quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Agronegócio sustenta maior superávit da história da balança comercial brasileira

A balança comercial do Brasil teve o maior resultado positivo da história em 2016. Com sete produtos entre os dez mais exportados pelo país em 2016, o campo teve participação decisiva no maior superávit registrado pela balança comercial brasileira desde o início da série histórica, em 1989.

No último ano, a diferença entre as exportações e importações ficou em US$ 47,7 bilhões (o recorde anterior havia sido obtido em 2006, com US$ 46,4 bilhões).

Em parte, o saldo é consequência da recessão econômica no Brasil e do dólar em alta, que levaram a uma queda de 20,1% nas importações. Por outro lado, a moeda americana valorizada evitou um tombo maior nas exportações e a receita caiu apenas 3,5%, com destaque para a soja, que ganha pelo montante e continua sendo a campeã do comércio exterior (as vendas da oleaginosa renderam US$ 19,3 bilhões); e para o açúcar também, cujas exportações cresceram 40,35% em receita, totalizando US$ 8,3 bilhões.

Ao todo, o montante exportado pelo Brasil em 2016 foi de US$ 185,2 bilhões e as importações ficaram em US$ 137,5 bilhões, de acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Previsão para 2017

Para o secretário de Comércio Exterior e Serviços do MDIC, Abrão Neto, a balança comercial deve registrar em 2017 um superávit semelhante ao de 2016. Mas, segundo ele, tanto as exportações quanto as importações devem aumentar neste ano. “Não vamos fechar uma base de comparação exata ainda. Pode ser acima de US$ 50 bilhões, mas prevemos um patamar semelhante, entre US$ 47 bilhões e US$ 48 bilhões”, disse. A projeção leva em conta um câmbio médio de R$ 3,40. No ano passado, a taxa média do dólar foi de US$ 3,48, disse.

Volume

Apesar da queda na receita com exportações no ano passado, o país bateu recorde na quantidade de mercadorias enviadas ao exterior, com 645 milhões de toneladas, alta de 2,9% em relação a 2015. Foi o sétimo aumento anual consecutivo. Diversos produtos registraram recorde no volume comercializado, como minério de ferro, óleos brutos de petróleo, açúcar de cana em bruto, celulose, carne de frango e suco de laranja não congelado.

O destaque negativo nas exportações foram os preços, que caíram 6,2% em média. Entre os principais produtos que compõem a pauta de exportações brasileiras, só houve aumento no preço do açúcar em bruto, de 12,3%. A soja teve o menor preço médio desde 2007 (US$ 374,77 / tonelada, queda de 2,98% em relação a 2015); o minério de ferro teve o menor preço desde 2005; e o petróleo em bruto, o menor preço desde 2004.


 

Dólar cai ante real com dados globais positivos e à espera da ata do Fed


O dólar recuava ante o real nesta quarta-feira, mantendo o movimento visto no pregão passado, com os investidores esperando pela ata da última reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, e reagindo aos indicadores mais positivos da economia global.

Às 10:09, o dólar recuava 0,71 por cento, a 3,2391 reais na venda, depois de cair 0,59 por cento na véspera. O dólar futuro tinha queda de cerca de 0,75 por cento.

"A situação política interna deu uma acalmada em janeiro, sem novas delações. E o cenário internacional parece de mais otimismo", afirmou o presidente da Canepa Asset, Alexandre Póvoa. "O mercado voltou neste início de ano com mais apetite para o risco."

No cenário internacional, o dólar também caía ante uma cesta de moedas, recuando da máxima de 14 anos.

Nos últimos dias, uma série de indicadores positivos mostrou que a economia global estava com desempenho melhor do que o esperado. Mais cedo, foi divulgado que o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) apontou que atividade empresarial na zona do euro encerrou 2016 no ritmo mais rápido em cinco anos e meio.


Na véspera, o PMI também mostrou que a atividade industrial da China avançou mais do que o esperado em dezembro, com a produção alcançando a máxima em quase seis anos.

Os investidores também esperavam a ata da última reunião do Fed, em que elevou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual e sinalizou ritmo mais rápido de altas em 2017. O documento será divulgado às 17:00 (horário de Brasília).

O mercado buscará mais sinalizações de como o banco central dos EUA deve se comportar no governo de Donald Trump, que assume a Presidência do país no próximo dia 20. O republicano prometeu aumentar gastos, o que pode obrigar o Fed a ser mais duro na política monetária. Juros mais altos no mercado norte-americano podem significar saída de capital de mercados emergentes, como o brasileiro.

O Banco Central brasileiro, por enquanto, não anunciou nenhuma intervenção no mercado de câmbio para esta sessão, permanecendo de fora desde o dia 13 de dezembro.



Fonte: Reuters

Instituto de Economia Agrícola terá banco de dados da produção de orgânicos e agricultura familiar em 2017

IEA também elaborará análises do mercado de terras



O Instituto de Economia Agrícola (IEA) ampliará sua linha de pesquisas em 2017, oferecendo às empresas, consultorias e à sociedade um acompanhamento periódico de preços da produção de orgânicos e estatísticas da agricultura familiar.

De acordo com o diretor técnico do IEA, Celso Luis Rodrigues Vegro, o levantamento de preços e da produção de orgânicos será realizado em parceria com as Coordenadorias de Assistência Técnica Integral (Cati) e de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro), da Pasta Estadual, servindo como base para ações de segurança alimentar.

“Também iremos elaborar um levantamento estatístico objetivo da agricultura familiar, atualizado uma ou duas vezes ao ano, ressaltando as características desses produtores, responsáveis por cerca de 80% da produção agropecuária paulista”, adiantou o diretor-geral.


O IEA, que em 2016 completou 74 anos de atuação, sendo instituição pioneira no Brasil a sistematizar os estudos sobre economia agrícola, também elaborará análises do mercado de terras, com apoio da Secretaria da Fazenda e da Receita Federal do Brasil.

Também estarão em pauta as parcerias com as entidades de classe para o próximo ano. “Vamos buscar ações junto à União dos Produtores de Bioenergia (Udop), Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana) e outros órgãos”, afirmou o diretor, cogitando ainda entidades do governo do Estado e Federal.

Além dos estudos periódicos como a Balança Comercial, “Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista”; Previsões de safra e de produção animal, o Instituto intensificará a realização do Ciclo de Seminários: Estudos IEA. “Serão promovidos 16 encontros, possibilitando à sociedade debater temas ligados ao segmento agropecuário com especialistas”, explicou Celso Vegro.

De acordo com o secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, “a experiência do IEA será importante para atender à demanda de estudos de impactos econômicos dos projetos oriundos dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), criados pelo Governo do Estado para garantir autonomia aos institutos de pesquisa da Pasta na busca de recursos e parcerias com o setor privado. Assim, estamos aproximando o conhecimento do setor produtivo, conforme orientações do governador Geraldo Alckmin”, disse.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Programa orienta aplicação de cobre para pinta preta e cancro cítrico

O Fundecitrus elaborou um programa de controle químico conjunto de pinta preta e cancro cítrico que otimiza as pulverizações de cobre – defensivo utilizado para o combate às duas doenças.

Os pesquisadores do Fundecitrus acreditam que o programa de manejo conjunto contribuirá para maximizar os efeitos das aplicações de cobre e compatibilizar os intervalos de pulverizações. "As aplicações de cobre, que são imprescindíveis para o controle do cancro cítrico, contribuirão para reduzir os sintomas da pinta preta em pomares onde ela já ocorre e retardar o seu aparecimento em novos pomares", afirma o pesquisador Franklin Behlau.

Em plantas com menos de três anos o foco é a proteção contra o cancro cítrico, sendo que em áreas contaminadas é fundamental a aplicação de cobre nos períodos de brotação. Em pomares com mais de 3 anos - com ocorrência das duas doenças – que tiveram apenas a florada principal, as aplicações de cobre para o controle de cancro devem ocorrer a cada 21 dias, a partir da queda de pétalas até que os frutos tenham 50 milímetros de diâmetro (cerca de quatro meses).

Após esse tamanho, os frutos se tornam mais resistentes e as aplicações de cobre podem ser realizadas apenas quando houver brotação. Paralelamente, as aplicações de estrobilurina, usadas contra a pinta preta, devem ser iniciadas em novembro e repetidas de forma intercalada com as pulverizações de cobre a cada 42 dias.

Em geral, essas aplicações devem ser realizadas até abril/maio quando se encerra o período chuvoso. Em pomares com mais de uma florada, as aplicações de cobre para cancro cítrico devem ser feitas a cada 21 dias a partir da queda de pétalas até abril/maio, quando as condições climáticas se tornam menos favoráveis à doença.

"Normalmente em pomares com menos de 6 anos não há pinta preta em quantidade suficiente para a queda de frutos, o que descarta a necessidade de pulverizações de estrobilurina quando a safra é destinada para suco. Já no caso de produção para o mercado de fruta fresca são necessárias aplicações do fungicida desde o aparecimento dos primeiros sintomas da doença no pomar", diz o pesquisador Geraldo J. Silva Jr.


Fonte: Fundecitrus


Produção orgânica mais que dobra em três anos no Brasil

Produção orgânica nacional pode ser encontrada em 22,5% dos municípios brasileiros



A área de produção orgânica no país, em 2017, deve passar da marca dos 750 mil hectares registrados no ano passado. Segundo a Coordenação de Agroecologia (Coagre) da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), esse tipo de cultivo no campo já é encontrado em 22,5% dos municípios brasileiros. E a perspectiva é ainda maior para este ano que se inicia.

Dados da Coagre indicam que houve um salto de 6.700 mil unidades, em 2013, para aproximadamente 15.700, em 2016, ou seja, mais que o dobro de crescimento em três anos. Sudeste é a região com maior área de produção orgânica, totalizando 333 mil hectares, com 2.729 registros de produtores na Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO), também vinculada ao Mapa. Na sequência, aparecem as regiões Norte (158 mil hectares), Nordeste (118,4 mil), Centro-Oeste (101,8 mil) e Sul (37,6 mil).

Coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos), mantido pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Sylvia Wachsner avalia que “o incremento das unidades orgânicas no Brasil é muito importante, por ser um indicativo de que, cada vez mais, os produtores rurais estão investindo em uma produção sem o uso de insumos agroquímicos, que é uma opção mais segura para o próprio agricultor, para o consumidor e, especialmente, para o meio ambiente”.

“Ao mesmo tempo, vem se firmando a consciência de que os alimentos orgânicos têm o apelo dos consumidores por serem bons para a saúde, fato que abre novas oportunidades de mercados”, comenta Sylvia.

Para ela, “esse crescimento produtivo vem ocorrendo, sobretudo, devido ao incremento dos agricultores familiares, que veem na agroecologia e na produção orgânica em si uma maneira de atender, dentro dos próprios municípios, a programas que envolvem, por exemplo, a merenda escolar, por meio do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar)”.

“O atrativo de programas, como o PNAE, o crescimento das feiras livres e a maior comunicação direta entre produtores agroecológicos e os consumidores vão permitir que esse mercado continue a crescer em 2017.”

FICHAS AGROECOLÓGICAS

Diversas informações sobre as tecnologias adequadas e permitidas legalmente para a produção orgânica no Brasil, que ajudam agricultores que pretendem entrar nesse mercado ou aprimorar os conhecimentos já adquiridos, estão disponíveis no site do Ministério da Agricultura (www.agricultura.org.br) e do CI Orgânicos (www.ciorganicos.com.br).

Reunidas em Fichas Agroecológicas (link encurtado: ow.ly/IlL1307Czu9), elas incluem técnicas de manejo do solo, de preparo de insumos agrícolas para controle sanitário animal e vegetal, de manejo das plantas espontâneas e de adubação verde, entre outras práticas agroecológicas.

Sylvia Wachsner avalia a importância desse apoio: “As fichas agroecológicas atendem a uma falta de conhecimento no setor de orgânicos, que é provado, simples e de fácil realização, mas precisa ser divulgado e compartilhado entre os produtores rurais”.

“A massificação na divulgação destas tecnologias deve resultar também no incremento das unidades de produção agroecológica no país. E estamos falando de tecnologias provadas no campo, com bons resultados.”

A coordenadora informa que as fichas agroecológicas também são divulgadas no site do CI Orgânicos (www.ciorganicos.com.br/biblioteca/fichas-agroecologicas) e ainda fazem parte da biblioteca de informações disponibilizada para os produtores, na mesma homepage.

CPORGS

Para auxiliar os produtores de alimentos orgânicos no país, o Ministério da Agricultura ainda conta com as Comissões de Produção Orgânica (CPOrgs), espalhadas por inúmeras unidades da Federação, e que são responsáveis pela coordenação de ações de fomento à agricultura orgânica. Ao todo, elas são formadas por 578 entidades públicas e privadas.

“As CPOrgs, das quais a SNA faz parte, no Rio de Janeiro, funcionam como fóruns de troca de informações entre os representantes dos segmentos da cadeia de produção orgânica dos Estados, assim como coordenam ações e projetos de fomento. Entre suas atribuições, auxiliam na fiscalização e propõem políticas públicas para o desenvolvimento da produção orgânica”, relata Sylvia.

Em sua opinião, “ao serem compostas pelo mesmo número de representantes de entidades públicas e privadas, as CPOrgs criam um networking entre os interessados, ajudando a alavancar a produção estadual e permitindo um trabalho conjunto dos envolvidos nessa cadeia de produção”.

CI ORGÂNICOS

Com o apoio do Sebrae Nacional e do Sebrae-RJ, a SNA mantém o Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos), que tem como objetivo principal contribuir para o fortalecimento da cadeia produtiva de alimentos e produtos orgânicos no Brasil, por meio da integração e difusão de informação e conhecimentos.

O trabalho envolve a identificação, coleta, tratamento, análise e disseminação das informações estratégicas para os sistemas orgânicos de produção, viabilizando seu uso no processo decisório do segmento, com o propósito de incrementar a qualidade, a produtividade e a competitividade dos produtores e demais integrantes dos sistemas orgânicos de produção.

ORGANICSNET

Outro projeto mantido pela SNA com o apoio do Sebrae-RJ, o OrganicsNet – Rede Comunitária para Acesso ao Mercado pelos Produtores Orgânicos) visa estimular a cadeia de produção orgânica por uma plataforma na internet. Implantado em março de 2008, apoia os pequenos e médios produtores, oferecendo visibilidade aos seus negócios; conhecimento sobre demandas de consumidores e mercados; acesso a ferramentas que facilitam a gestão de seus empreendimentos; além de incentivos à integração e troca de informações.

Com 33 empresas participantes e atendendo aos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pará, Mato Grosso, Paraná e São Paulo, o projeto está em franca expansão. Para mais informações, acesse www.organicsnet.com.br.

CURSOS DA EWB/SNA

Em seu campus ambiental e educacional, a Sociedade Nacional de Agricultura ainda mantém a Escola Wencesláo Bello, oferecendo 53 cursos de extensão livres. Na área de produção orgânica, os cursos ministrados pela EWB/SNA são de Boas Práticas na Manipulação de Produtos Orgânicos de Origem Vegetal; Gestão Integrada de Resíduos Orgânicos; Horticultura Orgânica – Básico; Horticultura Orgânica – Produção e Utilização de Adubos; Horticultura – Planejamento da Produção; e Noções Básicas Sobre Agricultura Orgânica.

Para mais informações, acesse www.sna.agr.br/extensao, envie e-mail para ewb@sna.agr.br ou ligue 21 3977-9979/ramal 4 ou 9. A Escola Wencesláo Bello fica na Avenida Brasil nº 9727 (acesso principal) ou Rua Comandante Vergueiro da Cruz nº 480 (acesso alternativo), no bairro da Penha, Rio de Janeiro.


AL: Feira orgânica comercializa frutas e verduras cultivadas sem agrotóxico

A terceira edição da Feira Orgânica aconteceu, na manhã desta terça-feira (3), na sede da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), das 8h às 12h. A feira ocorre sempre na primeira terça de cada mês.

Consumidores e adeptos de produtos sem agrotóxicos estiveram no estacionamento da secretaria e adquiriram os produtos comercializados pelos agricultores do assentamento Dom Hélder Câmara, de Murici, e Aldeia Verde, localizado no bairro Benedito Bentes, em Maceió.

A novidade desta edição foi a comercialização frutas, como manga, maracujá, carambola, banana, jaca, sapoti, abacaxi, coco e até polpa de frutas. Os tradicionais inhame, batata doce, alface, couve, hortelã, além de outros produtos cultivados sem o uso de agrotóxicos também foram comercializados.


Agricultor da Aldeia Verde, Danilo Canuto, destacou que ao poder expandir ao público as frutas cultivadas sem agrotóxico tem a sua importância econômica e saudável.

"As pessoas estão mais conscientes com a saúde e o produto orgânico tem apenas benefícios. Não gastamos dinheiro com agrotóxicos e nem maltratamos a terra. Ou seja, produzimos algo natural de forma humana", explica o agricultor, exaltando ainda que a Aldeia Verde tem mais de vinte anos de atuação em Maceió.

A terceira edição da feira contou ainda com moradores do bairro de Jacarecica, servidores da Semarh, Delegacia Geral da Polícia Civil e da Escola Fazendária.


Agricultura aposta na agregação de valores na produção para enfrentar crise

90% dos municípios paranaenses têm sua base rural



Grande safra, inclusão produtiva e segurança alimentar com boas práticas de conservação do solo e da água. Esta é a expectativa do secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, para o próximo ano, apostando na capacidade e competitividade da agricultura paranaense.

“Concluindo um ano mediano em desempenho agrícola, devido aos problemas climáticos e crise financeira, estamos otimistas com o novo ano que promete uma safra recorde de verão e boa safra de inverno,” destaca Ortigara.

Considerando que 90% dos municípios paranaenses têm sua base rural e que a agricultura é um dos primeiros segmentos a responder às dificuldades econômicas, a Secretaria vai apoiar as iniciativas de negócios inovadores, com pequenas e médias agroindústrias familiares. “Em janeiro, já estaremos lançando novo edital de chamamento do Programa Pro-rural, com oportunidades para se implementar novas ações com valor agregado à produção”, diz Ortigara.

Há uma forte tendência para próximo ano de um processo crescente de agregação de valor naquilo que é mais caro aos paranaenses que é sua agricultura, sua pecuária, sua agroindústria.

Durante o Encontro de Prefeitos ocorrido recentemente em Foz do Iguaçu, o estande da Seab teve grande procura por parte dos futuros administradores municipais, preocupados em como enfrentar a crise neste inicio de mandato. As demandas apresentadas foram um bom termômetro para medir o interesse e a valorização do ambiente rural como estratégico para enfrentar a crise. “Muita procura de apoio à manutenção de conservação de estradas rurais e também solicitações de maior intervenção e articulação na assistência técnica para melhorar o desempenho agrícola”, lembra Ortigara.

SANIDADE

Outra ação positiva para o agronegócio paranaense será a iniciativa na área de sanidade animal. Segundo Ortigara, o Paraná está negociando com o estado do Mato Grosso do Sul para sintonizar as ações para eliminar de vez a febre aftosa, doença que prejudica as exportações de carnes bovina e suína. “Queremos criar um ambiente mais aberto ao comércio de carnes”, disse.

PANORAMA ESTADUAL

A Secretaria da Agricultura vai consolidar as políticas de apoio aos agricultores mais vulneráveis, com iniciativas para capacitá-los e inseri-los num ambiente mais competitivo. “Com recursos do Banco Mundial e contrapartida do Estado vamos apoiar novas agroindústrias familiares em áreas mais carentes do Estado, com o objetivo de reduzir as desigualdades regionais. Também vamos fomentar ações para o fortalecimento das cadeias produtivas na área de olericultura, frutas, produtos orgânicos, leite e agroindústria familiar”, afirmou Ortigara.

Outra iniciativa será a ampliação do esforço para aperfeiçoar o desempenho da agricultura, com a melhoria da infraestrutura no meio rural. “Teremos melhores condições de apoio às ações de recuperação e adequação das estradas rurais, com as patrulhas rurais que foram compradas com recursos do programa Pró-Rural”.

“Em 2017 seremos mais ousados na inclusão produtiva dos agricultores pobres, com recursos do BID, do Família Paranaense-Renda Agricultor e do Fundo de Combate à Pobreza “, diz Ortigara. Haverá uma busca mais ativa de apoio na transformação de muitas famílias rurais que têm alguma aptidão para agricultura mas não estão conseguindo realizar o trabalho, começando pelo apoio na instalação de água encanada e saneamento básico.

Está previsto ainda um programa de maior segurança alimentar às famílias vulneráveis, com ampliação da rede de atendimento, reestruturação do Banco de Alimentos da Ceasa, apoio à implementação e funcionamento de restaurantes populares e compra direta da produção da agricultura familiar.

CAPACITAÇÃO

Uma grande ação está em curso para melhorar o manejo de solo no Paraná e será intensificada no próximo ano. Uma aliança estratégica com 16 entidades públicas e privadas está em construção.“ A manutenção de nossa capacidade e competitividade na agricultura, pecuária e agroindústria depende de uma feliz investida na conscientização de nosso agricultor para o seu principal patrimônio que é o solo”.

FEVEREIRO

A partir de fevereiro, a Secretaria quer tornar mais agressiva a política de manejo de solos e água. “Estamos finalizando o processo de formação e capacitação de técnicos que serão enviados para planejar e executar ações no campo. Vamos querer resultados na área de bom planejamento conservacionista”, diz o secretário.

A meta é treinar cerca de dois mil técnicos do serviço público e da iniciativa privada, que serão capacitados a orientar os projetos de conservação de solos e água nas propriedades rurais. Serão instaladas unidades didáticas de macro parcelas para servirem de modelos e extração de bons indicadores de manejo de solo e de água.

“Apostamos na estratégia de percepção dos agricultores da necessidade de manutenção da boa condição de produção do seu solo. Um solo que precisa estar biológica, física e quimicamente bem resolvido, sem erosão, com boa cobertura e capacidade de absorver a chuva para que a agricultura continue competitiva”, afirma.

BALANÇO 2016

Segundo Ortigara, em 2016 o agronegócio passou por ajustes por causa da crise econômica, sofreu com o clima que teve influência da corrente El Niño, que contribuiu para a perda do ritmo de crescimento na produção. “Foi um ano de ajustes, tivemos que enfrentar a elevação dos custos de produção das empresas e de outras cadeias produtivas, com a elevação dos preços do milho. E para agravar, ainda tivemos redução no consumo”.

Conforme avaliação do secretário, o agronegócio ainda enfrentou prejuízos com o clima. Houve excesso de chuvas na primeira safra e geadas no inverno, eventos que influenciaram diretamente na redução da safra de grãos do Estado, com perdas estimadas em 4,6 milhões de toneladas na produção de soja, milho, feijão. Também houve um ambiente hostil de comércio, a China reduziu as compras de grãos, mas a desvalorização da moeda que ocorreu até o mês de setembro elevou a lucratividade das commodities.

“Mesmo assim, foi uma safra boa em termos de rendimento e tivemos preços razoáveis para quase todos os produtos e ainda a consolidação do Paraná como segundo produtor de leite no ranking nacional, manutenção da liderança na produção de frangos”, destacou o secretário. Segundo ele, não dá para se queixar muito dos preços, que se mantiveram favoráveis ao produtor, em função da desvalorização da moeda que elevou a lucratividade, ajudando o setor a se manter forte, dinâmico e competitivo.

Além disso, houve a recuperação do setor de mandioca, que vinha acumulando prejuízos no ano anterior. A produção de fumo se manteve com boa remuneração aos produtores e agora tem a expectativa de início de recuperação do setor sucroalcooleiro, com a política de transparência da Petrobras, apontou. “A recuperação do setor sucroalcooleiro vai contribuir com a renovação dos canaviais e o setor ganha estímulo no campo”, prevê.

Lembra o secretário que com esse quadro de ajustes rápidos a uma situação de crise e em face do aumento da demanda externa, foram consolidados bons investimentos das empresas privadas no Paraná nas áreas de cervejaria, frigoríficos e madeira, com investimentos de empresas de porte como a Hainecken e Ambev, Frimesa e Klabin, Agrária.

Agricultores do extremo norte do TO colhem resultados positivos com agroecologia

O Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins) tem como princípio contribuir de forma participativa para o desenvolvimento rural sustentável, centrado no fortalecimento da agricultura familiar. Com base nesse princípio, órgão vem desenvolvendo diversas ações, em todo o Estado, voltadas à produção agroecológica, sendo uma delas a Chamada Pública em Agroecologia, da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento (Sead).

Em 11 municípios beneficiados com a chamada no extremo norte do Estado, região conhecida como Bico do Papagaio, o Ruraltins tem empenhado em promover uma assistência técnica e extensão rural utilizando como base os princípios sustentáveis de produção agrícola, e obtendo excelentes resultados. Um dos exemplos de sucessos vem de Jairnópolis, ou povoado Cabanas, como é conhecido, distante 40 km do município de Araguatins.

Conforme Ricardo Loff, técnico responsável pelo atendimento aos agricultores do povoado, no local residem cerca de 15 famílias, destas, apenas oito aderiam as práticas agroecológicas, preconizadas na Chamada Pública. “Os produtores do povoado já trabalham com as metodologias agroecológicas de forma tradicional, no entanto, faltam-lhes conhecimentos de algumas tecnologias que potencializam a produção, como por exemplo, a correção de solo. E esse é o papel do Ruraltins, ensiná-los e orientá-los, introduzindo novas tecnologias e respeitando sua cultura, para que desta forma, produzam mais e melhor”, disse o técnico.

Segundo Ricardo Loff, os resultados superam as expectativas e os que não aderiram à Chamada Pública querem também participar. “Há produtores que a produção mais que dobrou e hoje comercializam o excedente para o Programa Aquisição de Alimentos (PAA) – modalidade Compra Direta Local. Os que não participavam viram os bons resultados e a partir de fevereiro vamos aumentar o número de participante”, informou o técnico.

Dentre os produtos mais cultivados no povoado estão a mandioca, a abóbora, o feijão, o amendoim, o inhame, além de hortaliças e frutas. 

Chamada Pública em Agroecologia

A Chamada Pública em Agroecologia da Sead visa trabalhar o desenvolvimento social, econômico e ambiental das famílias, bem como consolidar práticas produtivas da agroecologia existentes, focadas na produção saudável de alimentos, livres de agrotóxicos. 

De acordo com a gerente de Agroecologia do Ruraltins, Geane Rodrigues, ao todo estão sendo investidos mais de R$ 6,5 milhões, beneficiando 1.250 famílias de agricultores. A ação contempla oito municípios na região central, sete na região sul e 11 no extremo Norte. 

“Na região do Bico do Papagaio, 450 famílias de agricultores foram selecionadas nos municípios de Araguatins; Augustinópolis; Carrasco Bonito, São Miguel, Sítio Novo, Buriti, Praia Norte, Augustinópolis, Axixá, São Salvador, São Sebastião, Sampaio e Esperantina. Em 2017, vamos para o segundo ano da Chamada Pública e já em fevereiro estaremos dando andamento às atividades”, informa a gerente, lembrando que a chamada tem duração de três anos.

Retrospectiva 2016: diretor da SNA, Fernando Pimentel avalia seguro e financiamento rural

O valor das operações é de aproximadamente R$ 370 milhões



O governo federal garantiu o pagamento de mais de 90% das apólices do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), contratadas em 2016, conforme anúncio da Secretaria de Política Agrícola (SPA), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O valor das operações é de aproximadamente R$ 370 milhões, de acordo com os cálculos do próprio órgão.

“Antecipamos, inclusive, parcelas com vencimentos previstos para o primeiro trimestre de 2017”, informou o secretário da SPA, Neri Geller, no último dia 30 de dezembro, durante coletiva, em Brasília (DF). Ele ainda reforçou que, com essa iniciativa, o Ministério da Agricultura cumpriu o acordo feito com o setor produtivo.

Avaliando parte do atual cenário do seguro rural no país, o diretor da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) Fernando Pimentel aponta que, em 2016, “tivemos algumas mudanças substanciais neste segmento”.

“Em julho, o ministro Blairo Maggi (do Mapa) solicitou a criação de um grupo de trabalho para sugerir mudanças nos programas de subvenção e na operação do seguro rural. A proposta do grupo era a de apresentar um relatório em 90 dias, e o prazo foi cumprido. No entanto, medidas efetivas só serão aplicáveis em 2017. Também entrou na pauta o assunto zoneamento climático”, destaca Pimentel, que também é analista de mercado e diretor comercial e de operações da Agrometrika.

Ele também comenta sobre a incorporação da Câmara do Seguro Rural pela Câmara de Crédito e Comercialização do Ministério da Agricultura: “Isto foi positivo, haja vista que os temas têm sinergia em várias frentes e devem ser discutidos de forma integrada”.

MODERNIZAÇÃO

“Nossa legislação de crédito rural e o Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) datam de 1965 e devem ser rediscutidos em consonância com as propostas de modernização do seguro. Nesse contexto, o novo governo tomou iniciativas interessantes junto aos órgãos gestores, reguladores e a iniciativa privada.”

Em relação ao financiamento ou concessão de crédito agrícola, Pimentel avalia que “2016 foi um ano mais difícil nesse quesito”.

“Os bancos públicos e privados assumiram uma postura mais conservadora diante de um aumento da inadimplência, em grande parte motivada por fatores climáticos, sobretudo, nas regiões do Matopiba (nova fronteira do Brasil, que abrange alguns municípios do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

PERSPECTIVAS

Em relação às suas perspectivas para 2017, Pimentel destaca que “os ajustes das datas de plantio, sobretudo na segunda safra de milho, são demandas importantes”.

“Houve muita frustração, especialmente no Estado de Mato Grosso, com a falta de cobertura em apólices de milho, supostamente plantadas fora do calendário que, na verdade, em parte estava em desacordo com as práticas comuns naquela região.”

Sobre a concessão de crédito agrícola neste novo ano, o diretor da SNA acredita que a oferta de crédito, via banco, deve seguir caindo, pelo menos no primeiro semestre, por causa da queda dos depósitos à vista e da poupança.

“Por outro lado, as empresas comerciais, sobretudo as tradings, serão pressionadas a financiar os produtores da mesma forma que os fornecedores de insumos. Será um ano desafiador nesse quesito. Os cortes do orçamento público, após o ajuste fiscal, e as incertezas políticas não contribuem, atualmente, para a oferta de crédito no Brasil.”

Por fim, Pimentel analisa a aplicação da lei que autoriza a renegociação de dívidas de crédito rural (Lei nº 13.340/2016: ow.ly/F6DU3078lYs): “Ela é necessária, mas negativa. Isso porque as renegociações assustam o financiador privado, que não tem as mesmas condições que bancos públicos, fundeados pelo Tesouro”.

DADOS DO MAPA

Apesar de ainda sofrer com os impactos das mudanças climáticas em 2016, o saldo foi positivo para a agricultura, conforme secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, ao fazer o balanço do ano.

“Dos R$ 183,1 bilhões programados para o atual Plano Agrícola e Pecuário, já foram contratados R$ 57,1 bilhões até novembro, com destaque para o Moderfrota”, disse ele. A vigência do plano vai até 30 de junho de 2017. Para mais informações, acesse

Conheça os cuidados com a falsa ferrugem, praga que afeta os pomares com maior intensidade em janeiro

O ácaro causador da falsa ferrugem, Phyllocoptruta oleivora, ocorre em todas as variedades de citros durante todo o ano, porém, com maior intensidade nos períodos quentes e úmidos de dezembro a janeiro e de maio a junho. A praga infesta folhas, ramos e frutos. Nos frutos, é responsável pelo surgimento de manchas, amadurecimento precoce e desuniforme, que tornam as cascas espessas. Nas folhas, aparecem manchas de coloração escura, irregulares, frequentemente localizadas nas bordas.

Reconheça

Na fase adulta, o ácaro da falsa ferrugem apresenta coloração amarela e possui corpo em forma de cunha e fusiforme. O tamanho da fêmea varia de 150 a 165 mm de comprimento, o do macho é de 135 mm. Os ovos do ácaro são depositados nas depressões de folhas e frutos. Após três dias, em média, surge a ninfa, que apresenta características muito semelhantes ao ácaro adulto.

De acordo com o professor Daniel Andrade, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp, em Jaboticabal, no verão, o ciclo completo do ácaro da ferrugem é mais rápido, de 7 a 10 dias, no inverno é de 14 dias. A longevidade máxima da fêmea é de 20 dias, período no qual libera cerca de 20 ovos.

“No inverno, os adultos hibernam, abrigando-se em brotações e folhas enroladas. Em períodos mais chuvosos, são facilmente arrastados pela água, mas é preciso estar atento pois este tipo de clima favorece a infestação devido ao aumento da umidade do ar e pelas melhorias das condições das plantas”, explica.

Sintomas

Ao infestar as folhas, o ácaro causa dano bem característico, reconhecido pela forma irregular, coloração escura, localizadas na superfície inferior e nas bordas das folhas. Laranjas novas, quando intensamente atacadas pelo ácaro da falsa ferrugem, não conseguem se desenvolver normalmente e apresentam coloração escura (de acinzentada a marrom-escura).


Quando o ataque ocorre próximo da fase de maturação, as laranjas adquirem coloração marrom-clara, sintoma conhecido por “mulata”. Quando o ataque deste ácaro ocorre em limões, limas e pomelos, a casca das frutas adquire coloração prateada. Entretanto, os sintomas variam de acordo com a idade do fruto atacado, sendo “enferrujados”, quando atacados ainda jovens, ou “bronzeados’’, quando atacados mais tardiamente.

Danos

As infestações do ácaro reduzem a capacidade fotossintética da planta, que provoca diminuição na produtividade do pomar. O ataque severo da praga em um pomar, pode torná-lo economicamente inviável devido à queda de frutos, que pode variar de 5 a 20%, dependendo do nível de infestação.

As cascas ficam mais espessas, fazendo com que eles percam o valor comercial tanto para consumo in natura como para indústria, pois causa danos às máquinas de extração. Além disso, as altas infestações provocam queda na quantidade de vitamina C, redução de peso, e alteração no sabor.

Controle

Para fazer um bom controle do ácaro da falsa ferrugem é importante reconhecê-lo em condições de campo. Os produtores devem monitorar a população do ácaro durante todo o ano, mas nos meses chuvosos e com a presença de frutos jovens a atenção deve ser redobrada. O controle químico tem sido o método mais utilizado para combater o ácaro. Antes de aplicar o acaricida, recomenda-se a inspeção de folhas e frutos, principalmente os verdes e com mais de 1,5 centímetros de diâmetro, localizados na porção média e na periferia da copa das plantas.

O enxofre é o principal ingrediente ativo dos produtos utilizados para o controle. Entretanto o uso excessivo pode eliminar importantes fungos que são inimigos naturais do ácaro. A aplicação deve ser feita quando a praga for encontrada em 20% das folhas ou frutos inspecionados, no caso do mercado de frutas frescas, e 30% quando a produção for destinada à indústria.

Fonte: Fundecitrus