quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Pomares domésticos recebem incentivo da Emater em Minas Gerais

Foto: Arquivo Ibraf
Colher frutas frescas direto do pé tem gosto de infância na roça. É privilégio de quem tem pomar no quintal de casa, na chácara ou no sítio. Mas o cultivo de pomares domésticos está cada vez mais acessível e, em Minas, recebe incentivo do Governo de Minas Gerais, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), que tem distribuído, desde outubro, mudas de árvores frutíferas. A iniciativa pretende beneficiar, até o final deste mês, cerca de 30 mil famílias de pequenos agricultores.

O programa de fomento à formação de pomares domésticos recebeu investimento de aproximadamente R$ 3 milhões, recursos de um convênio entre a Emater-MG e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Os valores foram utilizados na compra de 380 mil mudas de espécies, como acerola, limão tahiti, laranja pera rio, goiaba, tangerina ponkan, manga palmer, coco anão, figo, pêssego, abacate, laranja bahia, banana prata e caqui.

Valor da fruticultura

Cada agricultor recebe um kit com até 12 mudas de espécies variadas. A intenção, segundo Deny Sanábio, coordenador Técnico do Programa Estadual de Fruticultura da Emater-MG, é despertar no produtor o valor da fruticultura na alimentação, na diversificação da cultura e para o meio ambiente.

“A formação de um pomar tem várias dimensões, como contribuir com a biodiversidade, a satisfação de plantar uma árvore que vai gerar fruto, servir para abastecer a família e, ainda, gerar um excedente que poderá ser comercializado em feiras livres”, afirma Sanábio.

O técnico explica que, além de distribuir as mudas gratuitamente, a Emater fornece orientação sobre a seleção da área, plantio, preparação da cova, adubação, controle de doenças, poda e capina.

Demanda de cada região

Antes da distribuição das espécies frutíferas, foi feito um levantamento das demandas de cada região. No Centro-Oeste de Minas, por exemplo, a regional da Emater, em Divinópolis, recebeu 14.160 mudas para a formação de pomares domésticos em 30 municípios.

“Existe uma procura muito grande por mudas frutíferas nos municípios, mas os produtores têm dificuldades de conseguir mudas de qualidade como essas”, destaca o gerente regional em Divinópolis, Valério Resende.

Tarefa prazerosa

Entre as mais de mil famílias beneficiadas na região Centro-Oeste, está a de Felipe Ferreira, pequeno produtor em Mata dos Coqueiros, na zona rural de Divinópolis. Ele conta que nunca deixou de ter um ou outro pé de fruta no terreno, onde cria gado leiteiro, e que sempre quis plantar muitas árvores frutíferas no local.

“Era meu sonho, mas a maioria das mudas que eu comprava não vingava”, diz o agricultor, que agora está otimista com o kit das espécies que recebeu junto com a orientação técnica. “Será uma tarefa prazerosa pra mim e pra minha família cultivar o pomar”, ressalta Felipe. Ele tem plano de conseguir uma renda extra com a venda de parte da produção.

Segurança alimentar

Em Arcos a distribuição das mudas aos produtores é feita pela prefeitura e pela Emater-MG. Estão na lista dos contemplados 88 famílias de oito comunidades. Cada uma recebe um kit contendo duas mudas de mexerica, goiaba, laranja, caqui, banana e limão.

O extensionista da Emater-MG Zenaido Fonseca destaca que a inciativa irá aumentar o número de árvores no município e resgatar uma tradição local, contribuindo com a segurança alimentar e nutricional das famílias.

Na propriedade do produtor José Modesto Oliveira, a principal atividade é a pecuária leiteira. Por dia são produzidos 200 litros. A família é uma das beneficiadas com a entrega do kit pomar. “Vai ser bom. Eu tenho um pomar pequeno aqui, mas que está acabando”, diz o produtor.

Oliveira não sabe ainda se vai comercializar as frutas. O motivo é que, segundo ele, a família é grande. “Acho que vai ser tudo para o nosso consumo mesmo. Bom que vai melhorar a nossa alimentação. Se sobrar alguma coisa, nós podemos vender”, planeja o produtor.

Fonte: Emater/MG

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Rio Claro sedia evento brasileiro de fruticultura



Foto: Divulgação  Canal Rio Claro
A Estância das Frutas, no distrito de Ajapi, recebeu no último sábado (28), o 13º Encontro Brasileiro de Frutas Raras, onde participam pesquisadores, produtores, colecionadores de frutas raras e demais interessados na área, com trocas de mudas, degustação e outras atividades.

Rio Claro foi representado pelo gestor ambiental Willy Werner Grassmann Bóbbo, do Departamento Autônomo de Água e Esgoto (Daae). Durante o evento, foram distribuídas aos participantes mais de 60 mudas de Açaí (Euterpe oleracea) produzidas no viveiro de mudas da autarquia. “Nos sensibilizamos com o entusiasmo, dinamismo e competência profissional do Sartori, quando nos ensina a aplicabilidade das frutas em nosso dia a dia, como fonte de nutrientes e no combate a doenças através de seu consumo controlado”, comenta Willy.

Durante o evento foram entregues os certificados de participação dos palestrantes do CONFRUTI – Congresso Nacional de Fruticultura, realizado no dia 7 de novembro pela primeira vez no Brasil em formato online e gratuito, voltado para empresários agrícolas, técnicos, extensionistas, professores, pesquisadores e estudantes, onde foram apresentados temas da produção à comercialização, tais como: escolher o ambiente ou áreas para produção; adequação dos diversos tipos de solos; seleção das variedades e das mudas; manejos inteligentes; irrigações; proteções com defensivos orgânicos e químicos; colheita e processamento para o consumo, cosmetologia e bebidas; como preparar embalagens industriais e artesanais para comercialização em boutiques, conveniências, supermercados.

A Associação Brasileira de Frutas Raras (ABFR) é uma entidade sem fins lucrativos, interesse político ou religioso, tendo como objetivo: o congraçamento de interessados em fruticultura, visando a troca e divulgação de informações sobre espécies frutíferas pouco conhecidas entre os associados e o público em geral, dos setores público e privado, através de reuniões, palestras, dias de campo, internet e outros meios em conjunto com demais entidades da fruticultura, contando hoje com mais de 200 associados em todo o Brasil.

O presidente da ABFR é o médico rio-clarense Sérgio Fernando Sartori que também é proprietário da Estância das Frutas, onde possui mais de 2.400 árvores frutíferas nos seus 20 hectares. Alguns destaques são a banana, a laranja e a manga, que somam mais de 400 variedades diferentes. Outras curiosidades são o abacate preto e a goiaba roxa, além de variedades oriundas dos cinco continentes, como o Canistel (Pouteira campechiana), o Mangostão (Garcinia cochinchinensis) e o Mamei (Pouteira sapota).

Perspectivas conjunturais do mercado internacional de vinhos em 2015



Em estudo publicado pela Organização Internacional de Vinha e do Vinho (OIV), são apresentadas previsões de que a produção mundial de vinhos aumentará 2% em 2015, relativamente a 2014. Segundo previsões anunciadas, o volume total de vinho produzido chegará a 275,7 milhões de hectolitros2. Pelas cifras apresentadas, a Itália assume a condição de maior país produtor, com um aumento previsto de 10% na produção, em relação ao ano de 2014, atingindo um volume total de vinho produzido de 48,9 milhões de hectolitros. Na sequência, aparecem a França, que deverá atingir a uma produção de 47,4 milhões de hectolitros (+1%) e a Espanha, com produção prevista de 36,6 milhões de hectolitros (-4%). Complementando o ranking dos cinco principais países produtores, destaca-se, com a quarta maior produção, os Estados Unidos, que pelo segundo ano consecutivo apresenta crescimento significativo, devendo atingir 22,1 milhões de hectolitros (+1%) e, em quinto lugar, aparece a Argentina que, apesar de uma queda de 12% na produção,com uma produção estimada em 13,4 milhões de hectolitros. Chamam a atenção no estudo, as previsões para o Chile, cujas estimativas são de crescimento de 23%, em relação a 2014, atingindo a uma produção de 12,9 milhões de hectolitros, o que coloca o país na sexta posição do ranking. As evoluções opostas previstas para este ano para a Argentina e o Chile, são verificadas nas previsões apresentadas para diversos outros países, como a Alemanha (-4%), Grécia (-9%) e Nova Zelândia (-27%). Em sentido contrário, a Bulgária, que ocupa o 20º posto no ranking, apresenta uma estimativa de crescimento de 106% na produção.

Algumas questões que chamam a atenção no estudo apresentado:
Quanto ao consumo, embora sem a disponibilidade de cifras definitivas, a OIV estima que o mesmo oscilará entre os 235,7 e os 248,8 milhões de hectolitros. Com estes valores, semelhantes aos de 2014, "o equilíbrio do mercado está garantido", porque a produção estimada para este ano permitirá cobrir a demanda tanto para o consumo quanto para fins industriais.
Quanto à internacionalização dos mercados, a entidade constata a crescente consolidação: no ano 2000, 27% dos vinhos consumidos no mundo atravessaram fronteiras ao passo que,em 2014, esta proporção se elevou a 43%.
Quanto aos vinhos rosados, o estudo dedica um parágrafo específico, onde registra que, em 2014, último ano em que foram disponibilizados dados, a produção estimada alcança 24,3 milhões de hectolitros, impulsionada pelo consumo, majoritariamente, entre os jovens e pela significativa melhora na qualidade dos vinhos rosados ofertados. Segundo os números apresentados, pelo lado da oferta, este mercado é dominado por quatro países: França (7,6 milhões de hectolitros), Espanha (5,5 milhões), Estados Unidos (3,5 milhões) e Itália (2,5 milhões). Quanto à demanda, este mercado apresenta como principais protagonistas a França (36%), Estados Unidos (14%) e Alemanha (8%). No contexto internacional, a se confirmar a tendência, as exportações de vinhos rosados poderão atingir à cifra de 9,8 milhões de hectolitros procedentes principalmente de três países: Espanha (46,3%), França (28%) e Itália (15%).

1 Economista, Dr, Pesquisador, Embrapa Uva e Vinho, Caixa Postal 130, CEP 95700-000, Bento Gonçalves, RS, e-mail: fernando.protas@embrapa.br.

2 Para manter a unidade de medida utilizada pela OIV, os volumes serão apresentados em hectolitros – (1 hectolitro = 100 litros). Normalmente no Brasil este número seria lido como: 27 bilhões, quinhentos e setenta milhões de litros de vinho.




Criada nova comissão consultiva do seguro rural


Para dar continuidade ao aprimoramento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), foi criada a Comissão Consultiva de Agentes. Ela vai auxiliar os trabalhos do Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural (CGSR) sobre temas relativos ao seguro rural.

Segundo o diretor de Crédito, Recursos e Riscos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Vitor Ozaki, a nova comissão será um canal de comunicação entre o governo e os agentes do mercado de seguro. “A comissão permitirá a obtenção de informações, experiências e sugestões que contribuirão para o aperfeiçoamento do seguro rural, disse Ozaki.

Caberá a comissão analisar e estudar as condições técnicas e operacionais específicas para a implementação e operacionalização do seguro rural como instrumento de política agrícola. Ela será composta por três representantes dos produtores rurais, dois de federações de agricultura, dois do mercado de seguros (seguradoras e resseguradoras) e um de instituições de ensino e pesquisa na área de seguro rural.

No último dia 18, o CGSR criou a Comissão Consultiva de Entes Federativos, com a participação de Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Esses estados já têm programas de subvenção complementares ao PSR.

O comitê gestor interministerial é composto pelos representantes dos ministérios da Agricultura, Fazenda, do Planejamento e Desenvolvimento Agrário e pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

A Resolução nº 43, do CGSR, que institui a Comissão Consultiva de Agentes do PSR, foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (1º).

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Missão irá tratar sobre cadeia de valor e os modelos de comercialização do açaí no Pará



Nesta quarta-feira, 02, técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) conhecerão experiências que são referência na cadeia de valor do açaí e modelos de comercialização do produto no Pará. A iniciativa faz parte de uma parceria com os Ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente e a Agência Alemã de Cooperação Internacional – GIZ. O projeto, denominado Missão de Modelos de Abastecimento na Amazônia, está organizando e documentando ações relacionado às áreas de abastecimento e comercialização em municípios do Amazonas, Acre e Pará.

A partir desta iniciativa, a expectativa é fortalecer os modelos de parceria do poder público com a iniciativa privada e organizações comunitárias (PPPC), com objetivo de impulsionar o desenvolvimento socioeconômico da região. Neste sentido, a Conab compartilhará a expertise nas ações de abastecimento e comercialização de diferentes produtos, principalmente àqueles ligados a sociobiodiversidade.

Na última semana, a delegação esteve no estado do Acre e no município amazonense de Boca do Acre tratando sobre PPPC e a cadeia produtiva do açaí e de óleos. O grupo ainda esteve em Manaus e Carauari/AM, para conhecer com mais detalhes projetos sustentáveis e estratégias para fomentar a agroindústria e as cadeias de valor que a abastecem. 

Mercado brasileiro de orgânicos deve crescer 40% este ano


O mercado brasileiro de produtos orgânicos deve registrar faturamento de R$ 2,5 bilhões em 2015, confirmando seu quinto ano consecutivo de expansão. O lucro acumulado do setor nas últimas cinco temporadas já atinge a marca de US$ 35 bilhões, contrariando a tendência de retração da economia do País.

“A estimativa é de que este mercado continue com o crescimento na ordem de 35 a 40% ao ano. O setor está em plena ascensão e deve permanecer assim no futuro”, afirmou Ming Liu, Coordenador Executivo do programa Organics Brasil, ao Portal Universo Agro. A iniciativa é patrocinada pela Apex-Brasil e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, com a direção do IPD (Instituto de Promoção do Desenvolvimento).

Na avaliação de Liu, mesmo que o consumidor tenha que reduzir gastos, ele já se deu conta de que os orgânicos podem fazer a diferença: “O consumidor busca por produtos que representam um investimento em qualidade de vida, e não apenas um simples bem de consumo. Essa percepção faz com que o setor mantenha o seu mercado”.

Por outro lado, o setor de orgânicos brasileiro ainda tem muito espaço para crescimento, se comparado com outros mercados no mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, fatura anualmente nada menos que US$ 42 bilhões.

“O grande desafio do Brasil é como estruturar o processo produtivo e logístico às dimensões de nosso território, e passar a credibilidade ao consumidor final, educando e conscientizando de sua importância no consumo de orgânicos”, conclui Ming.

Parque citrícola tem 2% de área com pomares abandonados

Censo feito pelo Fundecitrus aponta 9.953 hectares de citros com alta infestação de pragas e em más condições


Foto: Divulgação Agrolink
O parque citrícola, formado por municípios de São Paulo e do Triângulo e Sudoeste Mineiro tem 9.953 hectares de pomares de citros abandonados, o que corresponde a 2% de sua área total, de acordo com o censo da citricultura, realizado pelo Fundo de Defesa da Citricultura – Fundecitrus. 

Estas áreas representam risco aos pomares sadios e produtivos devido à alta incidência de pragas e doenças, por estarem sem tratos culturais, com frutas apodrecidas no chão, mato alto, plantas com galhos secos ou mortas.

A macrorregião Centro é a mais afetada pela presença desses pomares. Nela, estão as regiões de Duartina, primeira colocada do abandono com 1.889 hectares (3% de sua área), e Matão com 1.353 ha (2%) abandonados, além de Brotas, que tem a maior área abandonada proporcional ao seu tamanho, com 1.339 ha (mais de 5%).

O Triângulo Mineiro é a macrorregião com menor área de pomares abandonados ou em más condições, com 0,88% do seu território nestes estados. 

O parque citrícola tem outros 24.672 hectares (5,5%) em condições ruins, com deficiência de tratos culturais, plantas com produtividade em baixa e manejo inadequado de pragas e doenças. Neste quesito, a região de Limeira está disparada na frente com 6.517 ha em mau estado, representando 14% da sua área. Seguida pela região de Porto Ferreira, com 3.674 ha (9%) e Brotas com 2.858 ha (12%). 

De acordo com o gerente geral do Fundecitrus, Antonio Juliano Ayres, estes pomares representam um grande risco para a citricultura. “Essas plantações servem de constante fonte de doença e criadouro de pragas, sobretudo do psilídeo, transmissor do HLB (greening). Eles devem ser erradicados porque prejudicam os citricultores que estão cuidando de seus pomares e desenvolvendo um bom trabalho”, afirma. 

O Fundecitrus tem investido em ações para minimizar o impacto causado por estes pomares. A principal delas é a criação e soltura da vespinha Tamarixia radiata, inimigo natural do psilídeo. Também tem incentivado os citricultores a buscar soluções com os proprietários de pomares vizinhos que estão em más condições, entre elas a erradicação ou pulverização da área.

O assunto também foi tratado pelo Fundecitrus junto à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) e ao Ministério da Agricultura, Pesca e Abastecimento (MAPA), solicitando formalmente agilidade e prioridade dos órgãos de defesa para soluções para áreas de alto risco. 

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Receita Federal lançará mecanismo que reduz burocracia alfandegária e beneficia a indústria de máquinas agrícolas

Instrumento será lançado em São Paulo, no dia 11 de dezembro, durante Seminário organizado pelo Procomex – Aliança Pró-Modernização Logística de Comércio Exterior


Em tempos de contenção de gastos, a indústria brasileira de máquinas agrícolas passará a contar com uma importante ferramenta para reduzir a burocracia e o tempo de tramitação na entrada e saída de mercadorias do País, cortar custos, além de ganhar agilidade e segurança na logística do comércio externo. Tudo isso será possível com o lançamento do Programa Nacional de Operador Econômico Autorizado (OEA) – Módulo Cumprimento, que será realizado no dia 11 de dezembro, em São Paulo, durante o Seminário Internacional Projeto OEA: Compliance, organizado pelo Procomex – Aliança Pró-Modernização Logística de Comércio Exterior.

O Programa OEA é uma iniciativa da Receita Federal e visa beneficiar empresas brasileiras que se qualificarem. Durante o seminário, diversas empresas que participaram do projeto-piloto receberão as Certificações OEA-Conformidade - Procomex. No caso da indústria de máquinas agrícolas, uma das empresas que receberá a Certificação OEA – Módulo Cumprimento será a CNH Latin America.

O lançamento será realizado no São Paulo World Trade Center (WTC) e contará com as participações do secretário da Receita Federal, Jorge Rachid; do secretário geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo, entre outras autoridades. Para a sessão de encerramento do seminário, é esperada a participação especial do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

John Mein, coordenador do Procomex, destaca que o seminário é direcionado para empresários e executivos que atuam no comércio internacional, profissionais e especialistas em comércio exterior, além de entidades e lideranças empresariais e de órgãos públicos ligados ao segmento. O evento será uma oportunidade para se atualizar com o Programa Nacional OEA, já adotado em 60 países, incluindo os principais parceiros comerciais do Brasil.

Serviço
Seminário Internacional Projeto OEA: Compliance
Data – 11 de dezembro de 2015
Horário – das 8h às 18h
Local – São Paulo World Trade Center (WTC) - Avenida das Nações Unidas, 12.551
Mais informações: (11) 3812-4566 ou www.procomex.org.br

Técnicas diminuem as pegadas de carbono da lavoura e das criações

Brasil começa a conhecer as reais pegadas de carbono dos produtos.
Na Europa e EUA já é tendência consumir produtos de carbono neutro.

Na Europa e nos Estados Unidos, já é comum comprar uma coisa no supermercado e encontrar na embalagem a informação da pegada de carbono daquele produto. Quanto foi emitido, se há compensação.

Há uma tendência de se consumir produtos de carbono neutro, que não impactam o aquecimento. Só agora o Brasil começa a conhecer as reais pegadas de carbono de nossos produtos. São indicadores menores do que os que nos são atribuídos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Na repoprtagem, Nelson Araújo mostra como técnicas podem diminuir as pegadas de carbono das lavouras e das criações.

Na mata em chamas, se queima carbono, matéria orgânica. A gasolina, também, veio de matéria orgânica. Um pedaço de mar ou uma floresta, encapsuladas num vão geológico, por milhões de anos.

Assim, quando se queima um tanque de gasolina estão sendo emitindo gases
do mesmo jeito de quando se queima árvore. Estas são as principais causas do aquecimento, no mundo, como um todo. Em primeiro lugar está a queima de combustíveis fósseis incluindo diesel, querosene de avião e termoelétricas ou até mesmo ao usar o gás para esquentar o leite, que vem do petróleo.

A segunda principal causa de emissão de gases no mundo é o desmatamento. Mas no Brasil, país ainda jovem, abrindo áreas de recursos naturais, as posições se invertem: o corte de florestas está em primeiro lugar. A mata deu lugar ao pasto.

O pesquisador Carlos Cerri conta que três décadas atrás especulava-se se as queimadas na Amazônia não podiam interferir na rota dos foguetes. Daí, surgiu uma frutífera parceria da Esalq com a Nasa.

Há vários anos, o Globo Rural começou a acompanhar essas investigações científicas, que contaram também com o apoio do governo da França e da Embrapa. Em 2003, no estado de Rondônia, o Globo Rural mostrou os equipamentos então desenvolvidos para medições do solo e do ar, como as câmaras para coleta de gases. Eram os primeiros passos para se descobrir as pegadas de carbono deixadas pela transformação da floresta amazônica em sistemas agropastoris.

O levantamento de dados varou década, com pesquisas em várias regiões do Brasil. Em 2013, novamente, o Globo Rural as equipes do cena perscrutando vários tipos de lavouras, cafezais e canaviais.

Quantidades significativas de solo foram reunidas para uma análise minuciosa em laboratório e, agora, recentemente, em 2015, o Globo Rural se encontrou com os pesquisadores, outra vez. Foi uma surpresa: os estudos fazem uma revisão dos dados científicos que a comunidade internacional aplicava para o Brasil, que não ‘batem’ com a realidade. “No Brasil faltam informações deste tipo. No Brasil queremos uma agricultura sustentável”, fala Cerri.

A transformação da floresta em pastagem reduz a biodiversidade dos solos. Mas, o capim, para de crescer, retira da atmosfera a maior parte dos gases emitidos na queimada. É o chamado sequestro de carbono que as culturas promovem, também. Se é soja ou cana para a produção de biocombustíveis, o diferencial é importante: ao se queimar gasolina, aumenta o efeito-estufa; com o etanol, não.

O comércio internacional se dá respeitando-se barreiras. Nas barreiras ambientais, a tendência agora é avaliar a pegada de carbono, para saber quanto é que aquele produto que saiu do campo contribui para o aquecimento global.

O biodiesel de soja do Brasil não podia ingressar nos países ricos porque lhe era atribuída uma pegada de carbono pesada demais. Por uma diretiva europeia o produto só reduziria 31% das emissões dos gases de aquecimento, comparando com o diesel convencional. O mínimo exigido eram 35%. Medições em mais de 300 fazendas brasileiras trouxeram outro resultado.

“Nossos cálculos evidenciaram que os número não estavam corretos. Hoje os nossos cálculos são de 66% a 68% e nossa pesquisa possui dados do campo, gerados no campo e dá essa competitividade ao biodiesel de soja que antes não havia”, fala Cerri.

Outro produto que tem marcação cerrada é a carne. No Brasil, que tem o maior rebanho comercial do mundo, a criação bovina é a terceira principal fonte de
emissão de gases de efeito-estufa.

Cerca de 95% do que uma vaca emite sai pela boca e pelas narinas, principalmente quando ela está ruminando. Isso provoca o que os pesquisadores chamam de eructação, um arroto.

O gás que sai do boi é o metano que, em termos de aquecimento global, tem um impacto 25 vezes maior que o carbono liberado pela queima de vegetação e combustíveis e tem um outro gás que é 250 vezes mais potente ainda que o carbono, é o óxido
nitroso. Sai da urina e das fezes dos animais.

O biólogo André Mazzeto passou os últimos quatro anos estudando as emissões dos dejetos bovinos. As placas de estrume ficam exalando por até 15 dias. Ele constatou que a emissão do Brasil é menor do que as constatadas na Europa e Estados Unidos.

“É 20 vezes menor. O PICC, órgão da ONU que cuida dos inventários de emissão de gases propõe um fator de emissão de 1%. Descobrimos em nossa pesquisa que esse fator pode ser reduzido em 0,2% ou 0,1%”, explica Mazzeto.

Adubos químicos
Os adubos químicos também são importante fonte de emissão de gases do aquecimento. Especialmente, os que são à base de nitrogênio que exalam também o óxido nitroso, que é 250 vezes mais potente que o gás carbônico. Porém, numa prática cada vez mais crescente, o químico passou a ser misturado ao composto orgânico.

A fazenda Ponto Alegre, município de Cabo Verde, sudoeste de Minas Gerais, há mais de dez anos adota sistemas conservacionistas, tendo já sido premiada por isso, inclusive com o troféu de práticas sustentáveis do Sebrae.

A redução foi significativa. A cobertura das entrelinhas com capim e resíduos da própria lavoura incorporam, sequestram mais carbono no solo e com o organo-mineral, o uso de químicos caiu quase 50%.

No todo, as emissões de gases da fazenda, comparando com o convencional de antes, caíram mais de 35%. Deixando, assim, mais leve, a pegada de carbono do café de montanha.

O assunto vasto e polêmico. Há os que não acreditam que a terra esteja aquecendo por conta das ações humanas. Mas, 2015 já é o ano mais quente da história, desde que começaram as medições de temperatura, em 1880.

Fonte: Globo Rural

PIB agropecuário foi prejudicado por cana, café e laranja, diz IBGE

PIB do setor caiu 2% no terceiro trimestre ante mesmo período de 2014.
Análise é do gerente das Contas Nacionais Trimestrais do IBGE.


A queda de 2% no PIB da agropecuária no terceiro trimestre de 2015 ante o mesmo trimestre do ano anterior foi puxada pela expectativa de perdas na lavoura de cana de açúcar, café e laranja, explicou nesta terça-feira (1º), Claudia Dionísio, gerente das Contas Nacionais Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estimativa de outubro do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, também apurado pelo IBGE, prevê que o país terá este ano uma safra de cana de açúcar 4,2% menor do que a do ano passado. A produção de café deve encolher 6,4%, enquanto a de laranja deve diminuir 3,3%.

"A cultura mais importante que a gente destaca aqui é a cana. Só que a cana está com expectativa de queda no ano, e 50% desse resultado da safra do ano a gente está computando já nesse terceiro trimestre", justificou Claudia.

O resultado só não foi pior porque a safra de milho de 2015 deve ser 7,4% maior do que a de 2014. "O milho está amenizando um pouco essa queda da cana", disse.

No caso do café, 40% da estimativa de safra - e consequentemente da perda em relação ao ano anterior - também foi incorporada ao PIB do terceiro trimestre."Por último vem a laranja, que pesa menos, mas também está com queda no ano, e 50% da lavoura colhida é no terceiro trimestre", acrescentou.

Revisões
O IBGE atualizou as informações sobre o (PIB) nos dois primeiros trimestres de 2015, sempre na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. A agropecuária teve uma variação positiva com a incorporação de atualizações de dados da safra mais favoráveis, explicou Claudia Dionísio.

A pecuária e extrativa florestal também tiveram resultados melhores. Com isso, o PIB da agropecuária passou de uma alta de 4,0% para 5,4% no primeiro trimestre, ante o mesmo trimestre de 2014. No segundo trimestre ele saiu de alta de 1,8% para alta de 2,2%.

O PIB da indústria, por sua vez, sofreu uma piora, puxada por dados piores na produção e distribuição de serviços de eletricidade, água e esgoto, em que houve uma mudança na contabilização dos insumos para termoelétricas. O IBGE incorporou dados fechados fornecidos por empresas de saneamento (água e esgoto), antes apenas projetados no cálculo.

A construção civil também passou a incorporar dados mais recentes da Produção Industrial Mensal (PIM), também revisados para baixo. Diante disso, o instituto revisou o PIB da Indústria do primeiro trimestre de 2015 ante o primeiro trimestre de 2014 de -3,0% para -4,4%. O dado do segundo trimestre saiu de queda de 5,2% para queda de 5,7%.

O cálculo do PIB de Serviços foi impactado por uma apuração de valores menores do aluguel, após a incorporação dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mais recente, de 2014. O IBGE revisou o PIB de Serviços do primeiro trimestre de 2015 de -1,2% para -1,4% na comparação com o primeiro trimestre de 2014. No segundo trimestre, o PIB de serviços saiu de -1,4% para -1,8%, também ante o mesmo trimestre do ano passado.

A despesa do Consumo das Famílias acompanhou o movimento negativo da indústria e do setor de serviços. No primeiro trimestre a revisão foi de -0,9% para -1,5% ante o mesmo período de 2014. No segundo trimestre o consumo das famílias passou a registrar um recuo de 3% ante 2,7% anteriormente, também na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. "É natural que o consumo das famílias acompanhe o movimento de indústria e serviços", disse Claudia.

O consumo do governo passou de -1,5% para -0,5% no primeiro trimestre após a revisão, em que houve incorporação de dados de despesas de estados e municípios. No segundo trimestre a queda passou de -1,1% para -0,3%.

O investimento medido pela formação bruta de capital fixo (FBCF) também refletiu a piora na construção civil e na indústria em geral, além de uma queda mais acentuada das importações. Com isso, a queda no indicador foi agravada de 7,8% para 10,1% no primeiro trimestre. No segundo trimestre, a retração também se aprofundou: de 11,9% para 12,9%.

O IBGE revisou ainda os dados do setor externo. O crescimento das exportações no primeiro trimestre saiu de 3,2% para 3,3% e de 7,5% para 7,7% no segundo trimestre. Por sua vez, as importações registraram queda maior no primeiro trimestre, saindo de 4,7% para 5%. No segundo trimestre a queda nas importações de bens e serviços saiu de 11,7% para 11,5%.

Fonte: Globo Rural