquanto área rural possibilitará aos agricultores o recebimento de investimentos governamentais e o acesso a linhas de crédito e financiamento. “Nós não abrimos mão desse projeto, por isso eu peço que a recriação da zona rural seja analisada o quanto antes”, salientou Fortunati, alertando para a especulação imobiliária na região.
O presidente da Câmara de Vereadores, Mauro Pinheiro (PT), garantiu que os parlamentares estão trabalhando para que a matéria seja aprovada ainda este ano. “Temos uma audiência pública pela frente, mas tudo indica que antes da metade de 2015 ele vá para votação”, afirmou. A última audiência pública sobre o tema foi realizada no dia 11 de dezembro, quando as manifestações foram a favor da zona rural. Houve muita discussão sobre as regras, o zoneamento e as questões envolvendo ocupações irregulares.
Paralelamente ao início da colheita, ocorreu o lançamento da 24ª Festa da Uva e Ameixa. O evento ocorre a partir deste sábado, junto à praça Nossa Senhora de Belém Velho, próximo à capela Nossa Senhora de Belém. A festa estará aberta aos visitantes em dois fins de semanas, nos dias 10, 11, 17 e 18 de janeiro, das 9h às 20h e é promovida pela Divisão de Fomento Agropecuário da Smic e o Sindicato Rural de Porto Alegre, com apoio da Associação Comunitária Belém Velho (Ascobev), Instituto São Benedito, Amparo Santa Cruz e Emater.
A fim de alavancar ainda mais as vendas diretas, a Smic desenvolve o Produtos de Época, que leva as frutas até a área central da cidade para facilitar o acesso ao consumidor e o escoamento da safra. O agricultor Luciano Bertacco, comemorava a nova praça de vendas no Centro da cidade. “Apenas em um ponto de venda melhor, mais próximo ao consumidor, o produtor vai conseguir se recuperar um pouco das perdas de 2014”, projetou.
A feira está situada na praça Parobé, ao lado do Largo Glênio Peres, no Centro Histórico de Porto Alegre. As barracas com as frutas ficam abertas durante todo o mês de janeiro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20hs.
por Roberta Mello
Jornal do Comercio
http://jcrs.uol.com.br/
08/01/2015
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Pesquisa testa fruticultura orgânica em larga escala
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| Tullio de Pádua - O abacaxi BRS Imperial, resistente à fusariose e sem espinhos na coroa e na folha, vem demonstrando boa adaptação ao sistema orgânico |
Sistemas orgânicos de produção de diferentes frutas estão sendo construídos de forma pioneira pela Embrapa com base em experimentos instalados na Chapada Diamantina (BA). Todos são resultados de um projeto realizado em parceria com a empresa Bioenergia Orgânicos no Município de Lençóis que experimenta soluções para a produção de orgânicos em larga escala, algo ainda difícil de se fazer.
A Embrapa está elaborando protocolos de produção usando a estratégia de geração e validação simultânea dos resultados. Os resultados do primeiro ciclo de produção mostram níveis de produtividade superiores ao convencional.
Duas culturas apresentaram resultados mais rápidos: a do abacaxi e a do maracujá. No caso do abacaxi, o trabalho desenvolve um sistema de produção para duas cultivares: a Pérola, a mais plantada no País, e a BRS Imperial, desenvolvida pela Embrapa, cuja principal característica é a resistência à fusariose, mais importante doença da cultura, que chega a causar 100% de perda da lavoura. Outra vantagem da variedade é não conter espinhos na coroa e na folha, o que facilita o manejo e reduz custos e risco de acidentes.
A qualidade dos frutos tem surpreendido a equipe. No caso do abacaxi Pérola, eles apresentaram média de peso entre 1,6 kg e 2 kg. "É difícil até no plantio convencional apresentar essa média. Entendemos também que o clima da região, tropical semiúmido, propicia um bom desenvolvimento da cultura", sugere o pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) Tullio de Pádua.
"Como não tínhamos nenhuma informação sobre produção de abacaxi em sistema orgânico, inicialmente fizemos trabalhos para definir densidade de plantio, adubação e manejo de cobertura do solo para as duas variedades", conta Tullio. E os primeiros resultados, segundo ele, são positivos, principalmente pelo fato de ter havido poucos problemas com a fusariose no Pérola. "O controle dessa doença é necessário e um desafio maior no sistema orgânico. Treinamos os funcionários da empresa para fazer o monitoramento constante e eliminar as plantas doentes, como forma de reduzir a disseminação da doença," conta.
Atuação começou em 2011
O principal desafio para os cientistas é ajustar constantemente seus conhecimentos de pesquisa com as necessidades de quem está na linha de produção. "Desde o início, quando a proposta foi concebida, sabíamos que para implantar um projeto dessa magnitude teríamos de ter a pesquisa como aliada", afirma Osvaldo Araújo, um dos sócios da Bioenergia, empresa que tem por objetivo final o processamento de polpa integral para abastecer o mercado de suco. Em meados de 2011, pesquisadores e técnicos especialistas em diversas fruteiras começaram a atuar no convênio, com duração de cinco anos e que poderá ser renovado. A previsão é que a indústria entre em funcionamento em 2016.
Para a Embrapa, a proposta significa a possibilidade de avançar na pesquisa com orgânicos. "Encontramos um parceiro que nos colocou à disposição uma área de 80 hectares para pesquisa, que se tornou a nossa grande estação experimental de fruticultura orgânica [no Município de Lençóis], com a infraestrutura disponível e mão de obra", avalia o pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Zilton Cordeiro, coordenador do trabalho. Segundo ele, associar as pesquisas já considerando a produção pode trazer resultados importantes em um prazo relativamente curto.
Entre os vários obstáculos, o especialista destaca os fitossanitários. A primeira grande batalha foi contra uma cochonilha que acometeu a plantação de acerola. Para o controle, foi utilizada uma estratégia de poda com aplicação de uma calda de sabão. A infestação recuou. Há áreas em que a infestação passou de 25% para 1%. "Uma série de outras questões irá surgir, e as alternativas serão pesquisadas na hora," diz o pesquisador.
Peso acima da média
Um exemplo de que a produção orgânica se baseia em séries de testes é o trabalho realizado com o BRS Imperial. Diferentemente do que acontece com o Pérola, o BRS Imperial apresenta baixa taxa de florescimento natural, por isso é feita a indução floral. "Temos observado que o abacaxi BRS Imperial parece responder melhor em relação a peso de fruto a um ciclo vegetativo mais longo. Em vez de 12 meses, que é o padrão, fizemos a indução em 14. A média dessa variedade no sistema convencional é 1,2 kg. Obtivemos frutos acima desse peso médio," comemora. Ele revela que serão testadas induções com diferentes idades vegetativas para observar a produção.
Inicialmente, os sócios não haviam pensado na alternativa de comercializar frutos in natura, mas, diante da qualidade do produto, hoje eles já consideram essa possibilidade. "Pensamos primeiro apenas no processamento. Mas colocamos como teste esses frutos aqui no mercado local e a aceitação tem sido muito boa. Isso nos fez pensar em trabalhar uma classificação com produtos in natura no mercado", conta Araújo.
As necessidades de ajustes são constantes. As bases do sistema de produção para o abacaxi e para o maracujá estão sendo finalizadas. "Não temos o sistema de produção perfeito, assim como não há perfeição para o sistema convencional. Mas já temos a base", salienta Zilton. Inicialmente a área destinada aos experimentos com abacaxi era de um hectare. As mudas produzidas estão sendo transferidas para uma área de dez hectares, já com o objetivo de saída comercial. Araújo afirma que serão plantadas agora 300 mil mudas.
Em relação ao maracujá, a primeira etapa, cuja meta era avaliar os melhores materiais genéticos para o sistema orgânico levando-se em consideração produtividade e resistência a doenças, foi concluída. Foram analisados 14 híbridos do programa de melhoramento da cultura, que envolve pesquisas da Embrapa Mandioca e Fruticultura e Embrapa Cerrados (DF). BRS Sol do Cerrado e BRS Rubi do Cerrado foram os dois híbridos selecionados e vão compor a área comercial de dez hectares.
O principal obstáculo para o maracujá são os vírus, que afetam plantações do País inteiro. Para driblar o problema, a ideia dos pesquisadores é trabalhar com plantas que entrem em produção precocemente, o que reduz o risco da atividade. Está em teste um sistema de produção em que se clona uma planta muito produtiva no campo. Dela é retirada uma estaca que é enraizada em ambiente protegido. "Quando a gente enraíza uma estaca, ela já está na fase juvenil, assim rapidamente essa muda entra em processo de florescimento e frutificação. Fizemos os clones das estacas e levamos para campo de produção. Quanto mais precoce o material, mais produzirá na ausência do vírus," explica o pesquisador da Embrapa Raul Castro.
O plantio de maracujá começou a sofrer a incidência de um ácaro transmissor do chamado vírus da pinta-verde, que dá uma aparência depreciativa ao fruto. "Estamos tentando controles com caldas e um inseticida orgânico, o mais antigo que se tem registro até hoje, o enxofre. Quando falamos que, em quase dois anos do ciclo, nunca se pulverizou, ninguém acredita," ressalta Castro. A produção da fruta chegou a 36 toneladas por hectare, equivalente a três vezes mais que a média nacional. O pesquisador lembra, no entanto, que na medida em que se amplia a área de plantio, aumenta também a pressão de pragas e doenças.
A manga vem na sequência das culturas que se destacam no projeto. Como é de ciclo mais longo, de cerca de três anos, as primeiras avaliações ainda não foram concluídas. O trabalho começou com 22 variedades. Três apresentam maior potencial para processamento: a Ubá, a Palmer e a Imperial, porém há expectativas de que outras variedades sejam recomendadas para essa utilidade. O pesquisador Nelson Fonseca indica como um dos principais desafios em termos orgânicos a parte de indução floral. "Dois fatores são indutores naturais: o frio e o período seco. Na região de Lençóis, há o período frio, de maio a agosto, e nessa época também praticamente não chove lá. A união desses dois fatores seria como uma pré-indução. Isso pode favorecer em termos de florescimento e início de frutificação."
Um dos problemas que a cultura vem enfrentando é o controle da formiga (boca de cisco ou rapa-rapa). No sistema convencional basta um pesticida para dar conta, mas, no orgânico, esse problema exige muita criatividade. Já foram testadas várias alternativas, inclusive uma fita adesiva com dupla face para impedir a formiga de subir na planta e atacar a copa. "Testamos a manipueira [líquido que sai da mandioca durante a fabricação de farinha], no entanto temos dificuldade de obter o líquido novo, tirado na hora, para ser usado na área experimental. Também se utilizou uma cal virgem, mas também não deu muito resultado," narra o pesquisador. Segundo ele, o uso da calda de sabão apresentou resultados no controle, porém, o custo de sua fabricação é alto. Por isso, ainda estão sendo investigados nossos meios de controle da formiga, conforme informa Nelson. A área destinada à manga está sendo ampliada de dez para 21 hectares, também em escala comercial. "Já temos cerca de 20 mil mudas para o plantio e vamos preparar 70 mil para 2015", informa o outro sócio, Evanilson Montenegro.
Além do trabalho voltado especificamente para cada cultura, Zilton destaca três frentes de experimentos que vão dar a base para a continuação do trabalho na Bioenergia: preparo e manejo do solo, independentemente da cultura; manejo integrado de pragas; e a parte de nutrição vegetal com o desenvolvimento de formulações fertilizantes.
Área experimental
Dentro dos estudos realizados pela empresa, a região do interior da Bahia foi escolhida em função de ter o clima, água e solo mais adequados à fruticultura orgânica, com disponibilidade de terras virgens. Foram compradas três fazendas em Lençóis que totalizam 3,5 mil hectares. Dos 80 hectares destinados aos experimentos da Embrapa, já ocupados hoje, há 22 hectares de manga, dez hectares de maracujá, dez hectares de abacaxi (essas três primeiras áreas já para escala comercial), três hectares de Spondias (nome científico da família do umbuzeiro e do umbu-cajazeiro), cinco hectares de acerola, três hectares de goiaba, 3,5 hectares de citros, além de um hectare para experimentos de solos. Esse material integra a Unidade de Pesquisa de Produção Orgânica (UPPO), na Ceral Marimbus. Há ainda uma área de viveiros de 2,5 hectares. Já foram instalados um viveiro de mudas e uma estufa com telado antiafídeo para citros.
Parceria com produtores locais
O objetivo final da empresa Bioenergia é o processamento de polpa integral. A previsão dos sócios é que a indústria esteja funcionando em 2016 com capacidade para processar 40 toneladas de frutas por dia em um turno. A produção virá das fazendas, mas a empresa pretende também envolver produtores da região, como forma de promover o desenvolvimento local.
Pelo planejamento, a Bioenergia vai produzir 50% da capacidade de processamento da indústria e os outros 50% serão produzidos por parceiros. "A ideia é desenvolver parceiros produtivos focados na agricultura familiar. Vamos fornecer a muda, o adubo a preço de custo e garantir a compra de 100% em contrato, e o produtor terá o compromisso de nos entregar, no mínimo, 50%", explica Araújo. E acrescenta que o desenvolvimento desses parceiros — selecionados a princípio em Lençóis e nos municípios em um raio de 100 quilômetros da indústria, como Bonito, Utinga, Andaraí e Piatã — vai acontecer quando a empresa tiver as mudas em quantidade para distribuição. "Devemos iniciar com duas culturas entre um e três hectares para cada produtor: o maracujá em consórcio com a manga. Enquanto as mangueiras crescem nos dois primeiros anos, o produtor tira duas safras de maracujá. Assim, o custo será reduzido e ele vai ter uma renda no fim do primeiro ano."
A inclusão social se dá também pelo emprego de mão de obra local. Os sócios informam que 80% dos colaboradores do projeto provêm de duas comunidades quilombolas próximas.
A indústria
A empresa Bioenergia assinou com o governo do estado da Bahia o protocolo de intenções para a instalação da unidade de processamento industrial, cujo projeto vem sendo desenvolvido sob a orientação do Instituto de Tecnologia de Alimentos de Campinas (Ital). Essa unidade estará localizada próximo às áreas de plantio, e, de acordo com os sócios, a recepção e seleção das frutas serão feitas de modo automatizado a partir da lavagem até a embalagem asséptica, ou seja, sem contato manual. "A vantagem de todo o processo é que, numa superprodução, tem-se um custo baixo de armazenamento porque não exige refrigeração", informa Montenegro. E o grande cliente, como ressaltam, é o mercado de suco.
Alessandra Vale (MTb 21215/RJ)
Embrapa Mandioca e Fruticultura
mandioca-e-fruticultura.imprensa@embrapa.br
Telefone: (75) 3312-8076
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
Embarques de uva do Vale do São Francisco sofrem retração de 11%
O maior polo de fruticultura irrigada do Brasil fechou as exportações do ano em US$ 213 milhões, frente a US$ 220 milhões do ano passado, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O Vale do São Francisco, entre Pernambuco e Bahia, é responsável por cerca de 98% das exportações de uva e 80% das exportações de manga do país. São 21 mil hectares plantados em áreas de irrigação.
As remessas de manga permaneceram estáveis, com 102 mil toneladas exportadas. O envio de uva, no entanto, foi 35% menor do que em 2013, em quantidade: 28 mil toneladas.Em dólares a queda foi mais suave, graças aos altos preços pagos na União Europeia.
A conta da uva fechou em US$ 93 milhões, 11% menos do que no ano passado.
Para explicar a redução, produtores apontam um redirecionamento do mercado externo para o mercado interno, além de uma quebra significativa na safra deste ano. "Estimamos que tenhamos perdido cerca de 28% da produção da uva, principalmente por fatores climáticos", afirma Edis Matsumoto, membro da Câmara de Fruticultura do Vale do São Francisco.
O maior empecilho para o desenvolvimento da fruta foi o clima nublado entre o final de 2013 e começo de 2014, período de fertilização dos cachos nestas regiões baianas e pernambucanas. Por outro lado, embora várias localidades do país tenham sofrido forte seca, os vinhedos sertanejos não chegaram a enfrentar falta de água. A irrigação, abastecida pelo Lago de Sobradinho,permaneceu regular o ano todo.
As perdas foram em parte compensadas pelos bons preços da fruta na Europa. "Os preços bateram recorde este ano", comemorou Edis Matsumoto. O Vale não foi a única região a contabilizar quebra de produção. Os produtores de uva de mesa da Grécia, Espanha e Itália, principais concorrentes no Velho Continente, também tiveram problemas com as safras. Logo, houve falta de oferta e alta demanda no mercado europeu. A caixa de 5 kg de uva sem semente, que costuma valer entre ? 13 e 17, teve preço entre ? 18 e 22 - alta de 27,7%.
Desde 2009, a produção de uva do São Francisco tem se voltado menos para o mercado externo e mais para o interno. Se em 2008 cerca de 60% das safras do Sertão do São Francisco eram direcionadas ao exterior, hoje a parcela exportada beira os 30%,segundo a Câmara de Fruticultura do Vale do São Francisco. De 2012 para 2013, o recuo em peso foi de 17,3%.
Tássio Lustoza, da associação de exportadores e produtores Valexport, explica a retração nas exportações como "um redirecionamento de mercado". Segundo ele, o mercado interno se torna mais atrativo quando paga valores semelhantes aos da Europa e Estados Unidos, pois dispensa "exorbitantes custos de fretes, tarifas e certificações" necessários no externo.
Ivan Pinto, presidente do Instituto da Fruta de Juazeiro, acredita que "o Brasil perdeu competitividade", principalmente pelos custos de insumos, mão de obra e tarifas. Além disso, desde o
ano passado, o país não faz mais parte do Sistema Geral de Transferência (SGT), mecanismo da União Europeia que aplaca tributação de produtos agrícolas de países em desenvolvimento. "Hoje o produtor brasileiro tem que pagar o tributo normal, concorrendo com países latinos que pagam menor tributação."
Já Edis Matsumoto, da Câmara de Fruticultura, afirma que a mudança de mercado em 2008 tem a ver
com um momento de crise nos países europeus e de fortalecimento de mercado nacional. "O brasileiro adquiriu o hábito de consumir uva sem semente, além de ter aumentado o poder de consumo", diz ele.
Fonte: ABDI em Pauta
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Cientistas criam filmes comestíveis para embalagens
Imagine colocar uma pizza no forno sem precisar retirar a embalagem plástica. A película que a envolve é composta por tomate e, ao ser aquecida, vai se incorporar à pizza e fazer parte da refeição. Esse material já existe e foi desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Instrumentação (SP) que fizeram películas comestíveis de diferentes alimentos como espinafre, mamão, goiaba, tomate e pode utilizar muitos outros como matéria-prima. O trabalho de pesquisa foi desenvolvido no âmbito da Rede de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio (AgroNano) e recebeu investimentos da ordem de R$200 mil.
"Podemos utilizar rejeitos da indústria alimentícia para fabricar o material, isso garante duas características de sustentabilidade: o aproveitamento de rejeitos de alimentos e a substituição de uma embalagem sintética que seria descartada", afirma o chefe-geral da Embrapa Instrumentação, pesquisador Luiz Henrique Capparelli Mattoso, que coordenou a pesquisa, ressaltando que o trabalho de desenvolver filmes a partir de frutas tropicais é pioneiro no mundo.
O material tem características físicas semelhantes aos plásticos convencionais, como resistência e textura, e tem igual capacidade de proteger alimentos. Porém, o fato de poder ser ingerido abre um imenso campo a ser explorado pela indústria de embalagens. Aves envoltas em sacos que contêm o tempero em sua composição, sachês de sopas que podem se dissolver com seu conteúdo em água fervente e muitas outras possibilidades.
A diferença está na matéria-prima. O plástico comestível é feito basicamente de alimento desidratado misturado a um nanomaterial que tem a função de dar liga ao conjunto. "O maior desafio dessa pesquisa foi encontrar a formulação ideal, a receita de ingredientes e proporções para que o material tivesse as características de que precisávamos", conta o engenheiro de materiais José Manoel Marconcini, pesquisador da Embrapa que participou do trabalho.
Ele explica que os alimentos usados como matéria-prima passam pelo processo de liofilização. Trata-se um tipo de desidratação na qual, após o congelamento do alimento, toda a água contida nele se transforma do estado sólido diretamente ao gasoso, sem passar pela fase líquida. O resultado é um alimento completamente desidratado com a vantagem de manter suas propriedades nutritivas. Ela pode ser aplicada aos mais diferentes alimentos como frutas, verduras, legumes e até alguns tipos de temperos, o que explica a grande diversidade de matérias-primas comestíveis, o que imprime o sabor e a cor da embalagem.
Mattoso acredita que o plástico comestível também poderá contribuir para reduzir outro problema: o desperdício de alimentos. Além de resíduos em condições de uso que a indústria alimentícia não utiliza, há muitos vegetais que deixam de ser comercializados por não apresentar bom aspecto visual mesmo estando em condições de consumo. "Esses vegetais que iriam estragar na prateleira podem ser matéria-prima para a embalagem comestível", acredita o especialista que já vislumbra parceiros entre as empresas do ramo para que os resultados alcançados em laboratório seja desenvolvido como produto comercial.
Para ele, a nova embalagem também pode receber matéria-prima de um mercado em franca expansão, o de alimentos prontos. Mattoso conta que esse é um ramo que produz muitos resíduos como cascas e pequenos pedaços. Ele dá como exemplo as chamadas cenouretes que são esculpidas em pequenos pedaços de cenoura. Para o especialista, as sobras desse processo poderiam virar matéria-prima para um plástico com a leguminosa.
Trabalho de 20 anos
O desenvolvimento do material foi fruto de um trabalho de duas décadas, quando começaram os estudos em ciência dos materiais na Embrapa Instrumentação. "No começo, a preocupação era utilizar materiais de fontes renováveis estudando alternativas aos polímeros sintéticos derivados do petróleo," lembra Mattoso. Para isso, o grupo começou a adicionar fibras naturais a plásticos sintéticos gerando compósitos com os dois tipos de matéria-prima. "As fibras naturais têm componentes como celulose e lignina, chamados de polímeros naturais, pois suas macromoléculas são semelhantes aos polímeros sintéticos", explica o pesquisador.
Sisal, algodão, juta, fibra de coco e bagaço de cana foram algumas fibras naturais testadas que entraram na composição desses materiais. Os compósitos resultantes apresentaram propriedades mecânicas várias vezes superiores aos plásticos sintéticos. Mattoso conta que, em ensaios de laboratório, eles se mostraram mais resistentes à tração e impactos, além de serem até três vezes mais rígidos que os polímeros 100% sintéticos.
Outra descoberta nessa pesquisa abriu uma oportunidade para o aproveitamento das sobras das indústrias de processamento de fibras naturais. "Para nossa surpresa, os resíduos coletados nas indústrias de processamento, como o pó das fibras naturais, possuíam as mesmas características que a fibra inteira," diz o pesquisador. Isso significa que, para a formulação de compósitos, as sobras da indústria têm a mesma qualidade que a fibra natural inteira. Mattoso acredita que isso pode gerar um novo mercado a partir do aproveitamento de resíduos industriais do processamento do sisal, juta, coco, algodão e cana-de-açúcar.
A segunda etapa da pesquisa procurou elaborar um material feito totalmente de fontes renováveis, sem adição dos plásticos feitos de petróleo. Foram testados amido, polissacarídeos, derivados de celulose e proteínas para gerar novos materiais.
Antes de chegar ao plástico comestível, a equipe de pesquisa ainda desenvolveu polímeros biodegradáveis. Motivados pela demanda por embalagens que fossem absorvidas pelo ambiente em curto espaço de tempo, os pesquisadores conseguiram obter plásticos de materiais naturais com essa característica. Por fim, chegou a vez dos comestíveis, o que exigiu a incorporação de padrões mais elevados de segurança e higiene no processo de fabricação.
Os pesquisadores realizaram testes adicionando quitosana, polissacarídeo formador da carapaça de caranguejos. Essa molécula natural tem propriedades bactericidas o que pode aumentar o tempo de prateleira dos alimentos.
Goiabadas vendidas em plásticos feitos de goiaba, sushis envolvidos com filmes comestíveis no lugar das tradicionais algas, perus vendidos em sacos feitos de laranja que vão direto ao forno e geleias em formato de ursinhos só que elaboradas com frutas naturais. Essas são algumas possibilidades imaginadas pela equipe de Mattoso para as aplicações da nova tecnologia.
Destaques científicos
O meio científico tem reconhecido a importância da pesquisa. O artigo "Mamão e canela, ingredientes de filmes antimicrobianos para embalar alimentos", gerado no âmbito do projeto recebeu a distinção Artigo em destaque pela Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat), no mês de junho de 2014. A SBPMat escolhe mensalmente um artigo da área de materiais publicado recentemente em periódico com alto fator de impacto.
Outro paper do projeto intitulado "Antimicrobial and physical-mechanical properties of pectin/papaya puree/cinnamaldehyde nanoemulsion edible composite films", o qual trata do desenvolvimento do filme de mamão, está entre os mais baixados no site da revista Food Hydrocolloids. "Esses destaques mostram que a comunidade científica também está de olho nessa área e acredita em seu potencial", avalia o pesquisador; acrescentando a importância de parcerias científicas nacionais, como com a "Universidade Estadual Paullista Júlio de Mesquita Filho" (Unesp) e internacionais, entre as quais destacou o trabalho conjunto com o Agricultural Research Service (ARS), dos Estados Unidos. Ele ressaltou também a participação dos profissionais da Embrapa Agroindústria Tropical (CE).
Fonte:Embrapa Instrumentação
imprensa.instrumentacao@embrapa.br
Telefone: (16) 2107-2901
Fábio Reynol (MTb 30269 /SP)
Secretaria de Comunicação
Região de Sorocaba é uma das principais na produção de tangerina
Estudo do Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, destacou Sorocaba como uma das principais regiões produtoras de tangerina, ou mexerica como também é conhecida a fruta. O levantamento analisou os anos de 2009 a 2013 e registrou uma perda de 1,8 milhão de pés no Estado devido ao "envelhecimento natural do pomar, bem como problemas de pragas e doenças de difícil controle, tais como mancha marrom de alternária, declínio, clorose variegada, morte súbita e o greening". Esses fatores comprometeram o pomar e elevaram o custo de produção.
Em 2013, o cultivo da tangerina totalizou 4.833 mil pés em todo o Estado. Os 19 municípios do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de Sorocaba tinham 505 mil pés em 2013 e a produção foi de 1,47 milhão de caixas (de 40,8 quilos cada uma), de acordo com o levantamento do IEA. Está entre as três regiões de maior relevância no Estado, junto com São João da Boa Vista e Jaboticabal.
A redução do plantio e queda na produção foram significativas na região do EDR de Itapetininga, conforme o IEA. O estudo apontou uma queda de 666 mil pés em 2009 para 157 em 2013. Quanto à produção, houve baixa de 1,7 milhão de caixas em 2009 para 308 mil em 2013. Envelhecimento do pomar, pragas e doenças fizeram com que agricultores trocassem a tangerina por outras culturas.
Safra e empregos
O período de safra da fruta ocorre a partir de maio e em algumas regiões indo até dezembro. No Brasil e em São Paulo a preferida é a variedade poncã, por ser mais doce. O principal mercado é o interno. Em 2014, a produção reduzida elevou o preço. Pesquisadores do IEA estimaram também a mão de obra empregada no cultivo da tangerina no Estado. "O ano de 2009 foi o que a cultura ocupou 9.368 pessoas diretamente nos pomares paulistas, e 2013 foi o de menor ocupação, com 6.770 pessoas, sem computar a colheita."
O período de safra da fruta ocorre a partir de maio e em algumas regiões indo até dezembro. No Brasil e em São Paulo a preferida é a variedade poncã, por ser mais doce. O principal mercado é o interno. Em 2014, a produção reduzida elevou o preço. Pesquisadores do IEA estimaram também a mão de obra empregada no cultivo da tangerina no Estado. "O ano de 2009 foi o que a cultura ocupou 9.368 pessoas diretamente nos pomares paulistas, e 2013 foi o de menor ocupação, com 6.770 pessoas, sem computar a colheita."
Normalmente é necessário uma pessoa para o cultivo de 2 hectares. Os cuidados são realizados por pessoas que, com seus familiares, estão fixados no meio rural com o sustento ligado diretamente à produção de tangerinas. A cultura proporciona trabalho e sustento a um elevado número de outras pessoas que atuam em atividades correlatas, como no transporte, distribuição, indústria de sucos e comercialização.
Ranking
Em 2013, a produção no Estado foi de 11,09 milhões de caixas de 40 quilos, com 4.833 pés. Segundo o estudo, "a tangerina ocupou, em 2013, a 16ª posição no ranking do valor da produção dos principais produtos do Estado de São Paulo (total de 51 produtos), variando de R$ 298,23 milhões em 2009 a R$ 493,74 milhões, apresentando variação anual de 12,4%". Entre as frutas frescas, no mesmo ano a tangerina ocupou a 4ª posição no ranking, ficando atrás apenas de banana, laranja de mesa e limão.
Em 2013, a produção no Estado foi de 11,09 milhões de caixas de 40 quilos, com 4.833 pés. Segundo o estudo, "a tangerina ocupou, em 2013, a 16ª posição no ranking do valor da produção dos principais produtos do Estado de São Paulo (total de 51 produtos), variando de R$ 298,23 milhões em 2009 a R$ 493,74 milhões, apresentando variação anual de 12,4%". Entre as frutas frescas, no mesmo ano a tangerina ocupou a 4ª posição no ranking, ficando atrás apenas de banana, laranja de mesa e limão.
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
Marcelo Roma - 06/01/2015
marcelo.roma@jcruzeiro.com.br
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