domingo, 28 de agosto de 2016

Logística trava competitividade do agronegócio sul-americano

Especialistas defenderam a necessidade de investimento público em infraestrutura no 4º Fórum de Agricultura da América do Sul

Com crescimento constante em seus índices produtivos, a América do Sul encontra dificuldade em escoar com agilidade e eficiência sua produção agrícola para países do hemisfério Norte como a China, grande parceiro comercial do bloco. O tema foi assunto de debate no painel “Logística: A América multimodal em busca da competitividade”, durante o primeiro dia do 4º Fórum de Agricultura da América do Sul, realizado no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba (PR).

A falta de investimento nos modais de transporte impede que o agronegócio da região seja competitivo na entrega dos seus produtos. “Na origem já somos, temos que ser também no destino final”, afirma o diretor-presidente do Porto de Paranaguá, Luiz Henrique Dividino. “Precisamos trabalhar o nível de serviço logístico para atender o setor de commodities”, complementa.

Atualmente, 65% da produção agropecuária brasileira é escoada pelas rodovias, o que mostra a sobrecarga do modal. “Estamos ocupando muito as estradas do Brasil. Isso porque não há uma boa política voltada para ferrovias, e não temos estrutura hidroviária que responda às necessidades do país”, afirma o presidente do Terminal de Grãos do Porto de Itaqui, Luiz Claudio Santos.

Como reflexo da falta de investimento, o especialista destaca entraves como a ausência de manutenção adequada das rodovias e pavimentação e baixa extensão de duplicação. “Temos muito a fazer. Estamos atrasados em competitividade em relação ao preço”, explica Santos. De acordo com o presidente, se o nível de investimento em logística não for incrementado serão necessários 50 anos para tirar o déficit dos valores aplicados para melhorar toda a cadeia logística.

Novas rotas

A analista comercial do Terminal Internacional de Manzanillo, no Panamá, Larissa Barrios, também participou do painel e detalhou o funcionamento do novo Canal do Panamá, inaugurado em junho, após nove anos de obras. A principal mudança foi feita nas eclusas, que passaram a receber embarcações com até 150 mil toneladas (Neopanamax) – navios 2,5 vezes maiores que os recepcionados até então, os Panamax. A ampliação pode gerar queda nos custos de frete e também no tempo gasto com transporte, principalmente no escoamento da safra de grãos pelos portos do Arco Norte brasileiro.

Serviço

4º FÓRUM DE AGRICULTURA DA AMÉRICA DO SUL

DATA: 25 e 26 de agosto de 2016

LOCAL: Museu Oscar Niemeyer (MON)

ENDEREÇO: Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico – Curitiba (PR)

INFORMAÇÕES e INSCRIÇÕES: www.agrooutlook.com.br

Fonte: Agrolink com informações de assessoria

Barreiras comerciais restringem competitividade de produtos brasileiros

Negociações das barreiras agrícolas sejam são complexas porque países exigem contrapartidas econômicas


O diplomata brasileiro em missão na Organização Mundial do Comércio (OMC), Celso de Tarso Pereira, disse que é possível ampliar mercado para os produtos brasileiros no exterior com a derrubada de barreiras comerciais e que esse é um desafio para o país. “São produtos competitivos, produzidos sem subsídios, que deveriam ter um acesso desimpedido nos principais mercados. O desafio é definir uma estratégia para desmantelar essas barreiras”, disse o diplomata, que participou do 4º Fórum de Agricultura da América do Sul, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.

Pereira citou o exemplo do açúcar e do frango, produtos dos quais o Brasil é líder em exportações, mas que só são vendidos à União Europeia no sistema de quotas tarifárias. O que excede as cotas é taxado com tarifas de importação mais altas. Segundo o diplomata, existe uma “fortaleza” de restrições, de cotas e de picos tarifários que impedem que as exportações brasileiras sejam tão competitivas quanto os produtos industrializados de outros países são no mercado nacional. “É quase uma dívida histórica que deveria ser equacionada. Ela será, mas apenas gradualmente”, avaliou.

As negociações para que as barreiras agrícolas sejam superadas são duras, segundo Pereira, principalmente porque os países envolvidos exigem contrapartidas econômicas em outros setores, como na área de serviços ou de compras governamentais. “A discussão fica mais difícil, porque é necessário ter na mesa não só os representantes da área agrícola, mas também do resto da economia brasileira”, explicou.

Barreiras sanitárias

Celso de Tarso Pereira também falou sobre as barreiras “criativas” praticadas no mercado internacional. Segundo ele, vários países impõem restrições a produtos agrícolas brasileiros sob o pretexto de que eles não seguem padrões sanitários internacionais. “São barreiras impostas sem a devida fundamentação científica, apenas com intuito protecionista”, ressaltou.

Para contornar o problema, o diplomata apontou duas soluções possíveis em âmbito internacional. A primeira seria a negociação direta com os possíveis importadores, para convencê-los de que os produtos brasileiros cumprem as normas sanitárias internacionais. E a segunda solução, mais drástica, seria uma ação de litígio junto à OMC para que as barreiras sem fundamentação científica sejam derrubadas.

O governo brasileiro não descarta a solução drástica, segundo o diretor de Acesso a Mercados e Competitividade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, João Luís Rossi, que também participou do fórum. “Podemos até recorrer a um litígio via OMC caso os nossos argumentos, que são científicos e baseados em princípios técnicos, não sejam aceitos por questões que não tiverem uma justificativa plausível.”

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Nova uva brasileira conquista mercado inglês

A cultivar permite a programação da produção para que coincida com as janelas de mercado de outros países exportadores e com preços mais vantajosos


Uma novidade lançada em 2012 no Brasil já ganhou os paladares do mundo. Uma uva preta, com sabor especial, bom equilíbrio entre açúcar e acidez e sem sementes está fazendo sucesso na Europa e conquistou o exigente mercado britânico. A BRS Vitória é a primeira cultivar brasileira de uva sem sementes tolerante ao míldio, principal doença fúngica que ataca as videiras no país. A resistência permite a redução das aplicações de agroquímicos no parreiral.

A nova cultivar, desenvolvida especialmente para as condições climáticas do Brasil, é recomendada para regiões de clima tropical úmido, como no Sudeste, e tropical semiárido. Por aqui, a produção desse tipo de uva tem se destacado nos municípios de Petrolitana (PE) e Juazeiro (BA). Com planejamento da época da colheita, os produtores trabalham com duas safras anuais e conseguem programar a produção para que coincida com as janelas de mercado de outros países exportadores para a Europa com preços mais vantajosos. No Brasil, a cultivar já chegou às principais redes de supermercados de grandes cidades do país

De acordo com o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, João Dimas Garcia Maia, um dos coordenadores do Programa de Melhoramento Genético, com irrigação e uso de produtos para promover brotações, é possível escalonar podas durante o ano todo e proporcionar as colheitas para o melhor período do mercado. “Nas condições tropicais, a diminuição na duração do ciclo possibilita deixar as plantas em repouso por cerca de 30 a 40 dias entre os sucessivos ciclos além de aumentar o acúmulo de açúcares durante a maturação resultando em uvas mais doces,” conta Maia.

O sabor diferenciado da nova uva trouxe uma importante vantagem competitiva à balança comercial brasileira já que possibilita exportações de uva entre abril e dezembro para boa parte do mercado britânico. Além disso, a tolerância ao míldio também resultou em vantagens econômicas e ambientais. Segundo Maia, essa é uma característica que está sendo priorizada no desenvolvimento de novas cultivares de uva. “Ser tolerante possibilita uma produção mais sustentável, pois se pode reduzir cerca de 20%as aplicações de fungicidas, trazendo benefícios aos viticultores, ao meio ambiente e também aos consumidores”, enumera.

De acordo com a pesquisadora e coordenadora do Programa, Patrícia Ritschel, a BRS Vitória já foi aprovada para o plantio nas principais regiões produtoras de clima tropical e subtropical como São Paulo, Paraná, Minas Gerais além do próprio Vale do Submédio do São Francisco . Segundo Patrícia, a equipe está trabalhando no sistema de manejo para que produtores da região Sul também possam começar a produzir. “Estamos ajustando algumas questões de controle de produção e época de colheita, mas acreditamos que em regiões de clima mais úmido como no norte do Paraná ou no Rio Grande do Sul, o ideal será a utilização do cultivo protegido, para evitar problemas como a podridão-da-uva-madura”, detalha.

Os cuidados no manejo dessas cultivares no campo, definição do ponto ideal de colheita, sistema de embalagens, classificação e resfriamento pós-colheita, associado a uma boa rede de distribuição tem posicionado bem as cultivares da Embrapa no mercado, tornando possível aos consumidores conhecer as novas uvas e impulsionar a sua demanda.

Programa de Melhoramento Genético de Uva

Desde 1977, dando sequência às primeiras iniciativas da antiga Estação Experimental de Caxias do Sul, a Embrapa Uva e Vinho conduz um Programa de Melhoramento voltado à obtenção de cultivares para processamento (vinho e suco) e para mesa. Os pesquisadores buscam desenvolver novas cultivares com melhor adaptação às diferentes condições edafoclimáticas das regiões onde a videira é cultivada no Brasil. Os melhoristas almejam elevadas qualidade e produtividade, alta tolerância às doenças que atacam a cultura, como o míldio e o oídio, e materiais voltados a diferentes finalidades (mesa, suco e vinho).

O Programa utiliza métodos clássicos de melhoramento com manutenção de um Banco de Germoplasma,acervo que reúne cerca de 1,4 mil tipos de uva, entre espécies cultivadas e silvestres, variedades, clones e seleções. Estão em fase de teste três seleções para vinho, três seleções para suco, e 38 seleções de uvas de mesa.

Em cerca de três anos, a Embrapa iniciará uma nova etapa de teste de validação com novas cultivares de uvas sem sementes, incluindo seleções de cachos mais soltos e com bagas maiores, para diminuir a demanda de mão de obra e uso de reguladores de crescimento. Nesse grupo, que está em processo de limpeza de viroses, há uvas brancas, vermelhas e pretas de diferentes sabores.

Câmara Setorial da Citricultura discute mitigação de cancro cítrico e desoneração do suco de laranja

A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Citricultura do Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA) realizou, nesta quinta-feira (18), em Brasília, a terceira reunião de 2016, com a participação de representantes da citricultura de vários estados.

A necessidade de uma nova legislação para o cancro cítrico e a queda do consumo de suco de laranja dominaram a pauta da reunião.

A mudança da legislação de controle do cancro cítrico, que tem sido discutida ao longo desse ano, ganhou novo apoio. O setor produtivo de limão se manifestou a favor de uma nova abordagem de controle da doença e de comércio das frutas cítricas.

De acordo com o presidente do sindicato rural de Taquaritinga, Marco Antonio dos Santos, no primeiro semestre as exportações de limão somaram U$S 80 milhões, mas a expansão da doença coloca em risco o comércio com o exterior, o que afetaria sobretudo os pequenos produtores da fruta.

Por decisão unânime de seus membros, a Câmara Setorial irá enviar ao MAPA, onde a nova legislação passa por avaliação, uma recomendação para que a liberação do sistema de mitigação de risco (SRM), uma proposta que prevê que os produtores tomem medidas rígidas de prevenção e fiscalização de produção nas áreas mais atingidas pelo cancro cítrico. 

O presidente da CitrusBr, Ibiapaba Netto, mostrou a situação do suco de laranja, desde os estoques até a queda de consumo da bebida no mundo. De acordo com o executivo, medidas como a isenção ou diminuição de impostos sobre o suco de laranja e o aumento da participação do suco natural nas bebidas prontas, como néctares, podem ajudar a estimular o consumo e teriam impacto positivo para a produção. Na próxima semana Netto deverá levar ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, uma proposta nesse sentido, na qual teve o apoio da Câmara Setorial.

O sistema de monitoramento de psilídeo (inseto transmissor do HLB/greening), chamado Alerta Fitossanitário – Psilídeo, também foi tema de uma apresentação feita pelo engenheiro do Fundecitrus, Ivaldo Sala. A ferramenta, desenvolvida pelo Fundecitrus, tem auxiliado os citricultores paulistas e do Triângulo Mineiro a controlar o HLB em suas propriedades e na região.

A iniciativa foi apreciada pelos representantes de outros estados que propuseram expandir o sistema para todo País com ajuda do MAPA. 

A reunião teve ainda um panorama da citricultura baiana, apresentado pelo representante do estado, Geraldo Almeida Souza.

Fonte: Fundecitrus

Grupo traça plano para reduzir agrotóxicos na comida

Criado há dois anos, o Comitê de Sustentabilidade da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) trabalha para incentivar seus associados a se tornarem referência no assunto. A entidade estimula a reciclagem e o uso consciente de recursos naturais, que, consequentemente, colaboram para a redução de custos nas empresas e contribuem para uma melhor qualidade de vida de toda a sociedade. "Incentivamos os associados para que produzam ações, mesmo que individuais, para termos uma cadeia mais produtiva e consciente", afirma o diretor do comitê e gerente de relações institucionais do Walmart, Eduardo Cidade.

Neste ano, em que se comemora os 35 anos da Expoagas, o grupo assumiu o desafio de qualificar os fornecedores de produtos hortifrutigranjeiros para os supermercados do Rio Grande do Sul. Está sendo elaborado um plano de ação conjunto, que visa construir estratégias de qualificação da produção e de fornecimento de alimentos seguros aos consumidores gaúchos.

O Comitê da Agas convidou representantes de entidades e órgãos públicos para, juntos, discutirem medidas que ajudem os agricultores a reduzir o uso de agrotóxicos nas frutas, verduras e legumes fornecidos ao mercado. "O produtor sabe produzir, mas é preciso ter um plano de ação para aprimorar a gestão da propriedade dele", diz Cidade. O trabalho do grupo está adiantado e, durante a Expoagas 2016, que está ocorrendo no Centro de Convenções da Fiergs, em Porto Alegre, deve ser realizada mais uma reunião técnica e assinado o Termo de Cooperação. "Se tudo der certo, nossa intenção é que o plano seja colocado em prática ainda neste ano", afirma o diretor.

Para integrar o grupo de trabalho técnico da Agas foram convidados representantes da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), da Secretaria da Agricultura Pecuária e Irrigação, da Emater/RS-Ascar, da Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, da Ceasa, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Sebrae-RS e varejistas. O diretor técnico da Fepagro, Carlos Oliveira, aprovou a iniciativa de reunir setor público e privado para debater um tema que atinge toda a sociedade. "Assim, cada instituição pode contribuir para melhorar ainda mais a qualidade dos alimentos produzidos e ofertados no Rio Grande do Sul", diz ele.

Segundo o gerente comercial da WQS Certificações - empresa de São Paulo que coordena o Projeto 3P do Grupo Walmart -, André Tanzi, o perfil dos produtores de hortifrutigranjeiros do Estado é formado por produtores da agricultura familiar, e 46% dos fornecedores têm rendimentos anuais de até R$ 100 mil. "Esse percentual é muito maior do que nos demais estados em que trabalhamos", avaliou.

Já a diretora da Food Design - empresa de consultoria especializada para a cadeia de alimentos -, Ellen Lopes, garante que a segurança dos alimentos não pode ser uma vantagem competitiva, mas uma responsabilidade compartilhada por todos os envolvidos da cadeia de produção e distribuição.

Agas incentiva uso consciente de lâmpadas e sacolas plásticas

O uso consciente de energia e das sacolas plásticas é tema que está sempre em pauta dentro da entidade. Na edição do ano passado da Expoagas, foi lançado um plano para o correto descarte de lâmpadas fluorescentes por gerador domiciliar. Um Termo de Cooperação com o Centro de Apoio Operacional de Defesa do Consumidor e da Ordem Econômica do Ministério Público do Rio Grande do Sul foi assinado para auxiliar na execução e divulgação do projeto.

A Agas promoveu ações para orientar os consumidores a devolverem suas lâmpadas fluorescentes, após o uso, em pontos de coleta, e não descartem o produto como resíduo urbano comum. Além do consumidor, o Comitê de Sustentabilidade também investe em ações de conscientização com os empresários e fornecedores. "Durante um seminário, que começou em 2015 e se estendeu neste ano, abordamos com os varejistas como reduzir custos e aproveitar as energias renováveis que estão disponíveis no mercado", conta o diretor do Comitê de Sustentabilidade, Eduardo Cidade.

Outro tema importante, que envolve diretamente a relação supermercadista e consumidor é a redução do uso de sacolas plásticas. A Agas conta com a campanha "Sacola bem utilizada ajuda o meio ambiente", lançada em parceria com o Ministério Público Estadual e a Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), para diminuir o uso de sacolinhas no Estado.

"Fizemos um trabalho intenso e permanente de conscientização com consumidores e varejistas. Algumas redes dão desconto para quem não usa a sacola plástica, enquanto outras apostam nas sacolas retornáveis", conta Cidade.

O diretor explica que a campanha das sacolas foi deflagrada a partir de uma pesquisa que a Agas encomendou em 2012 e que mostrou que 83% dos consumidores gaúchos eram contra o fim da distribuição de sacolas plásticas nos supermercados.

"Por ser uma questão cultural e que está intrínseca no cotidiano das pessoas, optamos por fazer um trabalho gradativo de educação e conscientização, reduzindo os impactos que as sacolas causam no meio ambiente e otimizando o seu ciclo de vida útil", completa.

Além da campanha institucional, outras iniciativas com este objetivo são reconhecidas pela entidade e premiadas no Ranking e no Carrinho Agas. Também são promovidos cursos para empacotadores, para que eles saibam aproveitar toda a capacidade das sacolas.

Programa ABC liberou R$ 2 bi em crédito no ano-safra 2015/2016

Recursos foram destinados ao uso de tecnologias de baixa emissão de carbono


O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) destinou R$ 2 bilhões em crédito rural, no ano-safra 2015/2016, para o Programa ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono). Essa linha financia tecnologias como a Recuperação de Pastagens Degradadas (RPD), Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), Sistema Plantio Direto (SPD), Tratamento de Dejetos Animais (TDA), Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) e Florestas Plantadas (FP).

Lançado em julho de 2010, o ABC já investiu R$ 13,2 bilhões em um total de 28,5 mil contratos com produtores rurais, que abrangem 6,8 milhões de hectares. O programa promove a sustentabilidade da agropecuária brasileira e está alinhado à Política Nacional de Mudanças sobre o Clima, assinala a Coordenação de Manejo Sustentável dos Sistemas Produtivos da Secretaria de Mobilidade Social, do Produtor Rural e do Cooperativismo.

Na comparação entre 2015/2016 e 2014/2015, houve retração no volume de contratações do ABC. No período anterior, os contratos somaram R$ 3,6 bilhões. Segundo a Coordenação de Manejo Sustentável dos Sistemas Produtivos, a queda para R$ 2 bilhões se deve à elevação nas taxas de juros da linha de crédito. Outro fator que também contribui para esse resultado foi o aumento do custo de produção.

Em compensação, o ciclo 2015/2016 teve elevação de 34% no valor médio dos contratos quando comparado com o de 2014/2015. O estado de São Paulo, por exemplo, apresentou incremento de mais de 5.500% no valor contratado para o Tratamento de Dejetos Animais. No Maranhão, houve crescimento de 1.100% no montante de contratação para Florestas Plantadas. Já Roraima aumentou em 1.400% a área de Recuperação de Pastagens Degradadas. A Região Norte registrou acréscimo de mais de 200% no valor contratados para Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta. 

A meta do Plano ABC é atingir, com suas tecnologias, 30 milhões de hectares até 2020. A Recuperação de Pastagens Degradadas representa 50% desse total (15 milhões de hectares). Até 2015, a RPD já alcançou cerca de 41,3%, conforme dados do Mapa e do Banco Central (BC).

Ainda segundo as estatísticas do Ministério da Agricultura, a iLPF tem compromisso 13% do total do uso de tecnologias do ABC e já atingiu 6,3%. O Sistema Plantio Direto também superou a projeção: ele representa 27% e chegou a 36,7%. A tecnologia de Florestas Plantadas tem meta total de 10% e alcançou 15,8%.

Região Sul se prepara para colher frutas e grãos

No Brasil, devido a grande extensão territorial e diversidade climática, sempre é tempo de plantar e colher. Na região Sul, por exemplo, os agricultores familiares se preparam para colher as culturas típicas de inverno. Entre os principais grãos estão o trigo, a canola e a cevada, que começam ser extraídos em setembro. No caso das frutas, são destaque do segundo semestre as de caroço, sendo a principal o pêssego, que começa a ser colhido no final de outubro. Além desses produtos, no final de novembro será a vez da batata, cebola e alho. 

Também é tempo de plantar. A partir de setembro é feito o plantio do arroz, sendo o Rio Grande do Sul o maior produtor nacional do grão, que será colhido a partir de fevereiro. Já as hortaliças não têm época determinada – elas podem ser plantadas e colhidas o ano todo. “Só no Rio Grande do Sul são mais de 70 tipos de hortaliças”, afirma o engenheiro agrônomo Antônio Conte, da Emater/RS, que presta atendimento de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) aos agricultores familiares do estado. “Damos orientações específicas para cada cultivo”, diz. Mas uma orientação é consenso, segundo ele. “Manter a conservação do solo, com cobertura de palhas é uma prática comum”, explica, ao garantir que a iniciativa assegura a qualidade da terra.

As frutas seguem a regra das hortaliças. De acordo com Antônio Conte, as que são cultivadas no Sul são as típicas do clima frio. “São frutas como maçã, pêssego, nectarina e uva, que são cultivadas principalmente no inverno”, exemplifica. A colheita se dá ao longo do ano, cada uma respeitando as especificidades de cada localidade. Em setembro começa a colheita do morango. “A produção de morango de dias neutros se estende até maio do ano que vem. Ela diminui um pouco o volume da colheita em janeiro e fevereiro, mas continua até fim de abril e inicio de maio”, explica Antônio Conte. Já a uva, fruta símbolo da região Sul, tem a colheita iniciada em dezembro. 

Inverno

Este ano, o inverno rigoroso favoreceu o cultivo de frutas como a uva, maçã, ameixa, pêssego, kiwi e caqui. Segundo Antônio Conte, essas frutas precisam de um regime de dormência durante o inverno. “Esse frio que está ocorrendo com intensidade no Rio Grande do Sul é uma condição favorável para que essas espécies entrem em um novo ciclo a partir do mês de setembro para apresentar produção no fim do ano e no semestre que vem”, explica. São plantas que precisam da ocorrência do frio para produzir uma safra boa”, acrescenta. “Este ano o inverno foi bem definido e isso foi bom para essas culturas”, destaca. 

Assistência 

O agricultor familiar que vai plantar e precisa de orientações pode contar com o os serviços de Ater. O objetivo da assistência é melhorar a renda e a qualidade de vida das famílias rurais por meio do aperfeiçoamento dos sistemas de produção, de mecanismo de acesso a recursos, serviços e renda, de forma sustentável. O serviço é oferecido pela Secretaria de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário em parceria com empresas públicas de Ater.

A família de Luís Carlos Laux, que tem uma propriedade em Serão Santana (RS), sabe bem a diferença que faz para a melhoria da produção quando se recebe assistência técnica. Ao lado da mulher, Eliane Hollas, e da filha, Lizandra Hollas Laux, ele tem investido na plantação de frutas depois de ter sido beneficiado na Chamada Pública do Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco. “Plantamos sete variedades de pêssego e já estamos colhendo. É muito bom ver as terras se transformando a cada época do ano. Antes, eu abria a janela e só via fumo. Agora eu vejo flores, frutas, e cada mês a propriedade está de um jeito”, comenta Eliane. 

A filha, que saiu para estudar Tecnologia de Alimentos no Instituto Federal de Bento Gonçalves, voltou no começo deste ano para a fazenda. Agora sonha em montar uma agroindústria e beneficiar não só o pêssego, mas outras frutas que a família pretende cultivar na propriedade. “Quando se faz geleias e doces no lugar onde são colhidas, dá para aproveitar tudo, inclusive as frutas com pequenos defeitos”, diz Lizandra. Luís Carlos Laux conta entusiasmado que quer aumentar a parreira para colher mais uvas e que vai plantar também laranja. “O Clair Schäffer (técnico da Emater-RS) ajudou principalmente no começo. É difícil saber o que plantar, em que apostar, como adubar. Mas depois que a gente organiza, dá certo”, disse o agricultor familiar. 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Inovação será centro de debates do Congresso Internacional de Citros em setembro

A busca por inovação e soluções mais eficazes e sustentáveis para o controle das doenças e pragas da citricultura será discutida no Congresso Internacional de Citros (ICC), que ocorre de 18 a 23 de setembro, em Foz do Iguaçu/PR. Workshops e palestras irão abordar estratégias eficazes para manter a sanidade do pomar como o uso de feromônios sexuais e o controle biológico, medidas bem-sucedidas e com menor impacto ambiental.

De acordo com Ademerval Garcia, ex-presidente do Fundecitrus e que faz parte da comissão de honra do ICC, os vários workshops são uma oportunidade para a troca de informações e experiências sobre tópicos de interesse dos vários públicos presentes no Congresso. “O tema principal, da Inovação, é muito oportuno porque a importância de fatores exógenos, como ambiente e sustentabilidade estão a exigir novos conhecimentos e nova postura da atividade”, diz.

O Fundecitrus atua nessas linhas de pesquisa desde 1996, quando começou a participar dos estudos com o bicho furão que resultou na descoberta dos hábitos do inseto, seu ciclo de vida e no isolamento de seu feromônio sexual. Esforços que culminaram em uma armadilha, disponível para o citricultor desde 2001, de baixo custo e alta eficiência no monitoramento para o controle de bicho furão.

Quando a larva minadora começou a trazer sérios problemas devido ao impacto na severidade do cancro cítrico, no final da década de 90, o Fundecitrus iniciou estudos quanto à viabilidade de importar dos EUA seu inimigo natural, e em meados de 1998 chegava ao Brasil o primeiro lote da vespinha Ageniaspis citricola, parasitóide da larva minadora.

Mais recentemente, em março de 2015, o Fundecitrus iniciou o seu maior projeto na área, com a inauguração do laboratório de Controle Biológico, em Araraquara/SP, onde funciona uma biofábrica de criação de Tamarixia radiata, com produção média de 100 mil vespinhas por mês, que são liberadas em locais onde não há controle químico de psilídeo, inseto transmissor de HLB.

Fonte: Fundecitrus

Exportações brasileiras caminham para novo recorde em 2016

Nos últimos 17 anos, o volume exportado pelo agronegócio cresceu 318%


As exportações brasileiras do agronegócio seguem em expansão, sinalizando novo recorde em termos de volume para 2016. Cálculos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostram que, no primeiro semestre deste ano, a quantidade embarcada (medida pelo IVE-Agro/Cepea) cresceu 25% em relação ao mesmo período de 2015. O faturamento obtido com as vendas externas atingiu US$ 45 bilhões, aumento de 4% em igual comparativo. Em Reais, a alta foi de 8%.

Segundo o Cepea, grande parte dos produtos acompanhados teve as vendas externas ampliadas, com destaque para as de milho e etanol, que subiram expressivos 131,1% e 100,9%, respectivamente. Também tiveram incremento no volume exportado a carne suína (55,78%), algodão em pluma (42,9%), açúcar (21,17%), soja em grão (19,6%), madeira (18,54%), carne bovina (16,82%), farelo de soja (15,11%), suco de laranja (14,35%), carne de aves (13,79%), celulose (5,06%) e óleo de soja (1,96%). Apenas café e frutas apresentaram queda nos embarques, de 8,99% e 6,67%, nessa ordem.

O bom desempenho é observado mesmo com a queda dos preços em dólar e com a valorização do Real frente às moedas dos principais parceiros comerciais do Brasil. A atratividade das exportações brasileiras do agronegócio (IAT-Agro/Cepea), preços em reais, caiu quase 12% no comparativo dos semestres.

O câmbio real do agronegócio (IC-Agro/Cepea, calculado com base numa cesta de 10 moedas) teve alta de 0,4% na comparação da média do primeiro semestre de 2016 com a dos seis primeiros meses do ano passado, enquanto os preços em dólares (IPE-Agro/Cepea) caíram pouco mais de 12%. Dos produtos analisados pelo Cepea, o grupo de frutas foi o único que não apresentou redução nas cotações em dólares.

Nos últimos 17 anos (comparando-se a média do primeiro semestre de 2016 com a de todo o ano de 2000), o volume exportado pelo agronegócio cresceu expressivos 318% e o preço em dólar dos produtos embarcados subiu 52%. A taxa de câmbio efetiva real do agronegócio se valorizou 44% na comparação da média do primeiro semestre de 2016 com a de 2000. A moeda nacional se manteve mais estável em termos reais de 2011 a 2014, com tendência a maior desvalorização em 2015, voltando a subir no primeiro semestre de 2016. Os preços internalizados (em Reais) das exportações recuaram aproximadamente 16%, permanecendo abaixo da média de 2015.

Segundo o Cepea, o ambiente econômico interno mais favorável à retomada da confiança deve manter o Real valorizado, limitando a atratividade das vendas externas brasileiras. No segundo semestre, as atenções se voltam ao desenvolvimento das safras nos Estados Unidos e aos possíveis impactos do clima sobre a oferta dos produtos agrícolas.


O papel dos fertilizantes na competitividade agrícola será tema de congresso promovido pela ANDA

Evento ocorrerá em São Paulo na próxima segunda-feira (29) e reunirá especialistas para analisar a importância dos fertilizantes na manutenção da produtividade do agronegócio brasileiro


Com o objetivo de debater o decisivo papel dos fertilizantes no incremento da produtividade do agronegócio brasileiro, a ANDA – Associação Nacional para Difusão de Adubos promoverá, na próxima segunda-feira (29), em São Paulo, o 6º Congresso Brasileiro de Fertilizantes. Tendo como tema principal “Competitividade”, o evento vem se consolidando como um dos mais importantes do segmento do agronegócio no Brasil e está atraindo o interesse de empresários, executivos, especialistas, agrônomos e demais profissionais da área, assim como autoridades e políticos sintonizados com o segmento que tem se mantido como principal alicerce da economia brasileira.

No Painel que abre o evento, o ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, André Nassar trata do tema Competitividade da Agropecuária Brasileira no Atual Cenário. Na sequência será feito o lançamento da Nutrientes Para a Vida (NPV), uma iniciativa mundial, criada nos Estados Unidos e já implantada em vários outros países, cuja missão é esclarecer e informar a sociedade brasileira, com base em estudos científicos, sobre a importância e os benefícios dos fertilizantes na produção e qualidade dos alimentos, bem como sobre sua utilização adequada.

Fundamentada em critérios científicos comprovados, a NPV estimula e promove a “Gestão 4C dos Nutrientes”, pautada em quatro princípios básicos: fonte certa, dose certa, época certa e local certo, de maneira a assegurar que não haja problemas de desequilíbrio no solo. O Painel no qual será feito o lançamento da iniciativa terá como palestrantes: José Luiz Tejon, diretor do Núcleo de Estudos de Agronegócio da ESPM; e Luis Ignácio Prochnow, coordenador do Grupo de Trabalho Nutrientes Para a Vida (NPV) e diretor do Programa IPNI no Brasil.

Entre os painéis, será prestada uma homenagem ao professor, executivo e empresário Wladimir Antônio Puggina, feita pelo presidente do Conselho de Administração da ANDA, George Wagner Bonifácio e Sousa. No decorrer dos trabalhos, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Daniel Latorraca Ferreira falará sobre Perspectivas para a Agropecuária Brasileira para os Próximos Cinco Anos. No encerramento, o consultor Ivan Wedekin, diretor da Wedekin Consultores e presidente da Câmara de Crédito e Comercialização do MAPA, trata do tema Crédito Rural: Oportunidades, Riscos e Competitividade no Agronegócio.

Serviço
6º Congresso Brasileiro de Fertilizantes
Data – 29 de agosto de 2016 - Local – Renaissance São Paulo Hotel – Alameda Santos, 2233 – São Paulo
Horário – das 9h00 às 18h30 - Mais informações: www.anda.org.br